segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O trilema de Colombo

   Por Marcos Bayer   O governo atual é fruto de um fantástico trilema, onde vários opinam. Desde doutores em fenomenologia até vaqueiros serranos.
   Atordoado, Colombo expressa na face suas três angustias existenciais.
   A primeira, a mais barata, custa aproximadamente R$ 100 milhões anuais e é denominada propaganda (ou comunicação para os mais alinhados).
   Afora alguns acertos contábeis, nesta verba governamental, podemos assistir ao estado modelo. São estradas novas, sinalizadas e bem guardadas. Escolas maravilhosas, alunos bem vestidos, alimentados, professores bem pagos, equipamentos de ultima geração. Hospitais eficientes, salas cirúrgicas profiláticas, atendimento ambulatorial impecável. Policiamento ostensivo, viaturas novas, cadeias com lotação adequada e o sistema prisional controlado dentro de padrões internacionais. Isto é possível ver diariamente na televisão.
   A segunda angústia, a real e mais cara, custa aproximadamente 13 bilhões de reais anuais. Nela estão funcionários desocupados, outros tantos mal remunerados, pequenas castas privilegiadas, crimes ambientais (1.600) represados na FATMA, hospitais em decomposição, escolas mal conservadas, cadeias superlotadas, sistema prisional estrangulado onde a comida aos presos era servida em carrinho de mão com pás de pedreiro, dizia o relatório do Juiz nipo-brasileiro. Aqui estão os professores, mais angustiados do que o governador, responsáveis pela formação do homem catarinense, vivendo de promessas antigas, sinceras e mentirosas. Aqui estão quatro estações elevatórias de tratamento de esgoto da CASAN lançando tudo in natura, no mar, conforme denúncia da própria FATMA.
   A terceira angústia, espiritual e psíquica, custa-lhe a existência. Colombo nasceu em Lages, terra de Nereu Ramos. Homem de personalidade forte, partidário, passou pela Presidência da República e empossou seu sucessor Juscelino Kubitschek, em 1956.
   Entrou na política pela mão da UDN que funcionava dentro da ARENA, depois PDS, então PFL, depois DEM e finalmente PSD, o mesmo do Nereu, na sigla pelo menos, criado para dar suporte político ao PT.
   Colombo reclama de uma herança recebida e, simultaneamente, lembra que a herança é ele também. Foi a tal herança que o levou ao Senado em 2006. Com ajuda de especialistas formados no exterior, identificou uma estrutura administrativa denominada “hanging jobs” ou “cabides de empregos” e que foi criada pela herança por toda Santa Catarina.
   Colombo é lento, diz que é preciso refletir para não cometer grave erro na decisão política. Na verdade ele precisa processar a tomada de decisão dentro destes três lados do prisma. Precisa saber se está no mundo da propaganda, no mundo real ou no mundo político.

   Por isto leva certo tempo...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Três helicópteros e UTI móvel para salvar bandidos feridos

Do blog do Milton Barao


    Uma verdadeira operação de guerra, com envolvimento direto do PPT da Policia Militar de Lages, para capturar quatro assaltantes que haviam praticado roubo numa concessionária em São José, na terça-feira e depois fugiram para Alfredo Wagner. Nem em filmes do Rambo se viu tanta força policial envolvida, que resultou com um ferido grave, que levou um tiro no pulmão.
   Mas o que aconteceu em seguida é que preocupa a população, cujas pessoas morrem nas filas de hospitais, ao ponto de nesta semana o Ministério Público Federal ter pedido a prisão do secretário de Estado da Saúde.   Chegou no local nada menos que três helicópteros, diversas ambulâncias do SAMU, enfermeiros, médicos e mais os policiais. Ou seja, um helicóptero para cada preso ferido.
   Enquanto isso, os cidadãos honestos e decentes, pessoas idosas e crianças morrem nas filas de postos de saúde, de hospitais e de emergências, clamando por atendimento.

Leia matéria completa no Blog do Barão

Sentindo na pele

   A vida é engraçada mesmo. Muito criticado pelos empregados da Celesc, o plano de saúde da Celos, Celos Saúde, acaba de fazer mais uma vítima: o próprio presidente da entidade.
   O advogado Milton Garcia, acometido de problemas de saúde (estresse ou "pressão"), deu entrada no Hospital de Caridade e sentiu na própria pele a qualidade do plano de saúde que a Celos oferece aos associados.
   Após atendimento de emergência, Milton Garcia foi transferido para um partamento standart, que o plano oferece, e de lá não consegue mais sair. Embora se sinta em condições de alta, Milton acabou refém do próprio Plano de Saúde da entidade que preside.
   A cada reclamação para as enfermeiras, recebe mais uma dose de calmante e mais uma diária de hotelaria.
   O médico que deve dar a alta, bem...esse a qualquer hora deve aparecer. Milton, em telefonema irado a um amigo, declarou que atendimento daqui para a frente somente pelo Sistema Único de Saúde, o famigerado SUS.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Crônica do Pânico Generalizado

Em terra, mar e ar - um pânico generalizado contra a retórica terrorista
 dos agentes do Estado...

   Por Eduardo Guerini
   Em retiro obsequioso no seu bunker, montado
 especialmente para nova onda de ataques 
retóricos dos terroristas de plantão.

