quarta-feira, 29 de junho de 2016

O dia que Jesus delatou José

José Lópes, da turma K
   Fazia um frio austral. Típico das noites invernais argentinas. A região era um pouco deserta, casas baixas esparsas, iluminação fraca e quase nenhum movimento, naquela madrugada. Silencio quase absoluto às 3 da madrugada.
   Jesus, apesar do frio, levantou mais uma vez. Havia perdido o sono. Algo o preocupava. Acendeu um cigarro, aproximou-se da janela com os vidros embaçados pelo pela temperatura morna da casa. Com as costas da mão limpou o vidro. A cena que viu no outro lado da rua estreita deixou-o extremamente apreensivo. Um homem, abria o porta malas de uma caminhonete e jogava grandes bolsas pretas por cima do muro do monastério Nossa Senhora De Fátima, onde viviam "las monjas enclausuradas", em um local cercado de muros altos e que sempre lhe despertou curiosidade, desde a infância.

   Sem entender a situação, soltou a cortina da janela lentamente, apagou o cigarro na soleira e ligou para a "guarda pretoriana", denunciando José.

   José, no caso, era José Lopes, secretário de Obras Públicas durante os 12 anos de governo de Néstor e Cristina Kirchner e homem de confiança do ex-ministro do Planejamento, Julio De Vido, outro prócer da quadrilha K.


   Há três quarteirões do local da chamada, um viatura da gendarmeria argentina recebia o aviso da central. Algo estranho acontecia nos arredores do monastério de "las monjas enclausuradas", em frente à casa de Jesús.

   Do aviso pelo rádio à chegada ao monastério foram quatro minutos. Quando dobraram a esquina, para acessar os fundos do monastério, os faróis flagraram a cena bizarra: José Lopes, atrapalhado, estava ocupado em lançar, por cima do muro, três das sete bolsas recheadas de dólares, euros, yenes e jóias. Ao todo, o botim continha mais de 9 milhões de dólares.

“São 160 maços de notas. Ainda estamos contando. Há dólares, euros, ienes e uma moeda do Qatar que não sabemos quanto vale. Quando a polícia chegou, López entrou em estado de choque. De início, tentou subornar os agentes. Como não conseguiu, disse à freira do local que estavam lhe roubando o dinheiro que ele planejava doar para o Monastério”, afirmava para rádios e TVs, Cristian Ritondo, secretário da Segurança da província de Buenos Aires, cercado pela imprensa que fazia a festa
     
   A notícia caiu como uma bomba naquela madrugada de Buenos Aires. De taxistas à funcionários do hotel onde me hospedava o comentário era um só. A prisão de José Lopes.


  José López é figurinha carimbada na imprensa argentina. Enfrenta vários processos na justiça, por corrupção e enriquecimento ilícito. 

   Na política também se destacou. Foi membro ativo como parlamentar no Parlasur. Era apadrinhado por Néstor Kirchner que o colocou como responsável pelas Obras Públicas em 25 de maio de 2003, primeiro dia de seu Governo. E ali Lópes se manteve, até 10 de dezembro de 2015, último dia do Governo de Cristina Kirchner. 
   Após a prisão de Lópes, a polícia entrou no monastério - "de las monjas enclausuradas" - e ao quebrarem um piso de concreto da igreja encontram mais um esconderijo da máfia K. Em Puerto Madero, outro apartamento servia de "cofre" dos ex-governistas. A quantidade de dinheiro vivo era tanta que a polícia avaliava o montante pesando maços de notas de 100 dólares. Ficaram horas pesando dinheiro.

   Parece que o bolivarianismo latino americano não tem limites para roubar. Aqui, no Brasil, a engenharia para roubar dos aposentados e pensionistas, criada pelo ex-ministro petista, Paulo Bernardo, é o mais novo capítulo desta sanha dilapidadora do patrimônio público.

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