segunda-feira, 8 de julho de 2013

Vinte anos ontem...

Meu querido José Soares Sobrinho
  Outro dia fiz 60 anos. 

   - Mais de meio século de vida", diria meu pai.

   É incrível a rapidez com que cheguei nesta idade, ou não? 
   A cada tempo uma impressão. Se começo a lembrar tudo que fiz e passei na vida da para ver que a vida é longa, que viver 24 horas por dia durante tantos anos custa...tempo.
   Mas o interessante disso tudo é que a impressão que eu tinha de uma pessoa de 60 anos é de uma pessoa velha, idosa...
   Não me sinto assim. A minha cabeça não acompanha a temporalidade da vida nem o envelhecimento do corpo, ao menos para mim. Continuo me vendo e me sentindo um "guri"!
   Lembro do meu pai e de seus amigos que aos 50 já eram "velhos". Me parece que a maioria das pessoas ao atingir uma determinada idade adotam uma postura de senhores, sérios, responsáveis como que para impor um certo ar de respeito. Deixam bigode, mudam a vestimenta e pronto: viram senhores "maduros" rumo à velhice...na aparência. Se vestem de velhos e envelhecem.
   Outro dia peguei no IPUF uma licença para Estacionamento em Vaga Especial. Está lá escrito no cartão: IDOSO! 
Velho novo na praça
   Posso agora desfrutar deste privilégio dos velhos, ocupar as vagas para idosos, que não são poucas, nas ruas e estacionamentos da cidade. Achei o máximo esse privilégio. Perco muito tempo procurando vaga para estacionar no centro todos os dias. Sou centauro, motorizado direto. Não ando de ônibus.
   Logo que retirei o cartão de IDOSO fui à Kibelândia mostrar o dito cujo para a minha amiga Cristina, proprietária do local. Cheguei dizendo que tinha um "novo velho" na cidade: Eu!
   Ela riu. Achou muito engraçado eu ter feito aquela credencial para colocar no parabrisas do auto e me falou que o Soares, seu pai e meu grande amigo de muitos anos de Kibelândia, estava muito doente. Havia envelhecido e está hospitalizado.
   
   Fiquei triste com a notícia. O Soares continuava sempre à minha frente: eu virando idoso e ele...andando.
   Pensei nisso e comentei com a Tina: 
   - Pôrra, convivo com o Soares a mais de 40 anos e nunca o vi como idoso. Em que momento será que isso aconteceu?
- É Canga, a gente não se da conta do tempo. Tínhamos 20 anos ontem...

   Fiquei pensando: que tempo louco esse!


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