   Nas últimas semanas em Santa Catarina, a notícia divulgada com exaustão por todos os meios midiáticos foi a transformação de regiões catarinenses em infernais territórios para qualquer mortal sobreviver. E como mortal compreenda-se todo e qualquer cidadão que necessita de um aparato mínimo de serviços essenciais que são ofertados pelo Estado, ou por empresas concessionárias que prestam tal atividade.
   Nossos comportados cidadãos (que muitos dividem em partes - do bem e do mal), irmanados de armada coragem para poder satisfazer minimamente suas necessidades sociais coletivas-saúde, educação e segurança pública, vociferavam por todos os cantos , contra o caos e desordem, prenúncio de uma ausência de autoridade e controle pelos gestores que não enfrentam a caótica situação estadual.   No limiar do inferno cotidiano a que fomos submetidos por gestores do colarinho branco omissos e silentes, dado que a transparência nos seus atos é contraditada pela realidade dos fatos torturantes dos sentenciados sob tutela estatal. Os pesares, as vingativas ansiedades, as pálidas enfermidades, a melancólica velhice, o medo e a fome induzem ao crime generalizado. Fomos tomados pelo pânico entre notícias e imagens incendiárias.   Para o Governador, com seu secretariado politicamente dissonante, os três problemas fundamentais que deitam fogo pela boca e narinas dos catarinenses são como Cérbero - o cão de três cabeças no portal do nosso inferno atual, nos deixa entrar, mas nunca  poderemos sair. Eis que nosso caótico sistema estatal está ferido de morte pela motivada intervenção contra o universo de Hades - cidadãos que habitam as trevas do sistema penitenciário, daí nosso pânico em tratar o tema, usando de inúmeros eufemismos.   Tal como o paço de julgamento de Radamanto, desvendar os crimes cometidos em vida, que os criminosos pensam esconder em vão, não tem sido muito fácil para nossas titubeantes autoridades. A ausência de um plano de governo coerente que ultrapasse a fantasiosa propaganda do “Pacto por Santa Catarina”, nas áreas de Saúde, Educação e
Segurança Pública, sem contar com a desastrada “gestão de pessoas” no funcionalismo público, produzem efeitos perversos com impactos imediatos na sociedade catarinense.
   Na segurança pública, a recente onda de atentados - resultantes de uma série infindável de desvios, desmandos e descontrole na execução de uma política de encarceramento nos limites legais, demonstrado pelas seguidas imagens de maus-tratos, incúria e improbidade na gestão, configurariam para o atento legislador, o perspicaz magistrado, o zeloso auditor, um processo imediato de impedimento/afastamento do gestor/secretário/servidor.   Os ataques promovidos pelo grupo colaborativo do PGC, irmandade dos desvalidos do sistema, essa fraternidade dos sentenciados que promove a assistência ao detento e sua família, tarefa que deveria ser responsabilidade do Estado, são consequência e não causa do pânico generalizado a que fomos submetidos cruelmente pelo governo catarinense. Na falta de um bode expiatório para tal crise, chamem um sindicalista de plantão, ou alguma categoria submetida ao terror cotidiano, grite alto - todos são terroristas!!!   O segredo para o convívio na relação de poder desigual é a resignação do “fraco” frente ao “forte”. A disciplina é o método do sistema correcional que utiliza a punição, meio pelo qual se impõe a “ordem”, revelada como busca de sujeição humana a um padrão de valores, ou seja, a uma cultura predominante. É uma maneira de excluir, de confinar ou de isolar o novo, o diferente, o transformador, enfim, “o castigo doma o homem, mas não o melhora”,como aponta NIETZSCHE.
   A chegada da Força Nacional de Segurança nas terras catarinenses, festejada pelos amedrontados cidadãos e mídia provinciana, traduz nossa mítica concepção de solução mágica para problemas estruturais de uma sociedade tão desigual, marginalizadora de um estrato populacional que se submete ao terror dos agentes do Estado. Neste contexto, todos nos somos cúmplices de uma barbárie social que se alastra por todas as regiões catarinenses, e, por extensão, pelo Brasil.   A estigmatização social por estereótipos desviantes potencializa a subtração de cidadania, o rompimento do Estado de Direito. Como todos nós procuramos uma pequena medida de paz, admitimos desesperadamente a implantação de um “Estado de Exceção”, com ações aterrorizantes produzidas na fantástica operação, intitulada com o sugestivo nome - “Salve Geral”.   No caminho infernal da violenta desgraça mundana, no subterrâneo reino de Hades, depois de purgar todas as impurezas da terra, somos devolvidos à vida tranquila, dotados de novos corpos, com a lembrança devidamente apagada para os principais problemas que ocasionaram tal onda de insegurança coletiva - a violência generalizada contra a população provocada pela ausência de políticas sociais nas áreas de educação, saúde e segurança pública.   Na transmigração de um Estado Social, corrompido pela lógica pragmática e oportunista de lideranças políticas que se perpetuam no poder, seja pela direita, pelo centro ou à esquerda, impulsionadas pelo cerceamento das garantias individuais e coletivas, por terra, mar e ar, chegamos à corrupção fatal, um regime de exceção como regra institucionalizada, reforçado pelo terrorismo dos agentes do Estado.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

AFETO


Por Emanuel Medeiros Vieira

"Se não for pela poesia, como crer na eternidade?”
(Alphonsus de Guimaraens Filho)

Sobra este afeto
(a muralha que me resta).

Sim, é este patrimônio que me cabe-
sem valor contábil,
o que amo,
contra o ruído, o mal e a bofetada.

Tribo perdida,
só queremos saber de nós mesmos.

Minha verdadeira cidadela é o território dos afetos.
transformado estou: no guerreiro que não me
imaginava mais, exaurido: ainda assim combatente.

Restaurado o menino que viu a regata:
é esta matéria mnemônica que tento re-fundar aqui,
papel em branco, nova manhã.

O latim do colégio ensinava que “recordar” vem de:
“recordis”:
tornar a passar pelo coração.
(A poesia perpetuará esta fugaz manhã, despistando a
morte?),
vem, menino, sossega o coração na manhã azul,
me legitima na palavra escrita,
eterniza o poema para os que vierem depois:
é minha oferenda (o sentido desta peregrinação).

O fim de férias do Milton...

Do Milton Ostetto

As férias acabaram, de volta ao trabalho. Sábado fui dar uma caminhada
 no aterro do Flamengo e continuo achando que é o lugar mais bonito aqui do Rio.



sábado, 16 de fevereiro de 2013

Um pedido ao PGC: Acertem a mira...

