quarta-feira, 24 de maio de 2017

PMDB não perdoará traição de Berger a Luiz Henrique

LHS: traição mortal
"Essa foi a grande decepção da vida dele. Muitos senadores que iriam votar nele, na hora H disseram não. Não da derrota política, mas a decepção com as pessoas". (Ivete Appel da Silveira, viúva de LHS)

    A traição sofrida pelo então senador Luiz Henrique da Silveira, naquele dia primeiro de fevereiro de 2015, quando perdeu a disputa da Presidência do Senado, para Renan Calheiros, não ficou na frase -"esta é uma página virada", dita por Luiz Henrique logo que soube do violento golpe urdido por seus parceiros de partido.

    A facada nas costas calou fundo no corpo e na cabeça do velho político. Relatos de sua própria mulher dão conta de que LHS não teve o mesmo vigor e encaixe -
demonstrados nos 44 anos de vida política - para absorver este último golpe. A traição calou fundo e o líder entristeceu. Três meses depois, no dia 10 de maio de 2015, estava morto.

Ele sabia quem o havia traído. Tinha a lista. O senador Dário Berger, eleito por Luiz Henrique, contra a vontade de todo o PMDB de SC, era o primeiro da lista. Luiz Henrique havia apostado errado.

   Hoje, através da delação do executivo da JBS, Ricardo Saud, na Operação Lava-Jato, sabe-se o preço que Renan Calheiros pagou para também eleger Dário Berger e assegurar seu voto contra LHS: R$ 1 milhão!   


O Dário Berger era candidato a senador por Santa Catarina, do PMDB, com chances reais de ganhar. Então, o Renan investiu nele R$ 1 milhão para comprometer o voto (para a presidência do Senado, cuja eleição seria realizada em fevereiro de 2015). Até foi um desgaste porque o falecido senador Luiz Henrique era o candidato do PMDB de Santa Catarina à presidência do Senado com o Renan. Houve um desgaste, e o Dário acabou votando no Renan por causa desse comprometimento – diz Saud no vídeo.




   Business  
   Se engana quem acha que Dario se vende barato. Entende de números. Sempre fez negócios na política. É só pesquisar os processos na justiça e veremos que os irmãos Berger (Djalma e Dilmo) nunca pregaram prego sem estopa. O tino comercial vem de família. 

   Balcão de negócios  

   Assim como Renan apostou no voto de Dario para reconduzi-lo à Presidência do Senado lá em 2014, Dário também enxergou longe. R$ 1 milhão foi o preço em dinheiro, ajuda de custo. O melhor do acerto veio no último dia 16 de maio: Renan Calheiros indicou Dário Berger para o poderoso cargo de Presidente da Comissão Mista do Orçamento do Congresso.Renan cumpriu o tratado. Não traiu.

   Dário Berger preside hoje o maior balcão de negócios do Congresso Nacional. É ali onde são incluídas, no Orçamento da União, as emendas individuais ($$$$) de deputados e senadores de todo o país. E é Dário que diz quem entra e quem fica de fora.
   Com esta poderosa máquina de fazer dinheiro, Dario Berger se cacifa para ser um forte candidato ao governo de Santa Catarina em 2018.

Lutas intestinas
Mas a vida dessa gente não é tão fácil como se pensa. O PMDB catarinense que nunca gostou de Dário Berger, considerando-o "ave de arribação", tem três fortes candidatos ao governo do Estado: Eduardo Pinho Moreira (vice-governador), Mauro Mariani (Dep. Federal, pres. PMDB/SC) e Udo Döhler (prefeito de Joinville).

Começa a fritura
De Rafael Martini no DC de hoje
 Vapt vuptO vice – governador Pinho Moreira ofereceu na segunda-feira um jantar na sua casa para as bancadas do PMDB estadual e federal. O senador Dário Berger compareceu, mas ao ser informado sobre a repercussão da notícia de que teria recebido R$ 1 milhão para votar em Renan Calheiros e não em Luiz Henrique da Silveira, nem esquentou a cadeira e saiu de fininho.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Apocalipse brasileiro


por Emanuel Medeiros Vieira

A Ilha de Patmos, no Mar Egeu, foi onde o Profeta João  (2 a. -27 d .C) esteve exilado e recebeu  as visões do Apocalipse, registradas no “Livro do Apocalipse”, às vezes chamado de “Apocalipse de São João”. Ele foi o último dos profetas que anunciaram a vinda de Jesus. Também qualificado como o “Precursor” do Messias Prometido.
    
