terça-feira, 19 de janeiro de 2016

As tais viroses de verão em Florianópolis

    Por Armando José d’Acampora *

    É muito interessante fazer crer a população que a simples idéia da constatação de um índice de coliformes fecais ligeiramente acima do considerado normal nas praias de água salgada é causadora de diarréia e outros sintomas desagradáveis.

A pele é uma grande barreira de proteção, e ao que me consta, bactéria como a Escherichia coli, ainda não gerou o número de mutações suficientes para conseguir artefatos especiais e ultrapassar a pele intacta, esta barreira natural dos humanos. Há que haver uma porta de entrada, ou seja, uma descontinuidade da pele, da barreira, enfim um ferimento que pode ser microscópico ou visto a olho nu.

Se houvesse uma epidemia de infecção urinária nos veranistas da cidade, justificada pelo contato direto da uretra tanto masculina quanto feminina com um alto índice de coliformes fecais na água do mar, eu concordaria que os coliformes seriam os culpados. Mas não é o que ocorre.

Em qualquer córrego, riacho ou corredor com maior volume de água  que desagua no mar, há produtos da degradação orgânica das margens, dos vegetais e animais que morrem afogados ou dos próprios habitantes do riacho cuja vida acaba. A putrefação dos vegetais e animais, enfim  causa mal cheiro que é facilmente percebido por quem está próximo ao riacho. Ainda temos que considerar a extensão do corredor de água, pois com as chuvas, há corrosão das margens com vegetação e tudo isso, desde a nascente, vai rio abaixo, até o mar.

Na infância era proibido, pela minha mãe, de tomar banho de mar próximo a emergência destes afluentes, pluviais ou não, que chegavam ao mar.

Quem como eu, trabalhou anos em pronto atendimento, sabe que janeiro de todos os anos, às vezes até o carnaval, é a época da diarréia em Florianópolis. É uma conjunção bastante antiga: comemorações exaustivas do final de ano, sol, praia, comilança e cachaçada. Alguém se habilita a me comprovar que excesso de comida e de bebida não causam diarréias?

A pessoa se empanturra de mariscos, ostras, berbigão, peixes os mais variados, preparados da mais diferentes formas, com todos os tipos de molhos como acompanhamento, um monte de cerveja e muito outros líquidos alcoólicos e não quer que o seu tubo digestivo se revolte desacostumado com tanto livre arbítrio?

Ainda existem as frituras, altamente saborosas e degustadas aos quilos, cujo óleo deveria ser trocado sistematicamente, mas não é o que ocorre. Ao final de uma semana de utilização, esse óleo vegetal que deveria ser transparente, está tão escuro que mais se assemelha ao óleo diesel.

Isso sem contar que uma grande maioria dos que para aqui chegam para curtir o nosso maravilhoso verão, não dispõe desta variedade de frutos do mar no seu local de origem, e além de comer muito mais do que o habitual, ingerem alimentos aos quais não estão nada habituados. O organismo, esta máquina de fenomenal funcionamento, responde a altura, expulsando tudo aquilo que não conhece.

Não há barreira das mucosas do tubo digestivo que aguente, muito menos uma quantidade de bile nem enzima pancreática produzidas de forma suficiente para degradar toda esta gordura e toda esta proteína, consumida de maneira voraz e sem nenhuma prudência.

Por fim, o que mais acontece nessa época é o que, genericamente se denomina de intoxicação alimentar.

* Médico, Cirurgião, Professor Universitário

Desaba andaime de prédio em Blumenau

   Eram 13:20h desta terça-feira (19), quando os moradores da Avenida Brasil, no Bairro Ponta Aguda, em Blumenau, foram sobressaltados por um ruído gigantesco de desmoronamento.
   A grande nuvem de poeira que subiu na altura do número 205, próximo ao tradicional restaurante Moinho do Vale, denunciou um grave desmoronamento de uma pesada estrutura de um prédio em construção.
   O andaime - bandeja de proteção - que caiu causando danos à estrutura inferior foi a do 28º andar do prédio que tem cerca de 35 andares.
   Pelo altura da obra, a população de Blumenau aguarda ansiosa o pronunciamento oficial da construtora sobre se a cobertura terá vista para o mar.

sábado, 16 de janeiro de 2016

MPSC: laudos precisos para combater poluidores de Florianópolis

    Em reunião realizada nesta sexta-feira (15/01), o Promotor de Justiça Mário Waltrick do Amarante, titular da 32ª Promotoria de Justiça da Capital, cobrou dos órgãos fiscalizadores e de gestão do sistema de saneamento básico em Florianópolis medidas efetivas para coibir os agentes poluidores e também laudos embasados tecnicamente para que o Ministério Público possa tomar as medidas jurídicas cabíveis contra os responsáveis pela poluição.

