sábado, 24 de setembro de 2016

CONFISSÕES NO CERRADO

por Emanuel Medeiros Vieira

Para meu pai Alfredo, in memorian, com imensa saudade
(e para meus amigos)
(...) “Mais que tornar o pranto em flor, quisera/ transfigurar do tédio a morna esfera/nesta nuvem de sonhos em que estou./
   O que ousara, Senhor, o que desejo/é ser como a canção de um realejo/tocado pelo cego que não sou”. (Anderson Braga Horta–1934)

  “Escrevo. E pronto./Escrevo porque preciso,/preciso porque estou tonto. (...)
   A aranha tece teias ./O peixe beija e morde o que vê./
Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê?” (Paulo Leminski – 1944–1989))

   Ele me olhou, olhou de novo, exames em cima da mesa e disse: “o tumor está aqui”. Um tumor. Na mesa do médico, a foto de sua mulher e de seus filhos. Eu fui encaminhado a ele. De uma emergência. Era 30 de dezembro de 2014. Despedi-me, desci o elevador. Só no táxi – abrindo a janela do carro, contemplando ipês roxos que sempre amei, moços e moças saindo de uma escola, pontos de ônibus cheios, uma menina com um picolé – internalizei, entendi (“caiu a ficha”, como diz o povo). Mas mesmo “entendendo”, não poderia entender/imaginar como seria a minha tanto daí em diante.    Uma vida? Sim. Uma vida. Provisória, finita – ironia: um tema que sempre abordei nos meus livros, em tantos textos avulsos (a memória, o tempo, a vida e a morte). 
   
   Um poema de Samuel Beckett diz: “Cegos como o destino/Nascemos morremos/Sem a noção do tempo”.
   Laboratórios sempre, clínicas sempre, exames sempre, oncologistas sempre. E quimioterapia (Afasta de mim esse cálice). E outros exames mais complexos e demorados para ver como “anda” o tumor. Aumentou? Foi para “outros lugares?” Regrediu? É preciso seguir em frente – digo para mim mesmo (sempre).
   E um anjo torto fala com extrema dureza: “Aguenta firme. Sem queixas. Enfrenta. Não aguentaste outras situações difíceis?”. É verdade.
   Meu temor, amigos: cair na autopiedade, na chorumela.  Sim. “Evite a autopiedade e autocomiseração”, ordena o mesmo anjo torto (um promotor interno?). Vim de outras batalhas– reitero, lembrando as palavras do anjo torto. O que quer dizer isso? Alguém disse para um amigo: “Ele nunca deixou o Vaticano”. Vaticano? Não seria o Poder, que nunca amei. Seria o menino sacristão? O adolescente da Cruzada Eucarística? O jovem da Congregação Mariana? O moço dos colégios jesuítas? Não, não caí na TFP, mas sim na Ação Popular (AP)...  Sofrimentos, processo, tortura? Escolhi o caminho: não posso reclamar. Era Médici no poder.  Amores. E Célia – o amor da maturidade. E Clarice: sempre luz. Não peço glória. Só disse para a Clarice, quando crescia: “é uma medalha que carrego no peito, filha”. As marcas, cicatrizes estão no meu corpo: quando achava que poderia mudar o mundo. Retórico? É assim mesmo. Para um compadre, mais tarde, disseram que eu era um “udenista tardio”. Ou “moralista”. Alfredo, meu pai, num sonho, disse que era meu intercessor junto ao Pai. Como minha mãe, como os irmãos e amigos que já partiram, e que amei muito. Moralista? Porque sempre considerei a corrupção um crime de lesa-humanidade. De qualquer forma. Um crime devastador – mesmo que revestido de falsas boas intenções (pura hipocrisia). Crime contra os sem nada, contra os pequenos, contra os humilhados e ofendidos da terra (o tom é de tribuno – reconheço que nunca deixei de sê-lo). E ainda quando praticada – com deslumbramento e saqueando o país – por gente que “prometeu” mudar as práticas nacionais. Patrimonialismo, colonialismo, desrespeito ao outro, espírito escravocrata internalizado na alma, privatização do Estado em favor do de oligarquias. Acusam-se. Os que estavam antes no Poder, e os de agora. Mas são frutos da mesma costela, das mesmas práticas. Mas não quero politizar meu texto – só pretendia ser radicalmente sincero.
   Saudades de Jango. Saudade do Dr. Ulysses, que tinha ódio e nojo à ditadura. Saudades de Tancredo que dizia: “não nos dispersemos”.
   Um “guru” disse para outro amigo: “O que o salvou foi um Guardião. Se não fosse Ele, já estaria morto”.  Referia-se a mim. Guardião? Seria São Miguel Arcanjo? Remei contra a corrente, filha. É da vida. Biblicamente, diria: A quem muito foi dado, muito será cobrado.
Acredito/não acredito.
   E agradeço. Bênção: esta vida. Também iluminação. Não dobrei a espinha. Apanhei na ditadura e, metaforicamente, bateram para valer nos anos recentes. Inveja, dissimulação. Eu sei quem são eles. E vi o que foi feito de um “projeto”. Sempre do contra? Viva a literatura! Houve calhordas – e crueldade? Houve. Mas também muitos amigos. E o amor.
“Viva a cada dia como se fosse o último e, um dia você estará certo”, diz o (a) personagem Jeannie Berlin, do filme “Café Society”, de Woody Allen (1935).
    Lembro  do (a) personagem de Jean-Luc Godard )1930), em “Acossado” (“À Bout de  Souffle”), de 1960, interpretado (a) pela eternamente bela Jean Seberg (1938–1979),  perguntando a outro personagem: Qual é sua maior ambição (sonho – algo assim): “Ser eterno e depois morrer”.
Viver. Morrer.
   “Quando morrer o vento continuará ventando”, disse Eduardo Galeano (1940–2015).
 O dramaturgo Edward Albee (1928–2016) afirmou: “Percebo que muita gente gasta o maior parte do tempo vivendo como se não fosse morrer”.
   Há um ano, oito meses e vinte e dois dias, tenho o “inimigo íntimo” dentro de mim. O tal do tumor. Vou em frente.
Então, o Guardião, dirá: “vem comigo. É a tua hora”. E, diante da Indesejada das Gentes, ainda quero abraçar o meu Guardião e todos aqueles a quem amo e amei. É assim. Pessimismo? Creio que não. Seguir em frente – sempre (já afirmei aqui). Será assim?
(Brasília, setembro de 2016)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Gean Loureiro orientava empresários denunciados na Operação Ave de Rapina