   Faço a introdução, porque “Patmos foi o nome dado à Operação que devastou a República e revelou mais patifarias e mais roubalheiras (mesmo para os podres  padrões da política brasileira – de falta de ética e de  corrupção).

   Revelações devastadoras? Bomba que dizima a presidência da República?
   As revelações mostram os porões mais imundos da nossa classe dirigente, sempre aliadas ao mercado financeiro e às grandes empresas.
   Quantos trambiques!
   Povo? Que povo? Só serve para ser boi de piranha.
   Qualquer palavra ou adjetivo ficará aquém das revelações.
   É o nosso pobre Apocalipse.
   E a gente descobre, na intimidade, o linguajar chulo dessa  gente, digno de lupanares (com todo  respeito aos bordéis).
Muito já foi dito, está sendo escrito.
   E a velocidade dos acontecimentos deixa-nos sempre superados.
   O “bom moço” Aécio Neves – se tivesse a dignidade do seu avô Tancredo, não tentaria mais nada: renunciaria, se entregaria à polícia, junto com todos outros envolvidos – de ideologia só formalmente diversa.
   Crise ideológica?
   Sim. Mas também crise de valores. (Sei, me chamarão de “moralista”. Já estou acostumado. Não sou cientista político.)
   Pois creio que a ética é o grande pilar de nossas vidas – como a solidariedade.
   Onde poderemos preservar as esperançadas novas gerações?
   E de todas as outras?

   A quem Michel Temer refere-se quando afirma, no diálogo com Joesley Batista (dono da JBS), que tem dois ministros do STF com ele? 
   O ministro  da Fazenda Henrique Meirelles, segundo a Revista “Forum” (de Primeiro de Junho de 2016), citada por Tania Faillace – séria analista – em texto de sua autoria, era  membro do Conselho de Administração da JBS, com remuneração de até R$40 milhões.
   
   Dou os trâmites por findos.
   Sempre disse que nossa arma maior é a palavra (quero usá-la até o fim), mas há momentos em que o nojo é muito forte. Mas é preciso continuar.
 (Salvador, maio de 2017)

Frases imperdíveis da semana que passou

"Eu não sabia o que tinha na mala" - deputado Rocha Loures
 
"Se falar de propina comigo, mando prender" - Renan Calheiros
 

"Lamento minha ingenuidade"- Aécio Neves
 

"O PT pode ensinar a acabar com a corrupção - Lula

"Olha o que eles fizeram com o Brasil"- Dilma Rousseff. 
 (Carlos Ribeiro)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Collor: O Idiota!


Aécio: O Cínico!

Montagem: CANGABLOG
Em nota, Aécio Neves, confessa que pediu dinheiro a Joesley. Mas que foi um pedido de empréstimo estritamente pessoal.
Era para pagar os advogados que o defendem das acusações na Lava-Jato.

DILMA: A VISIONÁRIA


O papagaio milionário do Colombo

Dinheiro aos municípios com juros de R$ 819,9 milhões

Reportagem do site O FAROL
Governo Colombo pede autorização para empréstimo de R$ 1,5 bilhão destinado ao Fundam ao mesmo tempo em que responde a processo por retenção irregular de R$ 198 milhões das cidades catarinenses no Tribunal de Contas e por crime de responsabilidade no MPSC pela mesma prática conhecida como “pedaladas” envolvendo operação financeira com a Celesc. Dinheiro do BNDEs e Banco do Brasil deverá ser pago pelo Executivo até 2027 e governo também justifica a operação com o uso do dinheiro financiado nas obras da ponte Hercílio Luz, mobilidade urbana na Grande Florianópolis e rodovias estaduais.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Dono da JBS grava aval de Temer para compra de silêncio de Cunha

 
por Lauro Jardim (Globo)
 
