sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Gean vai cortar gratificações de funcionários que realmente trabalham



   Boa noite Sergio, 
sou Motorista da Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis. Gostaria de esclarecer algo que a grande mídia não mostra. O corte de gratificações e horas extras vai afetar única e exclusivamente quem realmente trabalha na PMF. 
   Os "super salários" tão criticados não sofrerão cortes, na realidade, se ocorrerem serão ínfimos. Quem mais vai perder é justamente que recebe menos. Um servidor que hoje recebe 10 mil reais de vencimento básico mais gratificações, continuará com seus 10 mil, pois nenhum decreto poderá por lei reduzir esse valor. 
   No meu caso em particular, assim como de outros colegas, recebo 1.139 reais de salário básico, mais insalubridade, gratificação de extensão de jornada e 60h a 200% (que na realidade não são 200%, pois a hora a 100% equivale a 27 reais e a hora a 200% equivale a 34 reais). Somando tudo, com descontos, recebo liquidos 3500 reais. Isso meu amigo, para trabalhar 12h por dia de segunda a sexta feira, inclusive e, feriados e pontos facultativos fazendo o transporte de pacientes para hemodiálise, químio e radioterapia, fisioterapia, consultas e exames. 
   Com os cortes sugeridos pelo Prefeito, perderemos as gratificações, e nossos salários passarão pra minguados 1200 reais. Nesse "bonde" estão todos os auxiliares, técnicos, assistentes. Estamos verdadeiramente apavorados com essa possibilidade.
Grande abraço,

Eduardo

Juiz intima Gean Loureiro a dar explicações sobre "pacote de maldades"

Atendendo pedido do Ministério Público, o Juiz Federal Marcelo Kras Borges determinou que o novo prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, se apresente em 24h para dar explicações sobre o chamado "pacote de maldades" enviado para votação na Câmara de Vereadores, em regime de urgência.

   Tramita, desde 2015, ação na Justiça Federal na qual o Ministério Público Federal questiona os procedimentos adotados pela Prefeitura de Florianópolis na aprovação do Plano Diretor de Florianópolis.
    Em diversas decisões, o Juiz Federal Marcelo Kras Borges determinou a realização de audiências públicas para que a comunidade fosse ouvida e que a vontade popular fosse respeitada.
    Pois é, parece que o atual Prefeito, Gean Loureiro, pretende ignorar estas determinações.
    Consta no pacote enviado à Câmara de Vereadores a ser votado já na próxima semana, em regime de urgência, sete projetos de lei que guardam relação com o Plano Diretor. Sendo votados a toque de caixa como pretende Gean, nenhum debate com as comunidades será realizado.
    Com base nisso, os Vereadores Afranio Boppre, Lino Peres, Marquito, Pedrão e Renato Gesse, apresentaram representação ao Ministério Público Federal, o qual pediu na tarde de hoje a suspensão das votações.
    O Vereador Pedrão, também na tarde de hoje, protocolou uma petição ao Juiz Federal solicitando a suspensão da votação.
    O juiz, ao receber os pedidos, determinou que Gean se manifeste em 24 horas. O Oficial de Justiça deve bater na casa do Prefeito a qualquer momento.
    Segundo o Vereador Pedrão "o pacote de medidas além de conter inúmeras irregularidades apresenta-se de forma incompleta e distante dos anseios da população de Florianópolis. O prazo exíguo de tramitação corresponde a um risco eminente na decisão dos Parlamentares. A pressa é inimiga da perfeição”. E completa:
   "É um absurdo modificar o Plano Diretor, deixando-se construir mais, sem sequer ouvir a população, em desrespeito a legislação federal e ao povo."

A Trapaça da Sorte e Ascensão da Canalhice

Por Eduardo Guerini
Enterrando todas as esperanças na possibilidade de julgamento célere dos envolvidos na Operação Lava Jato. Atento as teorias conspiratórias diante do final trágico do Ministro do STF – Teori Zavascki.
  
   A republiqueta brasileira novamente foi tomada de perplexidade diante do final trágico em acidente aéreo onde estava o Ministro do STF – Teori Zavascki. A cobertura do acidente e repercussão nas redes sociais admite uma série de conjecturas, dentre estas teorias, a conspiratória tomou envergadura, sendo legitimidade por uma gama considerável da opinião pública.

