quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Apologética Temporada De Veraneio Nas Terras Catarinenses


   Por Eduardo Guerini
Na faixa litorânea disputando ferozmente por um lugar ao sol na faixa de areia nas mais belas praias de um povo hospitaleiro.
   
   A chegada da temporada de veraneio na província catarinense sempre foi saudada pelos governantes, pelo trade turística como a época de colher os frutos de uma veiculação intensa em âmbito nacional e internacional das belezas naturais que Santa Catarina possui.
   Na Santa e Bela Catarina, todos os governantes das últimas décadas – pelo menos das quatro décadas, apresentaram o turismo como atividade redentora das cidades na faixa litorânea – exceção a Capital (Florianópolis) que concentra o serviço público estadual e federal.
   No embalado debate sobre a “capacidade de suporte” das cidades para receber um “turismo de massa”, e, por assim dizer, um turismo para povão, os principais interessados na solução dos problemas, são os verdadeiros propulsores da desastrada constituição de uma atividade econômica sem planejamento (grifos meus).
   Ainda que, muitos prefeitos admitam uma explosiva massa de pessoas em confluência para cidades e suas praias, o que se verificou foi à combinação de dois fatores pouco perceptíveis aos nossos entusiastas do debate sobre o futuro do “turismo em Santa Catarina”.
   Em primeiro lugar, uma “trade turística” preocupada em elevar a taxa de ocupação de seus empreendimentos – garantindo o principio minimax do famigerado “homo economicus” e seu apetite selvagem por lucro fácil e rápido. Neste contexto, se reduz o custo médio e se eleva o lucro ao máximo permitido para o investimento, dado que, a qualidade dos serviços é inferior aos preços praticados na maioria dos destinos que apresentam idêntica condição a província catarinense.
   Em segundo lugar, a temporada 2013/2014 apresenta um calendário atípico, em virtude de calendário escolar antecipado, conjugação de datas festivas em período concomitante aos finais de semana – o prolongamento da estadia é uma consequência sazonal.
   Na ausência de uma autoridade e entidade que congregue planejamento, com dados estatísticos fidedignos, com séries históricas coerentes, somos reféns de estimativas exageradas pela mídia provinciana e monopólica, por gestores públicos desejosos de projeção estadual (diga-se em período pré-eleitoral), e, por especulações de toda ordem. O acaso produz eventos poderosos, inclusive, uma temporada bombástica para os catarinenses.
   Tal como observou Helton Ouriques em meados da década de noventa, a apologia do turismo é permeada por mitos e contradições. O primeiro mito é que o turismo é a principal fonte geradora de empregos. Porém, a maioria dos empregos é sazonal, precária e informal – inclusive os beachs clubs. Se um fiscal do trabalho passeasse pela orla, constataria de pronto, a ausência de formalização na maioria dos estabelecimentos.
   O segundo mito é que o turismo seria uma atividade não poluidora, capaz de promover o tal de desenvolvimento sustentável, com respeito ao meio ambiente. Porém, o habitante da província, e, mesmo turistas que frequentam o litoral catarinense por mais de uma temporada, constatam que a qualidade das águas e da faixa litorânea é degradante ano após ano. No tocante ao ambiente natural e a ocupação territorial, nas palavras de Ouriques (1998), a atividade turística com anuência ou omissão do poder público se comporta, inevitavelmente, como o diabo da Tasmânia, devorando tudo que encontra pela frente – devorando paisagens, natureza, patrimônio cultural, tornando-se o novo colonizador (Krippendorf, 1989).
   Para os colunistas sociais, cargos comissionados, mercadores da paisagem do “trade turístico”, seria recomendável um banho para lavar a alma nas águas límpidas das praias vistoriadas pela Fatma. A qualidade da água nunca esteve tão própria para demonstrar a transparência das ações de nossos operantes e engenhosos empreendores do turismo em Santa Catarina.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns ao Eduardo Guerini...
O artigo é excelente, pois consegue relatar como se destrói um roteiro turístico. A falta de planejamento por parte de quem governa e empresários gananciosos que só pensam em lucro fácil oferecendo um serviço muitas vezes péssimos, como é o Caso do Beto Carreiro Word onde se passa até duas horas em uma fila de brinquedo, uma comida cara e ruim além de banheiros fedorentos e estacionamento à R$ 30,00. Em SC as Praias são lotadas sem uma infraestrutura de banheiros, chuveiros e locais gratuitos de estacionamento. E a Imobilidade urbana, onde temos políticos Burros que não tem em mente a instalações de outras modalidades mais eficientes de transportes como Metrô e Marítimo que é mais barato e eficiente.

Gugu Florianópolis SC