O ano era 1992.
Morava com as crianças em Iguaçu. Eram três. Jerônimo, Isadora e Ramiro.
Lembro das fitas cassete deles...Cidade Negra, Skank...por aí.
Eu gostava de tudo, musicalmente, desde que com qualidade. A minha qualidade, é claro.
Assim como eu curtia as músicas deles, eles obrigatoriamente acabavam escutando as minhas.
Lembro que o Ramiro, o menor, se ligou muito na Fortuna
domingo, 24 de novembro de 2019
O AMIGO SECRETO
De passagem por esta maravilhosa Ilha de Santa
Catarina, mais uma vez, para comemorar as festas natalinas com os amigos e
ex-alunos que estiveram comigo em Coimbra, a universidade portuguesa onde
leciono, os flamenguistas guiados pelo nosso técnico e o que ouvi sobre esta
instituição pré-natalina chamada de AMIGO
SECRETO.
Com os salários cada vez mais fracos, os preços mais
caros e do desemprego no Brasil, o AMIGO
SECRETO míngua.
Contaram-me, então, como foi o AMIGO SECRETO entre alguns políticos deste laborioso Estado de
Santa Catarina.
Reunidos em algum clube de lazer à beira mar, um deles
disse: - Meu amigo gosta de letras.
Dúvidas no ambiente. - Letras do Tesouro
completou. Imediatamente foi identificado.
Outro disse: - Meu
amigo gosta de alterar a constituição estadual para facilitar o ingresso na
vida política. Nenhuma dúvida pairou no salão.
O terceiro anunciou: - Meu amigo gosta de estradas asfaltadas com dinheiro público até à
porteira de sua fazenda. Não acertou no primeiro anunciado. Então
completou: - Na Coxilha Rica.
Acanhado, o amigo identificado sorriu.
Outro mencionou: - Meu
amigo gosta de construir praias urbanas em zonas poluídas por lançamento de
esgoto pluvial e cloacal. Acertou na primeira.
Mais uma chamada: -Meu
amigo já foi presidente da Assembleia Legislativa e gosta de participar de
licitações. Identificado na primeira tentativa.
Mais um participante: -Meu amigo é deputado estadual, gosta de cavar poços artesianos e levar
vantagem. Acertou na mosca.
Outro participante disse: - Meu amigo foi vereador e gostava de trazer caixas de vinho da Argentina
sem nota fiscal.
E assim, noite adentro, felizes trocaram seus
presentes às expensas do caríssimo contribuinte.
Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O AMIGO SECRETO":
Jornalista Rubim,
Diga ao Prof. Roubão que ele esqueceu do ex-presidente da empresa de luz que fez um contrato com outra cuja sede era num monte real. E que o ex-presidente da ALESC foi presidente do TCE.

Jornalista Rubim,
Diga ao Prof. Roubão que ele esqueceu do ex-presidente da empresa de luz que fez um contrato com outra cuja sede era num monte real. E que o ex-presidente da ALESC foi presidente do TCE.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Brasil em 3 D – o Estado Desvinculado, Desobrigado e Desindexado
por Eduardo Guerini
“Como
país, acho que o Brasil não tem saída – não é trágico, como o México, não; é
apenas letárgico, egoísta, autocomplacente, meio maluco. O país perdeu a
inteligência e a consciência moral. (...) A ignorância pesa sobre o povo como
um nevoeiro. A intriga política alastra-se por sobre a violência, a sonolência
enfastiada do país. Não é um existência; é uma expiação.” (Elisabeth Bishop,
poeta americana)
No jargão da realidade virtual e da ótica, uma
visão tridimensional garante a capacidade de compreender os fenômenos que “a
olho nu” não percebemos, desde as variações das sombras, o movimento, gerando
uma “paralaxe” que encampa a visão do deslocamento dos objetos observados em
pontos ligeiramente diferentes que fundidos no cérebro fornecem informações quanto
à profundidade, distância, posição e tamanho dos objetos. Eis que a visão
ultraliberal da economia no governo Bolsonaro, consegue gerar um efeito
totalmente distinto, retomando a forma unidimensional para resolver problemas
complexos da sociedade brasileira clivada por desigualdades e iniquidades,
gerando um efeito distorcido da atuação necessária do Estado. Em síntese, a visão antiestatal se traduz no
jargão “Menos é Mais”, ou seja, menos Estado e mais mercado.
