terça-feira, 21 de janeiro de 2014

OS "JOVENS" E OS “EVENTOS”



Leio na Folha de São Paulo:
ASSOCIAÇÃO DE LOJISTAS RELATA PREJUÍZOS E MEDO DE CONSUMIDORES COMEVENTOS 
   
Alshop quer que o governo se reúna com líderes e negocie o fim dos eventos, que já ocorrem em todo o país.

   Como os eventos deixaram as fronteiras de São Paulo, a associação teme o aumento dos prejuízos. Os centros de compras têm optado por fechar as portas para impedir a realização dos "rolezinhos".
   Na avaliação da associação, os eventos também levam insegurança e perturbam os consumidores.
   Os jovens que promovem os eventos pelas redes sociais dizem que só querem se divertir, dançar, namorar e passear dentro das instalações.
   "Vamos entrar em contato com a Presidência [da República] para tentar uma reunião. A Dilma [Rousseff], que chamou as lideranças das manifestações do ano passado, tem de chamar as lideranças desses eventos também", diz Nabil Sahyoun, presidente da Alshop.
   Após ação policial em um "rolezinho" no shopping Metrô Itaquera, no começo do mês, com bombas de gás e balas de borracha, movimentos sociais como o dos sem-teto passaram a apoiar e a promoverem também eventos dentro de centros de compra.


   Em apenas uma reportagem, o jornal repete sete vezes a palavra eventos. A rigor, está correta. Evento é algo que acontece, tanto um comício como um jogo de futebol. A própria Folha organiza eventos em seu teatro no shopping Higienópolis. Mas o que está acontecendo, antes de ser evento, é baderna, invasão de um espaço público.
   Não sei se o leitor notou, mas quando a polícia sobe o morro em busca de drogas ou traficantes, os jornais não dizem em suas manchetes que a polícia busca drogas ou traficantes. Mas que a polícia invadiu a favela. Como invadiu? Favela – perdão, comunidade – é por acaso território estrangeiro, área diplomática, onde a polícia nacional não pode entrar? A polícia está exercendo seu dever de combater o crime, nada mais que isso. No entanto, pelo jornais, a polícia invade.
   Diga-se o mesmo das invasões do MST. Não são invasões. São ocupações. Invasão é palavra feia, até parece crime. Ocupação soa melhor. Soa até como um direito.
   A própria palavra rolezinho é safada. O diminutivo dáá a aparência de algo banal, inocente, quase simpático. Ninguém promove uma baderna, principalmente os baderneiros. Dar um role foi expressão que significava dar um giro, um passeio. De rolê a rolezinho foi um passo.
   Mas parece que a palavrinha que já se desgastou. Melhor eventos. E quem são os responsáveis pelos “eventos”? Os “jovens”, é claro. Você não vai chamar um jovem de invasor ou baderneiro. Jovem não faz isso. Invasão e baderna são palavras mais adequadas a adultos. Nem nisto a imprensa nossa é original. Na França, não são os árabes que queimam carros. Mas “les jeunes”.
   O ataque a shoppings era previsível. É o local ideal para destilar o ressentimento das periferias. Criou-se a imagem de templos de consumo, como se consumo fosse pecado ou crime, ainda mais em um governo que facilita o crédito para que até mesmo os “excluídos” – outro eufemismo dos bons - tenham carro próprio.
   De cambulhada, ressuscitou uma palavrinha já soterrada, pela história. "Alerta, alerta, alerta à burguesia. Ou deixa o rolezinho ou vai ter ato todo dia". "Ei, burguês, a culpa é de vocês". Nos estertores do século passado, os petistas ainda cantavam:

Ai, quem diria? Ai, quem diria?
O proletário derrotando a burguesia.
A burguesia fede
fede
fede


   Mais um pouco e chegamos no século passado.
   Tampouco a idéia de hostilizar shoppings é nova. Talvez ninguém mais lembre, mas nasceu em São Paulo. O “evento” ocorreu em 2011, quando os “jovens” promoveram uma churrascada frente ao shopping Higienópolis. Higienópolis – ou Idischienópolis, como preferem certas línguas – é um dos bons bairros para se viver em São Paulo. Há quem diga que é o melhor. Não é exatamente meu bairro ideal. Arquitetura vertical me desagrada, achata muito o ser humano. Prefiro aquelas cidades baixas, tipo Paris, Madri ou Lisboa. Mas não me queixo do pedaço. Tem cerca de 35 mil habitantes, é relativamente calmo e oferece pelo menos uma meia centena de restaurantes abordáveis.
   A quinze minutos a pé de onde moro, há uma praça agradável, a Vilaboim, onde geralmente costumo almoçar. Em apenas uma quadra, tem uns dez ou mais restaurantes com cozinha para todos os paladares: francesa, japonesa, alemã, italiana, árabe, mexicana, brasileira e tem também uma coisa ianque que serve sanduíches tão ao gosto de quem gosta de comer mal. É o que em Paris se chamaria de village, uma espécie de ilha nesta cidade desvairada.
   Surgiu naqueles dias uma polêmica que assumiu dimensões nacionais. Pretende-se – ou se pretendia – criar uma estação de metrô na avenida Angélica, principal artéria do bairro. Um grupo de higienopolitanos fez um manifesto contra a estação. O governo recuou e a transferiu para mais adiante. Por que não se quer uma estação de metrô no bairro? Porque bocas de metrô atraem camelôs, mendigos e mesmo assaltantes.
   Há dois metrôs a uns 500 metros de distância de onde moro. Um deles, o Santa Cecília, até poucos anos atrás, era um pátio de milagres, com dezenas de mendigos atirados na calçada, fedendo a urina e fezes. Impediam até mesmo a limpeza da praça. Quando chegavam os carros da Prefeitura, defensores dos tais de direitos humanos é o que não faltava para se jogar na frente das mangueiras de água e impedir a limpeza.
   Na ocasião, cheguei a protestar junto a Prefeitura. O alcaide era o Maluf. Recebi minha carta de volta, com mais de uma dezena de pareceres e carimbos de diversas repartições e a conclusão final: que qualquer solução era inviável. A Prefeitura acabou encontrando um remendo, entregou o espaço aos camelôs. Que fizeram o que a polícia não conseguiu: expulsaram os molambentos do pedaço. Mas tomaram conta da praça. Quanto ao cidadão que paga honestamente IPTU, este foi expulso do largo.
   Alguns palhaços planejaram um churrasco de protesto em frente ao shopping Higienópolis, que depois teria sido transferido para a praça Vilaboim. (Sempre em lugares agradáveis, onde quem trabalha e ganha honestamente seu sustento vai espairecer). A baderna ocorreu finalmente frente ao shopping, interditando a avenida Higienópolis. A alegação era que os residentes do bairro não queriam pessoas pobres por perto. No fundo, petistas que queriam desgastar o governo estadual.
   Eram as viúvas do Kremlin que queriam ressuscitar em meu bairro a finada luta de classes. Prova disto foi a declaração do cacique do partido. Disse Lula na ocasião: “Eu acho um absurdo, porque isso demonstra um preconceito enorme contra o povo que anda de transporte coletivo neste País”. O petista acusou os moradores que protestaram contra o metrô de tentar impedir a circulação de pobres no bairro de alto padrão. “Sinceramente, não posso conceber que uma pessoa que estudou e tem posses seja tão preconceituosa e queira evitar que as pessoas mais humildes possam transitar no bairro onde mora”.
   Como se algum dia, algum pobre, negro ou mendigo fossem proibidos de circular no bairro. O PT é exímio em criar argumentos inexistentes para melhor atacá-los.
Leia artigo completo. Beba na fonte.