   O Governo Federal após a confirmação da morte, decretou luto oficial e lamentou profundamente a morte do magistrado, destacando no pronunciamento do Presidente da República a honradez e probidade do Ministro do STF na magistratura.

   As associações de magistrados cobraram rigor na apuração do acidente, visto que, o Magistrado estava prestes a homologar a delação da Empreiteira Odebrecht, e, tornaria pública a vasta lista de políticos de todos os partidos envolvidos na miríade do maior escândalo de corrupção do Brasil.

   Os magistrados do STF, surpresos e abatidos com a perda de um membro da mais alta corte judiciária brasileira, destacaram suas qualidades técnicas e sobriedade na condução dos processos, especialmente, no caso da Operação Lava Jato. Nos seus pares, a frase mais contundente coube a Luis Roberto Barroso declarando que “somos todos vítimas da trapaça da sorte”.

   O acaso na república brasileira tem garantido muita sorte para “canalha política” que nos governa, alguns exemplos históricos são contundentes: de Ulysses Guimarães que repousa nas profundezas da mesma região do acidente aéreo, Paulo Cesar Farias que morreu tragicamente, Eduardo Campos – candidato vitimado por queda de jato em período de campanha, e, agora o Ministro do STF.

   A imprensa brasileira e especialistas na área jurídica trataram de anunciar imediatamente a paralisação da Operação Lava Jato, a substituição técnica possível, e, destacar que o próximo relator deverá levar pelo menos 12 meses para “tomar pé da situação”. Inegavelmente a fatalidade com o Ministro do STF vitimado pode justificar a morosidade do Judiciário brasileiro.

   Com pesar e lamentos para os familiares, fica evidente o maniqueísmo político de todos envolvidos no escândalo de corrupção, num misto de cinismo e hipocrisia, os brasileiros que creem em condenações podem enterrar sua esperança para mais um desfecho dessa trapaça da sorte que alivia historicamente a CANALHA POLITICA de seu julgamento final.

   No “sorriso do lagarto”, nossa canalha política conduzirá silenciosamente a fatalidade para o terreno da superstição. Afinal, para maioria dos brasileiros “Deus escreve certo por linhas tortas”!!!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

O jegue...e o de cima.


   Por William Ear Long, especial de New York.

   Consta nos anais do Bar Chaplin em Balneário Camboriú, muito bem frequentado aos sábados, que o atual secretário de cultura e turismo do governo Raimundo Colombo/Pinho Moreira, o ex prefeito, deputado, senador e e governador de SC, além da amizade com a empresa ARROWS, foi ilustre visitante em Roma. 
   Ao observar o Coliseo e o Fórum Romano, disse: -Esta cidade precisa de um bom prefeito para tocar as obras inacabadas.
   Noutra oportunidade, no Nordeste brasileiro, montou num jegue, fotografou-se montado nele e enviou fotos aos amigos e eleitores, com a seguinte legenda: Eu sou o que está em cima.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Os Performáticos Gestores Municipais

Por Eduardo Guerini
 
Preparando a aula teatral sobre eficiência e eficácia na gestão pública, diante da falta efetiva de gestores com diagnóstico realista sobre a realidade municipal.

