sábado, 31 de março de 2018

Catarinense indicado para o Nobel de Literatura

Emanuel Medeiros Vieira, poeta, escritor, sobrevivente da luta contra a ditadura militar brasileira, teve o seu nome indicado por entidade internacional para concorrer ao Prêmio Nobel de Literatura
 
 
   INTERNATIONAL WRITERS AND ARTISTS ASSOCIATION, entidade com atribuições de indicação e votação para a respectiva escolha, acaba de informar que indicou ao PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA nosso memorialista EMANUEL MEDEIROS VIEIRA. 
 
    Meu amigo poeta, contista dos anos de chumbo e cronista dos anos de fel, torturado pela ditadura militar e inimigo público da grande corrupção que lhe seguiu na Nova República, é sobretudo pessoa humana, na sua mais completa acepção: dotado de fé, coragem, conhecimento e perseverança.
    Natural de Florianópolis, cujos encantos e recantos ilustram a sua obra, conheci-o, já residente em Porto Alegre, no curso clássico do Colégio Anchieta e privei do seu convívio na Faculdade de Direito da UFRGS. Assisti, neste tempo, o desvelar da sua paixão pela literatura humanista - Albert Camus em destaque; e, pela arte cinematográfica – John Ford em primeiro plano. Personagens de estóica tragicidade, e arquétipos de romantismo libertário, compuseram um mosaico de sentimento e razão que, desde então, o distingue pela nobreza dos gestos e a sinceridade das intenções. Estivemos juntos, na resistência ao golpe de 64 e ao AI-5 de 68, nas articulações político-estudantis e nas passeatas de protesto em Porto Alegre.
    Testemunho aqui, o que também é voz corrente da nossa turma e dos nossos contemporâneos: sua ternura contagiante, como que brotada da experiência traumática daqueles tempos, e sua alegria de vivê-los - e aos dias que lhe seguiram - intensamente; humanidade densa que o distingue e qualifica a sua obra.
    Nossos caminhos cruzados se afastam ao final da graduação. Segui carreira acadêmica, no ambiente protegido e asséptico da pós-graduação e docência universitária. E o Emanuel mergulhou de ponta cabeça no terreno minado pela repressão política e alienação cultural dos anos 70. E produziu sua obra literária sobrevivendo à OBAN, à impossibilidade de viver da sua arte, e à tentação de acomodar-se à hipocrisia política, no ambiente em torno do seu longo período de residência em Brasília.
    Os anos se passaram, e o levaram a paragens ainda mais distantes, mas talvez mais próximas ao romanceiro da sua perseverança. De Salvador, na Bahia, a sua experiência compartilhada, em forma de prosa ou poesia. continuou luzindo como um farol dos valores e um manancial de virtudes – verdades duras e severas sentenças, plantadas na nossa memória. Pelo que não tenho dúvidas em afirmar que o Emanuel vivenciou e reportou o romantismo trágico da nossa geração – ativista na sua adolescência e inconformista na sua maturidade. Sua literatura expressa o sofrimento pessoal intenso de quem foi capaz de sublimar a dor, pela sua crônica, e a desesperança, pelo seu enfrentamento. Não vejo melhor justificação para sua indicação ao Prêmio Nobel de Literatura de 2018.
 
Emanuel brindando com este blogueiro e como jornalista e historiador Celso Martins na Kibelândia
 
 

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