   Do FAROL REPORTAGEM
Ave de Rapina: Gean Loureiro orientou empresários denunciados pelo MPSC sobre projeto de lei
   
   Empresário acusado de ser o pivô do esquema de pagamento de propina para vereadores diz em email que concedeu 15 outdoors para candidato a prefeito de Florianópolis no Natal de 2013. Na troca de mensagens apreendida pela PF, outros dois políticos também são citados: o deputado federal Jorginho Mello (PR) e a deputada Dirce Heiderscheidt (PMDB).

   No dia 17 de dezembro de 2013, Adriano Fernando Nunes, dono da Visual Mídia, troca mensagens eletrônicas com Flávio Nunes de Siqueira, da Eldorado. Nos emails, segundo o documento apreendido na empresa de Adriano pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Ave de Rapina, são informados “quanto cada empresa custeará a propaganda de Natal de cada político”.



   A mensagem revela que os empresários custearam outdoors não somente dos representantes do Legislativo da Capital: “No final Adriano informa a Flávio que não incluiu 04 de Jorginho, 15 de Gean e 10 de Dirce. E Flávio conclui dizendo que acha que deve incluir todos, para que fique claro aos demais empresários que eles, Flávio e Adriano, estão gastando mais do que os outros”, registram os agentes da PF na informação nº30/2015, registrada no inquérito criminal no dia 28 de maio de 2015.


   Leia matéria completa. Beba na fonte.

domingo, 18 de setembro de 2016

Leitor inconformado pede ajuda

    CANGA!!!
    SÓ VC PODE ME AJUDAR!!!
JÁ ESTIVE NO GABINETE DO PREFEITO, SECRETARIA DE OBRAS, PRÓ-CIDADÃO, ETC.
    A CIDADE NÃO TEM PREFEITO!!!  SÓ PROMESSA!!!
    

   EU PAGO IPTU - manutenção de ruas e avenidas do município de Fpolis - E IPVA - manutenção de estradas estaduais, sc 401-aquela vergonha.
SÓ ME RESTA VOCÊ!!!
 

   OU ÂNGELA OU GEAN OU OUTRO CANDIDATO, PORQUE ESTE FOI UMA LÁSTIMA!!!