RIO — Na tarde de quarta-feira passada, Joesley Batista e o seu irmão Wesley entraram apressados no Supremo Tribunal Federal (STF) e seguiram direto para o gabinete do ministro Edson Fachin. Os donos da JBS, a maior produtora de proteína animal do planeta, estavam acompanhados de mais cinco pessoas, todas da empresa. Foram lá para o ato final de uma bomba atômica que explodirá sobre o país — a delação premiada que fizeram, com poder de destruição igual ou maior que a da Odebrecht. Diante de Fachin, a quem cabe homologar a delação, os sete presentes ao encontro confirmaram: tudo o que contaram à Procuradoria-Geral da República (PGR) em abril foi por livre e espontânea vontade, sem coação.

terça-feira, 16 de maio de 2017

A maravilhosa máquina reeleitoral na província catarinense

   por Eduardo Guerini

   O governador delatado de Santa Catarina, em ato contínuo ao seu modo serrano de fazer política, na velha tradição da “gestão de compadrio”, trata de lançar às vésperas da eleição de 2018, uma nova etapa do FUNDAM – Fundo Estadual de Apoio aos Municípios.

   A iniciativa de cooptação pioneira em Santa Catarina, criada em 2013, destinou na primeira etapa aproximada R$ 610 milhões para os 295 municípios catarinenses, com toda a pompa dos representantes parlamentares, secretários de Estado e o próprio Governador. Tal liberação, em tempo de colapso fiscal é clara demonstração de campanha antecipada a cada pleito eleitoral em curso.

   Estranhamente, o Governador Raimundo Colombo, que abusou das pedaladas fiscais em engenharia financeira surreal, que consiste em criar meios para desvincular fundos estaduais garantindo a aplicação eleitoreira, passou incólume ao julgamento do Tribunal Faz de Contas, que apontou ressalvas e parcelou os desvios em 36 meses. Uma benesse para as finanças estaduais combalidas na caótica prestação de serviços.

   Tal montagem de engenha financeira, como forma de distribuir recursos no presente, endividando o Estado de Santa Catarina no futuro, principiaram em 2005, sob a batuta de Luiz Henrique da Silveira, e, são aperfeiçoadas na gestão de Raimundo Colombo, inclusive com recomendações do TCE/SC para que se suste tal procedimento de empréstimo disfarçado, provocando uma consignação de repasses menores aos municípios catarinenses, autarquias e poderes do Estado.

   Nos últimos meses, os colunistas “chapa branca” da mídia provinciana, tratavam em seus artigos diários, entrevistas de bastidores, da montagem de alianças, considerando a única evidencia intocável: o Governador Raimundo Colombo seria o candidato imbatível ao Senado Federal, alimentando os nomes possíveis à sucessão estadual.

    A bombástica campanha institucional do Estado catarinense imune a crise, sucumbe a cada nova divulgação de estatísticas da geração de emprego, produção industrial e arrecadação de tributos. As fantasias do realismo fantástico são contrastadas pela realidade dos fatos, e, para findar um governo sabujo, silente e inoperante, os catarinenses nunca esquecerão do legado colombino: uma pesada e crescente dívida pública.

   Os movimentos do Governo de Santa Catarina para postergar o pagamento da dívida estadual junto ao governo federal, a renegociação do Estado com parcelamento do serviço da dívida pública (essencialmente juros), que crescentemente serão aumentados nas parcelas que iniciaram em janeiro de 2017, com elevação progressiva até junho de 2018, quando o Estado deverá voltar a pagar parcelas cheias.

   Neste garrote fiscal, o Governador continua sua trilha para alimentar a máquina reeleitoral, com propagandas farsescas, indicando que não aumentou impostos, manutenção do “cabidário partidário”, cooptando liderança políticas que perderam as eleições municipais de 2016, para assumir as estratégicas ADR’s - Agências de Desenvolvimento Regional , as antigas e inúteis SDR’s – Secretarias de Desenvolvimento Regional.

