segunda-feira, 3 de junho de 2013

Educação em pauta

   Por Armando José d’Acampora *
   
   A reportagem das páginas amarelas da Revista Veja, desta semana, traz um relato do Ministro da Educação de Portugal sobre educação.
   Começa dizendo que “uma turma entusiasta do politicamente correto está deixando de lado o conteúdo e o mérito”.
   Não tenho como discordar. A garotada está mais preocupada com a balada e o futebol, do que com o ensino.
   Estamos em uma época, onde o sucesso rápido e o consumo desmedido, são a tônica.   Ninguém quer mais esperar o efeito do trabalho para conseguir adquirir o sucesso que tanto procura. Ninguém mais quer ter tanto trabalho para tal. Tudo tem que ocorrer rapidamente. Não há mais a preocupação de saber com consistência, pois o Google é que vale e satisfaz a maioria daqueles que recorrem a esse recurso sem nenhuma reserva.
   Poucos são aqueles que terminam o primeiro grau completamente alfabetizados, pois a promoção automática não permite que o aluno repita o ano, que seja reprovado, provavelmente para que não haja constrangimento ao aluno.
   Os professores passaram a ser os únicos culpados pela falta de aprendizagem do aluno, como se a família não tivesse mais nada com isso, pois transferiu a responsabilidade do ensino e da educação das crianças para a escola.
   Se voltarmos um pouco no tempo, há mais ou menos 2500 anos, um sábio da Grécia antiga, Platão escreveu no alto da porta de entrada em sua Academia: “Aqui só entra quem souber geometria”.
   Também referia que “às crianças deve ser ensinado aritmética e depois geometria”
   E daí?, alguém pergunta.
   Daí é que quem aprendeu aritmética e geometria desenvolve o raciocínio e o restante do conhecimento é melhor assimilado, e as associações são realizadas com facilidade sobre qualquer tipo de conhecimento. 
   Em outras palavras, há que se construir uma base para que o conhecimento se desenvolva. Para que haja essa base, muitas informações terão de ser memorizadas, para que o cidadão se localize.
   De que forma alguém pode sair do primeiro grau sem saber as regiões brasileiras? Ou quais as características de cada região? E a história do local onde vivem, para não questionar a ausência do estudo de História do Brasil? 
   A geração atual recorre ao Google para buscar informação. Confundem informação com conhecimento. Sabemos que a interpretação correta da informação e o seu processamento é que leva ao conhecimento.
   A nossa política educacional tem de parar de querer inventar a roda e finalmente, observar o que tem de bom nos países desenvolvidos e aproveitar o que podemos, sem muitas adaptações tupiniquins, baseadas em meras teorias ainda não comprovadas.
   Todos sabemos que o caminho para um progresso sustentado, é a EDUCAÇÃO.
   A pergunta que eu faço é: quando chegaremos lá, pois também sabemos que educação tira votos?

* Médico, Cirurgião, Professor Universitário

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