Do ponto de vista político, o Ministro da Economia
assume um versão cataclísmica da crise fiscal que assola a União, Estados e Municípios,
dando um tiro mortal na Constituição de 1988, que primava pela autonomia e
emancipação em prol da cidadania. A ausência de um movimento político para
formar uma nova Assembleia Constituinte, tratando os problemas socioeconômicos
e políticos atuais, são tratados como mero apêndice a ser aprovado por
Propostas de Emenda Constitucional (PECs), num Congresso Nacional subserviente
e passivo.
O protocolo no Senado Federal de três Propostas de
Emenda, são descritas na PEC 186/2019
que institui os gatilhos para conter gastos públicos em caso de crise
financeira na União, Estados e Municípios, proibindo o endividamento público
para despesas correntes (salários do funcionalismo, benefícios de
aposentadoria, contas de energia e outros custeios), inclusive, com redução de
jornada de trabalho e salários dos servidores públicos.
Noutro eixo, desvincula fundos públicos (PEC 187/2019), com revisão
constitucional e infraconstitucional para liberar (destravar) aproximadamente
R$ 200 bilhões dos fundos setoriais, no abatimento de dívida pública. É a
sangria de recursos públicos setoriais para desenvolvimento da infraestrutura
em prol do sistema financeiro.
No caso da PEC
188/2019, o Pacto Federativo se traduz em profundas alterações na divisão
dos recursos da União, Estados e Municípios, prevendo a descentralização dos
recursos do pré-sal; a criação do Conselho Fiscal da República, que avaliará
trimestralmente a situação financeira dos Estados, medidas de desvinculação,
desindexação e desobrigação do Orçamento.
No apadrinhamento político pelo líder do Governo,
as propostas de iniciativa parlamentar tramitam pelo Senado Federal, em clara
tentativa de evitar percalços na aprovação da mais radical alteração do Estado
brasileiro.
No campo econômico será a desobrigação fiscal da
União para com Estados e municípios endividados, como destaca o título de
“transformação do Estado”, com instituição do modelo de “shutdown” ou “emergência
fiscal, com desvinculação de fundos públicos, reforma tributária e onda de
privatizações. Existe a previsão de extinção do PPA (Plano Plurianual),
planejamento de médio prazo de ações governamentais, com objetivos e metas
definidas, e, consequentemente, se estabelecer uma normatização no orçamento na
forma de fluxo-financeiro, com realismo orçamentário, com controle de
benefícios tributários, limitados a 2% do PIB, em 2026. Na desobrigação desvinculante da União para
entes da República Federativa, as frases contundentes “cada um assume sua
conta” e “quem fez a dívida, arca com ela”, aduzem a noção de quebra federativa
no esteio da reforma ultraliberal.
A desvinculação de fundos setoriais para
amortização da dívida pública, traz em seu bojo, uma “saída de emergência”, a
desindexação de despesas obrigatórias com fundos que serão livremente
movimentados, inclusive para os gastos como educação e saúde, que incluirão
sorrateiramente, as despesas com pensões e aposentadorias dos funcionários
públicos. Todos os fundos tem um destino certeiro, a amortização da dívida pública, para alegria
do sistema financeiro. É o
desmantelamento do serviço público sem prosa nem verso.
No caso do municipalismo, as medidas de
fortalecimento da federação, emanam pérolas do modelo de “Estado Leviatã”, as
metas para incorporação/extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes e
arrecadação própria menor que 10% da receita total, transforma municípios em
distritos. Neste contexto, levantamento preliminar aponta que, aproximadamente
22,5% dos municípios brasileiros, cerca de 1.253 cidades brasileiras e 65
cidades catarinenses, são elegíveis ao desaparecimento. O famoso jargão “mais é
menos”, propõe a eliminação de 20.000 cargos, de prefeito a servidores
municipais. Uma população de 2,6 milhões de habitantes no Brasil será relegada
ao abandono, com o retorno do “coronelismo de voto”, do compadrio e
clientelismo para assistência social, educação, saúde e infraestrutura
condizente ao padrão mínimo do ético civilizatório. O retorno ao Brasil de
grotões com ausência total ou parcial da intervenção do Estado, nega o espirito
republicano.
O pressuposto da transformação do Estado brasileiro
no pacote sugestivamente apresentado como “Plano Mais Brasil”, é um freio de
desarrumação no combalido federalismo proposto nos marcos constitucionais de
1988, um ataque ao planejamento de políticas públicas orientadas de forma
republicana, com obrigações vinculadas da União, Estados e Municípios,
principalmente para áreas de proteção e promoção social, como: educação, saúde
e assistência social.
