sexta-feira, 25 de julho de 2014

BRANCA E RADIANTE VAI A NOIVA...

   Por Janer Cristaldo
   
    Santana do Livramento, minha cidade natal – mas não aquela em que fui criado - parece ter decidido profanar o Santo dos Santos. Verdade que os santanenses sempre foram pioneiros. Foi em Livramento que surgiu a primeira célula comunista no Brasil, já em 1918, apenas um ano após a revolução russa, criada por anarquistas italianos que haviam aportado em Rio Grande. Os paulistanos se gabam - como se louvável fosse gabar-se da humana estupidez - de que o Partido Comunista tenha nascido em 1922, em São Paulo. Não é verdade. O obscurantismo tem origens gaúchas.

   Mas os comunistas russos estavam eivados de boas intenções e na época ninguém sonhava com a tirania que resultou dos nobres propósitos dos bolcheviques. De certa forma, era dever de todo humanista aderir à revolução. As melhores mentes da época jogaram-se de corpo e alma na Idéia, como então se dizia. Agora o puchero é mais gordo.

   A celebração da união entre pessoas do mesmo sexo em um CTG (Centro de Tradições Gaúchas) foi sugerida pela diretora do Foro de Livramento, juíza Carine Labres. Que asco, tche! Deve ter muito maula sofrendo arcadas de vômito. Pior ainda, a magistrada entende que a melhor data para o casamento é 13 de setembro, justo quando se iniciam os festejos da Semana Farroupilha e as homenagens a figuras como o o general Bento Gonçalves da Silva, o símbolo maior da valentia gaúcha.

   Contrabandista e ladrão, é verdade, mas naqueles tempos tudo era muito embaralhado e algum herói se precisava cultuar.

   Há alguns anos, provoquei um deus-nos-acuda definindo a Semana Farroupilha como a celebração de uma derrota e chamando o obelisco do Ponche Verde de pequeno poste. Imagino como devem andar eriçados os brios da gauchada com a provocativa sugestão da juíza, que nos traz à mente a exótica imagem de um gaúcho dançando a chula de leque em punho.

   Gaúcho, sempre me manifestei contra o casamento gay. Não por ser gaúcho nem por ter algo contra homossexuais. Convivi com eles desde o ginásio à universidade e mais tarde na vida profissional. Ostentavam uma certa aura, não digo de heróis, mas de rebeldes avessos à sociedade bem comportada, à ética vigente, ao casamento e à religião. Entre os homossexuais com os quais convivi – e alguns eram companheiros de bar – nunca vi casais nem pessoas com pendores religiosos. Todos tinham consciência de que as religiões vigentes condenavam seus comportamentos, e das igrejas só queriam distância. Eram geralmente pessoas cultas e sensíveis. Quando penso nos homossexuais de minha juventude, sempre me vem à mente o “non serviam” de Lucifer, a primeira afirmação de liberdade ante a arrogância do Altíssimo.

   Sou, isto sim, contra o casamento. Quando vejo um homem casar com homem, vejo uma pessoa que trocou os prazeres por deveres, os bares e as saunas pelo lar, a vida alegre e solta pela monotonia do casal. Em suma, a liberdade por grilhões. Volto a esses teatrinhos da classe média, os CTGs.
   
   Leia o artigo completo. Beba na fonte.

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