   AVENIDA MAURO RAMOS ESTÁ ASSIM EM TODA EXTENSÃO. SOCORRO!!
   EU PAGO IPTU PARA QUÊ??? A OUTRA CRATERA É NA CABECEIRA DA PONTE, LADO ILHA!!! 
   JÁ PERDI DOIS  PNEUS!!! 

ALEXANDRA PIOVEZAN

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Polícia Federal afirma que Badeko cometeu crime de lavagem de dinheiro

   do FAROL  
   Além de revelar ocultação de dois imóveis, documento da PF também informa que vereador de Florianópolis, denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na Operação Ave de Rapina, tem uma movimentação financeira incompatível com suas receitas declaradas ao Fisco no valor de R$ 502.471,87. O vereador candidato à reeleição Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PHS), responde pelos crimes de concussão, corrupção passiva, advocacia administrativa e organização criminosa.

   O indiciamento do vereador e da sua irmã, Karolina Machado, é assinado pelo delegado federal Christian Luz Barth no dia 20 de junho deste ano. Badeko é indiciado por crime de lavagem de dinheiro e contra ordem tributária pela ocultação do imóvel na Rua Joaquim Nabuco, 2514, Monte Cristo, em Florianópolis, e pela casa na Costa da Lagoa, Caminho da Costa, 113, em frente ao ponto 15. Karolina Machado também é indiciada pela co-autoria na ocultação do mesmo imóvel da Costa da Lagoa.

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Imagens de Duas Culturas


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

(IN) CIVILIZAÇÃO


por Emanuel Medeiros Vieira
  
Em memória de Elke, lembrando "nossos anos jovens".
 O que a civilização suavizou em nós?" (Fiódor Dostoiévski, em “Memórias do Subsolo”)

   O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) anunciou que, ao menos, 50 milhões de crianças vivem “deslocadas” em diversas partes do mundo após abandonarem seus lares em consequência de guerras, violência e perseguição.
   “As imagens indeléveis das crianças vítimas – o pequeno corpo de Alan Kurdi encontrado em uma praia ou o olhar perdido no rosto ensanguentado de Omran Daqneesh, sentado em uma ambulância após a destruição de sua casa - sacudiram o mundo inteiro” disse Anthony LOake, direto-geral do UNICEF.
   E os outros? Cada foto, cada menina ou menino - como disse Lake - simbolizam milhões de crianças.
   Chegamos a altos patamares nos avanços tecnológicos (e melhoramos por dentro?) - e armas químicas estão sendo usadas na guerra da Síria, como foram jogadas pelos americanos no Vietnam. 
   É civilização? Aonde chegamos! O abutre esconde-se atrás do homem dito civilizado.
   Chego a lembrar de Millor, que dizia que o homem é um animal que deu errado.
   Tudo vira apenas estatística.
   Podemos nos comover com imagens tão cruéis, mas logo esquecemos.
   E as bombas continuam caindo. Tudo pelo poder. Camus dizia que no Século XX o poder era triste.
   Creio que não só naquele século, mas também neste no qual vivemos - e em todos os outros. O que vemos são muros, racismo, xenofobia. E mais horrores.
   Diante deste dantesco quadro, Anthony Lake conclamou as autoridades a acabar com a detenção de crianças imigrantes e de solicitantes do status de refugiados.
   É ainda possível fazer um apelo pela vida e contra a indústria armamentista?
   Não sei. Mas (como digo sempre), é a palavra que ficará. Não a omissão. 
(Brasília, setembro de 2016)

domingo, 11 de setembro de 2016

Você vota em vereador corrupto?

Operação Ave de Rapina: MP acusa 10 vereadores de corrupção


Acima: Marcos Espíndola, o Badeko (PHS), Célio João (PMDB), Coronel Paixão (PDT), Dalmo Meneses (PSD) e Deglaber Goulart (PSD). Abaixo: Edinon da Rosa, o Dinho (PMDB), Ed Pereira (PSB), Marcelo da Intendência (PP), Ricardo Camargo Vieira (PMDB) e Roberto Katumi (PSD)

   Dez vereadores estão entre os 27 denunciados à Justiça pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) na Operação Ave de Rapina. Marcelo da Intendência (PP), Dalmo Meneses (PSD), Dinho da Rosa (PMDB), Célio João (PMDB), Ed Pereira (PSB), Deglaber Goulart (PSD), Roberto Katumi (PSD), Ricardo Camargo Vieira (PMDB) e Coronel Paixão (PDT) foram denunciados pelo crime de corrupção passiva. Já contra Marcos Aurélio Espíndola, o Badeko (PHS), pesam os crimes de concussão, corrupção passiva e organização criminosa. 