   Em nova jogada eleitoreira, o Governador trata de apresentar a segunda edição do FUNDAM, que deverá ser votado em regime de urgência (PL/0148.9/201), que autoriza o Estado contratar operação de crédito com o BNDES, com o Banco do Brasil, ou com ambos, até o montante de R$ 1,5 bilhão para transferência ao fundo estadual para atendimento de projetos estratégicos ao desenvolvimento catarinense (sic!).

   Na atual conjuntura catarinense, em que se revela um servilismo da mídia provinciana, subserviência do Poder Legislativo – com deputados partícipes neste teatro farsesco, um Poder Judiciário, em sua cegueira e silêncio sepulcral diante dos desmandos do (des) governo estadual, a segunda edição do FUNDAM inaugura a campanha eleitoral antecipada que levará Santa Catarina à bancarrota fiscal.

   No futuro, os catarinenses sentirão saudades daquela pacata provinciana em que candidatos controlavam suas bases, arregimentando forças políticas locais pautado no ingênuo ideal que defendia um modelo de desenvolvimento próprio.

   Quando a fatura chegar aos catarinenses, num Estado endividado, em colapso na prestação dos principais serviços – saúde, educação, segurança, saneamento, o Governado Raimundo Colombo poderá desfrutar do “foro privilegiado” no Senado Federal, e, olhará com desdém para a planície catarinense.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Após depoimento de Lula...


Lula coloca o triplex na conta da mulher, morta!

 
   Os que esperavam o "embate", tão alardeado e prometido pelos petistas, entre Lula e o juiz Sérgio Moro, foram dormir decepcionados.
   O ex-presidente mais uma vez denunciou a sua personalidade de ator mentiroso e que não entrega o que promete. 
   Conhecido como "portão de lata", só faz barulho, Lula se mostrou nervoso e vacilante frente ao juiz Sérgio Moro.
   Algumas vezes tentou usar a sua surrada estratégia de desviar do assunto principal com gracinhas e tiradas popularescas. Deu com "os beiços na torneira"
   Saiu pela tangente sempre quando perguntado por petistas, já presos. Quando o juiz Moro perguntava sobre outros envolvidos em corrupção, não petistas, a resposta era sempre a mesma: 
- Esse era do PMDB. Indicação do PMDB. Tem que perguntar a eles!

   Liso"como jundiá fora d'água", o ex-presidente foi um arremedo do que havia prometido em bravatas proferidas em comícios feitos em lugares fechados e seguros. Se intimidou frente ao juiz, e teve às suas tentativas de discurso paradas na hora por um Moro, frio, técnico e sem "gracinhas". 
   Covardemente, colocou várias "dívidas" na conta da sua ex-mulher, já morta. 
  
 A culpa foi de Marisa
Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato

por Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo


   Como estava escrito nas estrelas, o ex-presidente Lula disse que não pagou pelo triplex, não estava interessado nele, não poderia nem ir à praia (“só às segundas-feiras e nas Quartas-feiras de Cinzas”), “Dona Marisa” não gostava mesmo de praia e, afinal, o apartamento era pequeno e cheio de defeitos. Ah! E Lula não sabia de nada do que ocorria na Petrobrás nem no PT.

   Então, quem sabia alguma coisa? Lula jogou o apartamento no colo da mulher dele, que já morreu e agora está no centro da Lava Jato. Marisa Letícia é quem estava interessada no triplex (para investimento?) e Lula só soube depois que ela tinha ido lá com o filho, mesmo depois da desistência da compra. Essas mulheres...

   Moro não se intimidou e fez perguntas curtas, diretas, respaldadas por agendas, datas, fatos. Lula, ao contrário, parecia inseguro, sem a fluência e as sacadas típicas dele. Recorreu o tempo todo a “não sei”, “não lembro”, não tinha obrigação de saber que Renato Duque “operava” para o PT na Petrobrás e que Pedro Barusco roubava tanto que pôde devolver US$ 100 milhões à justiça.

