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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um dia sem Globo


A atitude de Dunga de não permitir entrevista exclusiva acertada entre a Globo e Ricardo Teixeira gerou uma série de fatos e grande repercussão na internet. A Globo se vingou em editorial no "Fantástico" queimando técnico e seleção.

Dentre os assuntos mais comentados no Twitter nesta segunda-feira (21), a frase "Cala boca, Tadeu Schmidt" era líder absoluta -- superou até a antecessora "Cala Boca, Galvão", que liderou por dias seguidos os Trending Topics.

E não parou por ai. Em apoio ao técnico da seleção brasileira, os twiteiros lançaram o "DiaSemGlobo", que será nessa sexta-feira, quando o Brasil vai jogar com a seleção de Portugal, no encerramento da primeira fase da copa.

Baita tabela !

Clique aqui e veja uma tabela da Copa de verdade!

Sinuca de bico

Fotógrafo Paulo Dutra me colocou numa sinuca. Manda duas fotos e pede que eu escolha a melhor torcida: Holanda ou Dinamarca.
Difícil né Paulo?

Buenos Aires para iniciados



Nem me lembro exatamente em que contexto fomos parar lá. Meus amigos falavam deste lugar, eu queria mesmo é ter ficado no jazz do Ladran Sancho, onde um baterista cotó fazia com meio braço o que eu jamais seria capaz de fazer com meus dois membros inteiros. Saímos no auge da Jam session, fui de má vontade. Quando chegamos, olhei para a porta sem características marcantes de Sarmiento 4006 e continuei com má vontade. Subi a velha escada de ferro e amaldiçoei minha sorte. Nessa noite, não pagamos os dez pesos da entrada. Jorgelina , professora de tango da casa, e hoje minha amiga, veio nos liberar na porta. Fui devagarzinho pelo tapume e tive certeza de abrir uma cortina. Mas, essa cortina, conforme comprovei inúmeras vezes posteriores, nunca existiu.

A Catedral do Tango fica num velho galpão de construção original de 1880, no coração do bairro de Almagro. Já foi uma leiteria, silo de soja, açougue e finalmente o que é hoje: um dos melhores lugares de tango e chacarera da cidade, segredo bem guardado, mistura de underground com ponto turístico.

Com teto de 12 metros de altura, chão de madeira antiga, meia luz avermelhada, salão generoso, decoração impressionante, a Catedral do Tango parece o filho hibrido de Almodóvar, Fellini e Kubrick. Contam que o enorme quadro de Gardel (praticamente um outdoor) durante os tempos de gripe, ganhou uma enorme máscara também. Metáfora bem representativa do que é o lugar. Um templo que trata como religião o tango.

Do Conexaobuenosaire's Blog. Leia mais deste texto primoroso e sobre o lugar maravilhoso. Clique aqui.

Virson deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Buenos Aires para iniciados":
Que maravilha esse video, a melodia desse tango com a intensidade das grandes milongas, a dança simples, sem frescuras acrobáticas. Obrigado pelo presente, Canga.
abs.
Virson

Dunga em "Um dia de fúria"

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Paixão pela morte

Já havia estado no famoso cemitério de Montparnasse, Paris, onde estão enterrados famosos de todas as áreas das artes. Das artes plásticas, filosofia a música. Estão lá de Sartre a Serge Gainsbourg. Achei os "prédios" até bonitos, com esculturas grandes e vários estilos arquitetônicos.
Porém a visita que fiz ao cemitério da Recolleta, bairro chic de Buenos Aires, me deixou de cara!
A suntuosidade dos mausoléus e a grandiosidade das esculturas são algo descomunal.
Última morada (e que morada! Os caras moram muito bem!) de ricos e famosos da Capital Argentina, o cemitério da Recolleta é único no mundo. Atração imperdível para qualquer turista, o cemitério conta a história da vida política e mundana da Argentina.
Mas tudo na Argentina, de alguma forma, se explica pela morte e pela referência exacerbada aos mortos. Um culto necrófilo que se transforma em recorrente exercício da história Argentina.
O roubo das mãos do cadáver de Juan Perón (três vezes presidente) e o desaparecimento do corpo de Eva Duarte Perón (Evita) por 15 anos são dois casos emblemáticos da cultura portenha.
Em 1987 o túmulo de Perón foi profana e suas mãos arrancadas por deconhecidos.
O que se segue depois é um grande mistério que até hoje alimenta histórias fantásticas tipo de que alguém precisasse de suas impressões digitais para abrir um cofre a um castigo maçônico, passando por uma vingança da Logia Propaganda 2 (P2).

