segunda-feira, 10 de junho de 2013

Insular lança O reino dos Esquecidos


   O Reino dos Esquecidos é uma obra destinada a incluir-se entre os grandes romances clássicos. O mundo imaginário – maravilhoso e inacreditavelmente real −, as múltiplas histórias articuladas com o enredo central, os personagens, tudo envolve e fascina a cada página, a cada parágrafo, a cada frase, em que as palavras são precisas. Um raro livro, em qualquer tempo, sem gratuidades dentro da literatura. Uma obra ao mesmo tempo lúdica e capaz de provocar uma maior visão sobre o mundo humano e sobre cada leitor.

   Dom Manoel Manso, um fidalgo muito próximo ao Imperador, por razões misteriosas, abandona a Corte no Rio de Janeiro e se lança à aventura de criar no Sul do Brasil um povoado onde as pessoas possam ser felizes. Para realizar o seu sonho não lhe basta dominar a natureza hostil e fascinante e aprender a conviver com ela. O seu projeto entra em conflito com as crenças e as regras, a ordem e a desordem e o Poder que reina sobre tudo e todos. E isso se transforma em mais uma ameaça para o seu plano e a sua vida.
   Mas a determinação de Manoel Manso não tem fronteiras para criar o seu mundo imaginário, que se superpõe ao real. Aos poucos, ele atrai para a sua ideia, vista como visionária, sobretudo, os que nada tinham. Nem bens matérias nem esperanças. E, logo, também os ambiciosos de riqueza e poder. E tudo vai se transformando em um universo com alma própria. Bravatá, o novo povoado, surge dentro da selva, habitado por pessoas vindas de todas as partes, falando línguas diferentes, comungando a vida sem apegos às múltiplas diferenças e se torna o centro do universo onde tudo acontece. O seu fundador perde o controle sobre cada um dos moradores e sobre o seu mundo. Um mundo de beleza e contradições. Habitado por pessoas em busca de um destino melhor. Um mundo onde o amor que mata e a violência que salva são partes complementares do que vivem.
   Pequenos e grandes heróis expõem suas paixões, seus ódios, seus amores, a traição e a solidão, suas esperanças, tristezas e alegrias. As suas múltiplas histórias se entrelaçam, − em capítulos que se autojustificam, − dentro de um enredo maior, onde convivem os aventureiros e os acomodados; os santos e assassinos. Às vezes em uma só pessoa.
   Diante de tudo o que acontece o fundador não perde a sua crença no ser humano. Nem mesmo quando ele próprio, amado e odiado, caminho de uns e obstáculo de outros, está frente a frente com o seu matador.
   Para Dom Manoel Manso o ser humano é o seu santo e o seu demônio. E, dentro dele, perde o que ele conseguir mais fragilizar. E é esse desafio da liberdade que ele próprio, cada um dos moradores do lugar que fundou e o país se deparam todos os dias, todos os momentos, que o desencanta e o fascina. Um romance que entrelaça vidas e ficção para envolver o leitor em cada historia e à cada pagina.

O autor Miro Morais – Altamiro de Moraes Matos – nasceu em Gravatal, Santa Catarina, em 1937, filho de mãe professora e pai comerciante, e desde cedo se encantou pelos livros. Depois da infância, “lendo até a exaustão” e se evolvendo em domas de cavalos e agricultura, assumiu a inquietação e a versatilidade intelectual que lhe marcam. Planejou, implantou e foi reitor de universidade. É planejador, pesquisador social, cultural e educacional, jornalista e foi professor titular em oito disciplinas. É sociólogo, formado em filosofia, história e psicologia, pós-graduado em história e educação, autor de projeto para a UNESCO e executivo de empresas.

Um comentário:

Anônimo disse...

Manoel Manso de Avelar foi sargento-mor da Ilha de Santa Catarina no início do século XVIII - tempo de grandes navegadores como Frézier e Shelvocke. Para muitos, foi o sucessor de Dias Velho na incipiente Desterro. Fiquei curioso pela história, o tema é instigante e este livro tem tudo para ser muito bom!