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sábado, 10 de setembro de 2016

O GOLPE DOS MESTRES

  por Marcos Bayer
  Tem golpe de sorte, golpe de ar, golpe de vista, golpe do baú, golpe de estado, golpe de morte e golpe de mestre, entre outros tantos golpes! 
   O que é um golpe? O meu dicionário instalado no lap-top, define: 
1. Ferimento ou pancada com instrumento cortante ou contundente. 2. Corte incisão. 3. Desgraça, infortúnio. 4. Ímpeto, chofre. 5. Esperteza. 6. Gír. Manobra traiçoeira.
   Golbery do Couto e Silva, o gênio militar da estratégia do General Ernesto Geisel, em seu livro: GEOPOLÍTICA DO BRASIL escreveu, logo na introdução, que era preciso prestar muita atenção naquele novo líder sindical do ABC paulista, pois no futuro ele poderia ser fundamental aos interesses do regime militar. Na sua tese dos movimentos de sístole e diástole da política, como nas contrações do coração, escrevia ele, a extrema esquerda está mais próxima da extrema direita do que se possa imaginar. Tal qual na ferradura do cavalo, as pontas estão mais próximas de si, do que do centro. Era um livro recomendado aos estudantes de Direito da UFSC, na década de 1970. 
   De um lado a ARENA e do outro o MDB. No corpo deste último, viviam vários outros corpos menores, entre eles, os comunistas, os socialistas, os trabalhistas e os liberais. Com o passar do tempo, o MDB engordava o corpo, mas emagrecia na alma. Jaison Barreto, nosso mais eloquente senador foi a melhor prova disto no colégio eleitoral que elegeu Tancredo Neves. Finalmente, o PMDB esvaziou sua essência e manteve suas impurezas. 
   Até mesmo José Sarney, imortal do Maranhão, foi para o PMDB. E foi beijado na face pela Ideli, a professora que se fez senadora por Santa Catarina e liderou o governo do PT no Senado Federal. Hoje, articula o anti golpe em Washington D.C. O PT perdeu três eleições presidenciais (1989, 1994, 1998) e finalmente venceu em 2002, elegendo Lula Paz e Amor, com o apoio do PMDB. 
   José Dirceu e Duda Mendonça foram fundamentais naquela vitória. Então, sócios do poder, PT e PMDB, fizeram as bodas de sangue. 
   Aqui em Santa Catarina, Lula foi aliado de Luiz Henrique da Silveira (2002) e também de Amin Helou (2006). 
   Hábil negociador de salários e outras questões sindicais, Lula tem a paciência de vencer pelo cansaço. Fez isto durante toda sua vida em São Paulo, no ABC. Seu primeiro diploma, disse ele, foi o de Presidente da República Federativa do Brasil. 
   Poderia ter entrado para a História como um bravo nordestino que venceu a fome e a seca para chegar ao Palácio do Planalto. 
   Quando deputado federal disse que no Congresso Nacional havia 300 picaretas! Errou por um? 
   Além dos dois mandatos presidenciais e em razão da desgraça política que se abateu sobre seu melhor pensador e estrategista Zé Dirceu, teve que inventar uma candidatura à sua sucessão: a brava senhora Dilma, ex-combatente do regime militar, presa e torturada, militante do PDT de Leonel Brizola, secretária do governador Alceu Collares do RS e ministra de Lula. Com cabelos fartos e cacheados, uma espécie de beleza de Susan Sarandon dos trópicos, foi aconselhada a uma total repaginação. Fez-se outra mulher. Menos feminina, contudo! 
   Não se pode considerá-la brilhante, mas também não se pode admitir que enquanto o PT e seus sócios minoritários PMDB e PP, faziam a “festa” na Petrobrás, ela de nada soubesse. 
   Sérgio Moro dirá... 
   Quando soubermos quem são os verdadeiros proprietários e sócios do novo porto de Cuba que absorverá carga frigorificada em containers (reefers) que saem dos portos de Itajaí, São Francisco do Sul e Santos, rumando para Porto Príncipe no Haiti e que será desviada para a Ilha de Fidel Castro e de lá redirecionada para os quatro cantos do mundo, compreenderemos porque a delação premiada de Marcelo Odebrecht está ainda “tramitando” nos canais da Justiça. 
   Cid Carvalho, águia política do velho MDB, sete vezes eleito deputado federal pelo Maranhão, dizia: A política não tolera amadores, apenas profissionais! 
   O PT se meteu com profissionais! Desde Eduardo Cunha até Michel Temer. E Cid Carvalho completava, sempre ensinando: O importante não é saber o que fazer... Mas, aquilo que seus adversários farão!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Lages: Empresário da Comunicação foge de debate

É ruim, heim!
   Campanhas eleitorais são ótimas para mostrar situações bizarras e cômicas devido ao nível cultural dos candidatos.