Com Evita foi pior ainda. O corpo da Mãe dos Descamisados incomodava os militares golpistas que temiam uma peregrinação popular ao seu túmulo. Contrabandearam o corpo em segredo para um cemitério na Itália onde permaneceu com nome falso por 15 anos sob custódia do Vaticano.

Em 29 de maio de 1970, durante a ditadura do general Juan Carlos Ongania, o assuntpo do corpo de Evita voltou à tona publicamente, no momento em que um grupo armado desconhecido seqüestrou o general Pedro Eugenio Aramburu. O grupo justificou o seqüestro alegando que Aramburu havia planejado o golpe contra Perón, e o roubo do corpo de Evita.

O general foi julgado e executado por seus seqüestradores.

"O corpo de Aramburu somente será entregue quando o corpo de Evita for restituído", anunciou o grupo em comunicado. Em 17 de novembro de 1974, menos de duas horas antes da chegada do avião com o corpo de Evita, um caixão com o corpo de Aramburu foi encontrado dentro de uma van abandonada na capital argentina.

Fim de tarde e do outono no Delta do Tigre (Buenos Aires)

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Fim de tarde e do outono no Delta do Tigre (Buenos...": Mis perros locos ainda perambulavam pelas cercanias? Les

terça-feira, 22 de junho de 2010

Congelando movimentos

Ator que encontrei em San Telmo, Buenos Aires. O cara era incrível. Congelava movimentos que lembram personagens de comerciais norte-americanos da década de 40 e dos comics de Will Eisner o criador do Spirit.

Luisa

Minha neta Luisa aos quatro meses desfilando modelito primavera/verão naFrança. Fiquei sabendo hoje que descobriu as mãos e os pezinhos e adora brincar sozinha. Um arraso!


Bar Kriado agora tem blog

Recebi agora do meu amigo Nei, ex-proprietário do famoso Bar Kriado de Blumenau o seguinte recado:

Canga minha neta acabou de montar esse blog do Kriado, tomei a liberdade de incluir uma foto tirada onde estava eu vc e Gisa. Como não somos profissionais acho que tem muito a melhorar, mas o objetivo é encontrar os clientes daquela época, para uma viagem no tempo.Com tua ajuda poderemos contar mais sobre Blumenau e os amigos daqueles tempos. Espero que tu e Gisa gostem.

Assim começou...
O porão da casa tinha sido uma fabrica de urnas mortuárias, estava abandonado, sujo de lama das enchentes, enfim um local insalubre mais muito bonito que foi recuperado para as instalações da Ki Kriei. Depois das enchentes de 1984 ,aceitando sugestões e também por necessidades financeiras, resolvemos transferir o que restou da loja para a parte superior, e deu-se o inicio das atividades do Bar Kriado. Vistite o blog do Nei do Kriado e saiba mais da história do bar.

Lili deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Bar Kriado agora tem blog":
Que maravilha esta idéia do Nei.
Saudades da Nossa Casa né Canga?!
Muitas histórias....
Lili

Lá vem eles de novo

...cada vez mais caras-de-pau: D'brega'S Drama Band em mais um capítulo do dramalhão "Uma novela sem fim", desta vez no Rancho do Maneca, no dia 25 de junho, sexta-feira, às 22h30! Com sua costumeira irreverência, os dublês de atores e músicos sobem ao palco novamente armados do repertório mais divertido dos últimos tempos para contar os desatinos do triângulo amoroso que envolve Suzete, Walldisney e Madame Cy, apimentado pela presença do oitavo elemento, Reginaldo Moacir, e dos estranhos coadjuvantes Beto Carinhoso, Email, Montanha e Carminha Valadares.
Evidentemente, contamos com a participação essencial e especial do público para decidir os rumos dessa (nem tão) prosaica história de amor, porque, com a D'brega'S, quem define o final são vocês, os nossos coautores prediletos.

domingo, 20 de junho de 2010

Sorte no jogo e no amor!