   Por Eduardo Guerini

   A semana catarinense nos deixou de prontidão (sic). As notícias da sede do governo estadual, 
apontando para uma crise nas finanças, potencializou uma onda de insatisfações nas principais categorias, a saber : EDUCAÇÃO, SAÚDE E SEGURANÇA PÚBLICA.   E por falar em Segurança Pública, as notícias enviadas pelos sentenciados não são nada alvissareiras.
   Em 2012, na tentativa de “omitir” da população catarinense, a formação de uma rede colaborativa no interior dos sistema penitenciário, com claro de objetivo de se contrapor aos desmandos, a corrupção de uma parcela do sistema, e, principalmente a negação de cumprimento dos direitos fundamentais dos encarcerados, emerge diante de nossos assustado olhar – uma onda de ataques.   Os desmentidos oficiais da organização, são imediatamente confrontados pela realidade de veículos do transporte público em chamas, e, algumas tiros desferidos contra uma classe aviltada e desvalorizada pelos governantes – os policiais. A criação de um “gabinete de crise” pelos comandantes da Segurança Pública catarinense , sucedida por “gabinetes de situação” demonstram eficiência e eficácia débil frente as ações da rede de sentenciados.   Com ordens partindo do interior do sistema penitenciário, a estratégia com todas as limitações produziu um efeito simbólico – a visível crueldade cometida pelo Estado (com aval das principais autoridades) para sentenciados, ou seja, o não cumprimento de princípios elementares do Estado de Direito.   Tomados de espanto e pânico pela segunda edição da tática perfeita, a rede colaborativa do PGC, consegue chamar a atenção da sociedade pelo descaso contra indivíduos punidos pelo sistema penal.   Na gestão da Segurança Pública, nosso sistema de inteligência (!?), sabia dos movimentos, mas não agia, na desastrada tentativa de explicar o indubitável – uma coletiva para demonstrar controle de uma situação diante do silêncio mórbido da Secretária responsável por tal setor.   A resposta tática de montar barreiras, escoltas policiais ao transporte público, área mais afetada na ação da rede coordenada pelo PGC, esbarram na debilitada estrutura humana/funcional e material. Entre uma e outra prisão, alguns tiros disparados por soldados-rasos do subterrâneo social, a população sofre com uma punição indireta – para proteger a propriedade empresarial (não os seus funcionários e usuários), redução de horários e toque de recolher na mobilidade.   O curioso para tal situação, é que por mais bem armadas nossas polícias- militar e civil, na maior parte das ações vemos “comandantes de pelotões dando chutes nos policiais para obriga-los a executar uma lógica impossível”, controlar uma realidade tão cruel com os sentenciados quanto para eles.   A desmotivação pela notícia negativa de reajustes , o estresse por uma condição de vida cada vez mais perversa, a violência de uma sociedade desigual , ausência de uma política social que garanta um sistema de básicos sociais , resultando na segurança pública de todos os cidadãos.   Nessa ópera-bufa da nova onda de atentados, descobrimos porque a geografia mudou, novas denúncias de tortura e desrespeito aos direitos constitucionais para os sentenciados em Joinville(SC).   O alvo tático da estratégia do PGC , a população usuária do transporte público está errado. Se os comandantes da rede colaborativo , reunidos no banho de sol, tiverem um laivo de iluminação, poderiam acertar a sua mira, produzindo o pânico aos nossos gestores e representantes do poder constituído – seja legislativo, executivo ou judiciário.   Diante das reiteradas condutas corrompidas pela falta de ética com a coisa pública, o lema foucaultiano “...não punir menos, mais punir melhor”, teria uma boa dose de aceitação pública. Como nossa covardia nos condiciona as forças superiores, um pedido final aos membros do PGC - acertem a mira, a população já sabe qual o melhor alvo para sua indignação.

... e andando

   Por Marcos Bayer

   O Direito ensina várias coisas, entre elas, que o fato social acontece e depois a legislação o regula. Outra conclusão do Direito é que o criminoso pode estar em qualquer classe social, intelectual e ou moral. Assim, a pedofilia está na Santa Igreja, exímios ladrões subtraem verbas públicas e pobres coitados são presos por furto qualificado. Na comercialização de armas clandestinas e drogas ilícitas, aqui e no mundo, existem conjuntos de teias de interesses e proteções que envolvem gente de todos os naipes.
   Estamos atravessando mais um verão em Santa Catarina e duas peculiaridades chamam nossa atenção. A poluição das praias e o estouro das bombas.   Em relação à poluição dos balneários, a maioria parece cagar e andar. Aliás, cagando e andando é uma expressão popular, provavelmente carioca, para indicar o desleixo em relação à determinada coisa ou fato. Na Ilha, apenas o Santinho, Moçambique, Barra, Galheta, Mole, Gravatá, Joaquina e Campeche, ao leste, estão limpas. Ao sul, o Pântano, Açores e Solidão.   O sistema de esgoto que está sendo implantado no Campeche, se lançado no mar, como projetado, pode vir a ser um problema e não uma solução.
   A Lagoa da Conceição, redenominada Lagay, sem preconceito ou sarcasmo, geme agoniada entre a falta de oxigênio na parte menor e a falta da rede de esgoto em sua totalidade. A existente é sucata cloacal.
   A Prefeitura Municipal de Florianópolis deve anunciar uma dívida de R$ 200 milhões.
   O prefeito alugou 20 ou 40 automóveis populares, brancos, para escoltar os ônibus.
   O governador poderia ter oferecido parte dos carros do executivo, assim como o legislativo e o judiciário. Também o TCE, poderia oferecer alguns carros e com a doação da verba de moradia dos seus sete membros, montar uma escolinha para pobres, futuros conselheiros ou trombadinhas.
   E assim vamos, cagando e andando, e seguindo a canção...

   Sobre as bombas e os presos, duas palavras. Eles evitam machucar a população civil. Mandam descer dos ônibus. Pelas leituras dos jornais, sabe-se que há promessas não cumpridas pelo Estado, violência e maus tratos. Há problemas salariais, também.
   O que vai pela mente de um preso quando ele descobre que uma empresa de planejamento e consultoria do sul, recebe verbas públicas, transfere para um time defutebol e paga a folha dos salários? Ele grita gol ou pensa na sua pena?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A qual instância o vice-deus apresentará sua renúncia?* 

