terça-feira, 10 de maio de 2016

O Outono Petista

Por Eduardo Guerini
Se o dinheiro é o laço que me prende à vida humana, e a sociedade a mim, e me liga à natureza e ao homem, não é ele o laço de todos os laços? Não é ele também, portanto, o agente universal da separação? Ele é o meio real tanto de separação quanto de união, a força galvano-química da sociedade. (Karl Marx – Manuscritos Econômico-Filosóficos,1844 – Terceiro Manuscrito - Dinheiro)
   
   O outono no hemisfério sul costuma ser um período de transição entre duas estações antagônicas. Entre Março e junho acontece uma gradativa redução da luz diária com ápice do equinócio (do latim – aequus (igual) e nox(noite) – noites iguais), provocando diversas alterações climáticas e naturais, na medida que quanto mais próximo do inverno, a iluminação sobre a Terra pelo sol, fica mais desigual, com dias mais curtos e noites mais longas. Nessa estação de transição, ocorre o aumento da incidência dos ventos, a redução gradativa das temperaturas, a incidência de nevoeiros e diminuição da umidade do ar, ainda, na vegetação acontece a queda das folhas para adaptação à mudança climática, razão direta da menor incidência de iluminação solar e diminuição da fotossíntese.

   A natureza produz efeitos sobre a vida das pessoas, é tempo de inspiração e melancolia, é tempo de árvores desnudadas em todos os lugares. Como a natureza imita a vida política e social da Republiqueta de Bananas e Laranjas (principalmente laranjas), o momento político, econômico e social brasileiro é simbólico do outono das mudanças diante de um cenário crepuscular produzido pelo Partido dos Trabalhadores, em processo corruptivo, degenerativo com perda de norte e direção.

   O nascimento do Partido dos Trabalhadores na aurora da transição do regime ditatorial assegurou uma ampla base social nas trajetória partidária, historicamente ligada aos movimentos sociais, ao movimento social, à esquerda socialista-marxista sobrevivente da ditadura militar, e, a parcela da Igreja Católica progressista. Porém, tal como a mudança climática, na vitória de Lula em 2002, o transformismo e cooptação resultaram na famosa Carta aos Brasileiros, que assegurava as diretrizes básicas de prosseguimento da política dominante de FHC. Estava assegurada a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder político, com clara traição política aos interesses daqueles movimentos sociais que construíram a agremiação partidária.

   No esteio do segundo mandato, do ponto de vista da esquerda, o sequestro ideológico do modelo social democrata proposto na agenda tucana se aprofundou, e, arraigou no lulopetismo uma geração de quadros pragmáticos, oportunistas e carreiristas, uma esquerda liberal fraca que se lambuzou no primeiro escândalo do mensalão, e, para uma fração majoritária do eleitorado brasileiro aperfeiçoou seu projeto de continuidade no poder, aparelhando o Estado sob a égide do “centralismo democrático” (sic!!) conduzido pelo ex-ministro e atual sentenciado José Dirceu – o verdadeiro artífice da composição com espectros amplos da direita brasileira, do grande empresariado nacional e transnacional. Nas palavras de Cesar Benjamin - economista, fundador do PT em 1980 e dirigente do Partido até 1995: “Tornou-se um grupo abertamente conservador, voltado para um projeto de poder, não um projeto de sociedade”.

   No desnudar das árvores com folhas caídas, os movimentos sociais cooptados pelo lulopetismo, gradativamente foram transmutando em folhas secas , com a queda da combatividade da CUT – Central Única dos Trabalhadores, adotando uma estratégia defensiva do Governo Lula, com proposições economicista reformistas , fragmentação de lutas com agenda propositiva focada no criticado modelo do “sindicalismo de resultados”, tal como fora implantado pela Força Sindical, mais uma prática sequestrada da outrora prática criticada pelos sindicalistas cutistas.