Comentário: Cristiano Olderground23 janeiro, 2014 10:46
Quando o povo protesta, os defensores da antiga ideia do "eu que pago meus impostos não tenho esse direito" tomam conta e destilam seu ódio contra qualquer ameaça à ordem, como se neste mundo de tantas injustiças vivêssemos realmente no paraíso da ordem. Ora, o mundo está um verddeiro caos, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento e o que as pessoas que se importam e fazem ao sairem na rua pra protestar é exatamente para mudar essa desordem geral que se instalou por culpa da lógica do capital e do consumo, a melhor tática de lavagem cerebral já praticada. Por que os honestos pagadores de impostos, coitadinhos, não votam decentemente, então? Por que não saem às ruas também? "Ah, não, não vamos sair do nosso ar-condicionado, do nosso sagrado emprego porque temos que trabalhar!" Opinião é opinião e a minha é de que a argumentação desse texto do Janer Cristaldo foi, no mínimo, horrorosa e cheia de raiva. Um asco!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Na patranha e na patrola se faz um Plano Diretor


   Por Eduardo Guerini
   Fazendo uma planta baixa por geoprocessamento da Capital
 dos Catarinenses em seu
 multiprocessador político.

   Por muito tempo se falou em gestão popular das cidades, especialmente, no período de transição democrática. Em algum território desse país continental, temos algumas experiências exitosas - poucas, exemplos que poderiam nos levar para uma nova forma de fazer política, naquele enredo de meio-termo, uma gestão técnica para explicitar as necessidades instrumentais (ou meios), para se atingir determinado objetivo projetado-planejado, a tal da gestão política.
   Nossa memória política contudo nos trai - seja pelo esquecimento, seja pelas cortinas de fumaça que são lançadas por alguma imagem bela e paradisíaca, nesta vã consciência que se faz com experiências sensoriais e materiais.
   Na campanha eleitoral de 2012, a mensagem de mudanças na forma centralizada e corrompida da gestão municipal , varreu do mapa político, figuras que não atendiam mais os interesses da maioria. A campanha usou da linguagem subliminar da mudança necessária, da ideia de se ordenar e planejar o futuro de uma cidade-ilha e Capital de Estado decadente. Assim, o discurso da mudança foi vitorioso, todos os florianopolitanos sonharam com a esperançosa transformação de seu território existencial.
   Na base do pragmatismo e oportunismo de ocasião, basta cooptar um comunista de botequim, dar-lhe algum título e colocar outro para viajar. Deixe a oposição falando aos cântaros, alguns manifestantes aparecerão. Porém, nada melhor que ter o apoio sintomático da maioria - com acordos nada transparentes.
   No festejado Réveillon das Luzes, uma nebulosa cortina de fumaça encobriu a visão de nossos cúmplices munícipes extasiados pelo barulho e brilho dos fogos de artifícios, e, transformou a gestão municipal que pregava a mudança em gestão obscura de transações inexplicáveis.
   Na patranha se autorizou um aumento desmedido para o IPTU e ITBI, desproporcional em termos nominais e reais, na patrola se aprovou um Plano Diretor, e, nesse ensaio de cegueira política com tepidez cidadã, alguém tem dúvida que os vencedores estão brindando os novos empreendimentos que tocarão as nuvens na Ilha da Magia?

CIVILIZAÇÕES


   Por Emanuel Medeiros Viera

   “Civilizações feneceram e isso me consterna. Incas, Maias, Assírios, Fenícios, Babilônios, Gregos. Não os conheci. Não os conheço (...) Que insuspeitas relações tiveram? (...) A arte são marcas de passagens. (...) Não sei porque escrevo, menos ainda o que isso possa significar.” (...)

(Herculano Farias)

   “Nada sabemos, a não ser que há uma noite/pura e vazia à nossa espera. Uma noite intocável/além do fogo e do gelo, e de qualquer esperança.”
(Ledo Ivo)


   E continuamos a cada dia. Tentando celebrar os momentos- encantamentos. Sim: há soberba, cobiça, pessoas que se acham insubstituíveis, celebridades vãs. E depressa desaparecerão. Mas continuamos.
   Há fé (às vezes). Há sombras, pó, e esperança.
   “Estás sendo pessimista”, adverte uma voz interior. Basta olhar o mundo ao redor. Nada de novo. É preciso manter o circo. Sempre. O cantor famoso “passou”, espremido como laranja. Criam-se outros. Como a loira gostosa no anúncio de cerveja. A insinuação subliminar dos espertos publicitários: “tome essa cerveja e terás a loira”.
   E há os marqueteiros. Ganhando rios de dinheiro, estabeleceram o reino da mentira virtual. “Mas as ditaduras acabaram na América a Latina”, alguém lembra. E o que veio depois? Desagregação (traição, deslumbramento) de muitos sonhos e dos maiores valores. E as revoluções implantadas viraram sistemas totalitários. Não?
   E criamos todos os dias. Será a arte que nos salvará?   “Inventamos” uma realidade. Não a revelamos. E continuamos. Parece que já existem mais escritores que leitores. Toneladas de opiniões (nos jornais, no mundo virtual) não saciam. Pois a incompletude é a nossa sagrada e irreversível marca. Como em tantos momentos, talvez saibamos mais o que não queremos do que aquilo que queremos.
   A cura é a morte do desejo? Civilizações morreram.
   Ando por Pompéia, está frio, e penso em todos que por aqui andaram, em todos os pés que aqui pisaram.
   Penso o mesmo no Pelourinho – “ouvindo” o gemido dos escravos. Mas a agitação dos turistas com suas máquinas fotográficas e celulares, é mais forte do que as minhas reflexões. E meninos cheiram crack e assaltam.
   O desejo é registrar tudo. Tudo. Mas somos meros fragmentos de outros fragmentos.
   Há mais motivos para beber do que para não beber – eu sei.
   Mas-ainda mais moralista na maturidade – creio que é melhor não beber. Sim: pela vida (perdoem o lugar-comum.).    Mas tal opção é absolutamente subjetiva, e prefiro ouvir um Canto Gregoriano nesta capelinha do que os berros e gritos em um culto, garantindo que Cristo voltará (e se deres mais dinheiro, ele chegará mais rápido).
   É outra manhã. Sim, sonhávamos refundar o mundo, e a alegria não-napoleônica de uma criança mexendo numa máquina de escrever-estranhando-, e um pássaro cantando é maior que isso. Mas, é claro, também passaremos e bem mais rápido que as civilizações. Mas-mal rompendo a aurora-estarás aqui de novo, seguindo o ofício, não buscando álibis. E continuarás, até o dia em que escutarás um assobio e irás-sereno-atravessar a ponte.

(Brasília, janeiro de 2014)

   Comentário:
   Foi um redobrado prazer relembrar a figura do Emanuel Medeiros Vieira através do seu texto.
   Eu o conheci há muitos e muitos anos atrás, antes de vê-lo partir para Brasília.
   Inteligente, sensível, profundo, politizado, educado, sempre o vi como um ser humano admirável.
    Parabéns Canga, pela escolha do belo texto e pela lembrança do velho amigo.

Saudações,
Jaison Barreto.