   Por Janer Cristaldo 
 
   O cerco se fecha. A edição do New York Times de hoje revela que várias autoridades do Vaticano, entre elas o então cardeal Joseph Ratzinger, encobriram o abuso sexual de 200 crianças surdas por um religioso de Wisconsin, o padre Lawrence Murphy. Em 1996, Ratzinger não respondeu a duas cartas sobre o caso, enviadas pelo arcebispo de Milwaukee, denunciando os crimes.   A notícia repercutiu na primeira página dos mais importantes jornais da Europa, desde o Suddeutsche Zeitung ao Corriere della Sera, passando pelo Libération,Le Monde e El País. Só não encontrei nada no Osservatore Romano, que dá sua primeira página à uma audiência de Sua Santidade dedicada a São Alberto Magno, à celebração da Anunciação na tradição sírio-ocidental, ao encontro entre Obama e Netanyahu e a um plano de desenvolvimento de um bilhão de dólares na Índia.
   A affaire envolve também o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que em fevereiro deste ano afirmava ser necessário que os padres pedófilos “reconheçam suas culpas, já que das provas pode surgir a renovação interior”. Na época das cartas do arcebispo de Milwaukee, Ratzinger presidia a Congregação para a Doutrina da Fé e Bertone era seu vice. Oito meses depois da denúncia, cardeal Bertoni encarregou os bispos de Wisconsin de instruir um processo canônico secreto que teria podido levar ao afastamento do padre Murphy.
   Bertone, segundo o NYT, encerrou o processo depois que padre Murphy escreveu pessoalmente ao então cardeal Ratzinger que não deveria ser submetido a processo porque estava arrependido e em precárias condições de saúde: “Quero simplesmente viver aquilo que me resta na dignidade de meu sacerdócio”, escreveu o padre, já perto de sua morte, o que ocorreu em 1998.
   Então tá! Se estava arrependido, não precisa levar a frente o processo. Não se tratou exatamente, no caso, de uma ação entre amigos. Mas de uma ação entre cardeais. Vai, meu filho, teus pecados te são perdoados.
   Esta é a segunda denúncia, em menos de uma semana, a apontar diretamente para o sucessor de Pedro. Sábado passado, Elke Hümmeler, na Baviera, citava 120 relatos de abusos feitos desde que um padre foi transferido em 1980 para trabalhar com crianças em Munique, mesmo sendo suspeito de ter cometido abusos na cidade de Essen. A arquidiciose bávara foi presidida entre 1977 e 1982 por quem? Pelo cardeal Joseph Ratzinger. O sacerdote, em vez de ser denunciado à polícia, foi submetido a sessões de terapia, endossadas pelo atual pontífice.
   Quem acoberta dois, acoberta dez, cem ou quantos forem necessários. Não será de espantar que surjam, nos próximos dias ou meses, novas denúncias da cumplicidade criminosa de Sua Santidade.
   Ontem ainda, Bento aceitou a demissão de John Magee, bispo irlandês de 74 anos, secretário de três papas e acusado de encobrir casos de pedofilia na diocese de Cloyne. Em carta pastoral, o papa pediu perdão – mas não punição – pelo acontecido.
   Magee pediu demissão ao vice-Deus. Pergunta que se impõe: a quem pedirá demissão o vice-Deus? Ao Big Boss? 

* Publicado em 25/03/2010 

PS - Bertoni hoje é papabili.

"Vatileaks" teria provocado renúncia do papa

   Do Terra 
    Papa decidiu renunciar após ler relatório sobre "Vatileaks"
   Segundo a revista 'Panorama', renúncia estaria ligada a uma grande "resistência na Cúria" às medidas de transparência almejadas por Joseph Ratzinger

   O papa Bento XVI teria decidido renunciar ao pontificado em 17 de dezembro do ano passado, após receber um novo relatório sobre o escândalo do vazamento de documentos oficiais do Vaticano, conhecido como "Vatileaks", que apontava uma "forte resistência" na Cúria romana em relação às medidas de transparência exigidas por ele.
   A revelação está em um artigo da revista italiana Panorama, que será publicado amanhã mas que teve alguns trechos divulgados nesta quarta-feira. Segundo a revista do grupo Mondadori, propriedade da família Berlusconi, em 17 de dezembro de 2012 Bento XVI recebeu os três cardeais que nomeou para investigar o vazamento de seus documentos pessoais e do Vaticano, que acabaram publicados em um livro de Gianluigi Luzzi e que levaram à prisão do mordomo do Papa, Paolo Gabriele.
   Os membros dessa comissão são os cardeais espanhol Julián Herranz, 82 anos; o italiano Salvatore De Giorgi, 82 anos, e o eslovaco Jozef Tomko, 88 anos, que interrogaram cerca de trinta pessoas do Vaticano sobre o caso.
   Os três apresentaram um amplo relatório com documentação, entrevistas e interrogatórios, que revelaram, de acordo com a revista, uma grande "resistência na Cúria à mudança e muitos obstáculos às ações pedidas pelo papa para promover a transparência".   Segundo a publicação, o Papa ficou "muito impressionado" com os relatórios e só teve forças para contar sobre o conteúdo ao seu irmão, Georg. "Admitiu, talvez pela primeira vez, ter descoberto uma face da Cúria vaticana que jamais tinha imaginado. Antes do Natal começou a pensar seriamente em sua renúncia", afirmou a Panorama no trecho divulgado pela imprensa italiana. Leia mais. Beba na fonte.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Personagens do ONODI*

Do Milton Ostetto



* Tadicional bloco carnavalesco da Praia do Campeche. Sai todo o domingo de carnaval, dando a largada sempre da Igrejinha (Igreja de São Sebastião), e arrastando milhares de foliões pelas ruas do bairro. Tem a característica de apresentar um carnaval original com fantasias e marchinhas tradicionais, além preservar os valores culturais e folclóricos do interior da Ilha.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Morte de Nenêm cancela 24º Surfocos

   Popular surfista Nenêm, morreu esta manhã quando disputava um das baterias do tradiconal campeonato de surf, Surfocos, na Praia do Campeche

   O conhecido surfista Cláudio Faustino, o Nenêm, morreu esta manhã quando disputava uma das baterias do Surfocos, na praia do Campeche.
   Ao verem somente sua prancha na rebentação, os companheiros de bateria começaram a procurá-lo e o encontraram boiando logo em seguida. Nenêm foi socorrido e tirado da água pelo amigo surfista Ramiro Rubim e, depois de várias tentativas de salvamento de seus colegas, Nenêm recebeu ajuda dos socorristas dos bombeiros que chegaram à praia de helicóptero.
   Mesmo com ajuda de um desfribilador para reanimá-lo, Nenêm não resisitu e veio a falecer. Atleta experiente, Nenêm provavelmente foi acometido de um mal súbito enquanto surfava e acabou se afogando.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

De repente, 60


 Por Regina de Castro Pompeu*

   "Tive o privilégio de viver uma época de profundas e rápidas transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às passeatas pelas diretas e impeachment do presidente a um novo país misto de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao bebê de proveta e o pesadelo da AIDS".