   Em Lages, planalto catarinense, o empresário Roberto Amaral, candidato à prefeito pelo PSDB, simplesmente se negou a participar do debate entre candidatos, realizado pela Rádio Band FM, dia 7 de setembro.

   Em conversas com eleitores, Roberto Amaral justificava a ausência dizendo que por não ter se saído bem no debate da Rádio Guri, o marketing estava propenso a vetar sua participação. 

   Roberto Amaral, um bem sucedido empresário na área de Comunicação - é dono da SBT SC - assumiu que é ruim de bico e que contratou um "marketing" pior ainda.

Só em Sucupira!


quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O PÁRIA

  Parte 3 da reportagem de Renan Antunes de Oliveira para o BRIO. 


   Papeis.
   Em janeiro de 1994, cinco anos depois de instaurado, finalmente o inquérito do fim da década de 80 que mencionava José Germano Neto e que acabou servindo de base para sua prisão temporária é enviado para a Justiça, concluindo pelo indiciamento de 11 suspeitos.
   Agora sim, Germano está entre eles. É apontado como membro da quadrilha de Celsinho da Vila Vintém.
   A anotação sobre ele no relatório é sucinta: “Durante buscas realizadas em sua residência, foram encontrados documentos que indicam o envolvimento na quadrilha, vide fls. 256”.
   O problema, parte 1: os policiais que vasculharam os dois endereços de Germano em 1989 nada encontraram de comprometedor. O problema, parte 2: na folha 256 do inquérito, como mostrado no capítulo anterior, não há qualquer menção a Germano — nem em nenhuma outra página, a não ser na “informação” passada pelo colaborador Cabo Lopes. 
   O problema, parte 3: quando Germano foi prestar depoimento, a polícia lhe devolveu todos os papeis apreendidos (leia-se carteirinha de sócio do Campo Grande e fotos), sacramentando a ausência de provas.
Relatório no qual a PF indicia Germano, apontando para página que não diz nada sobre ele.
   Em 2 de agosto de 1996, o então chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, o jovem delegado Luiz Cravo Dórea, escreve ao juiz do caso que não vê como dar seguimento ao inquérito devido ao longo tempo decorrido desde o início das apurações (sete anos) e ao fato de que “as indiciações decorreram da convicção do então chefe deste DRE, Vanderley Martins de Brito”. Duas semanas depois, em 15 de agosto de 1996, a promotora Cristina Medeiros da Fonseca pede o arquivamento do inquérito, afirmando que a elucidação deste crime “certamente dependeria da ajuda da sorte” e que seu sucesso contaria “exclusivamente com o acaso”.
   Mas Germano, apesar de nunca condenado, sequer processado, seguiria listado como suspeito de tráfico de drogas nos sistemas ainda jurássicos da polícia brasileira — e agora com passagem pela prisão. E seu nome sujo não ficaria restrito somente ao Brasil. Outro país passaria a considerar Germano traficante.

Leia a reportagem completa. Beba na fonte.

Ninguém controla a Lava Jato - sorte do Brasil


Os advogados das empreiteiras, alguns meses atrás, espalharam para a imprensa que a Odebrecht delataria Dilma Rousseff e a OAS delataria Lula.

O plano deu errado.

A OAS, antes que Rodrigo Janot mandasse rasgar os mais de 90 anexos de sua proposta de acordo com a PGR, já havia delatado Dilma Rousseff, Aécio Neves, José Serra e dezenas de outros políticos - além de Lula, é claro.

E a Odebrecht, como O Antagonista publicou ontem, delatou Lula, revelando seu esquema nas obras do estádio do Corinthians, o Itaquerão.

O fato é que ninguém consegue controlar a Lava Jato.

Lula, que até recentemente parecia ser intocável, agora tem uma lista de acusadores, de Delcídio Amaral a Renato Duque, passando por João Santana e sua mulher, Dona Xepa.

E Dilma Rousseff está a caminho da cadeia.

