quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Viena capital cultural do mundo

    "De noite morto de cansaço, só conseguia me rrastar até um desses cafés antigos, o Central, o Landit Mann, o Hawelka, o Frauenhuber, que pareciam cenários da Belle Èpoque, para comer um wiener schnitzel, a versão austríaca do bife amilanesa que a tia Alberta fazia com um copo de cerveja espumosa".  (Vargas Llosa em seu livro Travessuras da menina má)
   
  Lembrando Vargas Llosa entendi imediatamente o que o nosso chauffeur de táxi dizia sobre o mais tradicional prato da cozinha austríaca, o wiener schnitzel!
   Vamos combinar pessoal, a questão do idioma aqui pega de verdade. É muito diferente das línguas latinas. Nem um ouvido preparado e a boa vontade do viajante consegue entender os sons devido a profusão de consoantes indecifráveis!
   Aparentemente grosseira e pesada, a fala alemão não corresponde a atitude dos austríacos sempre extremamente atenciosos, educados, tentando se fazer entender e ajudar em todas as situações. Não foram poucas as que vivemos. A começar pela chegada conturbada em Viena. 
   Para começar o nosso senhorio que deveria estar nos esperando no prédio onde alugamos um duplex, pelo Booking.com, simplesmente desapareceu. Pedimos ajuda a um motorista de táxi que estacionou a nossa frente e se dirigia a um boteco na esquina onde vários taxistas se reuniam e jogavam cartas.
   A pessoa simplesmente deixou de lado seus afazeres para dedicar-se a nos ajudar, inclusive usando o seu celular para contatar o proprietário do apartamento. A ligação para o número de emergência que constava no site do Booking.com, caia sempre em um fax. 
   Sem carga na bateria do meu celular e consequentemente sem internete, fiquei num mato sem cachorro. Não conseguia me mexer para solucionar o problema.
   Depois de um tempo, esperando na rua onde a temperatura começou a cair drásticamente, resolvemos procurar um hotel para passarmos a noite.
   Caminhamos até uma grande avenida e perguntamos a um rapaz onde havia um hotel pelas redondezas. A essas alturas o meu curso de mímica e minha proeficiência em portumão rendiam ao máximo. Respondeu em inglês - aqui todos tem o inglês como segundo idioma - que não sabia mas que iria procurar no celular...imediatamente. Um casal de meia idade que passava pelo local interveio e nos indicou amavelmente o endereço do Amedia Hotel na Landstraßer Hauptstraße 155, 03. Landstraße, 1030 Viena, entenderam???!!!!
   Cansados, nos instalamos no Amedia e dormimos como pedra. Na manhã seguinte, dia maravilhoso de sol, me dediquei a habilitar o celular para internete e conhecemos o centro de Viena. Mapa na mão e pé na estrada. 

 
Centro de Viena repleto de gente no domingo
 A cidade

   A primeira impresão da cidade foi maravilhosa. Com cerca de 2 milhões de habitantes Viena tem grandes avenidas com calçadas e ciclovias, praças e parques (são 2 mil na cidade) urbanizados e limpos. Muito verde e transporte urbano à vontade, ônibus, trem de superfície e metrô todos integrados. Passagens se compram em guichês de estações ou em máquinas instaladas por toda a cidade. Poluição visual zero, assim como as cidades italianas que visitamos. Viena é considerada uma das melhores e mais interessantes cidades do mundo para se viver. A Áustria tem o melhor IDH e é um dos países mais ricos em PIB per capita.
   
Goulash delicioso
   A culinária
   A culinária austríaca é de dar água na boca...rs. Desde que deixamos a Itália e entramos na Áutria comemos super bem. Em um restaurante de Villach, onde fiquei cerca de três horas, pedi um Goulash acompanhado de purê de maçã com raiz forte, coisa de comer de joelhos. Aqui em Viena não foi diferente. Tudo tem sabor, é bem apresentado e servido quente. Se come super bem por 30 euros por pessoa incluindo vinho ou birra.
    
   Sissi a imperatriz
Num salão do Palácio de Inverno Mozart tocou para a imperatriz Sissi com apenas 6 anos de idade.
   Hoje visitei o castelo da Sissi, a imperatriz da Áustria. É difícil dissociar a imagem da imperatriz Elisabeth da Áustria, da atriz Romy Schneider que, na década de 50, estrelou os três filmes sobre uma das mulheres mais fascinantes da Europa do século XIX. 
    Ao visitar o Palácio de Hofburg, antiga residência de inverno da família imperial, em Viena, chamou-me a atenção uma balança colocada no quarto da imperatriz. Mais tarde fiquei sabendo que, infeliz no casamento, depressiva, vaidosa e anoréxica, Elizabeth subia na balança 3 vêzes ao dia. Pesava apenas 45 quilos com 1,73 metros.
   O palácio é algo de cinema. Com tudo preservado, os visitantes têm a oportunidade de conhecer objetos de arte e de uso pessoal da realeza que mostram os hábitos e costumes da época.
   Na visita conheci a sala em que Amadeu Mozart, aos 6 anos de idade, tocou pela primeira vez para a imperatriz Elizabeth. Feliz com as palmas de Sissi, reza a lenda que Mozart correu, abraçou-a pelo pescoço e a beijou.
    As salas decoradas com pinturas maravilhosas e revestidas de madeira com desenhos e arabescos em alto relevo dourado são de encher os olhos de qualquer pessoa.
    A enorme propriedade do palácio de inverno do imperador Francisco José, no centro de Viena, continua preservada até hoje com seus gigantescos jardins, bosques e fontes. Uma área dessas em Florianópolis provavelmente já teria sido loteada e hoje comportaria enormes espigões e condomínios com nomes franceses. 



   Centro cultural do mundo
Palácio visto da fonte
   Viena é considerada a capital cultural do mundo. Aqui nasceram Franz Schubert e Strauss. Teve na sua corte o grupo conhecido como clássico vienense do qual faziam parte Joseph Haydn, Mozart, Beethoven, Litz e Brahms além de ter sido berço do inventor da Psicanálise, Sigmund Freud.
  Amanhã deixo Viena com vontade de quero mais. Não foi por acaso que meu amigo Cláudio Frazê, que não é bobo, escolheu esta cidade para morar. Parto para Bratislava e depois Praga que diz ser maravilhosa.

Jardins preservados e coloridos

Entrada do Palácio de Hofburg disputada por turistas. Orientais são maioria.
Panorâmica da entrada da residencia de inverno da família imperial em Viena.










Um comentário:

Billy Culleton disse...

Canga querido!
Que belo relato das tuas andanças pela Europa.
A leitura nos provoca dos sentimentos, que se confundem: um, que dá a impressão de estarmos passeando contigo. O outro, a vontade de visitar esses 'hermosos' lugares.
Não nos abandona no meio da viagem, hein?
Abração,
Billy

Aliás, aproveito para te comunicar que esta semana sairam as Diretrizes do MEC para os Cursos de Jornalismo de todo o país.
Orgulho de ter conseguido incluir os estudos sobre a América Latina, proposta que apresentei em 2010, na UFSC, durante encontro para sugerir essas diretrizes.
Viva Latinoamérica!