   O depoimento foi, tecnicamente, sobre o triplex, mas ele é só uma das materializações das relações promíscuas entre o ex-presidente e as empreiteiras. Por isso, Moro fez várias perguntas sobre Duque, Barusco e o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

    Mais do que o triplex, o que complica Lula é o encontro com Duque num hangar em São Paulo. O que um ex-presidente queria com um ex-diretor da Petrobrás? E por que pediu a mediação de Vaccari, que nem era do governo nem da Petrobrás? Segundo Duque, Lula foi pedir para anular provas. Mas Lula disse que só queria saber se era verdade que Duque tinha contas milionárias no exterior.  Ficou claro que, como não poderia negar o encontro, Lula adocicou a verdade. Adivinha com qual versão a Justiça trabalha?

 

terça-feira, 9 de maio de 2017

“É DE ARRANCAR A TAMPA DO CORAÇÃO”

por Emanuel Medeiros Vieira
   O título é o comentário de alguém que escutou o “Réquiem”, de Mozart.
   É sábado à noite.

   Não sei quando eu vou.

   Mas indo (é da humana lida), não se esqueçam da minha filha Clarice (Barbosa Vieira)– que é bem melhor do que o seu pai.
   E a morte será apenas um “sono sem sonhos”, como disse um amigo?

   Quem saberá.

   Não há resposta lá de cima.
   Ninguém voltou e disse: “Por aqui tudo bem. Os maus estão todos no inferno, e eu estou gozando as delícias do céu”.
   As religiões nasceram pelo medo da morte?
   Mas a gente ficará na afeição e no carinho daqueles que nos amaram (isso por uma geração, talvez nem tanto e, depois, seremos todos esquecidos).

   O câncer me pegou e o tumor é incurável.

   Estou lidando com ele e com a Velha Senhora (a Indesejada das Gentes) há dois anos, quatro meses e vinte e oito dias.
   Tudo bem.
   Os mortos já não têm problemas.
   Os mortos são problemas dos vivos.
   Tanta emoção.
 

   Sim, é de arrancar a tampa do coração.

   Sentirei saudades do que poderia ter feito, de pessoas, mares e de Santiago de Compostela (e de Paris e de Veneza, antes do enxame de turistas, do terrorismo insano, e da minha cidade natal, a ilha mítica de outrora – hoje: não mais.).
   Noutra noite, sonhei que andava por Barcelona e fui assistir a um concerto.
   E o que foi tocado (obsessão do inconsciente?): o “Réquiem”, do mago e bruxo Mozart.
   Em outra noite, sonhei com o dia com 31 de março de 1964, dia do meu aniversário (fazia 19 anos), e do golpe de Estado, que nos “afugentou” por 21 anos.
   Que geração essa em que fui “metido!! Sem reclamação, rapaz"!
   E os anos passam. É uma platitude, eu sei: os anos não voltam, e ficamos velhos, enrugados (se chegarmos lá), mais cansados... e dos ossos nem falo
   Mas também me lembro de Millor Fernandes: Só quem faz, sabe a paz do feito.
   Recordo-me (de memória) de Paulo Leminski , em “Polonaises” – de uns versos, sem marcação, não bem citados, sem conferir as linhas, apenas pela memória –com aspas ou não, irmão das almas?
   Vai assim, sem o rigorismo que o poeta merecia: “Me enterrem com os trotskistas na cova comum dos idealistas onde jazem aqueles que o poder não corrompeu”.
   A memória pode ter falhado. Meus perdões, Paulo e amigos.
   Ou na cova dos velhos cristãos das catacumbas (calma, amigo: elas não existem– não importa).
   Enterrem-me na cova dos cristãos das catacumbas. Não é possível, amigo.
   Eram antes comidos pelos leões. Não eram enterrados. Alguns não foram?
   Alguém, da Academia, reclama: esse moço brinca com as palavras. “Precisa ser mais rigoroso. Não coloca notas de pé de página, como nas teses”. Danem-se as teses e as academias!
   Cansado de ser moderno, tentarei ser eterno, parodiando Carlos Drummond de Andrade.
   Mundo complicado, sectário, intolerante, cheio de matanças.
   “Entre a dor e o nada fico com a dor” – lembrei-me de William Faulkner, de “Palmeiras Selvagens”.
   É noite e tudo é noite, como no poema de Mário de Andrade.