O trabalho dos procuradores da Lava Jato acabou de ser estendido até 8 de setembro de 2017. O Brasil ainda vai mudar muito nesse ano.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

O PÁRIA

Parte 2 da reportagem de Renan Antunes de Oliveira para o BRIO.  (Parte 1)

lustração: Pedro Matallo.
 Por mais inacreditável que esta história pareça, todos os documentos citados nesta reportagem, em mais de 6 mil páginas de processos, foram verificados pelo BRIO.

Parte 2: Surras.

   Às oito horas de uma noite de outono de 1989, José Germano Neto, um corpulento empresário do ramo de madeiras com 40 anos de idade, seria surpreendido de maneira menos gentil do que na abordagem dos policiais no hotel de luxo em Nova York nove anos depois. Ele tinha acabado de chegar em casa, no bairro de Sepetiba, zona oeste do Rio de Janeiro, naquela época ainda mais distante do charme da zona sul e sem nem sinal de Parque Olímpico no horizonte.
   A campainha tocou e, apesar de ter estranhado o fato de alguém bater na porta naquele horário, foi ver quem era. Dois carros o esperavam do lado de fora. Em menos de dois minutos, Germano estaria estatelado no chão, com um dedo e um nariz quebrado, um corte profundo na cabeça e vários hematomas pelo corpo.
   No grupo de oito pessoas, Germano conhecia um deles. Um personagem até hoje identificado apenas como “Cabo Lopes”. Era figura fácil no submundo de Bangu naquele final de década perdida. Policial militar envolvido em negociatas e que também atuava, supostamente, como matador de aluguel. Também ganhava uns bons trocados como informante da Polícia Federal. Circulava com desenvoltura em meio ao bando do então top traficante carioca Celsinho da Vila Vintém, depois fundador da facção Amigos dos Amigos (ADA). O primeiro encontro entre Germano e Cabo Lopes havia acontecido algumas semanas antes.

   A história que baseia tudo o que acontecerá depois nesta reportagem é a seguinte: no início de 1989, Germano comprou um Chevette usado de uma mulher chamada Maria Inara Fontenelle. Fez um aparente bom negócio. Em troca do veículo, contou depois para a polícia, cedeu materiais de construção de sua loja em Campo Grande, no extremo oeste do Rio. Semanas depois, mandou um amigo ao Detran legalizar o Chevette e descobriu que o carro era roubado.
   Germano foi então à delegacia e, ao dar o nome da mulher de quem havia recebido o carro, soube que também se tratava de uma figura fácil no mundo do crime no Rio naquela época. Ex-tenista profissional, Fontenelle na verdade era Inara Medeiros de Freitas. Ela era envolvida com o suíço Michel Frank, acusado de homicídio em um crime que chocou o Brasil em 1977: o assassinato da jovem Cláudia Lessin Rodrigues, cujo corpo foi encontrado nu, com um saco cheio de pedras amarrado no pescoço, nas pedras que separam a Avenida Niemeyer do mar e por onde hoje passa a ciclovia Tim Maia.
   O carro de Germano ficou apreendido na delegacia, mas a polícia não trouxe nada de novo para esclarecer o caso. O empresário seguiu em frente para recuperar o prejuízo.    Tentou achar Inara, mas sem sucesso. Ela já tinha ido embora do país. Meses depois de passar o Chevette para Germano, Inara seria presa em um hotel de luxo em Zurique, onde entregaria 32 quilos de cocaína para um contato. Isto posto, era uma turma que não era exatamente flor a ser cheirada.

Leia a parte 2 inteira: Beba na fonte.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Só pensa naquilo...

video
 Motivo de gargalhadas, ontem, o ato falho do senador Dário Berger em seu pronunciamento durante a sessão de impeachment que julga a presidente Dilma.

Síndrome do Eleitor Desiludido e o Peiotismo Eleitoral

por  Eduardo Guerini 
Tomando uma dose de mescalina
democrática para acreditar nas
propagandas eleitoreiras e suas alianças
de ocasião. Na alienada condição de eleitor
desencantando e desiludido com
 as novas regras eleitorais.

   Todo processo eleitoral se caracteriza pela disputa competitiva pelo voto do eleitor. Quanto maior o número de partidos, a condenada fragmentação no sistema político brasileiro, que se acentuou no período de transição democrática, mais garantida a sustentabilidade e governabilidade de governos sem lastro na base social.  Tal conceito de representatividade e legitimidade é amparado com laivo na “vontade geral” que potencializa a soberania popular, garantindo mandatos temporários e alternados na democracia moderna.

