sexta-feira, 26 de maio de 2017

O 5º Constitucional e o escândalo da OAB/SC

Alex Santore, o Breve, entre Raimundo Colombo (governador) e Torres Marques, presidente do TJ/SC
   Prestes a vir a público um grande escândalo que relata a mirabolante trama para eleger o advogado Alex Santore - pelo 5º Constitucional - que o levaria ao importante cargo de desembargador do TJ, a mais alta corte de Justiça do Estado.

   Após vencer todos postulantes e passando pelas "rigorosas" etapas e crivos da OAB e Tribunal de Justiça, Alex Santore teve seu nome ungido pelo governador Raimundo Colombo e, ato contínuo, sua posse suspensa pelo TJ e logo todo o processo anulado pelo Conselho da OAB.

   A farsa
   Santori, "o Breve", como ficou conhecido, não tinha as credenciais exigidas por lei para pleitear a vaga de desembargador. A farsa acabou descoberta.
   A trama para eleger Santore, teria sido urdida nos subterrâneos de algumas instituições, como OAB, Alesc, TJ, passando por lautos jantares em petit comitê.

   Sabatinas rigorosas
   Os candidatos passam por um "estreito" filtro da OAB que, depois de analisar profundamente a vida pregressa e ilibada dos inscritos, envia uma lista sêxtupla ao Tribunal de Justiça. 

   Lá, no TJ, os doutos desembargadores fazem outra filtragem, desta vez, uma sabatina sobre o alto saber jurídico dos causídicos da lista. Após um extenuante exame os componentes da mais alta corte de Justiça do estado votam uma lista tríplice que será apresentada ao governador do estado.
   Diante de tão rigoroso crivo, entende-se que os três escolhidos representem, conforme o número de votos, uma hierarquia de "o melhor", "o médio" e "o pior"!
     O governador escolheu "o pior": Alex Santore.

   De tudo isso depreende-se, principalmente, que a OAB/SC está sendo manipulada por forças estranhas à atual direção.

   Para quem fez campanha criticando as indicações políticas, comuns no passado da OAB, é lastimável que a nova diretoria tenha se deixado manipular por políticos. Este episódio deixa a atual diretoria mal na foto!

   Ficou feio, OAB! 

Convite impresso e distribuido: dinheiro jogado fora.





quinta-feira, 25 de maio de 2017

A Vale no esquema Aécio & Joesley

A trama de Aécio Neves e Joesley Batista, revelada em grampo da delação da JBS, era fazer da Vale uma versão privada do esquema de arrecadação de propinas da Petrobras, segundo acreditam os investigadores. Nesse roteiro, emplacando o ex-presidente do BB e da Petrobras Aldemir Bendine como presidente da Vale, ele teria o suposto compromisso de contribuir com US$8 milhões (R$25 milhões) por ano para “retribuir a indicação”. Essa articulação fracassou.

Os acionistas não conheciam essa armação, mas sentiram cheiro de queimado nas iniciativas de Aécio em fazer reuniões sobre o assunto.

Os acionistas privados, Bradesco e Mitsui, se uniram a Previ e BNDES, representantes estatais, para resistir à pressão.

A solução da Vale foi contratar uma empresa especializada em recrutar executivos, a Spencer Stuart, para blindar a governança da empresa.


No grampo com Joesley, Aécio se gaba de ter conseguido infiltrar o nome do escolhido para a Vale. Estava vendendo o que nunca teve.  (Diário do Poder)

"A NOVA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA"

por Emanuel Medeiros Vieira 

“Nesse país da noite/Meu Tormento/Como um cavalo em chamas,/Como um potro/Lacerado de espinhos, Nesse país do escuro,/Nossa pátria/De fúrias rodilhadas, /Meu silêncio/Como no beijo dos mortos,/Como o frio/Roçar do lábio ausente 
 (Myriam Fraga)

       Fica restaurada a escravidão.  Revoguem-se as disposições em contrário. Os idosos dão muitas despesas à Previdência: devem ser eliminados. Como as crianças que nascerem com deficiência.  É preciso endurecer. O país será dirigido por banqueiros– que mais entendem do “negócio”, ajudados por assessores, nas agências financeiras ou na mídia – onde muitos já escrevem com penas alugadas (e bem pagas).
    A democracia não dá certo nesse hemisfério. As raças se misturaram e tudo ficou feio, sujo, onde todos só querem saber de direitos. Nem todos poderão votar. Como ocorreu em certa época, só votarão os donos das maiores fortunas.  O chicote poderá ser novamente usado. Quem resistir,  será eliminado. 
  