A queda livre

Colombo é o sétimo da esquerda para a esquerda
  Por William Ear Long*

   O voo 550 da companhia US AIRWAYS decolou do Alabama Local Airport em direção a New York onde a comitiva catarinense faria a conexão para São Paulo/Florianópolis.
   O alarme SKYFALL, peça ultra sensível para funcionar em conjunto com o Radar da Rain Drops Keep Falling on My Head, veio no avião. Devido ao tamanho, não coube no compartimento acima dos passageiros, foi alojado num dos banheiros da aeronave.
   Em pleno voo, na altura de Carolina do Norte, um vazamento na torneira do dito banheiro fez disparar o alarme... OIN OIN OIN OINNNNNNNNN...
   Um barulho ensurdecedor. Os passageiros entram em pânico. O piloto começa a perceber a gravidade da situação.
   Romildo Titon olha pela sua janela, vê o mar e pensa nas suas relações com as águas...
   Os jornalistas convidados, finalmente, teriam uma matéria para publicar. Os técnicos da Defesa Civil compreenderam a gravidade do problema: Quando o alarme disparar, como será lá em Lontras, todos vão perceber... Mas, o acidente será inevitável. As águas das chuvas descerão o Vale do Rio Itajaí e causarão os estragos de sempre. As pessoas deixarão suas casas, sem saber, ainda, para onde ir... Nem o que fazer com seus pertences.
   Colombo pensou: Vinhas tão bem...
   Então, ao se aproximaram do JFK Airport em New York, o piloto preferiu amerissar (descer no mar) ao arriscar um pouso com o avião praticamente inundado pelo vazamento da torneira.
   Foi então que uma aeromoça norte americana exclamou: 
- Flying with cowboys is always dangerous. (Voar com vaqueiros é sempre perigoso).

* Jornalista desempregado do New York Times e free lancer mundial, faz a cobertura para a SECOM do governo estadual com recursos do PACTO da DILMA por Santa Catarina).

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Lontras- Alabama Connection

Chupada do blog do Tio César "De Olho na Capital"
Foto James Tovarish/Secom 
  Revelado hoje o real motivo da viagem do Colombo a América: 
   A aquisição do super-radar (Rain Drops Keep Falling on My Head) e do alarme (SKY FALL) que funcionarão como a maior arma contra as cheias do Vale do Rio Itajaí.
   O equipamento será colocado sobre uma base de concreto (vide fotos) equivalente à altura de um prédio de oito andares e monitorará a queda das águas do céu. Atingindo um determinado índice pluviométrico, o alarme dispara: oooooonnnnnn   ooooonnnnnn... Então a população sabe que tem que carcá (verbo usado para saídas repentinas de lugares perigosos)...
   Não se sabe, ainda, para onde irá a população. Estudos desenvolvidos pela equipe da Defesa Civil e da Secretaria das Chuvas (vinculada a SDR de Rio do Sul) com apoio do Bira (na Miami Rain University) confirmam que a população voltará para suas propriedades. Falta apenas definir o local de passagem enquanto as águas não descem. O Pavilhão da Oktoberfest, em Blumenau, é uma alternativa. Outra possibilidade, os apartamentos vazios de Itapema, visto que as cheias ocorrem depois do verão.
   O radar segue por mar, em navio especial, e aporta em Itajaí em Fevereiro de 2014. Está em construção no estado do Alabama, aqui nos EEUU.
   O alarme, peça ultra-sensível, irá por avião, com a comitiva governamental. Ambos serão instalados em Lontras, aí em Santa Catarina.
    O presidente fábrica do radar, Doctor Wet Coat (tradução=Dr. Paletó Molhado) oferecerá um jantar para a comitiva governamental, para os jornalistas da RTS TV, os jornalistas do ALABAMA TELEGRAPH NEWS e diretores, jornalistas e familiares do Cangablog que é o responsável pelo cyber-difusão das matérias na América Latina.
   O Doctor Wet Coat foi vítima das enchentes do Rio Mississipi em 1922 quando ficou uma semana, ilhado numa caixa de madeira, descendo o rio com a força das águas. Deste trauma, nasceu a ideia da criação do radar Rain Drops Keep Falling on My Head.
   Doctor Wet Coat é especialista em equipamentos de monitoramento de ciclones, tufões e enchentes. Ganhou o prêmio FLOOD CONTROL da National Rain Falls. Dizem que ele é o espírito de Noé, aquele da Arca.

*Matéria conjunta de William Ear Long/Cangablog e Odacir Beira/RST TV. 

