sábado, 27 de fevereiro de 2016

Suíte Francesa

Por Laercio Duarte

   Um típico filme de estilo "europeu", completamente diferente das batatadas enlatadas de hollywood. Com orçamento de 15 milhões de Euros, o diretor manteve a clareza e simplicidade do romance escrito durante a segunda guerra mundial. 

   Trata-se de um filme lançado na França em abril de 2015. Está ambientado no início da ocupação da França em 1940, quando uma companhia do exército nazista chega a uma pequena cidade do interior. Ali vive Lucille na casa de sua sogra, de importante família local. Seu marido Gaston está na guerra e a última notícia que chega dele é que agora é prisioneiro dos alemães. Cada família da cidade é obrigada a hospedar um oficial alemão, e à mansão de Lucille é mandado o tenente Bruno Von Falk, um homem fino, compositor e músico, pianista de primeira linha. Lucille passa as noites a ouvir de seu quarto o som de Bruno ao piano. Sua curiosidade pelo estranho "inimigo" vai aumentando, já que ela também é pianista. O desejo de se aproximar do jovem, contra a proibição natural pela circunstância da guerra, além da vigilância implacável da sogra, fazem com que a trama vá num crescendo em ansiedade e pressão, até que a descoberta de uma denúncia onde fica evidente que seu marido Bruno tinha uma amante, com a qual já tinha inclusive uma filha, faz com que Lucille se entregue ao assédio elegantemente sedutor do oficial alemão. Um tema controverso e polêmico, mostrando que mesmo na guerra, os seres humanos são movidos pela paixão. O final é inusitado e surpreendente!
   O roteiro foi feito pelo mesmo escritor de O Pianista, grande êxito do cineasta Roman Polansky. O roteirista baseou-se no romance homônimo de Irène Némirovsky, uma polaca de origem judia, que o escreveu durante a guerra. Presa a autora, executada em Auschwitz, os originais do romance ficaram com a filha da escritora, que os cedeu em 2004 para serem publicados por Éditions Denoël, alcançando grande sucesso de crítica e vendas. Posteriormente a companhia estatal de televisão francesa, TF1, adquiriu os direitos para filmagem e se associou à inglesa BBC Films, entregando a direção da obra cinematográfica ao inglês Saul Dibb, que já foi premiado por A Duquesa (2008). As filmagens foram realizadas na França e Bélgica, durante o verão de 2013.
   A trilha sonora apresenta vários trechos de gravações originais, com cantoras francesas famosas na época da guerra, incluindo Josephine Baker. Mas, a grande atração é o que teria sido a composição do tenente alemão ao piano de Lucille, na mansão de sua sogra. O verdadeiro autor da peça é o compositor inglês Rael Jones, feita especialmente para o filme. No romance (e no filme) o tenente Bruno compôs esta obra em homenagem à sua amada, dando-lhe o nome de Suíte Francesa.

Um comentário:

Luiz Fonseca disse...

Boa sugestão, ainda mais pelas circunstâncias em que foi escrito o romance no qual se baseou o roteiro.
(Luiz Fonseca)