A “paralaxe cognitiva” orientada por fantasmas
iliberais conduz a retrocessos políticos, sociais, econômicos e culturais na “terra brasilis”. O Ministro da Economia
no governo Bolsonaro, age tal qual um burocrata de gabinete na formulação de
políticas públicas, com visão turva e caótica sobre a realidade continental
brasileira e sua complexa diversidade socioeconômica e cultural. No afã de
sobrepor um radicalismo liberal, sua saga é definir o tamanho do Estado
brasileiro, preferencialmente por seu desejo, o mínimo e menos intervencionista
possível. O problema é que a sociedade
brasileira é um mar desigualdades e injustiça social, em que o Estado não pode
ser dimensionado por seu tamanho ou regulação na caótica realidade, exigindo um
Estado adequado as necessidades básicas, conquanto universais, que promovam a
justiça e o desenvolvimento equilibrado.
Na atual conjuntura, a alteração constituinte que
reescreve a estrutura fiscal nos gastos do governo, reduzindo as
responsabilidades da União, transferindo para o mercado, inclusive a proteção
social, o pacote proposto emana a máxima do escritor Affonso Romano de
Sant´Anna (1980):
“Uma coisa é um país,
outra um ajuntamento. Uma coisa é um país, outra um regimento. Uma coisa é um
país, outra o confinamento.”
O Brasil
continuará refém do fiscalismo bastardo para satisfazer a ganância do mercado e
sistema financeiro, ou, se libertará do velho receituário neoliberal para
combater a escandalosa pobreza e péssima distribuição de renda?
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Inspetor Clouseau e a apneia
- Bom dia Inspetor!
- Bom dia, meu caro Ajudante de Ordens. Como vai?
Ajudante de Ordens – Apreciando o cenário nacional. Essa decisão do STF deu uma aliviada geral para o pessoal que gosta de botar a mão no baleiro do dinheiro público.
Inspetor – É verdade. Tem gente dormindo melhor, inclusive aqui em Santa Catarina.
Ajudante de Ordens – O senhor tem falado com o Julio Garcia?
Inspetor – Não, não... Estou preocupado com as entregas, com a transparência, com a administração. Inclusive vou ficar no PSL. Mesmo que o presidente saia.
Ajudante de Ordens – Quais são as entregas?
Inspetor – Estamos entregando o possível. Entregamos cartas, entregamos esperança, entregamos algumas obras! Entregamos junto com o MDB, às vezes.
Ajudante de Ordens – E com o Lula na rua, como vai ser?
Inspetor – Temos que ver. É cedo para avaliar. Pode haver um confronto entre o PT e o PSL. Isto seria ruim para o Brasil.
Ajudante de Ordens – E como estão as relações com os municípios?
Inspetor – Criamos a Central dos Municípios. O prefeito liga para o número 17 e a gravação atende. Se for dúvida, digita 1. Se for falta de recursos, digita 2. Se for denúncia, digita 3. Depois nós respondemos.
Ajudante de Ordens – Como o senhor avalia nosso governo?
Inspetor – Avalio muito bem. Ainda não temos nenhum caso de corrupção e estamos consertando o legado do Raimundo Colombo. Além disto, para suportar a pressão, faço apneia no Ribeirão da Ilha, uma vez por semana. Nos outros dias faço cerveja artesanal e bebo. O efeito é o mesmo.
INSPETOR CLOUSEAU NO RIBEIRÃO DA ILHA, NO HOTEL DO ALEMÃO, PREPARANDO-SE PARA MAIS UMA SESSÃO DE APNEIA.
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
Pragmáticos, Incendiários, Bombeiros, na nova política da Província Catarina
por Eduardo Guerini
No primeiro aniversário da “onda conservadora
neopentecostal verde-oliva” que guindou o novo Presidente da República, com
surfistas de plantão na Província Catarina Virginal, a velha oligarquia e seus
“testas de ferro” foi substituída por um novato na política tradicional. O
Comandante Moisés, de fala mansa, com um partido fraco, o PSL ganhou o
Executivo, mas ficou devendo maioria no Legislativo. Os parlamentares eleitos,
com a insígnia da “nova política”, se arrastaram nas asas da “raiva destilada”
nas urnas eletrônicas. A mídia monopólica e conservadora, festejou a devastação
das forças tradicionais e progressistas, tudo em prol da velha cantilena
interesseira de servir aos governantes de plantão.