   A conjuntura política do ano de 2017 continua traduzindo o problema político central na gestão pública brasileira, a fantasia da propaganda eleitoral fruto da mistificação no processo de recondução ou escolha dos novos gestores, continua legando um descrédito total nos partidos políticos e seus atores.
   O personagem produzido pelos “marqueteiros de araque” no programa eleitoral gratuito (pago pelo contribuinte brasileiro) ,  se transforma no teatro dos horrores com elevação de um realismo fantástico destoante da catástrofe das finanças municipais. Em todos os programas, nenhum diagnóstico produzido pelo “Tribunal Faz de Conta”, nada de projetos com apoio de especialistas, apenas um cenário de festim para enganar “incautos e afáveis” eleitores que se deleitavam nas imagens de dar “água na boca”.  Os atos e omissos são obras do acaso simbólico e da amnésia seletiva de partidos políticos e suas coligações.
   As sucessivas gestões municipais se embaraçam no enredo produzido pela Constituição de 1988, consubstanciadas no corolário do “neoliberalismo periférico e caboclo”, transferência de responsabilidades, orçamento engessado e centralização de recursos nos Estados e União.  A penúria fiscal contrastada pela incapacidade de prefeitos eleitos e suas coligações ampliar a base de arrecadação com “recursos próprios”.
   Eis que os performáticos prefeitos eleitos na safra de 2017, amparados por uma assessoria de “efeitos especiais” começa com cofres vazios, aspirações amplas e múltiplas, demandas sociais latentes,  sem contudo alterar a lógica da política do engodo para com eleitores e cidadãos nas municipalidades. A produção de entrevistas previamente arregimentadas pela mídia provinciana e seus colunistas “chapa branca” tece um rosário de lamentos , com vistosas aparições em  “coletivos urbanos”,  “pedalando pelas cidades” ,  “limpando praças”,  “travestido de gari” , “tocando violão para turistas desavisados”, “visitando as filas das UPAS” e outras performances bizarras. Todo o enredo tenta  separar o gestor político,   do “novo gestor” , aquele sujeito que  arregaça as mangas e coloca a mão na massa .
   No esteio dos cofres vazios,  equipes reduzidas e acordos amparados na coalização que submete o Poder Legislativo ao  governismo de cooptação, qual a política adotada – atacar os servidores concursados em seus direitos, reduzir o investimento já contraído ,  e,  propor alternativas para aumentar a arrecadação na base ,  sem tocar no topo da pirâmide social dos municípios. Por coincidência,  a elite municipal que está no topo é geralmente a financiadora e apoiadora de primeira hora de medidas que repetem o mantra do novo gestor : “fazer mais com menos, e,  melhor”.
   Nesta performance sem ritmo e desenvoltura , as primeiras ações relembram o padrão Odorico Paraguaçu: “Vai ter uma confabulância político-sigilista”. Enfim,  nada de transparência e diagnóstico realista sobre a falência do atual sistema político e pacto federativo. 

   Quem pagará a conta já esta definido e acordado por todos os gestores – o cidadão mais necessitado.

Banho de rio...não tem preço!

Este video, colocado pelo meu amigo Sergio Panizza, de Artigas, em sua página do FB, é o registro de uma das brincadeiras mais fantásticas que se pode viver na infância. Saltar de um galho de Salso dentro do rio, não existe coisa mais gostosa e divertida!
Das melhores recordações da minha infância! 
Gracias Sérgio!

O Mapa do tesouro


   Ao abrir a porta do quarto nesta manhã, fui recebido pela Luisa, com um mapa na mão: o tema da manhã de domingo era "caça ao tesouro"!

- Vovô, tem que seguir os passos deste mapa para encontrar o tesouro escondido, falou a minha neta. 

   Ainda meio sonolento, com a noite pela metade, embarquei no roteiro, rascunhado em uma folha de papel, que começava na porta do quarto e, alguns passos depois - à esquerda e à direita -  acabava na "sala secreta da vovó"!

   O mapa era bem feito. Foi apenas segui-lo à risca que acabei encontrando o tesouro.

    Essa história acabou me lembrando de outra "caça ao tesouro", que vivi quando tinha por volta dos 9 ou 10 anos.

PANELA COM ONÇAS DE OURO   
   Era inverno em Quaraí. O Pai me falou, antes de dormir:
 - Sergio Antonio, vai deitar que amanhã cedo vamos, com o Fontana, procurar um tesouro enterrado.

   A partir deste convite não dormi mais. Deitei, e a cabeça viajou por cavernas de piratas, ilhas perdidas e arcas de madeira cheia de moedas de ouro e pérolas.

   O Pai tinha um aparelho detector de metais (Mineoro), que ele chamava de destruidor lendas. Era muito comum no interior do Rio Grande do Sul, histórias de panelas enterradas, cheias de "onças de ouro" (onça é uma unidade de medida de massas usada para pesar o ouro).

   As histórias de minas de ouro enterradas, sempre vinham precedidas de aparições de bolas de fogo, mulheres de branco...assombrações.

   Pois o Fontana tinha uma história dessas e contou para o Pai. Segundo ele, algumas pessoas haviam visto bolas de fogo na fazenda do seu sogro. O lugar das aparições tinha tudo para ser um local de enterro de "dinheiro". Havia três grandes umbús plantados, que segundo a lenda serviam de marcação do "enterro".

    Saímos de manhã cedito. O Pai e o Fontana na frente, e eu no banco de trás da Bugra, uma perua Ford 58 do Pai. Estrada de terra com sobe e desce acompanhando o perfil da coxilha. Mais adiante entramos numa outra estradinha por dentro de um campo até chegar numa porteira. O Fontana correu para abri-la e logo embarcou na Bugra, aparentava uma certa excitação. Seguimos mais um tempo, até o alto de um coxilha onde tinham três grandes umbús em triangulo. 

