segunda-feira, 20 de junho de 2016

Coisa de louco...

   por Marcos Bayer

   Imaginem uma corrida de fundo. Uma maratona épica de 42 km. Três corredores. Dois deles descalçados. O último, de toga, com tênis Nike a prova de solos precários. Na pista, vidros esfarelados!
   É óbvio que os dois corredores descalçados chegarão ao final da prova com os pés ensanguentados. Já o atleta calçado, terá algum inchaço e calos.
   Assim é o sistema judicial no Brasil. Advogados e promotores têm prazos. Correm em solo difícil. Advogados, compulsoriamente, sacrificam suas vidas, de suas famílias e são induzidos a vários processos para poderem bancar o orçamento doméstico.

   O promotor, nem tanto, pois tem salário fixo e vantajoso.
   Já o Juiz, este trabalha sem prazos. Julga quando quer!
   Neste sistema desigual por concepção, o advogado leva ferro, o promotor dá ferro e o Juiz?
    Só louco para ser advogado no Brasil. É um jogo de três, onde um obedece aos ditames de Kronos!
    O segundo, o promotor, fica na linha intermediária do gramado.
   E o juiz, obedece aos desejos de Kairós!
   Sérgio Moro é um exemplo para a Justiça brasileira. Trabalha com prazos que ele mesmo estabeleceu. Não posterga, adianta!
   Deveria ser ministro do STF – Supremo Tribunal Federal.
   Moro colocou o Brasil nas manchetes mundiais. Colocou o Congresso Nacional inteiro para trabalhar. De segunda-feira à domingo. Nunca se viu tanta correria nas duas Augustas Casas.
   Colocou o Executivo em saia justa. Muita gente na fila das explicações.
   E ao Judiciário, sutilmente, mandou um recado: “Trabalhem mais”!
   Muito mais!
   As leis são feitas no Legislativo. Óbvio!
   As leis têm espírito, o Espírito das Leis de Montesquieu?
   Para fazer leis é preciso ter um mandato legislativo, também!
   Para ter um mandato legislativo, se o cidadão desejá-lo e ocupar um cargo comissionado na estrutura pública, tem que respeitar a lei.
   Diz a lei: Peça exoneração para disputar a eleição. São três meses sem salário, neste caso.
   Logo, há que se buscar recurso material para a sobrevivência em algum lugar.
   Onde?
   Peça aos ricos e depois retribua em dobro?
   A lei, e seu espírito, neste caso, induzem à corrupção. Logo...
   O sistema político brasileiro faliu. Está podre. Todos nós sabemos disto!
   Menos a Lei deles...
   Coisa de louco?
   Com a palavra nossos ilustres congressistas.
   Ilustres?  



Conectado no baiano de Santo Amaro da Purificação:

Caetano Veloso em “Não enche”.

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender...

Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver
Meu lado, meu jeito
O que eu herdei de minha gente
Eu nunca posso perder
Me larga, não enche
Me deixa viver, me deixa viver
Me deixa viver, me deixa viver...

Cuidado, oxente!
Está no meu querer
Poder fazer você desabar
Do salto, nem tente
Manter as coisas como estão
Porque não dá, não vai dá...

Quadrada! Demente!
A melodia do meu samba
Põe você no lugar
Me larga, não enche
Me deixa cantar, me deixa cantar
Me deixa cantar, me deixa cantar...

Eu vou
Clarificar
A minha voz
Gritando
Nada, mais de nós!
Mando meu bando anunciar
Vou me livrar de você...

Harpia! Aranha!
Sabedoria de rapina
E de enredar, de enredar
Perua! Piranha!
Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Prá rua! Se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata! Malandra!
Me deixa gozar, me deixa gozar
Me deixa gozar, me deixa gozar...

Vagaba! Vampira!
O velho esquema desmorona
Desta vez prá valer
Tarada! Mesquinha!
Pensa que é a dona
E eu lhe pergunto
Quem lhe deu tanto axé?
À toa! Vadia!
Começa outra história
Aqui na luz deste dia "D"
Na boa, na minha
Eu vou viver dez
Eu vou viver cem
Eu vou viver mil...!

The End.

2 comentários:

Léo disse...

#leidemaisjustiçademenos
judiciário #omaispodrepoder

Anônimo disse...

Jornalista Canga,

Como sempre, na veia.
Dez!

Zica da Bilica.