quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Quando a primavera chegar – o retorno dos indignados???

Por Eduardo Guerini

Se editares leis, que sejam as mesmas para todos: 
nesse ponto, aliás, é preciso assumir o risco de
confiar na honestidade de uns e outros. (Breviário
dos Políticos- Cardeal Mazarin, Século XVII)

    As recentes pesquisas de opinião demonstraram o que toda a população apontou: “eles (os políticos e governantes) não nos representam mais”. Tal fatalidade que é determinante para uma nova prática política seja implementada diante da insatisfação popular. 
   Não se trata de desqualificar os manifestantes - como baderneiros, vândalos, visto que, a negativa de nossos representantes políticos em alterar seu “modus operandi” diante da crise de representatividade, esboçado na crise dos poderes constituídos no Estado democrático de Direito, é o vetor de constante e cínica ausência de senso republicano.
   Em todos os setores do aparato estatal, seja no Legislativo, Executivo, e, também no Judiciário, o grau de degeneração e corrupção se eleva potencialmente pela falta de transparência nas ações e prática cotidianas. Os desmandos, o favorecimento - pela prática clientelista, alicerçada no nepotismo e indicações livres - sem o devido concurso público, desqualificam o que é tão apregoado pelos liberais e conservadores, e mesmo, setores da esquerda pragmática - a meritocracia.
   Tal como apregoou Cardeal Mazarin, em seu Breviário dos Políticos, no século XVII, a política é uma atividade limitada quanto aos meios e os fins, e por meio desse conjunto de papéis e atividades que a sociedade regula e delimita o exercício do poder, para que o recurso da força ocorra somente em “ultimo ratio”, isto é, quando os procedimentos estabelecidos de negociação e pressão se revelarem insuficientes. 
   Assim, a política como espaço para alpinismo social, carreirismo, pragmatismo e locupletação com benesses que ultrapassam o razoável (sic!!!), tal espiral de cinismo está levando vários manifestantes, em diversas cidades do país, ao “estado de beligerância” , inclusive com o aval do papa Francisco, em sua jornada pelo Brasil, conclamando os jovens a protestar contra o estado de miséria, descaso dos políticos em escalada de degeneração e corrupção dos valores éticos toleráveis para uma sociedade capitalista.
   A população brasileira no início desse inverno, alertou para o nível de insatisfação crescente, pedindo educação de qualidade, saúde com padrões adequados, segurança pública ostensiva, mobilidade urbana, em principalmente, o que nossos políticos moucos não entenderam - chega de benesses e benefícios superiores a média do cidadão comum, parece que nossos astutos representantes não entenderam. Talvez a primavera será muito ruidosa com o retorno dos indignados, o caldo está em ebulição....

Um comentário:

celso disse...

Estão derrubando a sede de reme construida em 2000, quem vai pagar a conta.