- É aqui, seo Rubim, falou o Fontana

   Descemos da Bugra e logo descarregaram as ferramentas: uma pá, um pico e o enigmático aparelho de encontrar tesouros.

   Fazia muito frio. Céu fechado, plúmbeo. Um ventinho austral de cortar as orelhas. Precisava me mexer. Instruído pelo Pai, fui logo pegando as estacas, o martelo e o cordão. Cravei a primeira no chão e puxei uma linha até a segunda e segui adiante até formar um grande quadrado no centro daqueles três gigantescos umbús. Estava delimitado o perímetro para a primeira rastreada na busca ao tesouro.

   Foram poucos metros e o aparelho acusou a presença de algum metal. A agulha do pequeno painel deitou para a direita invadindo a área vermelha que indicava forte presença de metal. O som da caixa que o Pai carregava, pendurada no pescoço, emitia um barulho forte e agudo que aumentava e diminuía conforme o movimento do aparelho.

   Eu fiquei paralisado!
- Encontramos o tesouro, pensei! Não existia outra alternativa na minha cabeça! O Fontana corria e gritava ao redor do "perímetro". O Pai, apenas sorria e nos olhava. Andava para frente e para trás com o aparelho causando um efeito dopller, aumentando a nossa excitação.

Quando chegou com a base do aparelho em um ponto onde o som se tornava mais agudo, ordenou:

- Cava aqui, Fontana. 

   O Fontana se atracou de pá e picareta e foi afundando na terra dura. Eu, já esquecido do frio, previa o brilho das "onças" de ouro. 

   Então, numa das frenéticas cravadas de pá sentimos um barulho de metal com metal e vimos um brilho, um risco prateado por entre a terra. 

- Achamos!!!! Imaginei...

   A partir dali o escarafunchar da terra era com as mãos. Até eu me atraquei e fucei fundo. Aos poucos fomos descobrindo um pedaço de metal, grande, feito uma placa arredondada, cada vez mais cor de ouro!

   Era cobre! Um grande tacho de cobre batido, daqueles feitos por ciganos. No fundo, uma pequena roda de carreta, com raios de ferro grosso.

   Esse foi o nosso tesouro. Após vasculharmos todo o "perímetro", e não encontrar mais nada, começamos a recolher os equipamentos e colocar na bugra.

   Senti que o frio havia voltado...forte. O céu, de novo estava fechado e plúmbeo. Acho que esteve assim o tempo todo. Eu é que havia entrado em "outro" céu, mais rico e luminoso. Agora...a realidade!

   Voltamos em silêncio para casa. A volta, parece que demorou mais que a ida. O carro chacoalhava mais, tinha mais buracos na estrada de terra que parecia não ter fim. O frio no estômago, a cada "calombo" na estrada, agora se tornava inconveniente.

   O Fontana, da excitação da ida, voltou em silêncio absoluto. Um ar incômodo de frustração reinava dentro da bugra.

   Como que tentando consolar o amigo, o pai largou essa frase:
-...e assim é a vida: um dia se ganha, noutro se perde!

   Bem, o tesouro que encontramos não era bem o que queríamos, mas - para mim - ainda era um tesouro. Guardei por anos, na garagem de casa, aquela roda de ferro. Era o meu tesouro!
 

Sobre a greve na Prefeitura

Do jornalista Diego Wendhausen Passos, funcionário concursado da Prefeitura Municipal de Florianópolis:


   Grande Canga,

   A situação é bem delicada, por que o prefeito queria inclusive mexer em nossos planos de carreira, tirando direitos tipo, averbação por tempo de serviço, triênio, progressão funcional. 

   
   Estamos com apoio apenas do sindicato, e do pessoal que aderiu, além dos vereadores Felipe Teixeira (PDT), Lino Peres (PT), Pedrão (PP), e o pessoal do PSOL. 
   
   Os administrativos concursados não ganham um bom salário, e recebem um complemento, ou uma pequena quantia para aqueles que tem ampliação de jornada. O PSB também solicitou uma revisão em alguns cargos de confiança, até por conta dos altos salários oferecidos aos que preencherem as vagas oferecidas pelo poder municipal. 