   O resultado materializado das eleições diretas, subsume uma “potência de poder” aos vencedores do pleito eleitoral, nas diversas instâncias federativas, seja no Município, nos Estados ou na União. Dai, a concepção totalizadora que a maioria conquistada na eleição (50% + 1), submeteria os perdedores ao consenso que legitima qualquer ação dos vencedores.

   Embora, a extensão do sufrágio universal, a forma partidária representativa constituída em corpos políticos subordinados a Constituição, submeta uma miríade de institucionalidades perdidas nas estruturas do Estado Democrático de Direito, a materialização dos anseios da coletividade, não se evidencia no conceito de “res publicae”- aquilo que é comum para todos, independentemente de suas origens e classes.

   Quando se observa as grandes manifestações da sociedade brasileira, desde junho de 2013, encurralando os poderes representativos na débil democracia brasileira, tal o nível de sua corrosão, seja no marco programático ou ideológico, o pacto constitutivo entre representantes e representados se rompeu. O grau de resiliência se perdeu pela falta de credibilidade e legitimidade dos partidos políticos, suas lideranças e sua base parlamentar.

   Todo quadro partidário no Brasil, excluindo, uma ou outra agremiação, que orbita nessa miríade de siglas sem lastro ideológico e base programática, com claro afastamento dos movimentos sociais – organizados ou não, trata de usar o “horário eleitoral gratuito” (sic) como meio para vender seus produtos – os candidatos.

   Por extensão, os partidos e suas coligações ambicionam tomar o poder incumbente de plantão para, no menor tempo possível- aparelhar as siglas, usando os meios sórdidos da cooptação e compra direta de apoios, sem direito aos descontos promocionais ou liquidação.

   Neste processo de alienação mórbida, nada melhor que recorrer às velhas fórmulas do êxtase xamânico, usando a mescalina, alucinógeno retirado do peiote – um pequeno cacto encontrado principalmente no México e Sul dos EUA, com algumas espécies distribuídas na América Central e do Sul.

   Como as  campanhas eleitorais sob a égide das novas regras impostas pela mini reforma política  continuam a reproduzir o velho e trágico enredo da enganação, onde candidatos se apresentam como salvadores da pátria, partidos se isentam de qualquer profanação ética, coligações  são firmadas e entregues para  consumação do maior tempo de rádio e televisão, nada melhor que seguir o peiotismo eleitoral,  consumindo mescalina para aturar tamanha hipocrisia e desfaçatez das candidaturas e partidos que se apresentam neste pleito municipal de 2016.

   Neste cenário desolador, a Síndrome do Eleitor Desiludido somente encontrará superação consumando essa miragem democrática, com uma boa dose de cantigas xamânicas pedindo proteção, poder e compreensão aos deuses.

   Afinal, não é fácil para o eleitorado brasileiro nesta jornada de eleições bi-anuais ser enganado e tratado, sistematicamente, como idiota funcional. Somente mesmo, mascando alguns botões de peiote!!!

terça-feira, 30 de agosto de 2016

"Apoiamento" de Chico é discutido em Boston


   Um grupo de estadunidenses vestidos de rubro-petismo reunido no Yard House nas imediações do Fenway Park, casa dos Red Sox, em Boston, discutia calorosamente na tarde de hoje, 30 de agosto, a repercussão avassaladora da presença de Chico Buarque "em apoiamento" a Dilma no Congresso. 
   A conversa dos yankees escarlates girava do empoderamento das minorias defendido com unhas vermelhas e dentes de beterraba por Dilma Vana e, os flagrantes da vigorosa aparição do candidato do PT para o pleito de 2018, Luis Ignaro Lulla da Selva, visivelmente disposto e saudável no camarote que Renan e Lewandowisky lhe reservaram na Câmara Alta tupiniquim. 
   Ouvido um entusiasta da causa e fã de Edward Snowden, disse agitado: "Lidenbergh represents me". E, emocionado emendou em tradução livre: "o desafio à misoginia impregnativa do discurso" que teria, segundo o partidário, contaminado a denúncia de Anastasia, ao "racismo facista da direita golpista, são pautas que transcendem ao nosso movimento sindical por uma CUT Internacional".  
   Desconexo finalizou: "Gleisi represents me, Jandjira represents me, Van-eissa represents me"
   
*Direto de Van Ness St, Fenway Park, Boston, James Elroy Longwood, estagiário da redação avançada do Cangablog no perímetro avançado do Capitalismo Selvagem de Empreiteiros e Banqueiros Associados ao Lullopetismo.

