
Quando acreditei que tudo nesta noite estava terminado. Que nada mais iria me surpreender, de repente, ao chegar no hotel, aconteceu!
Saí de um show de jazz e tango no Centro Cultural Torquato Tasso em San Telmo. A dica veio por e-mail da jornalista Gisele Teixeira do blog Aquí me quedo. Assistimos dois músicos fantásticos: Luis Salinas e Leopoldo Federico. Teatro pequeno, 200 pessoas no máximo, acústica impecável com ambiente extremamente aconchegante.
Fizemos reserva e chegamos uma hora antes. Fila pequena, éramos os únicos brasileiros no lance. Entramos e fomos encaminhados par uma mesa com quatro cadeiras. Ao sentarmos fomos informados que teríamos de compartilhar a mesa com mais duas pessoas. Isso me incomodou. Quando fui falar alguma coisa o rapaz disse:
- és el sistema de la casa.
Nunca se sabe "quem vem para jantar" mas fazer o quê?
Logo chegou um casal para sentar conosco. Como cavalheiro que sou, levantei e ofereci a cadeira para la señora.
Nos apresentamos, falei que éramos brasileiros e o Ruben (esse era o nome do meu futuro amigo) falou:
- Somos argentinos. Então é só não falar de futebol que ficará tudo bem.
Pôrra! Já senti ali uma pequena falta para cartão amarelo. Afinal eles estão com 6 pontos. Duas vitórias. Sei, claro, ainda nos falta um jogo. Bem, não falamos de esportes em geral. Começamos pelos nomes, de onde somos, filhos, netos (Vantagem nossa. Eles tem três filhos e nem projeto de netos).
Resulta que o casal era de Santa Isabel, uma pequena cidade da província de Santa Fé. Conversa vai, conversa vem e eu já estava com sede. Propus então, já que tinhamos que compartilhar a mesa que compartilhásemos um vinho.
Pedimos um cabernet sauvignon de La Linda, cave de Alícia Arizu que vem a ser a esposa do produtor do Luigi Bosca um dos excelentes vinhos produzidos hoje na Argentina.
Após os shows tomamos mais um vinho e a emoção começou a aflorar. Estávamos emocionados com a apresentação da orquestra de Leopoldo Federico. Quatro violinos, dois celos, um piano de cauda e quatro bandoniões.
Quando tocaram La Cumparsita, para encerrar, me disse Ruben:
- Este es el hino del tango!
Aí é pra matar!
Charlamos mais um pouco e o papo caiu inevitavelmente no futebol. Amigos que estávamos, tudo eram gentilezas e alegria. De repente, uma daquelas promessas que faço "na festa" e depois tenho que correr atrás para cumprir:
- Se a final for entre Brasil e Argentina vamos a Santa Isabel para assistir com vocês.
Imediatamente nos ofereceram a sua casa para ficarmos, que segundo eles ficou grande demais depois que os filhos cresceram e se foram morar em Rosário.
Nos despedimos, caminhamos algumas quadras nas ruas de paralelepípedos de San Telmo até encontrar um táxi.
Passamos no Walker (pub/restaurante ótimo na nova peatonal da Reconquista) para comer algo e fomos para o hotel.
Eram 2 e meia da manhã. No lobby tem um bar com um belo balcão. A Gisa subiu e acabei travando uma conversa com um recepcionista da noite. Ele estava com dois livros na mão.
Um de poesia. Me disse que era de um guri que veio da Espanha e escreveu a sua biografia em versos.


Perguntei como sabia tudo de memória.
- Porque esse personagem sou eu.
Respondeu.
Bem, pedi a saideira e subi. Ganhei um livro autografado e estou me deliciando com as poesias de Francisco Lópes Santos. Um poeta. Um amigo.
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