sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pacotes Natalinos de um Governo Trânsfuga

por Eduardo Guerini
Desembrulhando as medidas no pacote natalino de maldades e benesses do traumático governo como resposta ao cenário devastador da economia nacional.

   
   O governo Michel Temer continua sua desabalada carreira diante das situações críticas e caóticas resultantes de um situação fiscal de descalabro nas contas públicas, com resultados econômicos pífios e retorno do pessimismo que se generaliza nos principais agentes econômicos, com queda no nível de confiança de produtores e consumidores.

   A divulgação da queda vertiginosa do IBC-Br acumulado no ano, apontando uma retração de 4,82%, na série anualizada de outubro/16 comparado a outubro/15, uma depressão de 5,29%, demonstrando que a economia brasileira continua em queda livre. Este cenário depressivo em 2016 se espraia para 2017, apontando um novo ano de recessão, o que destrona todo o discurso construído de retomada da confiança e reversão do decrescimento. Este conjunto de indicadores é sugestivo, reduzindo as expectativas nos índices de confiança, consequentemente, a queda nos investimentos, o recuo nas receitas fiscais do Estado brasileiro, o alto nível de ociosidade dos fatores de produção, reflete a alta na taxa de desemprego e queda na renda real dos trabalhadores.

   Noutra dimensão, a crise institucional provocada pelo choque entre os poderes republicanos, fruto de mais uma rodada de “delações premiadas” que atingiu o coração da articulação política do governo Michel Temer, envolvendo os principais ministros do PMDB, e, a representação política na Câmara de Deputados e Senado Federal. Neste curto intervalo, a confiança depositada das elites empresariais sustentadas por uma esperança dos movimentos que lotaram as avenidas, ruas e praças para deposição do governo corrompido e degenerado de Dilma Rousseff, o momento de otimismo se transformou em momento trágico de crise econômica, política e institucional. O governo entrou em estado agônico com a catatonia típica.

   Na esteira da letargia da economia somada a desconfiança da capacidade do governo em retomar o crescimento econômico, a pressa alicerçada na aprovação de um pacote de reformas estruturais que retiraram a capacidade de investimento do Estado (PEC do Teto) e retrocesso na política de seguridade social (PEC da Reforma da Previdência), em clara posição de subserviência aos interesses do sistema financeiro nacional e internacional.

   No cenário da pior recessão, o pacote de estimulo à economia divulgado em momento de pressão contra a desconfiança sedimentada na sociedade brasileira no final de ano, é resposta clara de um legado de maldades contra os trabalhadores - redução da multa rescisória do FGTS, uso do FGTS para pagamento de juros escorchantes (esperança futura dos trabalhadores endividados), o requentado PPE para geração de parcos 200 mil postos de trabalho no universo de mais de 12 milhões de desempregados, e, potencialização de benesses para o empresariado – programa de regularização tributária, redução de prazos de repasse das operações de cartões de crédito, incentivo aos setores empresarias , regulação do trabalho intermitente, etc. É a potencialização da reestruturação que atende a elite empresarial e financeira contra a massa de trabalhadores pressionados pela recessão e desemprego. É a precarização da desgraça!!!

   Desse governo trânsfuga que nasceu torto, nada de honesto e reto se espera. No refúgio de acordos de bastidores, na calada das noites vadias no Congresso Nacional, se irrompe o delito e a mediocridade de um pacote que tem claro objetivo: submeter o Brasil aos interesses privatistas sob a batuta de uma canalha política que forja governantes medíocres.

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