CAVACOS DO OFÍCIO


   Por Janer Cristaldo

   Um amigo me pergunta sobre o que seria necessário para ser um bom jornalista. Em verdade, nunca pensei no assunto e minha resposta é mais ou menos aleatória. Enumero então alguns quesitos que me parecem fundamentais, sem pretender que sejam definitivos.
   O jornalista deve ter uma qualidade que deveria ser inerente a todo ser humano. Jornalista que vende sua capacitação para ideologias ou partidos não passa de um venal. Conheço não poucos colegas que, em épocas de eleição, aproveitam para faturar alto. Prestam assessorias a partidos. Quem presta assessoria a um partido, seja lá qual partido for, é pessoa que vendeu sua independência e só escreve o que patrão manda. Ser chapa branca não é crime. Mas nada tem de ético. O jornalista chapa-branca – aquele que vende seu talento para o poder ou para partidos – sempre empunha o famoso argumento do leite das criancinhas. Não convence. A meu ver, uma vez que optou pela prostituição, deveria ser sumariamente excluído, e para sempre, das redações de jornal. Existe aliás uma tese de que a um jornalista não deveria ser permitido votar. É de se pensar no assunto.
   Ora, direis, jornalista sempre tem patrão. De fato. Mas quando o dono de um jornal exige que seus redatores escrevam em franca oposição aos fatos, esse jornal não vai longe. Pode manter-se em ditaduras, onde os jornais são financiados pelo Estado. Em regime democrático, esse jornal morre. Neste sentido, a primeira qualidade de um jornalista deveria ser a mesma de todo cidadão decente: honestidade.
   Dito isto, vamos a algumas qualificações específicas. Neste nosso mundinho globalizado, jornalista que não dominar pelo menos três línguas além da própria, nem deveria candidatar-se ao ofício. No caso do Brasil, considero o conhecimento do espanhol obrigatório. Do inglês, imprescindível. E do francês, muito oportuno. Conhecessem os jornalistas um mínimo de francês, não escreveriam bobagens com “um affaire” ou “um fondue”. Nem traduziriam – como invariavelmente traduzem – l’Arche de la Défense como o Arco de la Défense. Cada língua que dominamos é uma janela aberta para o mundo. Quanto mais janelas, melhor se vê.
   Jornalista que hoje conhecer o russo, árabe ou chinês, está muito bem qualificado para entender política internacional.   O Brasil jamais produziu sinólogos ou kremlinólogos. Os grandes jornais americanos e europeus sempre têm um profissional que tenha acesso a esses universos. O Brasil, que se nutre das agências de notícia, em geral não exige tais conhecimentos. Passa então a comer milho na mão das agências. O Monde, por exemplo, quando manda um correspondente ao Irã, envia alguém que saiba falar farsi. Os jornais brasileiros se contentam com alguém que arranhe o inglês. Não posso deixar de lembrar uma correspondente internacional da Folha de São Paulo, que mandou um despacho de Zagreb, noticiando que a marinha croata estava bombardeando Dubrovnik. Ela via emissões da TV iugoslava e nada entendia do que ouvia. Ora, a Croácia jamais teve Marinha, pelo menos nos dias de Iugoslávia, e jamais um militar croata bombardearia a mais linda cidade croata.
   É bom que o jornalista viaje. Quanto mais países conhecer, mais apto estará para o ofício. Todo jornalista deveria saber que o Irã não é país árabe e que mulheres árabes não usam chador. No entanto, lemos todos os dias que as árabes portam chador. Viajar também nos ajuda a conhecer nosso próprio país. O homem não conhece apenas vendo. Conhece comparando. Gosto muito de repetir uma frase de Chesterton: “não se conhece uma catedral permanecendo dentro dela”. Se alguém que jamais saiu do Brasil me diz conhecer o Brasil, não acredito. O país em que nascemos, só o conhecemos mesmo olhando de longe.
   Vivemos dentro de uma cultura cristã. Para entendê-la, deve o jornalista ter sólidos conhecimentos do cristianismo. Não deposito muita confiança em jornalista que não saiba percorrer com segurança a Bíblia. Nem entendo como pessoa culta quem não a tenha lido. (Não estou falando, é claro, da leitura fanática dos crentes). Queiramos ou não, neste livro estão as bases da cultura ocidental, seus mitos e crendices, seus dogmas e ideais, seus horrores e suas virtudes. Conhecessem os jornalistas, já não digo a Bíblia, mas pelo menos os Evangelhos, não repetiriam essa solene bobagem que se repete – invariavelmente – em todos os natais e em todos os jornais do mundo, a crença absurda de que Cristo nasceu em Belém.
   Certa vez, escrevi que os católicos, ao beber o vinho consagrado na Eucaristia, não estão bebendo um símbolo do sangue de Cristo, mas o próprio sangue. E ao ingerir a obréia de pão ázimo, não estão ingerindo um símbolo da carne de Cristo, mas a própria carne. Fui visto como demente. Ocorre que assim são os dogmas. Jornalista que não os conhece não entende nem mesmo uma missa, este ofício celebrado e repetido todos os dias, desde séculos. Diga-se de passagem, raríssimos são os católicos que entendem uma missa.
   Estamos saindo de um século que foi dominado, de ponta a ponta, pelo marxismo. Não digo que seja necessário a um jornalista ter lido O Capital. Mas se não tiver boas noções da doutrina de Marx e – principalmente – se não conhecer a história do comunismo no século XX, não terá nem idéia do mundo em que vive. Aliás, se não conhecer a história do comunismo, não conhecerá nem mesmo o século XX. As redações estão cheias de jornalistas que são comunistas sem terem a mínima idéia de que o são. A universidade e a imprensa brasileira estão profundamente impregnadas de marxismo. Se o profissional não souber separar ideologia de informação, estará fazendo inocentemente o jogo da pior ditadura do século passado. Quando um maoísta histórico como Tarso Genro afirma que direito adquirido é um arcaísmo e a imprensa não reage, isto significa que os jornalistas engolem qualquer besteira que um ministro qualquer afirma.
   É bom que o jornalista tenha razoáveis noções de Direito, principalmente de Direito Constitucional. Nestes dias em que o Congresso rasga a Constituição como quem rasga papel higiênico e os jornalistas aceitam a ruptura da Constituição com a mesma indiferença com que aceitam a ruptura de papel higiênico, não se pode apostar um vintém na confiabilidade da imprensa.
   O jornalista há de ter coragem. Coragem é uma virtude sem a qual todas as demais perdem o sentido. Me dói o estômago quando vejo repórteres ouvindo mentiras óbvias e respostas incoerentes de autoridades, sem ao menos adverti-las que ultrapassaram todos os limites da boa lógica. Quando um presidente ou ministro diz uma besteira, que código de ética impõe ao jornalista o silêncio? Nenhum. Se o jornalista não pede explicações sobre uma impropriedade, é porque teme o poder. Se teme o poder, melhor faria que escolhesse outra profissão, para o bem geral da nação.
   Um estudante de jornalismo pode achar que estou exigindo qualificações sobre-humanas de um comunicador. Nada disso. Estas qualificações necessárias a um jornalista em nada diferem das que julgo inerentes a um homem razoavelmente esclarecido. São matérias que um curso universitário não ensina. Por estas razões, em todos os países do Ocidente, é jornalista quem retira a maior parte de seus proventos do jornalismo. Ponto final. Só neste nosso país incrível, graças ao corporativismo de uma guilda corrompida, só é jornalista quem faz curso de jornalismo.
   Para concluir, o jornalista tem de escrever com correção, clareza e precisão. Isto tampouco se aprende na escola. Escrever bem faz parte dos atributos de quem pensa com correção. Quem escreve mal não pensa bem. E mais uma vez o jornalista se confunde com o homem esclarecido.

   Last but not least, boas noções de grego e latim.

Lobão, Olavo de Carvalho e Graça Salgueiro: um bate-papo sobre a censura

Olavo de Carvalho, o cantor Lobão e a jornalista Graça Salgueiro comentam as várias tentativas de imposição da censura e do controle da mídia que estão em pleno andamento no Brasil e na América Latina hoje. O direito autoral, a autonomia intelectual, a opinião e o jornalismo livre estão sob risco, graças ao projeto de poder do Foro de São Paulo, do governo do PT, e seus comparsas da classe artística e do jornalismo chapa-branca.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Plantão Cangablog Urgente

   
   Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, foi ao encontro de Raimundo Colombo no Waldorf Astoria Hotel quando decidiram que uma unidade de produção será instalada em Jaraguá do Sul, novo polo automotivo de Santa Catarina. Junto com a BMW de Araquari, ambas empresas usarão motores da WEG,
tradição local.
São motores elétricos, não poluentes e usarão energia da CELESC. Estes novos automóveis podem dar alguns problemas nas temporadas de verão...
   

O segundo encontro foi com o simpático
Walt Disney, criador do Mickey, Minnie, Pateta, Pluto, Florisbela e da família Donald. Ficou decidido que os patos irão para a região Oeste a fim de melhorar a variedade de nossa agro-industria. Nas próximas FENARRECO e similares, comeremos patos e marrecos Donald.
A RUDNICK (de São Bento do Sul) tem interesse no projeto em razão de sua rede de restaurantes. O Restaurante LINDACAP, em Florianópolis, poderá trabalhar com os patos da marca Donald, também. O prefeito César Soiza, da capital, já é acionista minoritário da Disney Corporation em razão de suas ligações com a Minnie.
   
O terceiro encontro, fantástico, foi com o fundador da Coca-Cola. O senhor Asa Candler ficou entusiasmado com as possibilidades de vendas no litoral catarinense, especialmente no verão. Disse que a Coca-Cola terá uma tarja verde, somente para Santa Catarina, para equiparar às cores de nossa bandeira. Colombo disse que tem um publicitário em SC capaz de fazer qualquer coisa por dinheiro, inclusive mudar a marca secular do refrigerante. A Cola-Cola/SC Drinking Company (nome local) usará água da CASAN na fabricação dos seus produtos.

Colombo encontra com Barack Obama


   Matéria especial de Doa Beira, membro da comitiva da SECOM/SC, pela RTS-TV.
   Colombo e comitiva entram na Casa Branca pela ala esquerda, especial para governantes da América Latina. No primeiro detector de metais, um constrangimento: Belmiro, assessor de São José do Cerrito, para viagens internacionais, levou a bomba de prata do chimarrão dentro do casaco e não avisou a segurança. O alarme disparou. Estava acostumado com os procedimentos de segurança do Mercosul, na fronteira de Dionísio Cerqueira.
   Entram no Salão Oval (Oval Office) e Obama recebe o grupo catarinense.
   Simpático, diz:
 -Where is Dilma? Afraid of espionage?

   Todos riem...

- Colombo, disse Obama, I did not know that Cristoban was your great grand father... Ninguém riu, nem entendeu a piada.
   Colombo explicou que faz um grande governo. Just like in America. Asfalto, escolas, pontes e metros por toda SC, inclusive esgoto tratado pela metade.
   Belmiro começa a preparar o chimarrão, cuia, água quente
e erva mate. Colombo oferece e mostra o pacote da erva. Grass from Leiges, oferece ele.