   Ao completar sessenta anos, lembrei do filme “De repente 30”, em que a adolescente, em seu aniversário, ansiosa por chegar logo à idade adulta, formula um desejo e se vê repentinamente com trinta anos, sem saber o que aconteceu nesse intervalo.
   Meu sentimento é semelhante ao dela: perplexidade.
   Pergunto a mim mesma: onde foram parar todos esses anos?
   Ainda sou aquela menina assustada que entrou pela primeira vez na escola, aquela filha desesperada pela perda precoce da mãe; ainda sou aquela professorinha ingênua que enfrentou sua primeira turma, aquela virgem sonhadora que entrou na igreja, vestida de branco, para um casamento que durou tão pouco! Ainda sou aquela mãe aflita com a primeira febre do filho que hoje tem mais de trinta anos.
   Acho que é por isso que engordei, para caber tanta gente, é preciso espaço!
   Passei batido pela tal crise dos trinta, pois estava ocupada demais lutando pela sobrevivência.
   Os quarenta foram festejados com um baile, enquanto eu ansiava pela aposentadoria na carreira do magistério, que aconteceu quatro anos depois.
   Os cinquenta me encontraram construindo uma nova vida, numa nova cidade, num novo posto de trabalho.
   Agora, aos sessenta, me pergunto onde está a velhinha que eu esperava ser nesta idade e onde se escondeu a jovem que me olhava do espelho todas as manhãs.
   Tive o privilégio de viver uma época de profundas e rápidas transformações em todas as áreas: de Elvis Presley e Sinatra a Michael Jackson, de Beatles e Rolling Stones a Madonna, de Chico e Caetano a Cazuza e Ana Carolina; dos anos de chumbo da ditadura militar às passeatas pelas diretas e impeachment do presidente a um novo país misto de decepções e esperanças; da invenção da pílula e liberação sexual ao bebê de proveta e o pesadelo da AIDS. Testemunhei a conquista dos cinco títulos mundiais do futebol brasileiro (e alguns vexames históricos).
   Nasci no ano em que a televisão chegou ao Brasil, mas minha família só conseguiu comprar um aparelho usado dez anos depois e, por meio de suas transmissões,vi a chegada do homem à lua, a queda do muro de Berlim e algumas guerras modernas.
   Passei por três reformas ortográficas e tive de aprender a nova linguagem do computador e da internet. Aprendi tanto que foi por meio desta que conheci, aos cinquenta e dois anos, meu companheiro, com quem tenho, desde então, compartilhado as aventuras do viver.
   Não me sinto diferente do que era há alguns anos, continuo tendo sonhos, projetos, faço minhas caminhadas matinais com meu cachorro Kaká, pratico ioga, me alimento e durmo bem (apesar das constantes visitas noturnas ao banheiro), gosto de cinema, música, leio muito, viajo para os lugares que um dia sonhei conhecer.
   Por dois anos não exerci qualquer atividade profissional, mas voltei a orientar trabalhos acadêmicos e a ministrar algumas disciplinas em turmas de pós-graduação, o que me fez rejuvenescer em contato com os alunos, que têm se beneficiado de minha experiência e com quem tenho aprendido muito mais que ensinado.

Leia o artigo completo no blog Os Retratos da Mente.

*Regina de Castro Pompeu, terceira colocada no Prêmios Longevidade Bradesco de Jornalismo, Histórias de Vida, com o texto “De repente, 60”.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Investindo em segurança...

Foto publicada no blog do Edson Varela
 
   A foto é cômica se não fosse triste. 
   Veículo do Instituto Geral de Perícias, de Lages, mostra bem as condições em que a polícia catarinense trabalha. 
   Enquanto a cúpula da segurança continua sob o comando de apadrinhados políticos de Luiz   Henrique da Silveira, o coveiro de Santa Catarina, responsável pelo desmonte da estrutura de segurança do estado (leia-se Ronaldo Benedet), policias de carreira penam com perseguições internas, desmonte da estrutura policial e falta de condições de trabalho. 
   Para onde está indo o dinheiro da segurança?

O Segredo revelado...

   Assim a bandidagem deita e rola mesmo. Enquanto o PGC (Primeiro Grupo Catrinense) articula suas ações em absoluto sigilo, a cúpula da Segurança catarinense, na tentativa de mostrar que está fazendo alguma coisa, revela para a imprensa suas estratégias para combater a onda de terrorismo que apavora Santa Catarina.
   A mesma coisa aconteceu semana passada quando a Secretaria da Fazenda anunciou publicamente que faria uma operação, "surpresa", de fiscalização nos shopping da cidade.

   Piada pronta do Rafael Martini
   Coluna Visor do DC:
  Governo instala unidade secreta contra as facções
   O governo do Estado criou um grupo para concentrar e analisar as informações das ações do crime organizado. É composto por representantes das inteligências da Polícia Civil, PM, Deap, Ministério Público (Gaeco) e da Deic. Os nomes são mantidos em sigilo por questões de segurança. (...)Os locais dos encontros, diários desde a explosão da segunda onda de atentados, são secretos.

   Secreta??????
   É prá sentar num cantinho e chorar...de rir!

João Raimundo, o católico...