   CLT? É uma idiotice. Ela será expurgada, como a Justiça do Trabalho. A melhor solução é a terceirização total. Como a derrubada de todos os direitos trabalhistas.

   Todos terão que sorrir – pelo menos três vezes por dia. Não serão permitidos (o Grande Irmão será o censor) a tristeza, a amargura e o desencanto.

   O pior é que aqui nasce muita gente. Só será permitido o primeiro casamento. Ame-o- ou deixe-o. Nenhuma oposição será permitida, nem a mais moderada.
    Desejamos um “Grande Irmão”, que fiscalize a todos – até os seus pensamentos.
   Queremos rebanhos – para que todos pensem a mesma coisa e tenham os mesmos valores.
   Serão criadas milícias armadas, vestidas de preto, contra a subversão da ordem, com a autoridade de atirar para matar.

   Por enquanto é só isso. Os cérebros que ousarem pensar, serão  exilados (ou mortos antes do degredo). Já há uma boa experiência no período em que o Brasil viveu, segundo a Oposição, uma ditadura. E em todas as escolas, serão lidas diariamente as palavras abaixo citadas:

“Abaixo a inteligência, viva a morte”!

   Proclamação do general fascista (falangista), Millan Astray, em 1936, durante a Guerra Civil espanhola, ao invadir a Universidade de Salamanca, na Espanha. O reitor era o  grande  filósofo e pensador humanista Miguel de Unamuno
(Salvador, maio de 2017)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

PMDB não perdoará traição de Berger a Luiz Henrique

LHS: traição fatal
"Essa foi a grande decepção da vida dele. Muitos senadores que iriam votar nele, na hora H disseram não. Não da derrota política, mas a decepção com as pessoas". (Ivete Appel da Silveira, viúva de LHS)

    A traição sofrida pelo então senador Luiz Henrique da Silveira, naquele dia primeiro de fevereiro de 2015, quando perdeu a disputa da Presidência do Senado, para Renan Calheiros, não ficou na frase -"esta é uma página virada", dita por Luiz Henrique logo que soube do violento golpe urdido por seus parceiros de partido.

    A facada nas costas calou fundo no corpo e na cabeça do velho político. Relatos de sua própria mulher dão conta de que LHS não teve o mesmo vigor e encaixe -
demonstrados nos 44 anos de vida política - para absorver este último golpe. A traição calou fundo e o líder entristeceu. Três meses depois, no dia 10 de maio de 2015, estava morto.

Ele sabia quem o havia traído. Tinha a lista. O senador Dário Berger, eleito por Luiz Henrique, contra a vontade de todo o PMDB de SC, era o primeiro da lista. Luiz Henrique havia apostado errado.

   Hoje, através da delação do executivo da JBS, Ricardo Saud, na Operação Lava-Jato, sabe-se o preço que Renan Calheiros pagou para também eleger Dário Berger e assegurar seu voto contra LHS: R$ 1 milhão!   


O Dário Berger era candidato a senador por Santa Catarina, do PMDB, com chances reais de ganhar. Então, o Renan investiu nele R$ 1 milhão para comprometer o voto (para a presidência do Senado, cuja eleição seria realizada em fevereiro de 2015). Até foi um desgaste porque o falecido senador Luiz Henrique era o candidato do PMDB de Santa Catarina à presidência do Senado com o Renan. Houve um desgaste, e o Dário acabou votando no Renan por causa desse comprometimento – diz Saud no vídeo.




   Business  
   Se engana quem acha que Dario se vende barato. Entende de números. Sempre fez negócios na política. É só pesquisar os processos na justiça e veremos que os irmãos Berger (Djalma e Dilmo) nunca pregaram prego sem estopa. O tino comercial vem de família. 

   Balcão de negócios  

   Assim como Renan apostou no voto de Dario para reconduzi-lo à Presidência do Senado lá em 2014, Dário também enxergou longe. R$ 1 milhão foi o preço em dinheiro, ajuda de custo. O melhor do acerto veio no último dia 16 de maio: Renan Calheiros indicou Dário Berger para o poderoso cargo de Presidente da Comissão Mista do Orçamento do Congresso.Renan cumpriu o tratado. Não traiu.