   Obama ri muito e diz: - No, no, no... Thank you. Bill likes this, referindo-se ao Bill Clinton...
   Colombo explica a grande aliança de vários partidos: PMDB, PSD, PP, PSB e PT para renovar seu mandato.
   Obama diz: - You may kill democracy. This is totalitarism, Soviet totalitarism, Chinese totalitarism… Don’t you have an adviser? (você não tem um conselheiro?).
   Colombo responde: - Yes, Bira, my friend. He is a political scientist.
   Obama pede para escutar novamente a tese de Colombo… Depois, ensina: - You need democracy, mesmo que seja para manter as aparências...

A história não dá saltos.


  Por Jaison Barreto
  O que a gente está pretendendo apenas, de uma maneira divertida é dizer que a verdade precisa ser conhecida por inteiro, não através dos vencedores.
  O PMDB que está aí não é o nosso PMDB.
  Nós assumimos a responsabilidade pelas suas virtudes, mas não pelas suas distorções.
   Nós acreditamos, nós sonhamos, nós pregamos, sem financiamento público de campanha, sem sermos patrocinados pela grande imprensa, que aliás, sempre escondeu a verdade naquela época, não estávamos submetidos a nenhum grupo econômico, apenas lutávamos por um ideal que ainda não alcançamos.
   30 anos depois nós não perdemos a coragem nem a ousadia de dizer que o Brasil precisa mudar.
   O fruto do trabalho da classe trabalhadora elevou o seu nível de vida, mas a injustiça social continua a mesma, a manipulação política é a mesma, a falta de caráter e a corrupção predominam e é contra isso que estamos de maneira tranquila, por um novo instrumental que precisamos usar com mais eficiência, praticando.
   Isso foi dito de improviso, mas dá pra fazer um Tratado à respeito de como podemos transformar esse país nesse ano de eleições.
   Perdoem-me. Angela Merkel pela terceira vez se reelegeu como a grande orquestradora da economia da população Alemã.
   Teses bobas contra reeleição não podem prevalecer.
   Cada situação é cada situação. A alternância de poder é sempre importante.
   Amigos que me perdoem, mas temos que avançar.
   Que a gente possa encontrar uma alternativa melhor.
   Tranquilamente digo: Na Dilma e nessa vassalagem e nesse conluio, eu não voto.

Saudações talvez pouco democráticas,

   P.S. A foto e este texto visaram lembrar um episódio importante da vida Brasileira “esquecida ou escondida” como soe acontecer no Brasil.
Nem a chamada grande imprensa estadual e municipal lembrou o fato.
   Na quinta-feira dia 12 de janeiro de 1984 na “Boca Maldita” em Curitiba foi realizado o primeiro comício pelas Diretas com a presença de Ulysses Guimarães, Franco Montoro, Tancredo Neves, Richa e tantos outros.
   O jornal Gazeta do Povo de Curitiba PR lembrou o fato.
   Dois dias depois nas areias de Balneário Camboriú, aconteceu o comício fruto do trabalho de muitos companheiros. Ulysses Guimarães estava conosco.
   É um fato da historia. Não é contra nenhum partido nem contra ninguém.
   É a obrigação moral de contar a verdade, cantar os nossos feitos e reconhecer os nossos desacertos.
   Parafrasiando Ulysses eu diria que o passado não passou e será sempre o nosso presente enquanto nós nos orgulharmos dele.
   Um abraço

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Colombo avança na América

   Por William Ear Long* 

   Na entrevista para a NBC, National Broadcasting Corporation, Colombo deu um show, afirmando que SC vive seu melhor momento: o verão. Que as pessoas estão em primeiro lugar, mesmo nas filas. Que já asfaltou 5.000 km e que teremos enchentes em 2014 porque o solo já não absorve mais águas das chuvas em razão da pavimentação excessiva. Diz que o Tapete Preto do Dário Berger é sua grande inspiração. Diz que está apaixonado pelo senhora Teca e que John Lennon é o seu grande mestre por causa da música Imagine. Eu imagino o dia inteiro... Cantarola Colombo...
   E aí soltou a grande revelação:
- Amanhã sigo para Austin no Texas para assinar a Ordem de Serviço da construção da Vaca Mecânica. Temos pastagens muito boas no verão e primavera na região de Lages (Leiges, em inglês), mas no inverno/outono o capim queima com as geadas e o gado emagrece. Em conjunto com as empresas fabricantes de papel, instaladas na região, Otacílio Costa em especial, vamos alimentar com celulose residual e criar a vaca de papelão. Como o boi de mamão, do litoral...
   É um mega projeto científico - cultural - alimentar. The hard paper cow, como será chamada, é um produto sem colesterol, pois fica absorvido nas paredes do corpo do animal. A empresa Free-Boi já manifestou interesse na compra do primeiro rebanho com selo da CIDASC/EPAGRI.
   
Revelou, ainda, que mandou comprar os direitos autorais do livro O Boi Voador de Chico Buarque, neste caso sem licitação, para projetar os primeiros aviões que serão construídos pela Leiges Boeing Aircraft, em Vacaria, numa joint venture com o governo gaúcho, um antigo sonho do Bira, seu amigo de governo e pecuária.

   O primeiro aviãozinho será batizado de JP em homenagem ao atual presidente da Alesc.
* Jornalista desempregado do New York Times e free lancer mundial, faz a cobertura para a SECOM do governo estadual com recursos do PACTO da DILMA por Santa Catarina).

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

A Viagem (The Trip)

   Por William Ear Long* 

   Raimundo Colombo preparou-se arduamente, junto com Teca e dois assessores, que o acompanham na viagem aos EEUU. De dentro do avião da American Air Lines, voo AA-370, entusiasmado, ele ligou para o Bira quando sobrevoava Miami e disse:
-The air plane has windows. And my computer also has windows.
   O Bira riu muito do outro lado da linha e disse envaidecido: - Muito bem. O avião tem janelas e o seu computador é uma janela. Você apenas deve cuidar para não confundir a janela por onde se vê com o programa de computação. 
   
   Aí, Colombo rebateu: 
   - I know Bira. Knowledge is fundamental. (tradução: conhecimento é fundamental).    Foi neste clima absolutamente eufórico que Colombo finalizou a conversa telefônica dizendo: 
- Let us visit the big ear. 
   Bira perguntou: 
- big ear? What do you mean? 
   Colombo respondeu: 
- President Obama. 
- No, no, no... disse Bira. 
   Neste caso, big ear serviria para um chefe indígena. Chief Big Ear ou Chief Seating Bull (tradução: Chefe Orelha Grande ou Chefe Touro Sentado). 
   Bira voou para Nova York a fim de encontrar Colombo e comitiva hospedados no Waldorf Astoria. No outro dia, ele e Teca, de mãos dadas, caminhavam pelo Central Park quando Colombo cantarolou: Help, I need somebody. Help I need anybody...
   Teca disse:
   - você está cantando Beatlles?
   E Colombo respondeu: - John Lennon morreu aqui no Central Park quando era jovem como eu e cabeludo. 
   E ela disse:
   - Então eu sou Yoko, a única, confundindo Ono com one.
   Belmiro, assessor que veio de São José do Cerrito olhou para aquelas pequenas fogueiras dos home less com as quais se aquecem no inverno nova-iorquino e disse: - Mas bah governador, aqui eles também sapecam pinhão no chão. Maravilhado, Colombo exclamava: - Leiges (Lages) - a pronúncia é Leiges em inglês - é universal. E não pode conter suas lágrimas. Após o almoço no The Tavern on the Green que Belmiro traduziu por Grill da Taverna, onde comeram picanha e entrevero, voltaram para o hotel. 
   Na cama, deitado, ele confidenciou: - Teca, se não fossem as vacas da Coxilha Rica eu viria morar em New York. 
   - Por que? perguntou ela. 
   Colombo respondeu: 
- The cold, o frio, reminds me of Leiges. Teca sorriu... Apaixonada.
- Trim Trim (som de telefone) e do outro lado da linha uma voz feminina diz: 
   - Raimundo? 
   Ele responde: 
   - Dilma?
   Teca constrangida trancou-se no banheiro. (continua na próxima edição).