   Por Marcos Bayer

   Antes de chefiar o Governo do Estado de Santa Catarina, o produtor rural João Raimundo Colombo construiu uma longa e vitoriosa carreira política. Foi deputado estadual entre 1987 e 1988, deputado federal de 1998 a 2000, senador da República de 2006 a 2010 e prefeito da cidade de Lages em três ocasiões, de 1989 a 1992, e de 2001 a 2006. É o que informa o site oficial do PSD.
   Hoje, na leitura da Mensagem Anual do Governo aos deputados, na ALESC, ele narra experiência recente, vivida em Aiurê, na descida da Serra do Corvo Branco, quando da solenidade de lançamento da estrada que ligará aquela serra até Grão Pará.
   Normélia Kuhnen, filha de Pedro Kuhen, o visionário que liderou a construção da picada que corta até hoje o Corvo Branco, guarda o diário da obra, com os nomes de todos os que participaram. Gente sem conhecimento de engenharia, sem máquinas, porém com a vontade de realizar, independente das dificuldades.
   Emocionado, João Raimundo, começa então a se justificar. Apesar da experiência política e administrativa anunciada pelo PSD, ele diz que o primeiro ano foi para conhecer a máquina de governo. Duas bobagens aglutinadas: Primeiro, o governo era uma continuação dos oito anos de seu antecessor LHS, onde vários membros do então PFL/DEM, depois PSD, participaram da gestão. Segundo, antes ele dizia que os dois primeiros anos foram para conhecer a máquina. Alguém deve ter sugerido a redução para apenas um ano.
   O segundo ano, diz ele, foi para buscar recursos financeiros para poder gastar nas obras públicas. Aqui ele deve ter pensado, mais uma vez, no Pedro Kuhen e feito no seu inconsciente algumas perguntas: Como eles faziam sem dinheiro? Como eles conseguiam o reconhecimento público sem a publicidade enganosa? Como era evitada a corrupção? Que tipo de homem era aquele?
   João Raimundo se esquece de dizer ao povo de Santa Catarina que encontrou fluxo de caixa contínuo, montado pelo advogado paranaense Aldo Hey Neto, o homem dos vibradores de silicone coloridos, adjunto de LHS na montagem do programa de incentivos às importações pelos portos catarinenses. Aldinho, como era conhecido no círculo mais íntimo, foi preso pela Polícia Federal em 2006/Agosto.
   No ano passado a Dilma presidente acabou com as alíquotas diferenciadas nesta matéria, entre os estados membros, e nós perdemos arrecadação. Aí, João Raimundo ficou sem pé nem mão. Foi como perder a mesada de repente. Em contra partida, o governo federal prometeu compensações através de empréstimos. São os tais sete bilhões para 2013/14. Antes tínhamos receita, agora mais dívidas.
   João Raimundo rezou muito, muito mesmo. O que ele poderia ter feito nos dois primeiros anos de governo, e não fez, foi conhecer o sistema educacional, as escolas e os professores. Saber do sistema prisional e falar com os presos.
   Conhecer a situação da agricultura, das dívidas dos nossos agricultores, dos atravessadores que pagam menos do que o mínimo quando não emitem cheques sem fundos, dos agrotóxicos fornecidos pelas empresas de sementes, especialmente as de tomate, da falta de cooperativas e de depósitos frigorificados, das necessidades do pessoal da tecnologia da informação e da “desindustrialização” que vive Santa Catarina.
   João Raimundo continua rezando e comendo bolinhos de chuva no Palácio do Governo. E exatamente aqui, neste ponto, podemos entender a volta do Bira para o governo estadual. O Bira vem para rezar, ajudar a rezar.
   Agora, na reta final, vão gastar os tais sete bilhões, sendo competentes.
   Gastarão um bilhão em publicidade neste biênio, nele incluído a despesa de campanha.
   E se ganharem? Este é o problema maior. Se ganharem, serão mais quatro anos de orações, de lamentações, de inércia. Porque os tais sete bilhões terão sido gastos, o fluxo criado pelo Aldo Hey Neto não voltará e o exemplo de Pedro Kuhen será mais uma figura de retórica utilizada em vão. É bom que os partidos pensem nas alternativas. Será difícil para Santa Catarina aguentar mais quatro anos de João Raimundo.
   Minha sugestão: Montem o João Raimundo num cavalo crioulo, coloquem a foto do Pedro Kuhen sobre o outro cavalo e escrevam na peço publicitária: “A quem madruga Deus ajuda”. 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Tio Bruda e o salve-se quem puder

- Alô, tio Canga!!!!!!

- Oi, tio Bruda, tanto tempo? Por onde tu anda véio?!

- Ué, quem anda desaparecido é tu, tio Canga! Fica aí tomando esse monte de baga americana, ajoja e não liga pra gente! 

- É, tio Bruda, mas já está quase no fim do tratamento!

- Olha, tio Canga, vou te receitá uma coisa loca de boa. Depois de tomar essas modernidade dos gringo aí, pede prá patroa fazê um chá bem forte de carqueja e toma num upa só, tio Canga! Aí tu vai vê o que é bom pra tosse e pro figueiredo! É um santo remédio, é como tirar com a mão!

- Tá bom, tio Bruda, vou seguir o seu conselho. Mas o senhor só consulta ou dá receita também, tio Bruda, ehehehehe!

- Tá rindo é, tio Canga? Até a formiga sabe a erva que corta. A carqueja é boa pra clariá a urina e as idéias, então...te liga, tio Canga!

- Tá bom véio! E as novidades , tio Bruda, eu ando meio por fora mesmo!

- Tio Canga de Deus, nasci em noite de tempestade, mas tô assustado, meio borrado com as notícias que vem aí de serra abaixo. A bandidagem  deu um salve geral de novo e tá deitando e rolando. 

- Pois é, tio Bruda, a situação parece que piorou e as autoridades continuam naquela lenga lenga na televisão.

- Como é que pode, tio Canga? Os melianti enjaulados tão com a boca mais aberta que burro que comeu urtiga, de tanto falar no telefone e dar salve geral! Olha só, essa tal de Ada de Lucca, do Luiz Henrique, que tem que cuidar das jaulas, aparece na televisão e não diz nada com nada. Parece que tava gripada. Pegou uma gripe nos Estados Unidos, por onde andava passeando. Essa tá sempre viajando quando acontece essas coisas!

- Mas tio Bruda, não tem ninguém com competência para resolver o problema dessa violência ?

- Isso aí não tem jeito, tio Canga! É a herança maldita do Luiz Henrique. Colocou o Benedetti a brincar de xerife, destruiu o sistema de segurança e agora nesse governo, continua com a mesma corja nos postos chaves da polícia.

- Mas então qual é a solução, véio?

- Tio Canga, vou te dizê uma coisa: em tempo de guerra mocotó é picanha! Diz pro Raimundo e prá Ada, que prá lidar com essa gente não pode ser na palavra; só ponta de faca e bala é que resolve! Só capando o touro que se consegue boi manso, tio Canga! 