São 5:28hs da manhã e estou chegando do cassino Puerto Madero. Peguei um táxi às 11 da noite e seguir para o Cassino do Hipódromo de Palermo. Aquele que o outro taximetrista me disse que é coisa de Las Vegas.
Acabei sendo convencido pelo motorista a conhecer o Cassino de Puerto Madero, el Barquito, que fica dentro de dois barcos vapor, tipo aqueles do Mississipe.

Puerto Madero lá vamos nós!
É impressionante o que se faz para atrair as pessos para o jogo. A atmosfera "atemporal", luz indireta artificial, tapetes coloridos, tudo muito colorido e um mar de máquinas.

O som das fichas caindo no metal sempre sugere que alguém tirou a grande.
Bem, já conheço este ambiente e adoro. Vou sem relógio. Mas ficamos surpresos quando resolvemos voltar ao hotel e percebemos que havíamos ficado 6 horas dentro do paraíso da perdição.

O bom da história é que ganhamos, por incrível que pareça, duas vezes na mesma máquina. A única que conseguimos para jogar pois as outras estavam ocupadas e assim continuaram até a hora que saimos.

Dei dois tranco de 20 mil fichas que totalizaram 40mil fichas. Na saída ainda arrisquei um tiro na roleta que agora já estavam com suas mesas mais descongestionadas. Tiro n'água!

Votamos para casa cantando. Tirada a viagem e mais uma boa sobra.
Ficamos felizes e contrariando o velho ditado que diz: sorte no jogo azar no amor!

Ficou bom pracas.
Ahahahahasta!

sábado, 19 de junho de 2010

Caros leitores...

...não existe coisa que eu mais goste do que compartir minhas alegrias e prazeres da vida com os meus amigos. Vocês já devem ter percebido que sempre que viajo tento passar a vocês leitores minhas emoções e descobertas. Compartilhar esses bons momentos. Dividir de alguma forma essas sensações me faz feliz. Não teriam nenhum sentido para mim se fossem individuais.
Bem, dito isso (ehehe) gostaria de me desculpar por não estar conseguindo postar em tempo real minhas peripécias aqui em Buenos Aires.
Não estou encontrando tempo, tal a intensidade do lance!
Quando viajo faço amizades o tempo todo, conheço pessoas, converso com todo o mundo, caminho e descubro as cidades em tempo integral. Dormir se torna um martírio pois tenho a sensação de estar perdendo alguma coisa. "Dormir es morir" me dizia sempre um amigo uruguaio anarquista.
Tem esse cara, indiano acho, que vive sem comer a alguns anos. Até acredito, mas sem dormir não conheço ninguém.
Agora mesmo estou cheio de coisas para contar, sobre o passeio ao Delta do Tigre, ao cemitério da Recoleta...e não encontro tempo. Tenho que sair para conhecer o cassino de Palermo que, segundo um taximetrista, é coisa de Las Vegas.
Na volta conto pra vocês quanto ganhei.
Hasta!

Manual de Sobrevivência de um brasileiro durante a Copa na Argentina

Excelente manual do Conexãobuenosaire's Blog:

Vira e mexe alguém me pergunta como é ser brasileiro durante a Copa do Mundo na Argentina. Eu só consigo me lembrar de uma expressão que dizia um chefe meu toda vez que acontecia algo muito grave, mas ela é imprópria para este blog. Ontem, meu editor do site www.traducirargentina.com.ar, Mariano Gárcia, me perguntou: “Como é a vida de inimiga infiltrada?” Meu bem, eu sou a Mata Hari do futebol!

Leia tudo bebendo na fonte.

Uma noite...de sexta (já no desaniversário)


Quando acreditei que tudo nesta noite estava terminado. Que nada mais iria me surpreender, de repente, ao chegar no hotel, aconteceu!

Saí de um show de jazz e tango no Centro Cultural Torquato Tasso em San Telmo. A dica veio por e-mail da jornalista Gisele Teixeira do blog Aquí me quedo. Assistimos dois músicos fantásticos: Luis Salinas e Leopoldo Federico. Teatro pequeno, 200 pessoas no máximo, acústica impecável com ambiente extremamente aconchegante.

Fizemos reserva e chegamos uma hora antes. Fila pequena, éramos os únicos brasileiros no lance. Entramos e fomos encaminhados par uma mesa com quatro cadeiras. Ao sentarmos fomos informados que teríamos de compartilhar a mesa com mais duas pessoas. Isso me incomodou. Quando fui falar alguma coisa o rapaz disse:

- és el sistema de la casa.