O resultado surpreendente da eleição de um
candidato desconhecido, sem partido, é sintoma da bílis político-ideológica
destilada na urna eletrônica. O “colunismo político” dócil, tratou de falar em
onda arrasadora, de novos tempos para a província e seus provincianos. Uma nova
era seria construída sem indicações políticas, sem traficâncias de influência,
destronando as oligarquias corporativas, os partidos tradicionais morreriam na minguante,
no crepúsculo do fim das Agências de Desenvolvimento Regional, outrora, Secretarias,
que descentralizariam a administração pública, com o ufanismo do finado mentor
Luiz Henrique da Silveira.
Na esfera legislativa, o Partido que nasceu do
pleito de 2018, trouxe novas figuras para política, via PSL – um ajuntamento de
proeminentes conservadores, neopentecostais, bastardos das elites tradicionais
na província. Afinal, o voto popular se espraiou e garantiu voz a patuleia
desencantada com os representantes anteriores. Entre neopentecostais, militares
e conservadores paranoicos, o partido elegeu uma bancada de somente seis
deputados, não garantindo a maioria no parlamento catarinense. O governador
tratou de se acorrentar as velhas raposas que suportam tempos de escassez –
MDB, PDT, PSDB, PSD, PRB, PR, PP, para garantir sua reforma administrativa com
extinção dos “cabides de cargos comissionados” tradicionais, remontando a
máquina reeleitoral ao seu favor, com novos cabides da política da refundação
cívica.
O problema é que os incendiários radicais do
PSL, montados na cavalgadura do neopentecostalismo conservador, tratam o
governador eleito majoritariamente, como fiel depositário das suas sandices. Em
determinado momento, pretendem impor um “teste toxicológico” para os
professores e funcionários públicos. Noutro atacam a “doutrinação ideológica” e
o marxismo cultural no Plano Estadual de Educação. Nas alucinações e paranoias,
nenhum projeto mais vigoroso quer manter os velhos costumes e tradições de uma
política corriqueira. No comando da casa legislativa, uma velha raposa usa da
habilidade para continuar ditando a pauta legislativa e o garrote político,
para controlar o galope do novo governo no cabresto dos interesses da velha
oligarquia e seus coronéis.
Os pragmáticos são mais astutos, fingem tratar
dos temas emergentes da “onda bolsonarista”, no fundo, articulam em convescotes
e conspirações para não perder os dedos, visto que, perderam temporariamente os
anéis. Os partidos representando os pragmáticos sabem que uma oposição radical
na lua de mel do Comandante Moisés, destroçaria suas bases instáveis e
incontroláveis sem cargos de confiança e emendas parlamentares. Por enquanto, o
pragmatismo da velha política vence de goleada os incendiários de ocasião, com
alguns solavancos na débil governabilidade estadual. O importante para
manutenção da base é que a chave do cofre da Fazenda continua nas mãos do MDB,
e, a chave política nas mãos do PSD. O governador entendeu que é gestor
temporário de todos os catarinenses, e, necessita atuar como bombeiro para
apagar o incêndio nas contas públicas estaduais, com déficit em todas as áreas
nevrálgicas – saúde, segurança, educação, infraestrutura. Quanto mais é atacado
pelos incendiários de seu partido, mais dependente dos parlamentares
pragmáticos, lugar em que aparece sua característica maior, ser um bombeiro das
vaidades políticas que inflaram num processo eleitoral atípico.
A grande mídia monopólica sofreu os reveses da
“nova política” provinciana. As verbas fáceis para vender o “realismo
fantástico catarinense”, o modo de ser e as habilidades superdimensionadas em
estatísticas nada confiáveis, secaram. Os colunistas políticos, alimentados por
regabofes, por furos jornalísticos e “releases inéditos”, viagens de
acompanhamento das autoridades, perderam a vez e as caronas. Agora tentam
sobreviver, com colunas dóceis e enfadonhas, não conseguindo empolgar o leitor,
muito menos, a crítica.
O desempenho econômico tão venerado para o
modelo catarinense, quando não é pífio, é desgraçadamente ofuscado por
declarações bombásticas do Quasímodo Verdolengo de Brusque. Ele pensa que é
time e torcida, que sua rede suprimirá a massa de desempregados pela força do
otimismo e pelo fim das amarras burocráticas que impede o crescimento
econômico. Falta um pouco de macroeconomia básica para compreender que política
monetária e fiscal ortodoxa, não alavancam o crescimento. O empresariado
catarinense continua lutando encarniçadamente para manter suas renúncias e
subsídios, enquanto que, reverbera a necessidade de sacrifícios nas reformas
estruturais, essencialmente, as que retiram direitos sociais – a reforma
trabalhista em segunda geração e reforma previdenciária. Quando chamados a contribuir,
a gritaria com seus colunistas “boca alugados” e parlamentares financiados é
muito estridente. No final todos sabem quem pagará a conta da crise fiscal
catarinense e brasileira.