- Pois é, tio Bruda, mas e o serviço de inteligência da polícia não sabia que os presos estavam armando essa onda terrorista?

- Tio Canga do céu! Essa gente do governo tá mais perdida que surdo em bingo. Eu li lá tablóidezinho do Moacir Pereira, gosto muito dele, que os polícia secreta deram um Salve Geral prá secretaria de segurança, pro comando da PM, prá diretoria da polícia civil, pro tribunal de justiça e pro ministério público. Só não avisaram o governador! Pode isso!

- Tio Canga, eles tão igual aquela parte da famosa poesia o Jayme Caetano Braun, o Bochincho, que diz assim:

E a coisa ia indo assim,
Balanceei a situação,
Já quase sem munição,
Todos atirando em mim.
Qual ia ser o meu fim,
Me dei conta (de repente)
Não vou ficar pra semente,
Mas gosto de andar no mundo,
Me esperavam na do fundo,
Saí na Porta da frente...

- O governo tava esperando a ação criminosa para o dia 3 de março, aniversário da tal de faquição catarinense, e eles se adiantaram e apareceram no final de janeiro, tio Canga! Foram tudo pego de calça curta! Essa é a competência dos home da segurança que o Raimundo herdou do Luiz Henrique da Silveira. 

- Pois é, tio Bruda, o Luiz Henrique e o Benedet passaram oito anos negando a existência do PGC (Primeiro Grupo Catarinense) e agora sabem até a data de fundação.

- Tio Canga, será que o Luiz Henrique tem a cópia da ata de fundação? Quem é lerdo não come pirão, tio Canga!

- Vou te pedir um favor,Tio Canga. Tu que anda de comes e bebes lá pelo palácio, diz pro Colombo que, ou ele toma as rédeas da situação ou o gov erno vai virar a casa do Tio Gonzalo: onde a galinha manda mais que o galo!


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A MULHER E O PEREGRINO


Por Emanuel Medeiros Vieira

Apenas peregrino/pulsante,
“é vermelha, cor do sangue” – ela diz,
jogando a calcinha no tapete,
contemplo o matagal
sal da vida
úmido
pêlos encrespados,
teus gemidos cortam a tarde, como um túnel,
meu dedo em romaria no teu útero
matriz de tudo
“mater” minha
cachorro late ao longe, ronco de um caminhão,
o tempo zomba de nós,
lambes – lúbrica – a língua,
viva!, a Portuguesa, e esta que me arrepia agora.
Bússola afetiva: decifro (?) o mapa do teu corpo
(vacina de infância),
minha sina, minha mina,
estupidamente comovido,
cumpro a jornada – esta vida.

Fatigado e celebrante,
vivo a vertigem – passageira.
Lembro do poeta:
“Nós que devemos morrer, exigimos um
Milagre”. (W. H. Auden)
Grito “primal” pós-coito,
cheiros que se contaminam – perfume paraguaio,
esperma, suor,
ah, vida, urina, outros odores.
Contemplo tuas axilas raspadas,
teus olhos tão negros que parecem um bisturi
afetivo – eles tudo enxergam,
palavras não ditas – fêmea que não se revela.

Sim: como Rosa disse,
amar não é verbo, mas luz lembrada.

Quem és tu?
Quem sou eu?
Quem somos nós?
Nunca saberemos.
Analfabetos das emoções: para sempre.

Uma sinfonia neste anoitecer,
quase sempre silenciosa.
Serenados estamos.

Mordes uma maçã, o livro entreaberto entre as
coxas, lês: “Se Deus morreu tudo é permitido.”
Corpos entrelaçados, estamos tão perto Dele.
Dure, energia!, imploro.
Ajoelho-me e oro.
Lambo tua umidade, um gosto de sal (mar da
infância), ris de olhos fechados, longas pernas,
cabelo oxigenado,
tão sincera/tão simulacro,

és bela-bela,
amorável mulher,
Deus desaparece, depois reaparece,
saciados, molhados, mortais,
vulcânica posse, abro mais esta fenda,
puxo os teus cabelos, com rudeza e doçura
(sim, sempre ambivalente),
um fio branco cai no meu peito, passamos,
envelhecemos, e vamos todos morrer.
Extenuado, indago com Freud: “Afinal, o que
querem as mulheres?”
Suplicante, gemes mais baixinho,
subalterna, ficas de quatro,
respondes: “O mesmo que os homens.”

Calcinha no ombro, cor de sangue, lépida –
garça vespertina –,
vais ao banheiro, olhos fechados, tudo é noite.
Já posso partir, e a memória do teu corpo
me inunda.

E direi: “Vivi como um peregrino e, mais tarde,
um surpreendente e definitivo passo darei ao
morrer.”

(Palavras escritas no mármore branco da minha
peregrinação.)

A volta do Bira...

William Ear Long, 
de Miami, especial para o Cangablog

Quem imaginava que o governo Raimundo Colombo estava morto e acabado, enganou-se. Aqui em Miami, na University for Mary, o professor Bira dá os últimos retoques no Grande Plano do Pacto de SC para o final da administração. São sete bilhões para a modernização da vida catarinense. As idéias serão submetidas aos 40 deputados estaduais.

Principais idéias:
1. Dois túneis ligando a Ilha ao Continente, um ao norte outro ao sul, ambos revestidos de nióbio, elemento químico que ajuda na despoluição.

2. A introdução na avicultura estadual da Gavina, uma mistura de galinha com corvina, com carne na base de ômega 3. As corvinas serão levadas para a zona de produção no oeste. Lá cruzarão com as galinhas. Para a exportação, serão denominadas Chickenvina.

3. The Point of Coral Gambling Center. Um grande ponto de encontro para jogos de cartas, dominó e general para quem não tem dado em casa.

4. A reindustrialização da economia estadual, através da aplicação de "chips" em todos os operários, cujo resultado será a produção normal e outra virtual, via tablets, que vai direto para a China, com um tipo de dumping concebido na Coxilha Rica, recentemente.