Nunca se sabe "quem vem para jantar" mas fazer o quê?
Logo chegou um casal para sentar conosco. Como cavalheiro que sou, levantei e ofereci a cadeira para la señora.
Nos apresentamos, falei que éramos brasileiros e o Ruben (esse era o nome do meu futuro amigo) falou:

- Somos argentinos. Então é só não falar de futebol que ficará tudo bem.

Pôrra! Já senti ali uma pequena falta para cartão amarelo. Afinal eles estão com 6 pontos. Duas vitórias. Sei, claro, ainda nos falta um jogo. Bem, não falamos de esportes em geral. Começamos pelos nomes, de onde somos, filhos, netos (Vantagem nossa. Eles tem três filhos e nem projeto de netos).
Resulta que o casal era de Santa Isabel, uma pequena cidade da província de Santa Fé. Conversa vai, conversa vem e eu já estava com sede. Propus então, já que tinhamos que compartilhar a mesa que compartilhásemos um vinho.
Pedimos um cabernet sauvignon de La Linda, cave de Alícia Arizu que vem a ser a esposa do produtor do Luigi Bosca um dos excelentes vinhos produzidos hoje na Argentina.

Após os shows tomamos mais um vinho e a emoção começou a aflorar. Estávamos emocionados com a apresentação da orquestra de Leopoldo Federico. Quatro violinos, dois celos, um piano de cauda e quatro bandoniões.
Quando tocaram La Cumparsita, para encerrar, me disse Ruben:

- Este es el hino del tango!

Aí é pra matar!
Charlamos
mais um pouco e o papo caiu inevitavelmente no futebol. Amigos que estávamos, tudo eram gentilezas e alegria. De repente, uma daquelas promessas que faço "na festa" e depois tenho que correr atrás para cumprir:

- Se a final for entre Brasil e Argentina vamos a Santa Isabel para assistir com vocês.

Imediatamente nos ofereceram a sua casa para ficarmos, que segundo eles ficou grande demais depois que os filhos cresceram e se foram morar em Rosário.
Nos despedimos, caminhamos algumas quadras nas ruas de paralelepípedos de San Telmo até encontrar um táxi.
Passamos no Walker (pub/restaurante ótimo na nova peatonal da Reconquista) para comer algo e fomos para o hotel.
Eram 2 e meia da manhã. No lobby tem um bar com um belo balcão. A Gisa subiu e acabei travando uma conversa com um recepcionista da noite. Ele estava com dois livros na mão.
Um de poesia. Me disse que era de um guri que veio da Espanha e escreveu a sua biografia em versos. De La Coruña, era. Peguei o livro, Memórias de um Rosto na Escoltilha, dei uma olhada e achei bem interessante. Ele começou a me falar sobre o personagem e a ler alguns poemas. Ouvi com atenção e de repente ele não lia mais e recitava os poemas como se fosse o proprietário das letras, das palavras dos versos.
Perguntei como sabia tudo de memória.

- Porque esse personagem sou eu.
Respondeu.
Bem, pedi a saideira e subi. Ganhei um livro autografado e estou me deliciando com as poesias de Francisco Lópes Santos. Um poeta. Um amigo.

Sobre a alegria do futebol brasileiro


Voltado hoje a tarde de Puerto Madero falei ao taximetrista (como dizia meu pai) argentino que achava que a final da Copa será entre Brasil e Argentina.
Ele afirmou com convicção passional que será entre os dois grandes rivais latinoamericanos. E aí fez uma confissão:

- Adoro ver o Brasil jogar. Independente da rivalidade Brasil Argentina. Adoro o futebol brasileiro. Entendo tudo do esporte. Só não entendo como o Brasil tem um técnico tão mesquinho que proibe seus jogadores de nos divertir com o futebol alegre dos brasileiros.

A reclamação era sobre a não inclusão de Ronaldinho na seleção. Chamou dunga de mesquinho, freio de mão puxado e que o Brasil e o futebol brasileiro não mereciam um técnico desses.

Pois agora?

Do Ige para o Bonson

Homenagem emocionante do artista plástico Ige D'Aquino ao nosso querido Bonson. Ige enaltece o domínio do Bonson sobre a "arte maldita".

Singela homenagem ao grande ser humano, aquarelista incomparável, meu amigo Bonson.Neste momento, minhas lágrimas, gostaria q. fossem a água que molhavas o pincel.
Ige D'Aquino

“O RESTO PODE!”