Na esperança do ano seguinte melhor, depois de
arrumada a Casa d´Agronômica, o governo Moisés, tomando consciência do susto
inicial de sua vitória eleitoral contra velhas oligarquias, estruturas
políticas viciadas, coronéis partidários envelhecidos, se adapta ao pragmatismo,
apagando incêndios produzidos nos idos da dupla Raimundo Colombo e Pinho
Moreira.
Afinal, depois do carnaval conservador, a
manutenção do poder é o desejo duradouro para manter os privilégios no “governo
dos coronéis”. Os incendiários continuam
a saga contra os inimigos construídos no esteio das paranoias, neuroses e
loucuras, desejando o afastamento de Moisés de sua hoste partidária, vendendo a
Casa d´Agronômica como vingança em virtude de seu afastamento do Capitão
Bolsonaro e sua pauta liberal na economia e conservadora nos costumes. Os
pragmáticos seguem o curso natural da política, na falta de base para
governabilidade, eles garantem a agenda governista em troca de alguns favores
pontuais, a liberação de algumas emendas e indicações de seus apaniguados. Os bombeiros da política catarinense, apagam o
fogo alheio para não destruir a casa governamental com toda sua hospitalidade.
Neste cenário prospectivo, todos se acomodaram
ao vendaval da “nova política”, mantendo os velhos costumes, costurando
alianças e coligações em prol do interesse maior, a perpetuação e manutenção do
poder político. A província catarinense segue com serenidade para a pasmaceira
política e reveses econômicos, sem muito alarde, pois os grandes jornais
somente poderão sacudir a tranquilidade com matérias investigativas
aprofundadas, nos cadernos de final de semana.
Durante a semana, os telejornais e jornais
microrregionais, colocam as notícias da alcova em dia, com alguma pitada de
entusiasmo, decifrando o tempo, o trânsito e problemas particularistas de troca
de fraldas a carreiras de sucesso, para quem quer sabe, tudo assessorado por
especialistas de ocasião. Entre a
pasmaceira e alcovitagem, o governador continua tocando a viola, tomando bons
vinhos acompanhado de sua fiel base parlamentar, e, preparando alguma nova
cerveja artesanal. Governar uma
província liberal-conservadora que se apoia nos cofres do Estado, não é fácil!!!
Suprema autofagia moral
por Carlos Nina*
Há poucos dias fui ao TRE-MA e, ao sair, encontrei um cidadão no local onde estacionei o carro. Cumprimentei-o. Morador de um casebre à beira da Vala da Macaúba, conversamos sobre a situação calamitosa da vala, entulhada de lixo, lama e fétida. Ele foi objetivo: - Essa vala é assim o tempo todo. Se limparem, não terão mais o que prometer nas eleições seguintes.
São fatos consumados o cinismo e a hipocrisia dos candidatos. Realidade imutável no Legislativo e no Executivo. No Judiciário não há esse tipo de promessa, mas ministros da Suprema Corte estão mostrando como é possível suprimir a dignidade, o respeito e a credibilidade da Instituição.
Assiste-se a uma espécie de autofagia moral teatralizada com emblemáticos desfiles de quirópteros (tipo de morcego) incapazes de puxar a própria cadeira para sentar-se, certamente pela quadratura das rodinhas das requintadas poltronas. Precisam de quirópteros de asas curtas para fazê-lo.
A última afronta à paciência das pessoas de bem é a patacoada sobre a prisão após decisão condenatória em Segunda Instância. Também sou contra, mas não
se trata de questão shakespeariana e sim de coerência, de respeito, de moralidade.
A questão tem sido decidida de acordo com conveniências alheias ao Direito e à Justiça. A norma que antepõem à prisão é o inciso LVII do art. 5º da CF, que não trata de prisão, mas de culpabilidade: ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Se esse dispositivo trata da impossibilidade de prisão, como explicar a prisão provisória, decretada antes da ação penal? E a preventiva, antes ou no curso do processo, “como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria” (Art. 312 do CPP)?
Ademais, a prisão após a condenação em Segunda Instância não é automática, mas a critério do Tribunal. Logo, trata-se de um debate inútil, senão para cabotinismos cínicos porque o julgador poderá aplicar a norma do art. 312 do
CPP, se o condenado, por exemplo, perturbar a ordem pública.
