quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Síndrome do Eleitor Desiludido e o Peiotismo Eleitoral

por  Eduardo Guerini 
Tomando uma dose de mescalina
democrática para acreditar nas
propagandas eleitoreiras e suas alianças
de ocasião. Na alienada condição de eleitor
desencantando e desiludido com
 as novas regras eleitorais.

   Todo processo eleitoral se caracteriza pela disputa competitiva pelo voto do eleitor. Quanto maior o número de partidos, a condenada fragmentação no sistema político brasileiro, que se acentuou no período de transição democrática, mais garantida a sustentabilidade e governabilidade de governos sem lastro na base social.  Tal conceito de representatividade e legitimidade é amparado com laivo na “vontade geral” que potencializa a soberania popular, garantindo mandatos temporários e alternados na democracia moderna.

   O resultado materializado das eleições diretas, subsume uma “potência de poder” aos vencedores do pleito eleitoral, nas diversas instâncias federativas, seja no Município, nos Estados ou na União. Dai, a concepção totalizadora que a maioria conquistada na eleição (50% + 1), submeteria os perdedores ao consenso que legitima qualquer ação dos vencedores.

   Embora, a extensão do sufrágio universal, a forma partidária representativa constituída em corpos políticos subordinados a Constituição, submeta uma miríade de institucionalidades perdidas nas estruturas do Estado Democrático de Direito, a materialização dos anseios da coletividade, não se evidencia no conceito de “res publicae”- aquilo que é comum para todos, independentemente de suas origens e classes.

   Quando se observa as grandes manifestações da sociedade brasileira, desde junho de 2013, encurralando os poderes representativos na débil democracia brasileira, tal o nível de sua corrosão, seja no marco programático ou ideológico, o pacto constitutivo entre representantes e representados se rompeu. O grau de resiliência se perdeu pela falta de credibilidade e legitimidade dos partidos políticos, suas lideranças e sua base parlamentar.

   Todo quadro partidário no Brasil, excluindo, uma ou outra agremiação, que orbita nessa miríade de siglas sem lastro ideológico e base programática, com claro afastamento dos movimentos sociais – organizados ou não, trata de usar o “horário eleitoral gratuito” (sic) como meio para vender seus produtos – os candidatos.

   Por extensão, os partidos e suas coligações ambicionam tomar o poder incumbente de plantão para, no menor tempo possível- aparelhar as siglas, usando os meios sórdidos da cooptação e compra direta de apoios, sem direito aos descontos promocionais ou liquidação.

   Neste processo de alienação mórbida, nada melhor que recorrer às velhas fórmulas do êxtase xamânico, usando a mescalina, alucinógeno retirado do peiote – um pequeno cacto encontrado principalmente no México e Sul dos EUA, com algumas espécies distribuídas na América Central e do Sul.

   Como as  campanhas eleitorais sob a égide das novas regras impostas pela mini reforma política  continuam a reproduzir o velho e trágico enredo da enganação, onde candidatos se apresentam como salvadores da pátria, partidos se isentam de qualquer profanação ética, coligações  são firmadas e entregues para  consumação do maior tempo de rádio e televisão, nada melhor que seguir o peiotismo eleitoral,  consumindo mescalina para aturar tamanha hipocrisia e desfaçatez das candidaturas e partidos que se apresentam neste pleito municipal de 2016.

   Neste cenário desolador, a Síndrome do Eleitor Desiludido somente encontrará superação consumando essa miragem democrática, com uma boa dose de cantigas xamânicas pedindo proteção, poder e compreensão aos deuses.

   Afinal, não é fácil para o eleitorado brasileiro nesta jornada de eleições bi-anuais ser enganado e tratado, sistematicamente, como idiota funcional. Somente mesmo, mascando alguns botões de peiote!!!

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