   Dário Berger preside hoje o maior balcão de negócios do Congresso Nacional. É ali onde são incluídas, no Orçamento da União, as emendas individuais ($$$$) de deputados e senadores de todo o país. E é Dário que diz quem entra e quem fica de fora.
   Com esta poderosa máquina de fazer dinheiro, Dario Berger se cacifa para ser um forte candidato ao governo de Santa Catarina em 2018.

Lutas intestinas
Mas a vida dessa gente não é tão fácil como se pensa. O PMDB catarinense que nunca gostou de Dário Berger, considerando-o "ave de arribação", tem três fortes candidatos ao governo do Estado: Eduardo Pinho Moreira (vice-governador), Mauro Mariani (Dep. Federal, pres. PMDB/SC) e Udo Döhler (prefeito de Joinville).

Começa a fritura
De Rafael Martini no DC de hoje
 Vapt vuptO vice – governador Pinho Moreira ofereceu na segunda-feira um jantar na sua casa para as bancadas do PMDB estadual e federal. O senador Dário Berger compareceu, mas ao ser informado sobre a repercussão da notícia de que teria recebido R$ 1 milhão para votar em Renan Calheiros e não em Luiz Henrique da Silveira, nem esquentou a cadeira e saiu de fininho.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Apocalipse brasileiro


por Emanuel Medeiros Vieira

A Ilha de Patmos, no Mar Egeu, foi onde o Profeta João  (2 a. -27 d .C) esteve exilado e recebeu  as visões do Apocalipse, registradas no “Livro do Apocalipse”, às vezes chamado de “Apocalipse de São João”. Ele foi o último dos profetas que anunciaram a vinda de Jesus. Também qualificado como o “Precursor” do Messias Prometido.
    
   Faço a introdução, porque “Patmos foi o nome dado à Operação que devastou a República e revelou mais patifarias e mais roubalheiras (mesmo para os podres  padrões da política brasileira – de falta de ética e de  corrupção).

   Revelações devastadoras? Bomba que dizima a presidência da República?
   As revelações mostram os porões mais imundos da nossa classe dirigente, sempre aliadas ao mercado financeiro e às grandes empresas.
   Quantos trambiques!
   Povo? Que povo? Só serve para ser boi de piranha.
   Qualquer palavra ou adjetivo ficará aquém das revelações.
   É o nosso pobre Apocalipse.
   E a gente descobre, na intimidade, o linguajar chulo dessa  gente, digno de lupanares (com todo  respeito aos bordéis).
Muito já foi dito, está sendo escrito.
   E a velocidade dos acontecimentos deixa-nos sempre superados.
   O “bom moço” Aécio Neves – se tivesse a dignidade do seu avô Tancredo, não tentaria mais nada: renunciaria, se entregaria à polícia, junto com todos outros envolvidos – de ideologia só formalmente diversa.
   Crise ideológica?
   Sim. Mas também crise de valores. (Sei, me chamarão de “moralista”. Já estou acostumado. Não sou cientista político.)
   Pois creio que a ética é o grande pilar de nossas vidas – como a solidariedade.
   Onde poderemos preservar as esperançadas novas gerações?
   E de todas as outras?

   A quem Michel Temer refere-se quando afirma, no diálogo com Joesley Batista (dono da JBS), que tem dois ministros do STF com ele? 
   O ministro  da Fazenda Henrique Meirelles, segundo a Revista “Forum” (de Primeiro de Junho de 2016), citada por Tania Faillace – séria analista – em texto de sua autoria, era  membro do Conselho de Administração da JBS, com remuneração de até R$40 milhões.
   
   Dou os trâmites por findos.
   Sempre disse que nossa arma maior é a palavra (quero usá-la até o fim), mas há momentos em que o nojo é muito forte. Mas é preciso continuar.
 (Salvador, maio de 2017)

Frases imperdíveis da semana que passou

"Eu não sabia o que tinha na mala" - deputado Rocha Loures
 
"Se falar de propina comigo, mando prender" - Renan Calheiros
 

"Lamento minha ingenuidade"- Aécio Neves
 

"O PT pode ensinar a acabar com a corrupção - Lula

"Olha o que eles fizeram com o Brasil"- Dilma Rousseff. 
 (Carlos Ribeiro)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Collor: O Idiota!


