segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Amazônia

por Marcos Bayer

A Amazônia é um pedaço do planeta que pertence a mais de um país, sendo o Brasil o dono da maior área.  É e será cada vez mais objeto de cobiça de brasileiros e estrangeiros. Como recurso natural renovável (ainda não inventamos nenhum substituto tecnológico para as florestas), valerá cada vez mais por sua biodiversidade. Pois para plantar uma floresta igual a ela, seria tarefa inominável. Além da abundância em água doce ainda limpa e extensão territorial.
   Vicente Fernando Silveira, biólogo por formação, aqui no Brasil e na Grã- Bretanha escreve: 

“A concessão de lavra mineral (e de extração de madeira também!) no território nacional é dada constitucionalmente pelo governo federal. Essa suposta gulodice dos gringos por nossos Recursos Naturais é autorizada por nós mesmos! Não existe uma invasão ideológico-econômica, existe uma incompetência (e subserviência) do Estado brasileiro em fiscalizar e administrar esse patrimônio natural. O que precisamos discutir é qual o desenvolvimento sócio-econômico queremos para a nossa Amazônia? Queremos a Floresta em pé produzindo sustentavelmente serviços ambientais (água, chuva, sequestro de carbono, oxigênio, biodiversidade, madeira sustentável, extrativismo, fitoterápicos, ecoturismo, aquicultura, energia solar, compensação ambiental, etc.) ou queremos o inexorável ciclo econômico mineração-madeira-gado-soja?”.

   Além da definição sobre os usos que queremos da floresta, decisão soberana do Brasil, na parte que lhe toca, é preciso verificar o que é verdade e o que é mentira. Não resta dúvida de que a ocupação é contínua, mas temos que considerar a regeneração natural também.
   As florestas são fundamentais para a refrigeração do planeta e para a provocação de chuvas. Não por acaso a Alemanha desenvolve um grande programa de reflorestamento, substituindo espécies exóticas que estimulou no passado recente (para fins industriais) por matas nativas.
   Temos que considerar pesquisas que dão conta do caráter do brasileiro. Estudos da Transparecia Internacional indicam que nos Índices de Percepção da Corrupção – IPC, no que se refere ao setor público, o Brasil está lá no final da fila. Em 2017 estava em 105º posição.
   Os países da Escandinávia estão nas primeiras posições. Cabe lembrar que no setor público estão os poderes executivo, legislativo e judiciário.
   As causa da corrupção nacional não se sabe. Sabemos que parte da elite brasileira é corrupta e que aqueles que alcançam uma posição dentro da mesma elite, também se corrompem.
   A corrupção, dizem os psicólogos, é uma forma de compensação de alguma deficiência que o sujeito imagina ter. Às vezes é a falta de dinheiro mesmo.
   Logo, num país assim, tudo fica um pouco mais caro!
   Os ingleses dominaram o mundo com suas esquadras por 200 anos. Neste período criaram a expressão “balance of power”. Balanço de poder significava uma aliança com a França, quando a Holanda era ameaça. Já quando a ameaça passava a ser a França, a aliança poderia ser com a Espanha ou Portugal.
   Os árabes, quando descobriram que havia petróleo em seu subsolo, foram obrigados a procurar aliados para facilitarem tecnologia, transporte e mercados.  Alguns países árabes estão na órbita dos norte-americanos. Outros na órbita russa.
   Se o Brasil não conseguir suportar as pressões para a utilização da Amazônia, terá que procurar aliados externos.
   Entre os norte-americanos e ou os chineses, expansionistas modernos, eu preferiria os europeus.  Eles são diversificados, múltiplos, humanistas e já passaram pela fase da expansão e colonização territorial.
   Por último, cabe lembrar que incêndios florestais, provocados ou não, são comuns na Califórnia, em Portugal, França, Grécia e Espanha. Mas, por razões climáticas, quando passam por verões muito intensos e a vegetação seca. Não é o caso da Amazônia, ainda!
 

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Inspetor Clouseau e os 17%

Ajudante de Ordens – Bom dia Inspetor. Como vai? E os 17%? É para valer?
Inspetor – O que é isto? Uma comissão? Alguém subornando o governo? Ou é alguém do nosso pessoal?
Ajudante de Ordens – Não Inspetor, nada disto. Falo da alíquota que o senhor quer impor sobre os insumos agrícolas e agrotóxicos.
Inspetor – Ahh! Eu sei lá... Eu não entendo nada disto. Meu negócio é salvar vidas no mar. Ninguém me falou nada concreto, resolvi taxar. E 17 é o número do nosso partido, não é? Queriam o que? 55% do Merisio?
Ajudante de Ordens? E o que o senhor achou das declarações do nosso presidente sobre a evacuação dia sim, dia não?
Inspetor – Asneira. O presidente anda falando muita asneira... Além do mais não estou gostando destas medidas que diminuem o combate à corrupção. A Lei do Abuso de Autoridade aprovada na Câmara dos Deputados foi realmente um abuso.
Ajudante de Ordens – E como o senhor está vendo a situação estadual?
Inspetor – Olha, vejo preocupado e confuso. O Júlio Garcia está levando ferro do TRF-4 de Porto Alegre. Os deputados são solidários a ele. Não sei o que dizer.
Ajudante de Ordens – E o que o senhor vai fazer?
Inspetor – Por enquanto duas coisas: Cerveja artesanal e tocar violão. E quando possível, dou uma “canja” em algum show musical. Para quem bateu continência a vida inteira e acordou às seis da manhã, até que está bom! Viver no Palácio da Agronômica é melhor do que em Tubarão. Estou noutra “vibe”, meu caro!