Curso de madureza

Dilma Rousseff, segundo a Folha de S. Paulo, “recebeu convites de duas instituições para estudar fora — uma dos Estados Unidos e outra da França”. Deve ser o primeiro caso da história de um ex-presidente convidado para estudar, e não para ensinar. (Antagonistas)

A importância de Dilma, PT e Lula...

Foto/legenda de Blakmoose Lowe*
   Nenhum dos principais jornais americanos traz uma linha de capa ou nas editorias de "internacional" sobre a ida de Dilma ao Congresso, nesta segunda (29). O Papa, Síria, Rússia e Iran dividem o interesse. 
   Eis a importância do PT, de Dilma e de Lula. Eis a preocupação com o "golpe". Nenhuma!

* correspondente do Xangai Log para os estados "northeaster" do Maine, New Hampshire e Massachusetts.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Lula indiciado e o senado "sem moral"

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a mulher dele, Marisa Letícia, no inquérito que investiga a reforma e a propriedade do tríplex no Condomínio Solaris, no Guarujá, litoral paulista. Lula foi indiciado pelos crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Já Marisa, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro (confira aqui o documento). (Veja) 

GLEISI HOFFMAN: "NÃO TENHO MORAL" 
A senador Gleisi Hoffmann disse, em plenário, que não se arrepender de ter afirmado que "o Senado não tem moral para julgar Dilma Rousseff".
"Eu me incluo, eu não tenho moral para julgar a presidenta. Muitos aqui estão respondendo a processo, inclusive eu."

ROTO FALANDO DO DESCOSIDO 
Renan Calheiros, presidente do Senado, confessou hoje que interferiu no Supremo Tribunal Federal a pedido da senadora Gleisi Hoffman:
    “Ontem a senadora Gleisi chegou ao cúmulo de dizer que o Senado Federal não tinha moral para julgar a presidente da República. Como uma senadora pode fazer uma declaração dessa? Exatamente uma senadora que há 30 dias o presidente do Senado Federal conseguiu no Supremo Tribunal Federal desfazer o seu indiciamento e o do seu esposo que havia sido feito pela Polícia Federal. Isso não pode acontecer, é um espetáculo triste que vocês estão dando para o país”. 

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

MEDITAÇÕES


por Emanuel Medeiros Vieira 

“A vida é uma ponte, não tente construir a sua casa sobre ela” (Buda)   
   Conseguiremos colocar nossa mente no espelho da eternidade, como pedia Santa Clara de Assis? É um tempo de tantas “verdades”. Serão verdades? Dogmatismos, fundamentalismos, xingamentos, maniqueísmos.
   Já fiz essa pergunta: a internet acelera a comunicação, mas consegue aprofundá-la?
   Fama, poder, glória. O que isso significa?
   Estarei sendo claro?
   Apesar de tantas possibilidades tecnológicas, há um sentimento socializado de “solidão”, de  afastamento entre os homens. E desesperança. Violência.
   Mas estamos aqui. Ainda vivos. Estamos preparados para enfrentar “a terceira margem do rio?”
   É o que o meu pai pedia aos seus filhos: “estejam sempre preparados”.
   É possível? E acrescentava: “não subestimem a força do Mal”. E ele acreditava sinceramente na vitória do Bem. E todas as vezes em que subestimei tal força (do Mal), quebrei a cara.
   Falta-me clareza. É preciso buscar uma fonte de águas limpas na linguagem e não estou conseguindo. E acabo tecendo meditações meramente ordinárias, parecendo uma filosofia de botequim.
Será que – crendo que cumpro uma Missão – busco evangelizar (num sentido laico)?
   “É o velho moralista escrevendo”, ri o promotor interno. Quem sabe. Que Missão? Tudo já foi dito? E publicam-se livros e mais livros. Já existem mais escritores do que leitores?
   A arte é um caminho de salvação? Ela “não reproduz o que vemos. Ela nos faz ver”, dizia o pintor Paul Klee.
Acaba sobrando – como valor a ser alcançado diariamente - a autenticidade. Sempre. Só posso pedir que o outro creia em mim, se previamente eu acredite fundamente no que digo (e faço).
   Meditações ordinárias...
(Brasília, agosto de 2016)