domingo, 23 de junho de 2013

Parque de Coqueiros ameaçado?

Comunidade protesta contra “adoção” pela Globovel

“A Globovel nunca foi uma empresa amiga do Parque, pois desde que se instalou em Coqueiros ocupou terreno de mangue, trouxe insalubridade ao prédio vizinho e hoje seus funcionários utilizam boa parte do estacionamento”

   Por Márcia Quartiero/colunista da Folha de Coqueiros
    
   Repercutiu muito mal, entre os moradores e as lideranças comunitárias do bairro, a informação de que o Parque de Coqueiros entrou numa lista de 42 parques, praças e etc que serão “adotados” por empresas privadas. A maioria foi pega de surpresa com o anúncio de que o contrato de “adoção” será firmado já nesta segunda-feira, dia 24, pelo prefeito César Souza e o Secretário do Continente, João Batista Nunes, dentro do projeto denominado Continente Saudável. “Estão agindo à revelia da comunidade, pois em nenhum momento convocaram as associações de moradores para opinar sobre a adoção”, afirma a secretária da Pró Coqueiros, Beatriz Cardoso.   A revolta aumentou ainda mais quando foi divulgado o nome da empresa Goblovel (Grupo Globo) como “adotante” do espaço. “A Globovel nunca foi uma empresa amiga do Parque, pois desde que se instalou em Coqueiros ocupou terreno de mangue, trouxe insalubridade ao prédio vizinho e hoje seus funcionários utilizam boa parte do estacionamento”, diz Cardoso. A moradora Elaine Otto tem a mesma posição: “Desconheço qualquer ação desenvolvida até hoje por essa empresa em prol do parque, ao contrário do Supermercado Imperatriz, que no início doou parte do dinheiro necessário para viabilizar este espaço”, lembra-se. Mais incisivo, o presidente da Pró Coqueiros, Ricardo Muller, julga que a adoção do Parque de Coqueiros pela empresa Globovel "cheira à privatização"
   Procurado pela Folha de Coqueiros, o secretário do Continente disse que sua administração entrou em contato com várias empresas e foram selecionadas aquelas que manifestaram interesse. Para ele, as críticas à Globovel, uma empresa que considera tão respeitável quanto um Dimas ou um Imperatriz, é uma “afronta à inteligência das pessoas”. João Batista informou que só após a assinatura do contrato de adoção é que será feito um projeto detalhando ações e investimentos. “Vamos debater com a comunidade esse projeto de forma clara e transparente”, disse. Genericamente, o secretário considera que as melhorias poderão incluir a pista de caminhada, árvores e o lago.
   No convite aos órgãos de comunicação, para participar da cerimônia de assinatura do projeto, a assessoria de Comunicação da Secretaria informa que “a lista completa das praças e espaços adotados e seus padrinhos (e também o percentual de investimento) só será divulgada durante o evento”. 
   Contatado pela Folha de Coqueiros, o Instituto Guga Kuerten, por meio de sua assessoria, informou que o papel da entidade se concentra em conceder o selo de acessibilidade do IGK, garantindo que o espaço respeita os direitos à acessibilidade das pessoas que possuem necessidades especiais, como cegos e cadeirantes.

Ex -presidente da Sociedade Amigos de Coqueiros também critica a iniciativa
A adoção do Parque de Coqueiros por uma empresa privada também é criticada pelo engenheiro Hamilton Schaefer, figura fundamental na criação do parque, viabilizado em 1999 graças à mobilização da comunidade e de algumas empresas parceiras, que se cotizaram financeiramente para transformar o espaço conhecido como Saco da Lama, de um depósito de entulhos num dos locais mais frequentados da cidade.

   Ex-presidente da Sociedade Amigos de Coqueiros, Schaefer conta que foi convidado recentemente pelo secretário João Batista para uma reunião, destinada a tratar da recolocação da placa em homenagem aos moradores que ajudaram a construir o parque. “No segundo encontro, quando íamos entregar a lista de pessoas que deram início ao projeto, havia vários representantes de comunidades e nos foi apresentado o projeto de adoção de praças”, informa. “Na hora, nos recusamos a participar da proposta e a Elaine Otto até falou: só se revitaliza aquilo de está meio morto ou abandonado. E este não é o caso do Parque de Coqueiros”, relata.
   Para ele, o Parque de Coqueiros não pode ser igualado a uma praça qualquer. “É um espaço que a comunidade construiu e é a prova de que só com o engajamento dos moradores um lugar se mantém vivo”, observou.
   O Parque de Coqueiros foi viabilizado pela ação da comunidade, que conseguiu que o terreno fosse cedido pela União ao Estado de Santa Catarina e, posteriormente, repassado pelo então governador Paulo Afonso Vieira à Sociedade de Moradores de Coqueiros (declarada de utilidade púbica estadual, em 1992), sob a presidência do engenheiro Hamilton Schaefer, que fora também professor na Universidade Federal de SC. Em 2006, a administração do espaço passou para a Prefeitura de Florianópolis.

Um comentário:

Léo disse...

Se a comunidade está contra, a empresa que não se meta a besta de ir contra. Imagina a repercussão negativa que isso pode ter...
Aqui em Criciúma tiveram que mudar uma lei, para retornar ao nome antigo de uma rua, de tanto que os moradores chiaram...