Se houvesse honesta ignorância sobre o tema, a questão seria: por que um condenado em Segunda Instância não pode ter sua prisão decretada, em razão do risco que oferece sua liberdade, e aquele que sequer teve um julgamento permanece anos presos - e há centenas, senão milhares nas penitenciárias brasileiras nessa situação - preventivamente? Balela.
Se a alegação é de princípio constitucional, há um que precede ao do trânsito em julgado, qual seja o da igualdade, permanentemente desrespeitado, com inúmeros casos de pessoas humildes, injusta e ilegalmente jogadas em celas superlotadas, sem qualquer higiene ou resquício de
humanidade, à espera de um julgamento na Suprema Corte e por esta totalmente ignoradas.
Trata-se de acintosa farsa para beneficiar comparsas. Não importa se isso causará um desastre na segurança pública e na economia, porque a fortuna apreendida terá de ser devolvida aos corruptos que saquearam os cofres públicos.
É lamentável. Já não se trata apenas de insegurança jurídica, mas da demolição de um Poder que deveria ser o depositário da última esperança dos injustiçados.
*Advogado. Mestre em Direito Econômico e Político (Mackenzie SP) carlos.nina@yahoo.com.br
Há poucos dias fui ao TRE-MA e, ao sair, encontrei um cidadão no local onde estacionei o carro. Cumprimentei-o. Morador de um casebre à beira da Vala da Macaúba, conversamos sobre a situação calamitosa da vala, entulhada de lixo, lama e fétida. Ele foi objetivo: - Essa vala é assim o tempo todo. Se limparem, não terão mais o que prometer nas eleições seguintes.
São fatos consumados o cinismo e a hipocrisia dos candidatos. Realidade imutável no Legislativo e no Executivo. No Judiciário não há esse tipo de promessa, mas ministros da Suprema Corte estão mostrando como é possível suprimir a dignidade, o respeito e a credibilidade da Instituição.
Assiste-se a uma espécie de autofagia moral teatralizada com emblemáticos desfiles de quirópteros (tipo de morcego) incapazes de puxar a própria cadeira para sentar-se, certamente pela quadratura das rodinhas das requintadas poltronas. Precisam de quirópteros de asas curtas para fazê-lo.
A última afronta à paciência das pessoas de bem é a patacoada sobre a prisão após decisão condenatória em Segunda Instância. Também sou contra, mas não
se trata de questão shakespeariana e sim de coerência, de respeito, de moralidade.
A questão tem sido decidida de acordo com conveniências alheias ao Direito e à Justiça. A norma que antepõem à prisão é o inciso LVII do art. 5º da CF, que não trata de prisão, mas de culpabilidade: ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória.
Se esse dispositivo trata da impossibilidade de prisão, como explicar a prisão provisória, decretada antes da ação penal? E a preventiva, antes ou no curso do processo, “como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria” (Art. 312 do CPP)?
Ademais, a prisão após a condenação em Segunda Instância não é automática, mas a critério do Tribunal. Logo, trata-se de um debate inútil, senão para cabotinismos cínicos porque o julgador poderá aplicar a norma do art. 312 do
CPP, se o condenado, por exemplo, perturbar a ordem pública.
Se houvesse honesta ignorância sobre o tema, a questão seria: por que um condenado em Segunda Instância não pode ter sua prisão decretada, em razão do risco que oferece sua liberdade, e aquele que sequer teve um julgamento permanece anos presos - e há centenas, senão milhares nas penitenciárias brasileiras nessa situação - preventivamente? Balela.
Se a alegação é de princípio constitucional, há um que precede ao do trânsito em julgado, qual seja o da igualdade, permanentemente desrespeitado, com inúmeros casos de pessoas humildes, injusta e ilegalmente jogadas em celas superlotadas, sem qualquer higiene ou resquício de
humanidade, à espera de um julgamento na Suprema Corte e por esta totalmente ignoradas.
Trata-se de acintosa farsa para beneficiar comparsas. Não importa se isso causará um desastre na segurança pública e na economia, porque a fortuna apreendida terá de ser devolvida aos corruptos que saquearam os cofres públicos.
É lamentável. Já não se trata apenas de insegurança jurídica, mas da demolição de um Poder que deveria ser o depositário da última esperança dos injustiçados.
*Advogado. Mestre em Direito Econômico e Político (Mackenzie SP) carlos.nina@yahoo.com.br
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