5. O Plano Teacher in Class que prevê o pagamento de salários aos professores, na base de R$ 5 mil reais, metade do que ganha sua filha na Assembléia Legislativa, em cargo comissionado criado quando de sua outra passagem pelo governo.

   No campo político, Bira será o "mentor", aquele que mentaliza as coisas, da candidatura de Colombo ao senado e de Paulinho Bornhausen ao governo. 
   
   Ou, se tudo der certo, o inverso.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Aceitar como?

   Por Armando José d’Acampora*
   Complicado, e cada vez mais, fica entender a política nacional.
   Mais simples se torna entender os desvarios políticos, quando se percebe que a Lei que é mais utilizada nos meios políticos brasileiros é a Lei do Gerson, aquela de levar vantagem sempre.   Chama a atenção a falta de bom senso, sem que haja necessidade de nenhuma outra alternativa legal. Bastaria bom senso, aquilo que a natureza distribuiu de forma equânime, mas e infelizmente, poucos são aqueles que se utilizam desta dádiva natural.   Infelizmente, isto não é uma prerrogativa dos políticos, ter um pouquinho de bom senso.   Hoje foi eleito para a Presidência do Senado, um cidadão que, para não ser cassado por estar envolvido em várias maracutaias, renunciou.   Ontem tínhamos um condenado pela mais alta corte do país, assumindo uma vaga de deputado federal.   Sem pensar que temos um monte de políticos exercendo o seu mandato, e já condenados por ações impróprias para um cidadão comum, imagine para um representante do povo que o elegeu.   E querem que o povo acredite na política e nos políticos?
   E ainda por cima acham que se deve acreditar nos partidos políticos?
   Lamento, mas nem com reza braba. Não dá. Simplesmente é impossível.
   Primeiro por que não há nenhuma ideologia partidária, pois os camaradas trocam de partido político como eu troco de camisa, todos os dias, e se fizer muito calor, umas duas vezes ao dia, após um banho e isso é uma coisa que eu acho que os políticos não fazem, tomar banho.   Se fizessem, quem sabe as impurezas conseguiriam sair pelo ralo, se é que o banheiro deles tem ralo, pois é bem capaz que não tenham ralo para que próprio político, o usuário, não se possa esvair por ali, pelo ralo.   Mas dai vem o outro lado da moeda. Que povo é esse que elege um sujeito que renunciou por estar envolvido em coisas não legais?   Deve ser um povo vassalo, que não se insurge contra nada, que aceita tudo o que vier, pois esse é o seu papel: aceitar o que vem.   Absurdo um povo que não tem identidade própria, que aceita tudo e todos.

   Mas como já antes disseram, cada povo tem o governo que merece.

* Médico, Cirurgião, Professor Universitário

sábado, 2 de fevereiro de 2013

BSB – FLN

Aeroporto de Brasíla
    Por Marcos Bayer
    A eleição do senador Renan Calheiros para a presidência do Senado federal, com 56 votos, entre 81 mostra a decomposição da política nacional em seus últimos estágios.
    Renan Calheiros, outrora homem de Fernando Collor, agora homem de José Sarney, hoje tem o apoio do PMDB e do PT, inclusive da grande líder Ideli Salvatti, a madrinha dos pobres professores catarinenses.    Renan não tem qualidade moral para dirigir um diretório municipal, mas presidirá o Senado, instituição simbólica na História do Ocidente, casa mater da política romana.    Aqui em Santa Catarina, outro fenômeno, a unanimidade na Assembleia Legislativa. Um “acordão” entre 39 deputados estaduais elege Joares Ponticelli. Ele declara que pretende ser pró-ativo. Uma declaração difícil, pois confessa e ou declara uma intenção, admitindo que é neutro ou passivo. Sabe que não poderá governar como passivo ou neutro, visto quea política exige mais posições.
   Brava a posição do deputado Sargento Soares do PDT, o único parlamentar a denunciar a “pajelança” apresentando sua candidatura ao cargo.   Ponticelli deverá governar com o coração. Já declarou a necessidade de esquecimento das tais aposentadorias suspeitas e que dão um colorido especial a augusta casa, onde cegos veem, coxos pulam e cardiopatas praticam maratonas.   Estas duas eleições, em Brasília e Florianópolis, mostram o engodo em que se transformou a política brasileira. Uma atividade que deveria ser reguladora da vida em sociedade, agora transformada em negociatas de todas as espécies, sob a farsa de uma jovem democracia onde a maioria dos detentores de poder faz dois discursos: um formal para fora e um de escárnio para dentro.   Este é o Brasil de 2013. Esta é a Santa Catarina da união das forças partidárias em favor do povo. Um povo criativo, trabalhador e alegre, mas com cara de otário.

Queime Florianópolis, queime...

Foto de Cristiano Estrela
      
   Por Jerônimo Rubim

   Mais do que falta de respeito, foi falta de humanidade fechar o TICEN em plena sexta-feira, início oficial do carnaval. Nos adesivos dentro dos veículos lê-se coisas como "não suje ou risque os ônibus, cuide do que é seu". Mas quando essa "propriedade coletiva" sofre o risco de pegar fogo é que vemos a verdade. O transporte não é público, é privado e não serve ao público com seus preços abusivos, greves frequentes e desconforto. E agora mais essa, fecham quando querem, "hoje simplesmente não vamos funcionar, não perderemos mais ônibus". Como se isso fosse uma opção. E o povo, embriagado de trabalho e álcool (porque merece festar), está sempre à mercê de decisões completamente desconectadas do bem comum.

   Esse ridículo toque de recolher só reforça a percepção de que estamos em perigo, de que estamos sofrendo um ataque organizado. Deus, é uma guerra civil! Os idiotas já começam a clamar por mais polícia, subam os morros, instituam a pena de morte.

   No país das dicotomias paralisantes, que desconversa consigo mesmo, não podemos mais beber uma gota de álcool e dirigir, mas tampouco podemos pegar um ônibus depois do Berbigão do Boca. É uma armadilha social, que nos encurrala para dentro das nossas casas de muros altos e grades nas janelas. Em "Django", último filme de Tarantino, um latifundiário escravista, cruel, pensa alto em um jantar: "Nunca entendi porque os negros não se revoltam e matam a nós todos. Eles são tantos, mas tão subservientes..."

   Queime, Florianópolis, queime.