   Além disso, não recebemos todo o dissídio anual de 2016, que seria de 6% (até agora só recebemos metade), além dos 20% do PCCS do ano passado.

   Não somos culpados pela crise, até pelo fato de não ganharmos um alto salário.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

MPSC investiga candidaturas suspeitas de servidores públicos

Suspeita-se que vários candidatos não disputaram efetivamente a eleição, mas apenas se inscreveram no pleito para desfrutar da licença remunerada para exercício de atividade política.
   
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por intermédio do Centro de Apoio Operacional da Moralidade Administrativa (CMA), remeteu aos Promotores de Justiça do Estado informações sobre possíveis irregularidades em 115 candidaturas inscritas no pleito eleitoral de 2016, todas elas de servidores públicos.

   A suspeita surgiu após avaliação dos resultados das eleições e do número de votos que esses candidatos receberam ¿ foram menos de dez votos para cada disputante, muitos inclusive sem nenhum voto registrado. A análise foi realizada a partir de informações solicitadas ao TRE/SC.

   Existe a possibilidade de que os candidatos tenham concorrido apenas para usufruir da licença remunerada para servidores em campanha eleitoral, sem praticar atos efetivos de campanha. Segundo a Lei Complementar nº 64/90, servidores públicos que desejem concorrer a cargos eletivos têm direito a receber sua remuneração integral durante o período de licença para campanha que, em alguns casos pode chegar a até seis meses. Contudo, se o servidor inscreve-se como candidato apenas para gozar da licença sem efetivamente engajar-se na eleição há, segundo a perspectiva do Ministério Público, a possível ocorrência de ato de improbidade administrativa, punível nos termos da Lei 8.429/92.

   Casos do tipo foram identificados no último pleito em todo o país, o que fez com que o Grupo Executivo Nacional da Função Eleitoral (GENAFE) expedisse orientação sobre a atuação dos MPs estaduais nesses casos. A orientação, além de modelos de denúncia e ação de improbidade contra candidatos "laranjas" foram disponibilizadas pelo CMA aos Promotores de Justiça, que avaliarão os casos em suas respectivas Comarcas.

   De acordo com o Coordenador do CMA, Promotor de Justiça Samuel Dal-Farra Naspolini, as candidaturas suspeitas envolvem servidores de todos os níveis, tendo o possível problema ocorrido em ao menos 80 Municípios do Estado. "A candidatura fictícia, caso comprovada, configura grave ato de improbidade administrativa, pois o servidor beneficiado desvirtua o sentido da licença para atividade política e recebe sua remuneração por vários meses sem trabalhar. Incentivamos nossos Promotores a investigar e verificar, em cada Município, o que é efetivamente fraude à legislação e o que é, apenas, o infortúnio eleitoral do candidato servidor".

   No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), podem ser encontradas informações detalhadas sobre as prestações de contas de cada candidato, inclusive recursos arrecadados e despesas realizadas. Para ter acesso aos boletins com os resultados da votação do 1º turno das eleições de 2016, por município, votação do candidato por seção ou por resultado por seção, o site do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE/SC) deve ser consultado.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Os altos salários da Floram


