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sábado, 4 de dezembro de 2010

Pequenas mortes do Benedetti

   Mario Benedetti, poeta, escritor e ensaísta é considerado um dos principais autores uruguaios. Integrante da geração de 45, contemporâneo de Juan Carlos Onetti e Idea Vilariño, iniciou sua carreira literária em 1949  e ficou famoso com a publicação de "Poemas de Oficina", em 1956. Escreveu mais de 80 livros de poesia, romances, contos, ensaios e roteiros para cinema.

Recebi do meu amigo e leitor Silvio Severo Ponte. 

Solange deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pequenas mortes do Benedetti":
Tá lindão teu Blog. Amei esse poema!  

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Cuidado con la perrera!!!

Lazeros da Perrera Municipal de Córdoba, Argentina (1965)
Outro dia assisti a uma cena inusitada no centro de Florianópolis. Na rua Victor Meirelles, protagonista de um artigo publicado aqui sobre a criminalidade e o abandono do centro da cidade. (Florianópolis cidade sem lei).
Um kombi da Vigilância em Saúde, da Prefeitura, estacionou na esquina e desceu um senhor, devidamente identificado com crachá, e começou a conversar com duas pessoas que estavam ao lado de um cachorro que descansava no meio da calçada. O animal é propriedade dos moradores de rua que habitam a calçada em frente ao antigo restaurante Kafa.
O "vigilante" conversou, conversou e depois pediu às pessoas que ficassem ali, ao lado do bicho, que ele iria buscar uma correia para prendê-lo. Seria levado para o Centro de Zonoses onde seria castrado e depois devolvido aos donos, na rua. Tudo isso falado em voz alta em frente ao cachorro que continuava deitado indiferente em sua preguiça.
Fiquei observando a cena e jamais imaginei que o animal entendesse português. Pois o vigilante saiu, foi até a "carrocinha" e buscou uma guia. Quando chegou perto o cachorro simplesmente levantou e saiu displicentemente para o outro lado da rua onde se acomodou na calçada em frente. Só restou ao vigilante o comentário: - Eles são muito inteligentes!

Vigilante frustrado. dia da caça!
O título deste post está em espanhol pois a "carrocinha" me lembrou a expressão muito usada por meus amigos uruguaios no tempo da ditadura militar naquele país. Lá, carrocinha se chamava perrera. Desde guri sempre tivemos cuidado com la perrera, pois se um cachorro nosso estivesse solto na rua, corria o risco de ser pego pela perrera.
Mais tarde, no período da ditadura, apelidamos as caminhotes fechadas da polícia de chanchitas, porquinhas, usadas pelos porcos.
Mas o nosso código para alertar os companheiros de clandestinidade sobre a presença de alguma chanchita nas imediações era: - Cuidado con la perrera!