“Esse senhor tem a mania de citação. É um obsessivo”.
   Mais: “Esconde no falso humor, o medo da morte, tem a nostalgia da família primitiva, e é um conservador”.
   Conservador? O diabinho reconhece: conservador de conservar, de eternizar as coisas boas, como as conservas (de cebola, por exemplo) que sua mãe fazia.
   Um socialista atrasado, que não entendeu o seu tempo, e está atrás, e teme a Tecnologia e a Modernidade. Busca fugir delas como o diabo da cruz. E ainda vive de utopias.

SIM: EU SOU UM PISTOLEIRO DO ENTARDECER, em busca de um boteco (sujo, empoeirado, comendo uma linguiça, com muita banha) para tomar um trago, e olhar, com a garrafa na mão, numa mesa externa, as montanhas onde viveu, na qual existiam heróis, honra e duelos ao sol poente. Sim, era de cortar a tampa do coração.

(Salvador, abril de 2017)

domingo, 7 de maio de 2017

Imanente Sobressalto

por Eduardo Guerini
 
Non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere! Spinoza. Não rir, não lamentar, nem amaldiçoar, mas compreender!

    No esteio da Greve Geral do final de abril de 2017, as centrais sindicais, federações e sindicatos uniram-se na vitoriosa paralisação que alertou a população brasileira para a tirania governamental que enseja alterar a atual estrutura das relações entre empresários e trabalhadores, na famigerada Reforma Trabalhista, e, no desmantelamento da seguridade social, na Reforma da Previdenciária.

    A mídia e setores governistas trataram de minimizar os impactos gerados por mais essa jornada em prol da defesa dos direitos, e, por extensão das conquistas para cidadania brasileira. A crise econômica e social deixou os trabalhadores sem horizonte. Sem rodeios os comentaristas “chapa branca”, os meios de comunicação – jornais e telejornais, rádio e televisão em matérias cotidianas tratam de gerar opiniões públicas, em claro desrespeito a população e consciência política dos brasileiros.

    Porém, o governo Michel Temer afundando no lodaçal da corrupção tratou de usar a velha estratégia de governantes medíocres, utilizando da cooptação de parlamentares via cargos em escalões da máquina pública federal, causando estranheza naquele espectador mais atento.

   Como um governo que o tempo todo aponta para o problema da crise fiscal do Estado brasileiro, continua usando das verbas e cargos públicos para aliciar parlamentares sem lastro ético? Com o colapso do sistema político e representação parlamentar não é hora para propor reformas profundas?

    As pesquisas publicadas durante o final de semana posterior a Greve Geral indicam uma rejeição majoritária da população para as reformas em curso, um crescente pessimismo e queda do otimismo do brasileiro, embora, o Presidente Temer, em evento em São Paulo, com a desfaçatez que lhe cabe – diz que o brasileiro naturalmente é otimista, que nesta crise é hora de trabalhar. Pena que, o governante mais rejeitado na última sondagem, com apenas 9% de aprovação, não consiga olhar para realidade: somos uma nação de desempregados!

    Noutra sondagem realizada pelo cientista político José Álvaro Moisés (USP), em pesquisa sobre a crise profunda que vivenciamos no Brasil, descobre que 90% dos cidadãos não se sentem representados, 95% sentem uma crise de projeto de nação, 92% acreditam que todos, ou quase todos os políticos, são ladrões, 80% são incapazes de apontar o nome de um político, capaz de tirar o Brasil dessa situação. Um abismo entre representantes e representados, traduzindo as dificuldades do movimento sindical diante da velocidade das reformas desestruturantes do pacto social mínimo que havia sido construído na Constituição Cidadã de 1988. Os trabalhadores e o movimento paredista neste final de abril foi um clamor no deserto!!