Aécio: O Cínico!

Montagem: CANGABLOG
Em nota, Aécio Neves, confessa que pediu dinheiro a Joesley. Mas que foi um pedido de empréstimo estritamente pessoal.
Era para pagar os advogados que o defendem das acusações na Lava-Jato.

DILMA: A VISIONÁRIA


O papagaio milionário do Colombo

Dinheiro aos municípios com juros de R$ 819,9 milhões

Reportagem do site O FAROL
Governo Colombo pede autorização para empréstimo de R$ 1,5 bilhão destinado ao Fundam ao mesmo tempo em que responde a processo por retenção irregular de R$ 198 milhões das cidades catarinenses no Tribunal de Contas e por crime de responsabilidade no MPSC pela mesma prática conhecida como “pedaladas” envolvendo operação financeira com a Celesc. Dinheiro do BNDEs e Banco do Brasil deverá ser pago pelo Executivo até 2027 e governo também justifica a operação com o uso do dinheiro financiado nas obras da ponte Hercílio Luz, mobilidade urbana na Grande Florianópolis e rodovias estaduais.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dono da JBS grava aval de Temer para compra de silêncio de Cunha

 
por Lauro Jardim (Globo)
 
RIO — Na tarde de quarta-feira passada, Joesley Batista e o seu irmão Wesley entraram apressados no Supremo Tribunal Federal (STF) e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. Os donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta, estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa. Foram lá para o ato final de uma bomba atômica que explodirá sobre o país — a delação premiada que fizeram, com poder de destruição igual ou maior que a da Odebrecht. Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.

terça-feira, 16 de maio de 2017

A maravilhosa máquina reeleitoral na província catarinense

   por Eduardo Guerini

   O governador delatado de Santa Catarina, em ato contínuo ao seu modo serrano de fazer política, na velha tradição da “gestão de compadrio”, trata de lançar às vésperas da eleição de 2018, uma nova etapa do FUNDAM – Fundo Estadual de Apoio aos Municípios.

   A iniciativa de cooptação pioneira em Santa Catarina, criada em 2013, destinou na primeira etapa aproximada R$ 610 milhões para os 295 municípios catarinenses, com toda a pompa dos representantes parlamentares, secretários de Estado e o próprio Governador. Tal liberação, em tempo de colapso fiscal é clara demonstração de campanha antecipada a cada pleito eleitoral em curso.

   Estranhamente, o Governador Raimundo Colombo, que abusou das pedaladas fiscais em engenharia financeira surreal, que consiste em criar meios para desvincular fundos estaduais garantindo a aplicação eleitoreira, passou incólume ao julgamento do Tribunal Faz de Contas, que apontou ressalvas e parcelou os desvios em 36 meses. Uma benesse para as finanças estaduais combalidas na caótica prestação de serviços.

   Tal montagem de engenha financeira, como forma de distribuir recursos no presente, endividando o Estado de Santa Catarina no futuro, principiaram em 2005, sob a batuta de Luiz Henrique da Silveira, e, são aperfeiçoadas na gestão de Raimundo Colombo, inclusive com recomendações do TCE/SC para que se suste tal procedimento de empréstimo disfarçado, provocando uma consignação de repasses menores aos municípios catarinenses, autarquias e poderes do Estado.

   Nos últimos meses, os colunistas “chapa branca” da mídia provinciana, tratavam em seus artigos diários, entrevistas de bastidores, da montagem de alianças, considerando a única evidencia intocável: o Governador Raimundo Colombo seria o candidato imbatível ao Senado Federal, alimentando os nomes possíveis à sucessão estadual.

    A bombástica campanha institucional do Estado catarinense imune a crise, sucumbe a cada nova divulgação de estatísticas da geração de emprego, produção industrial e arrecadação de tributos. As fantasias do realismo fantástico são contrastadas pela realidade dos fatos, e, para findar um governo sabujo, silente e inoperante, os catarinenses nunca esquecerão do legado colombino: uma pesada e crescente dívida pública.