*William Ear Long é jornalista desempregado do New York Times e free lancer mundial, faz a cobertura para a SECOM do governo estadual com recursos do PACTO da DILMA por Santa Catarina.   


   Repórter Especial Doa Beira (dá a versão oficial da viagem): 
   Nesta manhã aqui em Nova York, o governador Raimundo Colombo depositou flores ao Cristovão, seu primo genovês, descobridor das Américas. Teve importantes encontros na sua agenda de trabalho.
   Visitou o CEO do City Bank para tratar da conclusão do financiamento da BR 282. Depois, concedeu entrevista na NBC, a maior rede de televisão norte americana, falando inglês perfeitamente, explicando a aliança com o PT, PMDB e o PP nas eleições governamentais. Almoçou com o prefeito de Nova York para tratar do programa Violência Zero, oferecendo a experiência do programa Fome Zero que em Santa Catarina paga R$ 14,00 reais mensais ao cidadão. 
   À tarde visitou a biblioteca pública na 5ª Avenida, onde leu os discursos de Lincoln; e, finalmente depositou flores no túmulo de John Lennon, onde também está enterrado o bebê de Rosemary, explicou Belmiro, o assessor de São José do Cerrito.

Doa Bera especial para RTS TV.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Bate papo entre Lobão e Olavo de Carvalho. Imperdível!

A Apologética Temporada De Veraneio Nas Terras Catarinenses


   Por Eduardo Guerini
Na faixa litorânea disputando ferozmente por um lugar ao sol na faixa de areia nas mais belas praias de um povo hospitaleiro.
   
   A chegada da temporada de veraneio na província catarinense sempre foi saudada pelos governantes, pelo trade turística como a época de colher os frutos de uma veiculação intensa em âmbito nacional e internacional das belezas naturais que Santa Catarina possui.
   Na Santa e Bela Catarina, todos os governantes das últimas décadas – pelo menos das quatro décadas, apresentaram o turismo como atividade redentora das cidades na faixa litorânea – exceção a Capital (Florianópolis) que concentra o serviço público estadual e federal.
   No embalado debate sobre a “capacidade de suporte” das cidades para receber um “turismo de massa”, e, por assim dizer, um turismo para povão, os principais interessados na solução dos problemas, são os verdadeiros propulsores da desastrada constituição de uma atividade econômica sem planejamento (grifos meus).
   Ainda que, muitos prefeitos admitam uma explosiva massa de pessoas em confluência para cidades e suas praias, o que se verificou foi à combinação de dois fatores pouco perceptíveis aos nossos entusiastas do debate sobre o futuro do “turismo em Santa Catarina”.
   Em primeiro lugar, uma “trade turística” preocupada em elevar a taxa de ocupação de seus empreendimentos – garantindo o principio minimax do famigerado “homo economicus” e seu apetite selvagem por lucro fácil e rápido. Neste contexto, se reduz o custo médio e se eleva o lucro ao máximo permitido para o investimento, dado que, a qualidade dos serviços é inferior aos preços praticados na maioria dos destinos que apresentam idêntica condição a província catarinense.
   Em segundo lugar, a temporada 2013/2014 apresenta um calendário atípico, em virtude de calendário escolar antecipado, conjugação de datas festivas em período concomitante aos finais de semana – o prolongamento da estadia é uma consequência sazonal.
   Na ausência de uma autoridade e entidade que congregue planejamento, com dados estatísticos fidedignos, com séries históricas coerentes, somos reféns de estimativas exageradas pela mídia provinciana e monopólica, por gestores públicos desejosos de projeção estadual (diga-se em período pré-eleitoral), e, por especulações de toda ordem. O acaso produz eventos poderosos, inclusive, uma temporada bombástica para os catarinenses.
   Tal como observou Helton Ouriques em meados da década de noventa, a apologia do turismo é permeada por mitos e contradições. O primeiro mito é que o turismo é a principal fonte geradora de empregos. Porém, a maioria dos empregos é sazonal, precária e informal – inclusive os beachs clubs. Se um fiscal do trabalho passeasse pela orla, constataria de pronto, a ausência de formalização na maioria dos estabelecimentos.
   O segundo mito é que o turismo seria uma atividade não poluidora, capaz de promover o tal de desenvolvimento sustentável, com respeito ao meio ambiente. Porém, o habitante da província, e, mesmo turistas que frequentam o litoral catarinense por mais de uma temporada, constatam que a qualidade das águas e da faixa litorânea é degradante ano após ano. No tocante ao ambiente natural e a ocupação territorial, nas palavras de Ouriques (1998), a atividade turística com anuência ou omissão do poder público se comporta, inevitavelmente, como o diabo da Tasmânia, devorando tudo que encontra pela frente – devorando paisagens, natureza, patrimônio cultural, tornando-se o novo colonizador (Krippendorf, 1989).
   Para os colunistas sociais, cargos comissionados, mercadores da paisagem do “trade turístico”, seria recomendável um banho para lavar a alma nas águas límpidas das praias vistoriadas pela Fatma. A qualidade da água nunca esteve tão própria para demonstrar a transparência das ações de nossos operantes e engenhosos empreendores do turismo em Santa Catarina.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Colombo telefona para Obama e Soiza...

   

Sinal da TIM prejudica diálogo bilateral entre Leiges e Washington


   Matéria especial e conjunta da White House Press e Secom/SC com a mediação de William Ear Long do Cangablog

   - Alo Soiza, onde tu andas guri? Em trânsito? Mas tá tudo parado...
   - Ah, trânsito aéreo, entendi... Estavas na Disney brincando com a Minnie e eu segurando o rojão por aqui...
   - Sem luz, sem água, sem mobilidade urbana, sem tudo...
   - O engenheiro Afonso Veiga Filho, vai pra TV e diz que a CASAN perde 40% do que produz nos pequenos vazamentos e nos “gatos”... Ou seja, de cada 100 litros produzidos, 40 litros somem... Dos pequenos vazamentos podemos nos defender...   Agora dos “gatos” é mais difícil. E eu fui presidente daquela empresa e não sabia disto... Ninguém me disse nada...
    - Quer dizer, o projeto de trazer água do Rio Tijucas por R$ 295 milhões foi para o espaço.
    - Como é que eu vou justificar esta despesa se a água tá saindo pelo ladrão.
   - Bom, no desespero liguei para o Barack Obama. Ele é fera. Sugeriu várias medidas e o Bira aperfeiçoou... O Bira é o cara...
   - Primeira falha no meu livro: O povo tem rosto, nome e endereço, diz o Obama que faltou o CEP, ou ZIP CODE como nos EEUU. Sem CEP não chega nada ao destinatário.
   - Para a mobilidade urbana em áreas conurbadas, sugeriu o BUS DOUBLE DECK. Não precisa de motorista e nem cobrador na parte de cima. É um benefício aos empresários do setor. Outra ideia brilhante é o incentivo do uso dos MOTORHOME para fins residenciais.    Vai cair a arrecadação do IPTU, mas aumenta o volume financeiro do IPVA. E as pessoas se movimentam levando suas casas. Não precisam retornar...
   - Na quinta-feira estou embarcando para Boston. Vou buscar o radar.
   - Boston. É para Boston... Vou levar o Titon (Romildo) para esfriar a situação dos poços...
   - E o nosso partido, como está? Não esqueça que temos na sigla um “S” de social...
   - E um “D” de dinheiro... rsrsrsrsrsrsrsrsr... PSD...
  - A briga com o PMDB já começou. O Andrino, meu líder na ALESC, disse que tu fizeste uma reunião de araque na Lagoa da Conceição, para tomar medidas preventivas ao “caos” e nada aconteceu...