    Neste revigorar das forças vivas e produtivas da sociedade brasileira é chegada a hora das centrais sindicais unirem forças proporcionando um imanente sobressalto para superar governos medíocres, corruptos e fisiológicos, que há muito, se afastaram do interesse público, evidenciado nas pesquisas que reprovam as reformas em curso, o governo Temer e sua classe política.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

ULTIMATUM ULTIMATUM ULTIMATUM




   Maria Bethânia fazendo o que mais sabe fazer e melhor que qualquer um. Interpreta magistralmente o texto de Álvaro Fernando de Campos Pessoa, "cometido" em 1917, ano da revolução russa.
   A perenidade do texto, na voz de Maria Bethânia, emociona e clareia idéias.
    Álvaro de Campos é um heterônimo de Fernando Pessoa, um dos mais importantes poetas da literatura universal.


A possibilidade da anarquia

   por Marcos Bayer


   Os acontecimentos recentes no Brasil sugerem um quadro de anarquia e suas consequências desastrosas.
   Brigas de facções criminosas pela disputa do controle do tráfico de drogas. Desemprego em massa e suas consequenciais sociais, financeiras e familiares. Votações do Supremo Tribunal Federal que agridem a consciência coletiva. Concessão de Habeas Corpus às pessoas mais influentes na República nos últimos tempos. Todas elas acusadas de algum ato ilícito.
   Não pretendo ser o senhor da razão. Nem tampouco sugerir qualquer solução que não seja pela via democrática, no pleno Estado de Direito.
   Mas, em qual Estado de Direito estamos vivendo?
   Se o que os noticiários dizem for verdade, e parecem noticiar fatos inegáveis, por que então esta onda repentina de relaxamento de prisões por decisão do Supremo Tribunal Federal?
   Alegam juristas e ministros togados que as prisões preventivas não podem ser por prazo indeterminado. Mas qual é o prazo ideal?
   Sabemos que o processo judicial no país é lento. As possibilidades de prescrição e decadência no Direito Penal são muito reais no caso brasileiro.
   Não pode haver democracia sem justiça. E a velocidade da democracia é uma, quase instantânea. E a velocidade da justiça é outra, quase inercial.
   Uma nação se organiza a partir de uma ordem constitucional, de exemplos de comportamento dos homens públicos que compõem as três esferas de poder: executivo, legislativo e judiciário e, ainda de bem estar social, baseado numa estabilidade econômica.
   Estamos vivendo o oposto disto. Os responsáveis pela ordem política no país estão ignorando conceitos mínimos de Justiça e de Direito.
   O risco de uma anarquia é muito grande. E, espero que não passe de uma possibilidade apenas.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Revigorando as Lutas...

por Eduardo Guerini
A democracia não pode ser tratada como um negócio cuja conta sobra sempre para sociedade. 
(Roberto Giannetti da Fonseca, in: Constituinte Já, Estado de São Paulo, 30/04/2017, empresário da LIDE)

   Na conjuntura brasileira, as elites empresariais e sua representação política continuam agindo contra os movimentos sociais. Tal enredo é vaticinado pelas sucessivas reportagens na grande mídia contra o movimento de GREVE GERAL patrocinado por todas as centrais sindicais neste findar de abril de 2017. O recado das manifestações foi claro, as reformas estruturais deverão incluir os mais atingidos no processo de desmantelamento do aparato de seguridade social brasileiro, e, o ritmo não pode ser na canetada de um governo e Congresso Nacional, manchados pela corrupção, na suspeição das delações da Operação Lava Jato.

   A desaprovação de um governo-tampão que é mantido pela força das elites empresariais, usurpando todas as esperanças do povo brasileiro diante do cenário de crise econômico-social, é garantida por uma agenda que usurpa direitos sociais conquistados pelas lutas políticas organizadas por sindicatos de trabalhadores e partidos operários desde o início do século XX.

   Na tentativa de frear resistências sem qualquer negociação, o governo de Michel Temer, obscurecido pelo envolvimento de seus ministros, dos partidos políticos de sustentação e principais lideranças políticas no Congresso Nacional, trata de imprimir com velocidade, reformas estruturais, vendendo uma fantasia que esbarra na dura realidade de milhões de trabalhadores desempregados e brasileiros submetidos a pauperização, em novo ciclo depressivo, dada a maior recessão vivida desde a década de 1930. A crise nos deixou sem horizontes e esperança!!!