   Os movimentos do Governo de Santa Catarina para postergar o pagamento da dívida estadual junto ao governo federal, a renegociação do Estado com parcelamento do serviço da dívida pública (essencialmente juros), que crescentemente serão aumentados nas parcelas que iniciaram em janeiro de 2017, com elevação progressiva até junho de 2018, quando o Estado deverá voltar a pagar parcelas cheias.

   Neste garrote fiscal, o Governador continua sua trilha para alimentar a máquina reeleitoral, com propagandas farsescas, indicando que não aumentou impostos, manutenção do “cabidário partidário”, cooptando liderança políticas que perderam as eleições municipais de 2016, para assumir as estratégicas ADR’s - Agências de Desenvolvimento Regional , as antigas e inúteis SDR’s – Secretarias de Desenvolvimento Regional.

   Em nova jogada eleitoreira, o Governador trata de apresentar a segunda edição do FUNDAM, que deverá ser votado em regime de urgência (PL/0148.9/201), que autoriza o Estado contratar operação de crédito com o BNDES, com o Banco do Brasil, ou com ambos, até o montante de R$ 1,5 bilhão para transferência ao fundo estadual para atendimento de projetos estratégicos ao desenvolvimento catarinense (sic!).

   Na atual conjuntura catarinense, em que se revela um servilismo da mídia provinciana, subserviência do Poder Legislativo – com deputados partícipes neste teatro farsesco, um Poder Judiciário, em sua cegueira e silêncio sepulcral diante dos desmandos do (des) governo estadual, a segunda edição do FUNDAM inaugura a campanha eleitoral antecipada que levará Santa Catarina à bancarrota fiscal.

   No futuro, os catarinenses sentirão saudades daquela pacata provinciana em que candidatos controlavam suas bases, arregimentando forças políticas locais pautado no ingênuo ideal que defendia um modelo de desenvolvimento próprio.

   Quando a fatura chegar aos catarinenses, num Estado endividado, em colapso na prestação dos principais serviços – saúde, educação, segurança, saneamento, o Governado Raimundo Colombo poderá desfrutar do “foro privilegiado” no Senado Federal, e, olhará com desdém para a planície catarinense.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Após depoimento de Lula...


Lula coloca o triplex na conta da mulher, morta!

 
   Os que esperavam o "embate", tão alardeado e prometido pelos petistas, entre Lula e o juiz Sérgio Moro, foram dormir decepcionados.
   O ex-presidente mais uma vez denunciou a sua personalidade de ator mentiroso e que não entrega o que promete. 
   Conhecido como "portão de lata", só faz barulho, Lula se mostrou nervoso e vacilante frente ao juiz Sérgio Moro.
   Algumas vezes tentou usar a sua surrada estratégia de desviar do assunto principal com gracinhas e tiradas popularescas. Deu com "os beiços na torneira"
   Saiu pela tangente sempre quando perguntado por petistas, já presos. Quando o juiz Moro perguntava sobre outros envolvidos em corrupção, não petistas, a resposta era sempre a mesma: 
- Esse era do PMDB. Indicação do PMDB. Tem que perguntar a eles!

   Liso"como jundiá fora d'água", o ex-presidente foi um arremedo do que havia prometido em bravatas proferidas em comícios feitos em lugares fechados e seguros. Se intimidou frente ao juiz, e teve às suas tentativas de discurso paradas na hora por um Moro, frio, técnico e sem "gracinhas". 
   Covardemente, colocou várias "dívidas" na conta da sua ex-mulher, já morta. 
  
 A culpa foi de Marisa
Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato

por Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo


   Como estava escrito nas estrelas, o ex-presidente Lula disse que não pagou pelo triplex, não estava interessado nele, não poderia nem ir à praia (“só às segundas-feiras e nas Quartas-feiras de Cinzas”), “Dona Marisa” não gostava mesmo de praia e, afinal, o apartamento era pequeno e cheio de defeitos. Ah! E Lula não sabia de nada do que ocorria na Petrobrás nem no PT.

   Então, quem sabia alguma coisa? Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato. Marisa Letícia é quem estava interessada no triplex (para investimento?) e Lula só soube depois que ela tinha ido lá com o filho, mesmo depois da desistência da compra. Essas mulheres...

   Moro não se intimidou e fez perguntas curtas, diretas, respaldadas por agendas, datas, fatos. Lula, ao contrário, parecia inseguro, sem a fluência e as sacadas típicas dele. Recorreu o tempo todo a “não sei”, “não lembro”, não tinha obrigação de saber que Renato Duque “operava” para o PT na Petrobrás e que Pedro Barusco roubava tanto que pôde devolver US$ 100 milhões à justiça.

   O depoimento foi, tecnicamente, sobre o triplex, mas ele é só uma das materializações das relações promíscuas entre o ex-presidente e as empreiteiras. Por isso, Moro fez várias perguntas sobre Duque, Barusco e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

    Mais do que o triplex, o que complica Lula é o encontro com Duque num hangar em São Paulo. O que um ex-presidente queria com um ex-diretor da Petrobrás? E por que pediu a mediação de Vaccari, que nem era do governo nem da Petrobrás? Segundo Duque, Lula foi pedir para anular provas. Mas Lula disse que só queria saber se era verdade que Duque tinha contas milionárias no exterior.  Ficou claro que, como não poderia negar o encontro, Lula adocicou a verdade. Adivinha com qual versão a Justiça trabalha?

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

“É DE ARRANCAR A TAMPA DO CORAÇÃO”

por Emanuel Medeiros Vieira
   O título é o comentário de alguém que escutou o “Réquiem”, de Mozart.
   É sábado à noite.

   Não sei quando eu vou.

   Mas indo (é da humana lida), não se esqueçam da minha filha Clarice (Barbosa Vieira)– que é bem melhor do que o seu pai.
   E a morte será apenas um “sono sem sonhos”, como disse um amigo?

   Quem saberá.

   Não há resposta lá de cima.
   Ninguém voltou e disse: “Por aqui tudo bem. Os maus estão todos no inferno, e eu estou gozando as delícias do céu”.
   As religiões nasceram pelo medo da morte?
   Mas a gente ficará na afeição e no carinho daqueles que nos amaram (isso por uma geração, talvez nem tanto e, depois, seremos todos esquecidos).

   O câncer me pegou e o tumor é incurável.

   Estou lidando com ele e com a Velha Senhora (a Indesejada das Gentes) há dois anos, quatro meses e vinte e oito dias.
   Tudo bem.
   Os mortos já não têm problemas.
   Os mortos são problemas dos vivos.
   Tanta emoção.
 

   Sim, é de arrancar a tampa do coração.

   Sentirei saudades do que poderia ter feito, de pessoas, mares e de Santiago de Compostela (e de Paris e de Veneza, antes do enxame de turistas, do terrorismo insano, e da minha cidade natal, a ilha mítica de outrora – hoje: não mais.).
   Noutra noite, sonhei que andava por Barcelona e fui assistir a um concerto.
   E o que foi tocado (obsessão do inconsciente?): o “Réquiem”, do mago e bruxo Mozart.
   Em outra noite, sonhei com o dia com 31 de março de 1964, dia do meu aniversário (fazia 19 anos), e do golpe de Estado, que nos “afugentou” por 21 anos.
   Que geração essa em que fui “metido!! Sem reclamação, rapaz"!
   E os anos passam. É uma platitude, eu sei: os anos não voltam, e ficamos velhos, enrugados (se chegarmos lá), mais cansados... e dos ossos nem falo
   Mas também me lembro de Millor Fernandes: Só quem faz, sabe a paz do feito.
   Recordo-me (de memória) de Paulo Leminski , em “Polonaises” – de uns versos, sem marcação, não bem citados, sem conferir as linhas, apenas pela memória –com aspas ou não, irmão das almas?
   Vai assim, sem o rigorismo que o poeta merecia: “Me enterrem com os trotskistas na cova comum dos idealistas onde jazem aqueles que o poder não corrompeu”.
   A memória pode ter falhado. Meus perdões, Paulo e amigos.
   Ou na cova dos velhos cristãos das catacumbas (calma, amigo: elas não existem– não importa).
   Enterrem-me na cova dos cristãos das catacumbas. Não é possível, amigo.
   Eram antes comidos pelos leões. Não eram enterrados. Alguns não foram?
   Alguém, da Academia, reclama: esse moço brinca com as palavras. “Precisa ser mais rigoroso. Não coloca notas de pé de página, como nas teses”. Danem-se as teses e as academias!
   Cansado de ser moderno, tentarei ser eterno, parodiando Carlos Drummond de Andrade.
   Mundo complicado, sectário, intolerante, cheio de matanças.
   “Entre a dor e o nada fico com a dor” – lembrei-me de William Faulkner, de “Palmeiras Selvagens”.
   É noite e tudo é noite, como no poema de Mário de Andrade.

“Esse senhor tem a mania de citação. É um obsessivo”.
   Mais: “Esconde no falso humor, o medo da morte, tem a nostalgia da família primitiva, e é um conservador”.
   Conservador? O diabinho reconhece: conservador de conservar, de eternizar as coisas boas, como as conservas (de cebola, por exemplo) que sua mãe fazia.
   Um socialista atrasado, que não entendeu o seu tempo, e está atrás, e teme a Tecnologia e a Modernidade. Busca fugir delas como o diabo da cruz. E ainda vive de utopias.

SIM: EU SOU UM PISTOLEIRO DO ENTARDECER, em busca de um boteco (sujo, empoeirado, comendo uma linguiça, com muita banha) para tomar um trago, e olhar, com a garrafa na mão, numa mesa externa, as montanhas onde viveu, na qual existiam heróis, honra e duelos ao sol poente. Sim, era de cortar a tampa do coração.

(Salvador, abril de 2017)

domingo, 7 de maio de 2017

Imanente Sobressalto

por Eduardo Guerini
 
Non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere! Spinoza. Não rir, não lamentar, nem amaldiçoar, mas compreender!

    No esteio da Greve Geral do final de abril de 2017, as centrais sindicais, federações e sindicatos uniram-se na vitoriosa paralisação que alertou a população brasileira para a tirania governamental que enseja alterar a atual estrutura das relações entre empresários e trabalhadores, na famigerada Reforma Trabalhista, e, no desmantelamento da seguridade social, na Reforma da Previdenciária.

    A mídia e setores governistas trataram de minimizar os impactos gerados por mais essa jornada em prol da defesa dos direitos, e, por extensão das conquistas para cidadania brasileira. A crise econômica e social deixou os trabalhadores sem horizonte. Sem rodeios os comentaristas “chapa branca”, os meios de comunicação – jornais e telejornais, rádio e televisão em matérias cotidianas tratam de gerar opiniões públicas, em claro desrespeito a população e consciência política dos brasileiros.

    Porém, o governo Michel Temer afundando no lodaçal da corrupção tratou de usar a velha estratégia de governantes medíocres, utilizando da cooptação de parlamentares via cargos em escalões da máquina pública federal, causando estranheza naquele espectador mais atento.

   Como um governo que o tempo todo aponta para o problema da crise fiscal do Estado brasileiro, continua usando das verbas e cargos públicos para aliciar parlamentares sem lastro ético? Com o colapso do sistema político e representação parlamentar não é hora para propor reformas profundas?

    As pesquisas publicadas durante o final de semana posterior a Greve Geral indicam uma rejeição majoritária da população para as reformas em curso, um crescente pessimismo e queda do otimismo do brasileiro, embora, o Presidente Temer, em evento em São Paulo, com a desfaçatez que lhe cabe – diz que o brasileiro naturalmente é otimista, que nesta crise é hora de trabalhar. Pena que, o governante mais rejeitado na última sondagem, com apenas 9% de aprovação, não consiga olhar para realidade: somos uma nação de desempregados!

    Noutra sondagem realizada pelo cientista político José Álvaro Moisés (USP), em pesquisa sobre a crise profunda que vivenciamos no Brasil, descobre que 90% dos cidadãos não se sentem representados, 95% sentem uma crise de projeto de nação, 92% acreditam que todos, ou quase todos os políticos, são ladrões, 80% são incapazes de apontar o nome de um político, capaz de tirar o Brasil dessa situação. Um abismo entre representantes e representados, traduzindo as dificuldades do movimento sindical diante da velocidade das reformas desestruturantes do pacto social mínimo que havia sido construído na Constituição Cidadã de 1988. Os trabalhadores e o movimento paredista neste final de abril foi um clamor no deserto!!

    Neste revigorar das forças vivas e produtivas da sociedade brasileira é chegada a hora das centrais sindicais unirem forças proporcionando um imanente sobressalto para superar governos medíocres, corruptos e fisiológicos, que há muito, se afastaram do interesse público, evidenciado nas pesquisas que reprovam as reformas em curso, o governo Temer e sua classe política.