Por Edison da Silva Jardim Filho
No dia 14/06/10, segunda-feira passada, Eduardo Pinho Moreira renunciou à candidatura a governador pelo PMDB e aceitou compor, como candidato a vice-governador, a chapa do DEMO encabeçada pelo senador Raimundo Colombo. Essa decisão, anotou a imprensa, surpreendeu o meio político de Santa Catarina e de Brasília, nesta fase ainda de pré-campanha eleitoral. Eduardo Moreira assim agiu depois de derrotar o prefeito de Florianópolis, Dário Berger, em um processo de prévias no PMDB, e de ter recebido de seus correligionários políticos, na ocasião, a estrita incumbência de encetar tratativas com os demais partidos visando o preenchimento, na chapa, do cargo de vice-governador e de uma vaga para senador, já que a outra está reservada ao ex-governador Luiz Henrique da Silveira. Foram tantas as vezes em que ele jurou, de pés juntos, que jamais desistiria do seu projeto de ser candidato a governador nas próximas eleições, que é impossível que haja um único eleitor catarinense atento que possa, sinceramente, ainda respeitá-lo. Eduardo Moreira sagrou-se vitorioso nas prévias “vendendo o peixe”- muito fácil, diga-se de passagem- de que os dois governos de Luiz Henrique desprestigiaram o PMDB, alavancando, em contrapartida, os aliados DEMO e PSDB, ao ponto de Raimundo Colombo se eleger senador com uma votação inédita. No caso do DEMO, os governos de Luiz Henrique fizeram muito mais do que simplesmente alavancá-lo: na literalidade, ressuscitaram-no do túmulo, fazendo lembrar a passagem dos Evangelhos protagonizada por Jesus Cristo e Lázaro. O afilhado político predileto do ex-governador Jorge Bornhausen, que a vida toda vem fazendo um esforço impressionante para se parecer, mais do que já é, física e politicamente, com o chefe, mesmo com extensa carreira pública, ainda era um nome desconhecido do eleitorado catarinense. O título pomposo de “senador da República” deu-lhe visibilidade, inobstante a mediocridade acachapante de sua atuação nesses quatro anos de exercício do mandato. Nas prévias, Eduardo Moreira recebeu o apoio do ex-governador Paulo Afonso Vieira, que, como corre nas internas do PMDB, foi alijado pelo então governador Luiz Henrique por pura inveja do prestígio que desfruta junto às bases partidárias e de sua oratória muito mais vibrante. Mas a trairagem dele não poderia ter ficado circunscrita ao plano estadual, em eleições gerais verticalizadas pela disputa presidencial. Em 11 de junho, portanto, três dias antes de sua decisão, Eduardo Moreira esteve em Brasília onde se reuniu com os candidatos à presidência e vice-presidência da República, Dilma Roussef e Michel Temer, tendo conversado, também, com a senadora Ideli Salvatti, que se encontrava internada no hospital Sarah Kubistcheck por problemas crônicos na coluna. Ao retornar, ele anunciou que tinha fechado acordo com o PT e o PMDB nacional, consistente na manutenção de sua candidatura ao governo do Estado e no apoio a Dilma Roussef e Michel Temer. O que aconteceu depois foi classificado pelo sempre parcimonioso Michel Temer como “molecagem”. E olha que essa palavra saiu da boca de um político que é um dos líderes mais notórios do “baixo clero” moral do Brasil!

A verdade é que a “molecagem” do Eduardo Moreira só constituiu-se no ápice de uma imensa fieira delas que, nesta fase de pré-campanha eleitoral em Santa Catarina, foram expostas, sem melindres, diante dos olhos da parcela do eleitorado que ainda consegue se estupeficar com os pináculos de desfaçatez que os políticos são capazes de galgar. Todos os candidatos a governador e seus partidos políticos procurando os outros, para apresentar-lhes os seus projetos personalíssimos e propostas impublicáveis, como as que, seguramente, motivaram a decisão de Eduardo Moreira. Para enganar o incauto eleitorado catarinense, e armar a farsa política e democrática que assistimos à cada eleição, os únicos partidos que estão proibidos de se aproximar, embora completamente iguais entre si e aos demais, são o PMDB e o PP. É bem como diz o animado refrão da música de Tim Maia: “Pode, pode tudo, só não pode dançar homem com homem, e mulher com mulher; o resto pode!”