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O bolo fecal e o desenvolvimento nacional

By William Ear Long in Washington D.C.

   A sugestão do presidente do Brasil, recente, de que o brasileiro deveria fazer cocô dia sim, dia não, mexeu com a comunidade acadêmica norte americana e com o EPA – Environmental Protection Agency, a agência de proteção ambiental daqui. 
   A profundidade da declaração foi tamanha ao ponto de induzir a assessoria direta de Donald Trump a montar um grupo de estudos para verificar a viabilidade do novo hábito nos Estados Unidos.  Depois de algumas horas chegou-se a conclusão de que aqui não produziria nenhum efeito concreto, pois 99% dos membros da população são atendidos por redes de saneamento básico.
   Mas, no Brasil, onde o saneamento básico atende a metade da população, a medida teria impacto considerável. Para uma população de 210 milhões de habitantes, adotado o princípio do rodízio, dia sim e dia não, haveria num mês 15 x 210 milhões a menos de material cloacal.
   Estudos iniciais mostram que se fosse decomposto o material cloacal por categoria de produtor, os números podem ser mais precisos. Por exemplo, os veganos produzem material mais bio degradável. Consumidores de produtos açucarados produzem enzimas com maior poder de corrosão. Alimentos mais salgados, por outro lado, produzem material mais hidratado visto que o sal retém água. Desta genial ideia presidencial poderíamos ter soluções para novos métodos de adubação e correção do solo para a agricultura. Isto se observarmos apenas na perspectiva ambiental.
   No outro lado, econômico, os desdobramentos são outros. Cairia a venda de papel higiênico em 50% por cento, mas cairia também a derrubada de árvores na Amazônia, visto que diminuiria a necessidade pela celulose. Diminuiria, comprovadamente, também o consumo de água, pois a mesma fórmula de 15 dias x 210 milhões de habitantes deixaria de puxar a descarga. As reservas de água não chegariam ao nível crítico e as chuvas poderiam ser mais escassas.  As companhias de água nos Estados, como SAPESP em São Paulo, CASAN em Santa Catarina, CEDAE no Rio de Janeiro, perderiam receita. O valor de suas ações cairia na Bolsa.
   Paulo Guedes, ministro da economia, liberal clássico, chegou a vislumbrar a RolhaBrás, uma estatal para disciplinar a vida dos brasileiros. Mas, desistiu. Seria mais uma estatal para privatizar. No entanto, viu a medida como uma oportunidade para investidores estrangeiros interessados no que os economistas chamam OUT PUT, ou seja, o produto final.
   Na Academia Brasileira de Letras, fez-se um estudo comparado, às pressas, com as expressões relativas à sugestão presidencial.
   Fecal, fezes, cocô e merda são sinônimos. Em inglês nós temos a expressão: Boy, go to make shit behind the bush. Quer dizer: Menino vá cagar no mato.
   Antropólogos e sociólogos entendem que o presidente, quando estudava na Academia Militar, teria sofrido influência semântica de algum romancista do século 19 quando procurar fazer atrás da moita era comum. Talvez alguma passagem Henry David Thoreau, um dos primeiros americanos a se preocupar com o ambientalismo.
   O fato é que o presidente provocou uma grande discussão ecológica cujos efeitos serão debatidos no Clube de Paris e na ONU.
   Se os países que não possuem rede de saneamento básico completa, adotarem a recomendação do presidente do Brasil, haverá uma mudança imediata nos índices de poluição orgânica mundial. Save the Planet. Shit Less. Day Yes, Day No.
   Por último, duas constatações: O cocô antes de chegar à Natureza, fica alojado na parte intermediária do ser humano e dos mamíferos em geral. No estômago. Esta região entre os membros inferiores e superiores. Por outro lado, no camarão, fica na cabeça. E nem por isto o camarão deixa de cumprir suas funções crustáceas. Ou seja, merda na cabeça é uma possibilidade existencial.
   A grande expectativa aqui em Washington é quando da primeira reunião social ou formal, algum curioso perguntar ao novo embaixador brasileiro:

- Please, can you explain your father’s new ecological plan about shiting day yes, day no?



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Inspetor Clouseau e a música

   Semana passada, o Inspetor Clouseau foi ao CIC assistir o show da banda Expresso Rural e não resistiu. Subiu ao palco e cantou "Certos Amigos". Alguns entendidos de música catarinense dizem que ele se referia aos outros governadores.
   Pode ser. 
   Raimundo Colombo gostava de cantar o Canto Alegretense. 
   Esperidião Amin cantava Menino da Porteira. 
   Luiz Henrique, amante da Bossa Nova, cantava no banheiro quando "inspirado", O Ébrio de Vicente Celestino. 
   Casildo Maldaner e Antônio Carlos Konder Reis, não cantavam, quando bebiam. Jorge Bornhausen ouvia discoteca. E Vilson Kleinunbing, amante do cinema, gostava da trilha de Casablanca. 
   Pedro Ivo gostava de ouvir a Banda da Polícia Militar. E Paulo Afonso, a marchinha de Carnaval, "Ei me dá um dinheiro aí".