quinta-feira, 16 de maio de 2013

A seca na Bahia - Novas cartas baianas


   Por Emanuel Medeiros Vieira
   
    A situação da seca na Bahia é dramática.
   Mesmo chovendo um pouco nos últimos dias, o quadro ainda é terrível. O semiárido abrange 60% do território baiano e nas últimas décadas a região foi pouco contemplada com cisternas, barragens e açudes.   Informam que é a pior seca dos últimos 50 anos.
   E a Transposição do Rio São Francisco não é um programa sério e – além disso, sempre adiado. Muitos enriqueceram com a “indústria da seca”.
   Não o homem que trabalha na terra, não o agricultor, não o ser humanoque labuta todos dias e da terra tira o seu sustento.   Como observou um jornalista, a população empobreceu, os municípios perderam receita: o comércio na região (...) “sofreu prejuízos inestimáveis”.
   A Bahia perdeu um milhão de cabeça de gado, sem se falar em outras criações. Há um outro problema muito sério. O semiárido baiano pode estar a caminho da desertificação;
Isso já se observa.
   Não custa lembrar outras tragédias – evocou alguém –, como a do cacau. É preciso que não esqueçamos os cacauais do sul baiano, principalmente os das cidades de Ilhéus e de Itabuna.
“O cacau assegurava a receita do governo do Estado, e, de tão próspero era a garantia do 
pagamento dos salários dos servidores públicos.”

   E, repentinamente, a praga da vassoura-de-bruxa “instalou-se na lavoura e a dizimou, levando os trabalhadores à miséria” (alguns também enriqueceram com a “indústria do cacau”, é claro).
   Quem leu alguns romances de Jorge Amado, deve lembrar-se que o cacau sempre permeava as tramas.
(Salvador, maio de 2013)

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