Tava na hora

Recebi agora do jornalista Carlos Damião:

COMUNICO AOS AMIGOS QUE O BLOG ESTÁ VOLTANDO À ATIVA.
BJ E ABS.

Esta noite...(parte I...e última)


Quando acreditei que tudo nesta noite estava terminado. Que nada mais iria me surpreender, de repente, ao chegar no hotel, aconteceu!

Saí de um show de jazz e tango no Centro Cultural Torquato Tasso em San Telmo. A dica veio por e-mail da jornalista Gisele Teixeira do blog Aquí me quedo. Assistimos dois músicos fantásticos: Luis Salinas e Leopoldo Federico. Teatro pequeno, 200 pessoas no máximo, acústica impecável com ambiente extremamente aconchegante.

Fizemos reserva e chegamos uma hora antes. Fila pequena, éramos os únicos brasileiros no lance. Entramos e fomos encaminhados par uma mesa com quatro cadeiras. Ao sentarmos fomos informados que teríamos de compartilhar a mesa com mais duas pessoas. Isso me incomodou. Quando fui falar alguma coisa o rapaz disse:

- és el sistema de la casa.

Nunca se sabe "quem vem para jantar" mas fazer o quê?
Logo chegou um casal para sentar conosco. Como cavalheiro que sou, levantei e ofereci a cadeira para la señora.
Nos apresentamos, falei que éramos brasileiros e o Ruben (esse era o nome do meu futuro amigo) falou:

- Somos argentinos. Então é só não falar de futebol que ficará tudo bem.

Pôrra! Já senti ali uma pequena falta para cartão amarelo. Afinal eles estão com 6 pontos. Duas vitórias. Sei, claro, ainda nos falta um jogo. Bem, não falamos de esportes em geral. Começamos pelos nomes, de onde somos, filhos, netos (Vantagem nossa. Eles tem três filhos e nem projeto de netos).
Resulta que o casal era de Santa Isabel, uma pequena cidade da província de Santa Fé. Conversa vai, conversa vem e eu já estava com sede. Propus então, já que tinhamos que compartilhar a mesa que compartilhásemos um vinho.
Pedimos um cabernet sauvignon de La Linda, cave de Alícia Arizu que vem a ser a esposa do produtor do Luigi Bosca um dos excelentes vinhos produzidos hoje na Argentina.

Após os shows tomamos mais um vinho e a emoção começou a aflorar. Estávamos emocionados com a apresentação da orquestra de Leopoldo Federico. Quatro violinos, dois celos, um piano de cauda e quatro bandoniões.
Quando tocaram La Cumparsita, para encerrar, me disse Ruben:

- Este es el hino del tango!

Aí é pra matar!
Charlamos
mais um pouco e o papo caiu inevitavelmente no futebol. Amigos que estávamos, tudo eram gentilezas e alegria. De repente, uma daquelas promessas que faço "na festa" e depois tenho que correr atrás para cumprir:

- Se a final for entre Brasil e Argentina vamos a Santa Isabel para assistir com vocês.

Imediatamente nos ofereceram a sua casa para ficarmos, que segundo eles ficou grande demais depois que os filhos cresceram e se foram morar em Rosário.
Nos despedimos, caminhamos algumas quadras nas ruas de paralelepípedos de San Telmo até encontrar um táxi.
Passamos no Walker (pub/restaurante ótimo na nova peatonal da Reconquista) para comer algo e fomos para o hotel.
Eram 2 e meia da manhã. No lobby tem um bar com um belo balcão. A Gisa subiu e acabei travando uma conversa com um recepcionista da noite. Ele estava com dois livros na mão.
Um de poesia. Me disse que era de um guri que veio da Espanha e escreveu a sua biografia em versos. De La Coruña, era. Peguei o livro, Memórias de um Rosto na Escoltilha, dei uma olhada e achei bem interessante. Ele começou a me falar sobre o personagem e a ler alguns poemas. Ouvi com atenção e de repente ele não lia mais e recitava os poemas como se fosse o proprietário das letras, das palavras dos versos.
Perguntei como sabia tudo de memória.

- Porque esse personagem sou eu.
Respondeu.
Bem, pedi a saideira e subi. Ganhei um livro autografado e estou me deliciando com as poesias de Francisco Lópes Santos. Um poeta. Um amigo.