Por Anselmo Döll
Florianópolis já foi conhecida como a cidade com melhor qualidade de vida do Brasil. Na época em que a imprensa comentava sobre isso, os argumentos mais fortes eram as belezas naturais da ilha, os costumes do seu povo, a tranqüilidade e a qualidade de vida que nós tínhamos.
Atualmente, Florianópolis tem a pior mobilidade urbana do Brasil, cresce em violência e está cada vez mais poluída. O trânsito está parado, a Lagoa da Conceição e diversas praias estão poluídas, a violência tomou conta da cidade e perdemos muito em qualidade de vida.
Com certeza, ninguém imaginou que um dia viveríamos de forma tão estressada e que até o manézinho mais ilustre de nossa ilha, o Guga, já anunciou o desejo de abandonar a cidade.
Será que estamos no caminho certo? Concretar os patrimônios naturais é melhor que preservar?
Eu consigo observar que o crescimento é inevitável, porém, em alguns lugares, como no Hawaii, local que recebe o maior número de turistas do mundo, os projetos estão sempre associados à preservação ambiental e não na destruição que possa poluir ou afugentar os turistas.
A beleza natural do arquipélago hawaiano é e sempre será para eles, o maior atrativo para fomentar o turismo.
Sabem que nenhuma obra por mais bonita e moderna que possa ser, poderá substituir a beleza natural, motivo de maior atração turística.
O North Shore, em Honolulu, está intacto desde a primeira vez que visitei, em 1984 e cada ano recebe mais turistas, justamente pela política de preservação ambiental. É a beleza natural que continua atraindo os turistas, na qual me incluo e estou visitando ano após ano.
Observando atentamente o projeto da Hantei, apresentado na TV, posso até dizer que é muito bonito em termos de projeto, mas jamais poderia dizer que estou de acordo que seja construído ali na Ponta do Coral.
Nenhum projeto poderá ser mais bonito e apreciável, que o projeto natural de Deus ou seja: o desenho maravilhoso que Deus criou para aquele lugar que hoje chamamos de Ponta do Coral. Jamais alguma grande obra de homens poderá ser mais contemplativa que esta obra do Criador. Só por este aspecto, já devemos pensar em não errar.
Por outro lado, tem se falado sobre a venda irregular daquela área, assim como, sobre a situação de abandono e o mau uso da Ponta do Coral.
Na questão da venda, espero que os órgãos competentes possam apurar e caso tenha havido fraude no processo, que este já seja um dos motivos que possam impedir qualquer tipo de construção por aquele que se diz dono, mas não é.
O fato de o local estar abandonado ou estar sendo usada por vândalos ou drogados, a culpa é da prefeitura que deveria exigir daqueles que se dizem proprietários, que cuidassem daquele lugar, mantendo limpo e seguro, pois todo lugar abandonado, acaba tendo seu uso inadequado.
Certamente que se a mesma área estivesse em algum país europeu, estaria tão bonito e bem cuidado, que o povo jamais teria o desejo de trocar a beleza natural e o canto dos pássaros, por torres de concreto e ronco de motores das lanchas poluidoras.
Jamais eu poderia ser favorável à construção de um Hotel e uma Marina na Ponta do Coral, pois estaria sendo um criminoso ambiental e meus filhos e netos, jamais me perdoariam.
Sei que o aterro de 30 mil metros quadrados, mais o fluxo intenso de embarcações na marina, comprometerá toda vida marinha, não só da Ponta do Coral, mas de todo entorno, incluindo todo manguezal e nunca mais conseguiremos reverter a situação.
Lamento profundamente, que os investidores que só pensam em lucros momentâneos, não consigam ver que estão destruindo e matando a galinha de ovos de ouro, que é a ilha com suas belezas naturais.
Ninguém pode impedir o crescimento ou desenvolvimento de um lugar, mas precisamos fixar nossos metas em projetos voltados para a sustentabilidade e desta forma, resgatar o título que um dia já tivemos:
Florianópolis ? O melhor lugar para se viver.