   Nos ventos outonais da mudança, o lulopetismo no poder tratou de enquadrar agora seus militantes e movimentos sociais cooptados na tradicional forma “stalinista”, transformando as organizações de massa em “correias de transmissão” do projeto de poder, e, de forma particular , tratou de aparelhar o Estado com manifesta profissionalização dos quadros que agora vivem da “política” com indicação para as estruturas de ministérios e cargos de livre indicação - os comissionados do Partido, que agora se sobrepõe ao militante ideológico tradicional, que desencantado e desiludido perde espaço, porém, continua defendendo o lulopetismo. Os traços dominantes traduziram no patrimonialismo, clientelismo, empreguismo com clara cooptação ideológica para atendimento das necessidades financeiras e midiáticas do projeto partidário orientado pela cúpula burocrática – o modelo do neo-stalinismo periférico caboclo.

   O nevoeiro do transformismo e cooptação encontra sua síntese perfeita quando o petismo trata de adotar um ajustamento na “via única” do modelo liberal periférico, aproveitando a bonança dos preços das “commodities” agrícolas e minerais. O abandono do programa histórico e alternativo de transformação político social perde defensores e militantes, garantindo a modelagem liberal, no velho e bastardo reformismo, com o consentimento das classes trabalhadoras cooptadas para um discurso social-liberal-desenvolvimentista.

   Daí, a tentativa desesperada dos militantes em apontar a inclusão pelo consumo como base de uma suposta redistribuição de renda. Do mínimo ético aos mínimos sociais, o lulopetismo acabou se corrompendo e degenerando, renovando o patrimonialismo e o empreguismo com as suas sucessivas coligações do centro para direita. A política de cooptação somada a corrupção para financiar o “projeto de poder” não somente aprofundou as crises sucessivas de Lula – como liderança populista/carismática, como corroeu a base ético-moral do segundo mandato, potencializado pelo início da Operação Lava Jato.

   Na sucessão de Lula, surge a emblemática MÃE DO PAC, uma criação midiática que elegeu um poste – Dilma Rousseff. O recurso do Criador (Lula) era eleger uma criatura (Dilma) diante de sua elevada popularidade, afinal como afirma Bolívar Lamounier (Lula e Dilma, uma farsa em cinco atos. 08/05/2016), ela combina duas virtudes - a passividade de um poste (sem luz) e fidelidade canina. Afinal, a equação do partido burocratizado que institucionalizou a corrupção passiva e ativa, tinha como único logro, trazer Lula “nos braços do povo”.

   Com os cofres partidários recheados, a elite dirigente petista, usou e abusou das velhas fontes de financiamento dos partidos tradicionais, institucionalizando as doações por corrupção ativa e passiva, onde os principais setores do bloco de poder dominante – o setor financeiro, setor da construção e o primário-exportador promovessem a amalgama monetária que institucionalizou a degeneração política do lulopetismo. O Partido dos Trabalhadores, nas suas patranhas discursivas de falar para os pobres, vivenciou as benesses do poder e boa vida dos grandes capitalistas.

   E como folhas caídas, a pequena política institucionalizada pelo centralismo burocrático e estalinismo nos quadros militantes, indica que o outono petista inaugura uma transformação que proporcionará um inverno rigoroso para a agremiação partidária. Todos que conhecem de política sabem o quadro desolador dos campos gélidos do ostracismo e esquecimento para lideranças carismáticas e partidos que traíram ideais!!!

3 comentários:

Léo disse...

Votei 3 vezes no Lulla. Até ser eleito. Vi o bosta que era. NUNCA MAIS!
E não entendo como ainda tem gente em SC que defende Lulla, Dillma e o PT.

Anônimo disse...

Triste fim do PT, protagonizou o maior escândalo de corrupção que se tem conhecimento no mundo; a sua maior estrela é reconhecidamente o maior ladrão de dinheiro público do Brasil; e ainda esta deixando o poder pela porta dos fundos, num dia com o numero 13.
E ainda falta pegar a Dona Ideli!

Anônimo disse...

Bravo !!!
Parabéns pela descrição da Natureza: humana e ambiental.

MBayer.

Remete ao clássico: The Embers and the Stars. By ERAZIM KOHÁK.

"Those who share Kohák's concern to understand nature as other than a mere resource or matter in motion will find his temporally oriented interpretation of nature instructive. It is here in particular that Kohák turns moments of experience to account philosophically, turning what we habitually overlook or avoid into an opportunity and basis for self-knowledge. This is an impassioned attempt to see the vital order of nature and the moral order of our humanity as one."—Ethics.