segunda-feira, 29 de maio de 2017

A NAU COLOMBINA , DELAÇÕES E IMPEACHMENT NO SERVILISMO POLÍTICO CATARINENSE

 Fomos historicamente educados para temer, obedecer e calar. Não é acidental que na história deste país as revoluções sejam revoluções de quem manda, e não de quem é mandado. ( José de Souza Martins. O Brasil dos Avessos. Valor 26 /05/2017)
 
Colombo & Joesley: business
   Na província catarinense, tal como na republiqueta, a poderosa coligação sofreu abalos sísmicos desde a evolução da Operação Lava Jato. Os grandes partidos políticos da história brasileira, desde a transição democrática, continuam afundando no mar de lama da corrupção, não importa a matiz ideológica – à esquerda, no centro ou à direita.
   Com apoio de lideranças empresariais, fiéis financiadores dos negócios do Estado de Santa Catarina, as suas empresas familiares floresceram e se transformaram em modelo brasileiro e catarinense, principalmente no período ditatorial. Na transição democrática, o poder econômico das empresas e suas corporações tratavam de criar mecanismos para impor lideranças com capacidade gerencial, e, todas sem exceção foram tragadas no turbilhão corruptivo do aparato estatal e das maquinas partidárias.
   No campo popular-progressista, os movimentos sindicais e de sociedade civil, organizados ou não, trataram de produzir suas lideranças no esteio das lutas corporativas sindicais. Daí, surgiram nomes que foram catapultados pela “esquerda” dos partidos outrora revolucionários e sua miríade de interpretações, em lideranças sindicais e na continuidade representantes políticos.
   Naquela velha famosa frase de Espiridião Amin (PP/SC) “O poder é como violino, toma-se pela esquerda e toca-se pela direita”. Em Santa Catarina, salvo algumas prefeituras administradas pelo PT, o resultado não foi diferente. No auge do lulopetismo, o populismo de esquerda substituiu o populismo de direita, todos alçados a condição de mandatários em composições com as velhas e ardilosas lideranças que detinham o poder econômico e político na província catarinense.
   Desde a chegada de Luiz Henrique da Silveira, liderança do PMDB que olha dos céus a composição de sua máquina reeleitoral, resultado da capilaridade financiada com recursos públicos nas chamadas Secretarias de Desenvolvimento Regional, a maioria é sempre composta de acordo com os desejos do governante de plantão. Nos afagos do Palácio Barriga Verde, são realizadas as sessões de distribuição de cargos, os arranjos políticos e o mapa da sucessão nas principais prefeituras e para os principais cargos representativos (sic!!). Como capitanias hereditárias modernas, o sucessor é escolhido no concilio dos partidos cooptados, nos desejosos interesses dos financiadores, com anuência da vanguarda partidária. Tudo JUSTO E ACORDADO!
   Na atualidade,  o Governador Raimundo Colombo,  mantinha sob sua batuta , não somente os partidos políticos, como todo arranjo institucional dos poderes e órgãos conexos. O Tribunal de Contas de Santa Catarina,  o Poder Judiciário, o Ministério Público,  todos estavam irmanados no projeto de poder da composição partidária dominante. Nada de oposição, o importante era a conciliação, os catarinenses se vangloriavam em propagandas institucionais de ser um Estado Diferente, onde a crise nunca chegaria,  um povo de trabalho!
   Numa ação crepuscular, os delatores colocaram Santa Catarina e seu governador no roldão das delações premiadas. Evidentemente, tudo negado diante de mentiras deslavadas, tendo em vista que o sistema político sempre usou e abusou das prerrogativas do CAIXA 2 para financiar as campanhas vitoriosas. É a naturalização do ilegal e do ilícito com a anuência do Tribunal Regional Eleitoral, visto que, todos prestaram as contas e tiveram a aprovação desejada.
   Recentemente, nosso probo governante foi traído pela contabilidade criativa orquestrada na Secretaria da Fazenda, as velhas e ardilosas engenharias financeiras para Estados endividados, que necessitam mais e mais recursos para alimentar a caterva de políticos insaciáveis e empresários enlouquecidos pela crise.  Nem a mídia tão complacente com seus colunistas “chapa branca” conseguiu ofuscar o estrago na nau colombina.
   Diante das pedaladas fiscais e das delações da Odebrecht e JBS, o abatedouro de políticos começou a funcionar a todo vapor, derretendo reputações e currículos de sucesso no mundo político. A tríade Colombo-Merísio-Gavazzoni sucumbiu à crise fiscal do Estado e submergiu diante das delações premiadas que descreveram em minúcias os detalhes de como se constroem CANDIDATOS e se fazem GOVERNADORES/ PREFEITOS/SENADORES/DEPUTADOS FEDERAIS/ESTADUAIS e vereadores.
   Neste cenário devastador, o governador enraivecido pela propagação da verdadeira lógica político-partidária da vitória de seu grupo político, assim como, a forma de sustentação na CASA DO POVO – a ASSEMBLEIA LEGISLATIVA, chegou a vociferar que “delator sobre pressão, vende até a mãe”.   Neste sincericídio político descobrimos a verdadeira face da política catarinense moldada pelo padrão brasileiro.  Alguns jornalistas e colunistas da mídia provinciana devem ter corado diante da cumplicidade com tal canalha política.
   Na sucessão de fatos devastadores na política catarinense, vagam pelos escaninhos da Assembleia Legislativa, pedidos de IMPEACHMENT do governador Raimundo Colombo, que será olimpicamente ignorado pelos parlamentares, dado que a maioria está no governo, mesmo sendo oposição pontual. O que falar do PSDB e seu Secretário de Turismo? Que tal o PC do B e a deputada/secretária Angela Albino que saiu atirando pela perda de cargos no secretariado de Colombo?  O PMDB que mantém um vice governador vitalício – Eduardo Moreira, o político sem voto? O DEM e seus secretários que vagaram por várias pastas?  O Partido Progressista (PP) que foi oposição na disputa ao governo do Estado, mas sua representação apoia cegamente o governo. Os pequenos partidos se apegam as secretarias de menor quilate, mas continuam governistas.
   No caso do PT, as lideranças são opositoras “ma non tropo”, o projeto nacional sempre pesa na hora de uma ação mais contundente contra antigos parceiros do Governo Federal, na gestão de Lula e Dilma.
   Afinal, na província catarinense, todos estão interessados na sua sobrevivência política e no horizonte político de estabilidade para seus projetos de poder. Os catarinenses e suas necessidades diante do caos na SAÚDE, SEGURANÇA, EDUCAÇÃO E INFRAESTRUTURA, são apenas inocentes uteis no dia da eleição.
   Alguma alma viva acreditará em processo de impeachment do Governador Raimundo Colombo?
   Os Tribunais e seus órgãos de controle conseguirão provar a gestão perdulária ou morrerão na velha cantilena da APROVAÇÃO COM RESSALVAS? 
   No emaranhado de interesses e nomeações, os catarinenses verão seu Estado afundar no esteio da cooptação de poderes serviçais e servis aos governantes sabujos de ocasião, cantando o refrão do seu hino:  “Quebram-se férreas cadeias/Rojam algemas no chão/Do povo nas epopeias/Fulge a luz da redenção”!

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