   - Voltas quando, Soiza?

Chamem o Alcides e lembrem do Raul Seixas


   
 
   Por Jaison Barreto

   Se esses cara-pálidas não sabem o que fazer com a Celesc e com a Casan, chamem o professor Alcides Abreu.
   No governo de Celso Ramos, Alcides planejou o Estado, deixando estruturas capazes de garantir a construção de um Estado inteligente, preparado, planejador, responsável para atender as necessidades da população (agua, luz, esgoto, crédito).
   Conseguiram quebrar o Besc, deixaram as escolas estaduais serem interditadas pela Vigilância Sanitária, sucatearam os hospitais, desmontaram a Policia Militar, desestimularam a Policia Civil, entraram na Justiça contra o piso salarial dos professores e por aí a fora....
   Em se tratando de seca, por obsequio não procurem conhecidos Deputados e Senadores do Norte Nordeste que vivem dela desde que o Brasil existe.
   E tenham mais cuidado nas perfurações no nosso aquífero do Oeste Catarinense. Água lá não falta mas pode dar cadeia.
   Não ousem também anunciar a ida de uma Comissão na semana que vem, pra aprenderem como se aproveita a água do mar lá na Ilha de Curaçao no Caribe.
   Prefeitos recém-eleitos estão sendo injustiçados, como o Cesar Souza e outros tantos, até mesmo o Piriquito cuja marca, foi exatamente fazer saneamento básico tratar e levar água inclusive para as praias agrestes, etc.
   Que a critica seja honesta intelectualmente e sejamos capazes de distinguir os “certos” dos “errados”.
   Que ela não sirva também para desestimular as novas gerações, já descrentes dos políticos.
   Este ano de 14 por exemplo, será um ano de mudanças.
   O Raul Seixas deixou um recado que é preciso relembrar sempre. Muitos dessa geração não conhecem.
   Vale a pena ler, cantar e meditar a respeito.
   Saudações liquidas e elétricas

Cawboy Fora da Lei

Mamãe, não quero ser prefeito
Pode ser que eu seja eleito
E alguém pode querer me assassinar
Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar

Papai não quero provar nada
Eu já servi à Pátria amada
E todo mundo cobra minha luz

Oh, coitado, foi tão cedo
Deus me livre, eu tenho medo
Morrer dependurado numa cruz

Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy
Cowboy fora da lei
Durango Kid só existe no gibi
E quem quiser que fique aqui
Entrar pra história é com vocês


Compositor: Raul Seixas e Claudio Roberto

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Floripa na chuva...

Do Milton Ostetto

As nossas vidas


   Por Marcos Bayer

   Imaginem um complexo de empresas com sete milhões de membros, um orçamento anual de R$ 23 bilhões de reais, com várias atividades produtivas, culturais e turísticas.
Uma empresa que opera no mar na área de alimentação, na área portuária e de navegação, na área esportiva e de hotelaria.
   Outra empresa que opera no setor metal mecânico, na engenharia automobilística, na ferramentaria e na informática.
   Uma que opera com têxteis, roupas, toalhas e tinturas.
   Aquela que opera com derivados da cerâmica, pisos, tijolos e telhas.
   Outra com carvão e seus subprodutos. Mais algumas que criam frangos, suínos e outras carnes, incluindo os pescados.
   Este complexo de empresas possui escolas, hospitais, sistemas de segurança, sistemas de contabilidade, sistemas de comunicação e sistemas viários.
   Coordenando e dando suporte a todas elas, uma empresa holding que abraça a todas elas.
   Se você fosse o maior acionista dela e tivesse que contratar um presidente, o CEO – Chief Executive Officer, para administrar o complexo, você procuraria um sujeito capaz, honesto, versátil, experimentado, com trânsito interno e externo, respeitado e com vontade para ampliar os negócios. Alguém competente para criar uma sinergia no processo. Certo?
   Dentre os nomes abaixo, quem você escolheria, independente de suas simpatias, empatias ou antipatias?

   Raimundo Colombo, Ideli Salvatti, Eduardo Pinho Moreira, Cláudio Vignatti, Ada Faraco de Luca, Dário Berger, Gean Loureiro, Joares Ponticelli, Mauro Mariani, Luiz Henrique da Silveira ou Esperidião Amin?

Comentário de Luciano Maestri que trago para o corpo do blog por achar curto, direto e pertinente: Primeiramente pediria uma certidão negativa de antecedentes criminais, depois faria uma análise curricular para averiguar a probidade de cada pretenso administrador. Então, se sobrar alguém, o submeteria ao crivo popular. AH SE A JUSTIÇA ELEITORAL FOSSE ASSIM...

sábado, 4 de janeiro de 2014

Retrospectiva 2013! O Mercado de Intercâmbio


   Por Julia Paniz*

   O ano de 2013 foi movimentado no mercado de intercâmbio. Cada vez mais jovens, adultos e até mesmo idosos, estão indo atrás do sonho de cruzar o oceano em busca de realização pessoal. Os motivos são os mais variados, no geral estudar uma nova língua e por que não, aumentar as oportunidades profissionais na hora de procurar um emprego.
   Apesar do ano já ter terminado, ainda não há uma estatística oficial sobre 2013, mas dados da Belta (Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais), afirmam que só no ano de 2012 o número de estudantes brasileiros que foram em busca de um intercâmbio no exterior foi superior a 175 mil. De 2011 para 2012 o crescimento foi de aproximadamente 5% em virtude das facilidades que estão sendo criadas para este tipo de experiência.
   Os brasileiros que saem do país em busca desta nova experiência têm como destinos: Estados Unidos, Canadá, Irlanda, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e França. Na sequência aparecem também Espanha, Alemanha, Itália, Japão, Escócia, Bélgica e Índia. A maior busca é pelo aprendizado da língua inglesa, mas há também alguns destinos que entram na lista de novidades para os intercambistas e que estão sendo procurados, como o E-Dublin mostrou aqui.
   Para quem procura Nova Zelândia como destino de estudo, 2013 trouxe boas notícias. O país anunciou em outubro mudanças nas regras para os intercambistas que pretendem trabalhar além de estudar. A partir de 2014 todos os estudantes terão a oportunidade de trabalhar, com a condição de estarem matriculados em algum curso com duração de no mínimo 14 semanas. A mudança vale apenas para os cursos aprovadas pela New Zeland Qualifications Authority, com qualificação de categoria 1. Antes desta decisão as regras eram mais rígidas.
   Era preciso estar matriculado em um curso de pelo menos seis meses e realizar o IELTS (International English Language Testing Sistem), teste de proficiência em inglês. A nova regra ficou igual ao sistema irlandês: durante o curso é possível trabalhar 20 horas semanais e nas férias, período integral. Mas o ano não foi apenas de boas notícias. Em setembro a falência e, consequentemente, o fechamento da agência de viagens BFA prejudicou funcionários e clientes.
   A notícia afetou diretamente intercambistas que estavam se preparando para viajar como também aqueles que já estavam realizando o intercâmbio. Dublin era o destino de maior atuação da empresa, que chegou a ter 100 funcionários trabalhando diretamente na Ilha Esmeralda. Ao total 410 clientes foram prejudicados com o fechamento inesperado da BFA. No caminho inverso, também teve um crescimento significativo a ida de estudantes estrangeiros para o Brasil.
   Um exemplo é o aumento do número de intercambistas da USP, de São Paulo. Em 2012 eram 1088 alunos e em 2013 foi registrado um aumento de 31% em relação ao ano passado apenas no primeiro semestre, com 1427 estudantes de outros países. Os fatores que podem ter levado à crescente procura vão desde o desenvolvimento da economia do nosso país até a crise econômica do exterior, além da qualidade da universidade. Com altas e baixas, o mercado de intercâmbio continua sendo promissor para os próximos anos. Em todos os destinos muitas escolas estão prontas para receber os estudantes e as opções são diversas.
   É possível optar por opções mais baratas, escolas com boas qualificações e também fechar o pacote todo com a agência. O que importa é pesquisar muito antes de tomar qualquer decisão e ir em frente.
   E para fechar o ano com chave de ouro, França e Brasil assinaram mais um acordo de cooperação que beneficiará estudantes brasileiros e franceses de diferentes níveis e interesses. Até os mochileiros que tenham plano de passar mais que 90 dias poderão extender a estadia no país da Torre Eiffel por até 12 meses, sem maiores burocracias.