   do amigo Renato Kadletz  

   Estranha essa manifestação do Prefeito de Florianópolis sobre os altos salários vigentes na FLORAM, pretensamente acobertados pelo DIREITO ADQUIRIDO.
    Uma porque ninguém pode ganhar mais que o chefe do Executivo – Governador ou Prefeito – que talvez não seja o caso.
    Tenho que deve ter inclusive contrariado o legalista titular da pasta, Dr. Carlin, magistrado que foi da Vara da Fazenda Pública e expert em Direito Constitucional.
    Quem não é o servidor do Executivo, que alimenta esse voraz apetite pelo ganho fácil, que não gostaria de contar com as benesses da Licença Premio Remunerada, do Auxilio Moradia, do Auxilio Alimentação, do Auxilio Saude, do Auxilio Creche e Educação, do Auxilio Paletó, do Auxilio Peru, verbas indenizatórias não sujeitas à incidência do IRRF mas sutil e oportunamente incorporados nos proventos de inatividade ou da pensão, além do 14º e rateio de sobras orçamentarias ?
    Justa reivindicação dos excluídos, ainda mais que a CF 88 garantiu igualdade de tratamento a todos os servidores, dos nossos hoje pobres e podres Poderes.
    Mas nosso Alcaide foi além, por que não há como assegurar benefícios ilegais em nome do DIREITO ADQUIRIDO.
    Desvio de função não consolida a incorporação do ilícito – deve ser corrigido
    Quem fez concurso público para um cargo não pode ser transposto, aproveitado, reclassificado, enquadrado ou remanejado para outro cargo
    A CF exige concurso – não para ingresso no serviço público como previa a CF 67 – mas para O CARGO.
    Essa anomalia se chama de PROVIMENTO DERIVADO, banido na CF 88
    Cada cargo exige novo concurso
    Acabou aquela história de detentor de curso superior fazer concurso para auxiliar administrativo, onde é mais fácil concorrer com os detentores de nível médio e depois pedir reenquadramento, acesso, transposição ou promoção para o cargo de nível superior, para o qual não fez concurso, receoso de que sua limitação intelectual não suportasse a competência e o desempenho dos que lhe eram nivelados – outros com a mesma titulação se fosse competir para o cargo verdadeiramente almejado.
    Além de ilegal - imoral.
    E se telefonistas e motoristas acabaram enquadrados em níveis para os quais não prestaram concurso não existe direito adquirido, devendo o gestor da coisa pública ser condenado em razão da sua inércia ou omissão.
    Os atos administrativos – regrinha básica – podem ser revistos a qualquer tempo.
    O que falta é enfrentamento político das irregularidades ou ilegalidades.
    E quem não fez concurso público está irregular – salvo os detentores de cargo comissionado.
    A CF 88 assegurou ESTABILIDADE NO CARGO aos que não haviam feito concurso nos cinco anos anteriores da CF 88, mas não lhes garantia EFETIVIDADE NO CARGO, requisito para ulterior inatividade, obrigando-os, na primeira oportunidade, submeter-se a concurso público.
    É o princípio CONSTITUCIONAL da LIVRE ACESSIBILIDADE de qualquer cidadão a cargo público.
    O Judiciário Catarinense inaugurou esse debate com a nomeação dos Procuradores do TCE, sem concurso público, no inicio dos anos 90, situação que acabou sendo consolidada em instâncias superiores - STF, mesmo que a decisão nunca tenha sido efetivada.
    Mesmo assim, essas transposições, enquadramentos, reclassificações, acessos, reclassificações ocorreram depois disso, às escancaras, entre o alto clero, dos próprios Poderes que decidem - ALESC, TJ, MPE e TCE.
    Acho-me forte no juízo de que isso ocorre com mais frequência ainda, na União, Estados e Municípios, a cada quatro anos, com os chamados planos de reclassificação, cargos e salários, ensejando provimento derivado via obliqua, ajeitando e promovendo a tudo e a todos.
    Semelhante ao nefasto, imoral e vergonhoso instituto da AGREGAÇÃO, que garante salários desiguais aos iguais no mesmo cargo, mediante simples escolha pessoal para o exercício do cargo em comissão e, com a incorporação da diferença, no tempo, o que os difere dos que até então lhe eram paradigma de ingresso.
    Hoje o rubor refreou um pouco esse ímpeto, centrando-se mais na terceirização de cargos auxiliares e subalternos sujeitos a concurso público e na criação de cargos em comissão, agasalhando os eleitos do reinado, superior ao do quadro efetivo, em nome da efetividade da prestação dos serviços que oferecem às custas do erário.
    Para mim, tudo não passa de pusilanimidade dos gestores da coisa pública em nome do seu patrimônio político eleitoral.
    Pobre trabalhadores da iniciativa privada que, ao invés de aumentos e ganhos reais - lutam hoje é pela permanecia no emprego, na garantia do salário no final do mês.
    A nós, nos dias de hoje, não basta apontar nos outros os indícios de imoralidade, ilegalidade, improbidade e corrupção.
    Devemos dar o exemplo, praticando os nossos discursos.
    Vamos deixar de ser hipócritas com o esforço da sociedade brasileira que paga essa conta.
    Pena que uma ação popular se perpetua no tempo.
    Assegurado o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, era de bom alvitre se passar a limpo todas as incompetências e ma fé que cercaram o cometimento desses atos de corporativismo e proveito pessoal - político ou financeiro.
    S. M. J. e com todo o respeito aos juristas, moralistas, legalistas, formadores de opinião e donos da verdade, é o que penso e acredito ser o mais justo e perfeito

   Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos