terça-feira, 7 de março de 2017

A Suposta Benevolência Geriátrica Brasileira

por Eduardo Guerini
“Se não reformar a previdência, ela pode acabar para você, para os seus filhos e para os seus netos? Previdência, Reformar hoje para garantir o amanhã”
 (Propaganda do Governo Temer no Aeroporto do Galeão, Fevereiro/2017)
  
   O governo Michel Temer continua dia após dia naufragando num mar de lama. Os contínuos vazamentos dos delatores da Odebrecht demonstram claramente que o PMDB e PSDB associados no pós-impeachment de Dilma Rousseff, lotearam os cargos, esquadrinharam os campos para retomar a exponencial forma de se fazer a política brasileira - em troca de favores com traficantes de influência. Os notáveis de Temer se transformam em Ministros de papel, sem caneta e recursos, vivem no garrote do Ministro da Fazenda e Planejamento.

   As reformas estruturais propostas sem amplo debate, na velocidade da luz, ou como diria o relator que aprovou a Reforma da Previdência, sem obedecer aos prazos regulamentares. Todos os membros da comissão tratam de um problema estrutural da sociedade brasileira – o final do bônus demográfico e a aceleração do envelhecimento da população nacional, como uma refeição “fast food”. Em nenhum momento chamando as centrais sindicais para um debate profundo sobre o real problema do déficit público.

Noutro ponto, a regulação modulada pela Casa Civil no Palácio do Planalto é gerenciada por cargos em comissões e distribuição de postos chave no segundo e terceiro escalão. O “presidencialismo de coalizão”, se faz na Republiqueta dos Bruzundangas em torno de cooptação e corrupção à luz do dia, como assaltantes de ocasião, nenhum projeto de País, uma definição de futuro ou simplesmente uma correção no presente.

   Nesta miríade de informações, a mídia se transformou na “traficante de ocasião”, repercutindo o “regurgito político-econômico”. Na assessoria do Ministério da Fazenda, uma campanha alarmista que chegou ao ápice na última campanha alarmista produzida pelo PMDB – Partido do Presidente, com um slogan lúgubre jamais visto “Se a Reforma da Previdência não passar. Adeus Bolsa-Família, FIES, PROUNI”.

   A pressa nas reformas – TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA tem uma lógica a ser perseguida por Temer e sua equipe econômica, os “cabeça de planilha” que habitam os subterrâneos dos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Banco Central, melhorar o “ambiente de negócios”, apesar dos números depressivos da maior recessão que o Brasil mensurou, chegamos ao final de 2016, com um PIB menor em 3,7%, queda de renda na ordem de 10% e desemprego aberto que já chega aos 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Nada de mudar a rota traçada pelo sistema financeiro internacional/nacional e empresariado, mesmo que custe o presente e o futuro do Brasil!

   Em recente investida na mídia nacional, uma matéria do “The Economist”, sempre lembrado por posições liberais e conservadoras, lançou uma matéria intitulada “Chamando os velhinhos à razão”, com conteúdo que aponta para benevolência do sistema de seguridade no Brasil, onde velhos se aposentam muito cedo, com apenas 20 anos de contribuição, tendo direito a um Salário Mínimo de R$ 937,00, uma verdadeira afronta para essa jovem senhora de 56 anos de idade. E, sataniza os gastos com a previdência que chegam a 12% do PIB.

   O alarmismo em torno de dados, muitas vezes desconexos e não comprovados, somado ao “terrorismo demográfico”, aponta para vaticínio econômico e social para os trabalhadores que contribuíram durante anos, para chegar ao final da vida, como algozes das patranhas de um governo corrupto e acanalhado por uma elite ciosa de novos mercados. Com ampla maioria num Congresso comprado na “barganha de cargos e distribuição de verbas paroquiais”, os parlamentares fazem “ouvidos moucos” a opinião pública e movimentos sociais , especialmente, o movimento sindical.

Enquanto trabalhadores são submetidos ao terrorismo governamental, o governo drena mais de R$ 500 bilhões de juros para o serviço de uma dívida pública que cresce sob a batuta do Banco Central, no famigerado horizonte da Taxa SELIC. Nas notas da 205ª do COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (22 Fevereiro de 2017) que determina como se faz a patranha e patrulha dos “cabeças de planilha”, uma política monetária que joga o Brasil na RECESSÃO, retirando a esperança no presente.

   Finalmente, os membros do COPOM apostam no redirecionamento da política econômica com a implementação das reformas fiscais, notadamente a reforma da previdência, que se notabilizará por usurpar direitos e o futuro de uma geração que ajudou a construir esta nação, costumeiramente pilhada! Enquanto os economistas do governo Temer, a mídia “oficialesca” e setores conservadores falam no acúmulo de direitos que armou a bomba-relógio econômica, esquecem da pior bomba-relógio que está por explodir - a SOCIAL.

   Quando velhinhos desamparados e sem direitos vagarem pelas ruas, fazendo pequenos achaques de ocasião, relembraremos este triste momento da sociedade brasileira. Com saudosismo infantil, destacaremos que progredimos muito enquanto república: “deixamos uma geração de crianças e adolescentes desesperançada na pobreza no século XX, e, retiramos o futuro de velhos desamparados e adoecidos, sem nenhuma garantia no século XXI”.
   Será o vaticínio final do Brasil!!


Um comentário:

Anônimo disse...

Excelente texto!

O que falta ao brasileiro é se desiludir. Aceitar que estado algum tem por objetivo o bem estar social mas sim buscar formas de manter o povo gerando a riqueza para os donos do estado. E esse é um processo natural que só pode ser visto pela optica da desilusão. O segredo para o desenvolvimento é capacidade de desilusão de cada indivíduo e não as bobagens ideológicas acreditadas por nós.

Nunca entendi a exclusão e é com humildade que falo tal coisa. Exclusão somente existe para os que insistem em se manterem ligados a qualquer sistema que os exclui.

Por exemplo. Hoje, no mundo, somos muitos milhões de desempregados mas, muito orgulhosos, carregamos nossos cartões de crédito e, ao mesmo tempo culpamos o sistema financeiro por nosso desemprego!!! Assim, com que moral reclamar? Somos educados (digo, sistematizados) a insistentemente nos incluirmos em sistemas que sistematicamente nos excluem e esse é o favor que o sistema educacional presta ao sistema de exclusão, criar um fantástico círculo vicioso regado a grande ilusão.

Da mesma forma nunca entendi como um indivíduo larga sua propriedade na roça. Sim, propriedade humildde e simples mas que lhe garantia a maior riqueza do homem, a sua liberdade, e depois esse mesmo indivíduo vem para a cidade procurar emprego, uma vida mais digna e ainda... uma casa!!!

Tanta ilusão e, como diria Cervantes... "...eles poderiam ser gigantes..."