*Julia Paniz é jornalista,  intercambista em Dublin e colaboradora do site E-Dublin.

CRACOLÂNDIA VEIO PARA FICAR


   Por Janer Cristaldo

   Moro em um bairro nobre de São Paulo, Higienópolis. A quinze minutos a pé daqui, em pleno centro da cidade, ergueu-se uma favela, na Alameda Dino Bueno e rua Helvétia. É a cracolândia, onde pobres diabos, alguns quase moribundos, fumam crack em plena luz do dia e com a conivência – melhor diria, a proteção da polícia. As tentativas de limpeza da área foram todas enviadas para o lixo, seja por ação dos grupos de Direitos Humanos ou leniência do Judiciário e dos governos, tanto o estadual como o municipal.
    Ano novo, vida nova, bons propósitos. Leio na Folha de São Paulo de hoje:
   Moradores do centro de SP se unem para exigir o fim da cracolândia
"Não saio de casa sozinha depois das 18h." A vida sitiada da aposentada Dalva Lopes, 63, é a regra para os poucos moradores que ainda vivem nos prédios da cracolândia, no centro paulistano. Acuados e inconformados com a situação, eles começam a se mobilizar para exigir que a prefeitura e o governo estadual acabem com a cracolândia - cogitam até recorrer à Justiça.
   A postura mais incisiva ocorre porque os moradores defendem que a situação da região, problemática há anos, piorou com o surgimento de uma "favelinha" na alameda Dino Bueno e rua Helvétia.
   No local, barracos improvisados foram erguidos há alguns meses na calçada do terreno da antiga rodoviária. No início de dezembro, o Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) local protocolou ofícios em secretarias das gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad (PT) no qual reivindica a "imediata desocupação do passeio público" e do largo Coração de Jesus, onde fica a maioria dos usuários de crack.
   "Premia-se o craqueiro, mas o morador da região fica desamparado", diz Fábio Fortes, presidente do Conseg. Os moradores do bairro organizam ainda um abaixo-assinado que pretendem encaminhar para órgãos públicos e a criação de uma associação de moradores da região.
   Na primeira reunião, no fim do ano passado, foram recolhidas assinaturas de 60 pessoas que resistem à degradação da área.
   "Não tem mais condições de morar aqui, eu tenho vergonha deste lugar", diz Maria Aparecida Berci Luiz, 58. "Moro aqui há 35 anos e estou sendo desalojada por pessoas com mais direito do que eu, que pago impostos", diz.
   Agora vai! – me escreve um entusiasmado leitor, otimista incorrigível. Não vai nada. Desde que o uso da droga foi liberado no Brasil, e depois que os igrejeiros elevaram à condição de direito inalienável do homem o direito de morar na rua, a cracolândia tem vida eterna assegurada.
   No Discurso da Desigualdade, disse o pai dos utopistas desvairados dos dias de hoje: "O primeiro homem que cercou um pedaço de terra e disse que era sua propriedade e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da sociedade civil. Daí vieram muitos crimes, muitas guerras, horrores e assassinatos que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado as cercas e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que os frutos da terra pertencem a todos nós e a terra a ninguém" .   Parafraseando Rousseau: O primeiro homem que deitou na calçada e disse ser isto um direito seu e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da desordem urbana. Daí vieram muitos assaltos e roubos, insegurança social e lixo humano, que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado fora os colchões e papéis que lhes servem de cama e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que as ruas pertencem a todos nós e a cidade também.
   Os padres católicos brasileiros conseguiram vender à imprensa um conceito muito safado, a de "povos da rua". Ou moradores da rua. Vendido o conceito, vende-se também a idéia de que morar na rua é um direito de todo cidadão. Certa vez, tive de dar um chute num mendigo que se escarrapachou justo em frente ao portão de meu prédio. Atravessado junto ao portão, para provocar. Instruído por alguma assistente social, ele reagiu furioso:
   - Que é isso? A Constituição não garante o direito de ir e vir?
   - Garante. O que a Constituição não garante é o direito de deitar.

    Confuso, ele pegou seus molambos e foi deitar em algum outro lugar, onde colasse sua conversa de direitos constitucionais.
   Uma das coisas que mais fere o paulistano é ver mendigos deitados e até mesmo barracos instalados nas ruas, sem que autoridade alguma faça algo para removê-los. Queixar-se à polícia é inútil. Aos serviços da Prefeitura, idem. E se alguma autoridade isolada resolve tomar uma atitude e remover estes cidadãos que se julgam proprietários das ruas, logo surge o padre Júlio Lancellotti para protestar contra os desmandos do poder.
   Se fosse apenas o padre Lancellotti, seria inteligível. Os setores mais vivos da Igreja Católica desde há muito descobriram que mendigos deitados nas ruas são uma poderosa fonte de captação de dólares e euros de entidades católicas da Europa. O pior é ver um jornal como a Folha de São Paulo protestar aos berros aos berros qualquer tentativa de resolver este problema urbano. Se é construído um prédio sem marquises, a Folha logo denuncia a "arquitetura antimendigos". Se a Prefeitura põe nas praças bancos com braços que impossibilitem que mendigos neles deitem, a Folha denuncia os "bancos antimendigos".
   Cágado não sobe em árvore. Quando um mendigo brande a Constituição, veja atrás dele um padre, um assistente social ou um dos tais de defensores dos direitos humanos. Quando alguma autoridade inventa de retirar os mendigos da rua, lá vêm as igrejeiras: "quem tirou daqui nossos mendigos? Queremos nossos mendigos de volta". Não estou usando de retórica. Esta frase eu a li no Ceciliano, boletim da paróquia de Santa Cecília, aqui ao lado de onde moro. Quando foram retirados os mendigos do largo que entorna a Igreja, os padres chiaram: queremos nossos mendigos de volta. No mesmo largo Santa Cecília, quando os caminhões da prefeitura vinham limpar com jatos de água a praça – que fedia a fezes e urina –, os “direitos humanos” deitavam-se no chão para impedir o deslocamento do “povo de rua”.
   A cracolândia veio para ficar. Incomodados que se retirem. Mesmo que paguem IPTU para residir.