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terça-feira, 20 de junho de 2017

Pato Manco na Pinguela

Por Eduardo Guerini
“O Presidente Temer não luta solitariamente para manter-se no poder. Ele representa, na verdade, um grupo político bem amplo, cuja base é o PMDB, mas cujas ramificações pegam quase todos os integrantes da coalizão governista. (...) Mas a manutenção de Temer no poder revela que muita gente, políticos e atores sociais variados, ainda bebe da mesma fonte patrimonialista que dificulta a criação de um país mais justo e democrático.” (Fernando Abrucio. O que significa manter Temer. Valor, 16 de junho de 2017)
   
O Governo Michel Temer e sua coalizão continuam sob fogo cerrado das sucessivas denúncias de delatores da Operação Lava Jato, e, sem conseguir sair da linha de tiro, assumem uma estratégia arriscada, apostando na “Lawfare” – guerra jurídica, o que evidencia uma disputa cerrada no equilíbrio entre os poderes republicanos.

   A vitória no escandaloso julgamento do TSE da chapa Dilma-Temer, com supressão de provas cabais de recursos da corrupção desvendada pelos órgãos de controle, Polícia Federal, Procuradoria da República, já encarcerou figuras proeminentes da republiqueta dos mortadelas e coxinhas. A disputa de narrativas sobre a falsidade dos delatores, a inocência da classe política, e, substantivamente o “não envolvimento” do Presidente Temer, indicam um paralisia decisória jamais vista na história política brasileira.

   Na tentativa de se manter no poder, garantindo que passado o julgamento do TSE, a normalidade da agenda de Reformas será retomada, a recomposição da base será mantida, com o apoio dúbio do PSDB – um amontoado de seres titubeantes, orientados pelo pleito de 2018, o que se evidencia é uma forma tradicional de fazer política nas hostes do patrimonialismo brasileiro.

   No intuito de se manter no poder, para garantir foro privilegiado, o Governo lançou mão de um pacto de liberação de recursos para governadores estaduais encalacrados na elevada dívida pública, em colapso fiscal pela queda na atividade econômica, e, para manter a velha tradição, rifando ministérios e cargos federais em troca de apoio parlamentar.

   No léxico da política, os americanos costumam chamar os presidentes como “lame duck”, um pato manco, que entre a eleição do sucessor e a posse, existe a perda do poder de direito, mantendo o poder de fato. No caso de Michel Temer, conduzido por meio de impedimento de sua antecessora, num Brasil marcado por gravíssima recessão e altas taxas de desemprego, potencializado por escândalos de corrupção sucessivos, o que se depreende é que a capacidade de governo está comprometida por resultados econômicos pífios.

   Neste contexto, os agentes econômicos agem de forma oportunista para acelerar as reformas que retiram direitos dos trabalhadores, principalmente, a Reforma Trabalhista e Previdenciária. Como existe certo cansaço do debate político em torno do impedimento e sucessão de um governo corrompido e degenerado, onde sua agenda intitulada “Ponte para o Futuro” se transformou na “Pinguela”, se quisermos reverter este quadro gravíssimo de crise política, econômica e institucional, é necessário estancar o debate das reformas, democratizando o sistema fiscal e o sistema político, evitando a interferência do poder econômico sobre o poder político.

   Como o Governo Temer se transformou num “Pato Manco na Pinguela”, a construção de uma agenda de refundação republicana requer a congregação de forças progressistas para depurar a falta de legitimidade e representatividade do Poder Executivo e Legislativo. Caso contrário, os brasileiros ficarão à mercê das lutas fratricidas de facções empresariais e partidárias, encobertas sob o manto protagonista do Judiciário.

   Neste cenário conturbado, a melhor alternativa é produzir novo ciclo de inquietações com grandes manifestações pressionando a classe política e este governo corrupto alinhado aos interesses particularistas do empresariado nacional e sistema financeiro sob a batuta do receituário neoliberal em curso.

   A regressão conservadora aliada a ortodoxia econômica demonstraram no curso da história política brasileira quem são os costumeiros perdedores em tempo de crise econômica.

   Não resta alternativa, abater o Pato Manco na Pinguela, e, atravessar o rio a nado!!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Deficientes perdem vaga de estacionamento

Políticos inauguram com placa até rampa de acesso
Leitor denuncia descaso do governo com deficientes físicos. 
 
Caro Canga
    Primeiro um grande abraço. Espero que tudo esteja bem contigo e tua família. O que me faz escrever para o amigo é algo que, além de inusitado, é uma vergonha para a administração pública, para variar.
    Em 1997, o Governador Paulo Afonso inaugurou, com muita pompa, a rampa de acesso ao Edifício das Diretorias, onde se localizavam os escritórios do então DER/SC, da Secretaria de Estado dos Transportes e Obras e da Secretaria de Estado da Administração. 
    A obra permitiu que os deficientes físicos tivessem acesso a essas importantes repartições públicas. Para completar as instalações e permitir a completa mobilidade dos deficientes físicos, foi reservada uma vaga de estacionamento na frente do referido prédio. 
Deficientes perdem vaga para diretores*
    O governo passado, que tinha como lema "Por toda Santa Catarina", e assim não podia ficar preocupado com "coisinhas" locais, erradicou a vaga de estacionamento para deficientes, destinando-a para os carros dos diretores, como é o caso do carro da foto. 
    Passados um ano e meio do governo Raimundo Colombo, que é continuação do governo anterior e que tem como lema "As pessoas em primeiro lugar", a barbaridade continua. Isso mostra que a administração pública estadual, por ser incapaz de administrar as suas próprias instalações, descumprindo até normas e leis sobre o acesso a prédios públicos, jamais terá capacidade para prestar os serviços que a sociedade exige e merece. 
    
   Lamentável!
 
*A tarja escondendo a placa do carro oficial foi colocada pelo leitor.