   Porém, em revigoramento das forças vivas da sociedade, sindicatos, federações e confederações, apoiados pelas Centrais Sindicais, brindaram o Brasil com uma nova demonstração que existe vida além dos acordos espúrios palacianos, e, que os parlamentares de todas as vertentes partidárias, continuam distantes do Brasil real. A tentativa canhestra de um governo sabujo, que se transformou em capacho servil do grande capital, do sistema financeiro, naufragou na união de todas as forças para dar um BASTA as REFORMAS – TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA.

    A grande mídia “chapa branca” com seus comentaristas financiados, orquestrada em torno da disputa das benesses da propaganda oficial, num requinte sórdido, tratou de minimizar a GREVE GERAL que paralisou o Brasil. Enquanto mostravam de forma contínua e insistente, cortinas de fumaça negra e incidentes provocados pelo aparato de segurança, mobilizado nos diversos Estados da Federação, não conseguiram notar a essência multipartidária que motivou tal paralisação – a desaprovação da população diante de reformas que retiram direitos sociais no presente e para as futuras gerações.

   Tal tirania intergeracional promovida por uma canalha política sob a batuta de um governo suspeito, revigorou as forças sindicais e da sociedade organizada em movimento paredista que colocou as reformas em compasso de espera.

   Que neste 1º de Maio, os trabalhadores revigorem suas forças para continuar a luta contra os opressores de plantão. O movimento das ruas produziu um novo pendor para a massa de brasileiros deserdados nesta republiqueta de governantes e políticos embusteiros. 

Apenas um rapaz latino-americano


por Emanuel Medeiros Vieira

   Serei rápido. Mais um da nossa geração que se vai.

   Veio do Nordeste, não formou “panelinhas”, grupos, e com extrema força e talento deixou uma bela obra.
   Sempre te escutei.
   E, mesmo dando a cara ao tapa, ouso perguntar: não foram segmentos da chamada contracultura (dois de seus mais famosos nomes, nasceram aqui na Bahia,– de onde escrevo) que alijaram (consciente ou inconscientemente) outras correntes, outras vozes, outros talentos,como o próprio Belchior?
   Eu sei, eu sei, houve a ditadura. Mas foi só ela que alijou a música de protesto, que mesmo com tanta lambada nas costas, buscou captar as raízes da Nacionalidade, deste Brasil difícil, desigual, e que todos nós amamos?
   Não na fórmula da ditadura “Ame-o ou deixe-o!”
   Há muitos anos, Henfil (1944-1988)já pensava assim: numa charge de sua autoria, alguém indaga:, mais menos assim (escrevo de memória):“Ninguém vai responder à Ordem do Dia?”
   (Na época, tais ordens eram muito comuns e escritas pelo Ministério do Exército – agora são “Comandos”) Alguém responde: “Não precisa. Caetano e Gil já falaram”.
   Num momento de homenagem, Belchior, não deveria falar assim.
   Mas a gente persegue verdade. Espero até estar errado na minha avaliação.
   Mas creio que também Zé Ramalho (1949), Ednardo (1945), Fagner (1949) e outros não entraram totalmente no esquema da grande mídia, da canonização ou divinização em vida e da bajulação extrema.
   O preço não é pequeno.
   O amigo foi como muitos, apenas um rapaz latino americano , sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior.
   Um rapaz latino americano, brasileiro, que admirávamos muito.
   E vai-se Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes – que preferiu ser chamado apenas de Belchior.

EPIGRAMA: o ex-governador da Bahia, Jacques Wagner, foi entrevistado numa rádio de Salvador e confessou que deveria ter devolvido o relógio que ganhou da Odebrecht, como presente de aniversário, para evitar insinuações.
   O relógio é um Humblot suíço de luxo, modelo Niemeyer, avaliado em, R$ 81,15 mil.
   E Antônio Lima, “trovador” aqui da Bahia, escreveu o epigrama abaixo: “Sempre foi bom ‘companheiro’/E muito esperto, o tal fulano,/Mas acabou relojoeiro/O antes todo soberano” .

(Brasília, 30 de abril de 2017)