   O Promotor de Justiça, que atua na área do meio ambiente na região norte da Ilha, promoveu a reunião a fim de embasar o inquérito civil instaurado para apurar as responsabilidades pela poluição hídrica causada no balneário de Canasvieiras através do rio do Brás, pertencente à bacia hidrográfica de Ratones, em Florianópolis, nos últimos dias de 2015.

   Após ouvir os relatos de representantes da FATMA, da CASAN, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, da Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (ARESC) sobre a situação do saneamento básico na Capital catarinense e as medidas adotadas pera conter a poluição no Norte da Ilha, o Promotor de Justiça cobrou dos órgãos ações efetivas para identificar as origens da poluição.

   "Este é um problema que se arrasta há muitos anos, mas não adianta apenas mostrar que o rio está poluído, temos que identificar e punir quem está contaminando a água", ressaltou Amarante. Entre as causas da poluição apontadas pelos órgãos envolvidos estão ligações clandestinas e a falha ocorrida na estação elevatória em Canasvieiras no final do ano passado.

   O Promotor de Justiça ressaltou, no entanto, que para o Ministério Público tomar as providencias judiciais cíveis e criminais possíveis, necessita de laudos completos, com embasamento técnico e sem informações vagas. "A legislação exige que se comprove a potencialidade do dano para que se possa punir os culpados pelos crimes ambientais", explicou.

   Amarante ressaltou, ainda, que apesar de todos os órgãos afirmarem que cumprem com suas obrigações legais, não existe sintonia entre eles. "Precisam trabalhar juntos e de forma integrada em prol do bem comum", completou. A reunião foi acompanhada, também, pelo promotor de Justiça Paulo Antonio Locatelli, Coordenador do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPSC.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

8 milhões de Coliformes na Temporada Turística Catarinense

Por Eduardo Guerini

Recolhendo amostras de água das praias
catarinenses para realizar contagem das
bactérias Escherichia coli e Enterococcus
faecalis, definindo qual o padrão ideal para
banhos e outras traquinagens na orla catarinense.
      
   Na última semana, a província catarinense foi surpreendida pelas denúncias de poluição total na praia de Canasvieiras, localizada no parte insular norte da Capital do Estado. O decantado pedacinho de terra perdido no mar, tal como o Poeta Zininho versou no seu Rancho de Amor à Ilha, foi esquecido pelos seus habitantes e gestores - principalmente nas últimas três décadas.

   O resultado de crescimento desordenado e acelerado, falta de planejamento urbano, especulação imobiliária e prática de um turismo predatório, trouxe seus impactos socioambientais na Ilha da Magia. Os inúmeros trabalhos que dormitam nas diversas faculdades e universidades da capital catarinense, as diversas reportagens e denúncias de algumas lideranças políticas e comunitárias não conseguiram vencer o monopólio da mídia provinciana e colonizada que desejou fazer da Ilha de Nossa Senhora do Desterro a ”Beverly Hills” da América do Sul.

   As inúmeras tentativas orquestradas por redes de colunistas que noticiavam a chegada de endinheirados e famosos em festas VIP, nas bucólicas e paradisíacas areias do litoral catarinense, decantando a densidade de “mulheres” com beleza sem par, e, desejosas por receber os turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. O objetivo era tornar a provinciana Capital em cidade cosmopolita nos moldes de outros recantos turísticos, fomentando a “indústria sem chaminés”.

   No tom ufanista de nossos colunistas provincianos e jornalistas da mídia monopólica, o regurgito da expectativa lançada em tom panfletário pelo Secretário de Turismo de Santa Catarina foi transformado em “mantra” e verdade categórica, sem qualquer lastro estatístico ou fonte de dados, teríamos uma invasão de 8.000.000 (oito milhões de turistas). O otimismo desenfreado não se confirmou em virtude da crise econômica, ainda que, no final de 2015 e primeira quinzena de 2016, o volume de turistas brasileiros e “hermanos” , principalmente – argentinos, seja superior a temporada anterior . Nada é comparável às manchetes bombásticas dos jornais e telejornais. A super temporada de veraneio naufragou num mar de “coliformes fecais” e problemas estruturais da província catarinense nos seus vários recantos turísticos.

   Para os desavisados, os inúmeros relatos de falta de balneabilidade de nossas praias, data do início da década de 1980, quando toda parte continental e beira mar norte já estava comprometida por falta de saneamento. Na década de 1990 e períodos sucessivos, o problema somente se agravou.  Os relatórios sobre balneabilidade do litoral eram sofríveis, e, as políticas de saneamento básico somente foram adotadas no início deste século XXI.

   As irregularidades no atendimento de padrões de qualidade nas ETEs – Estações de Tratamento de Esgoto sob controle da CASAN em Florianópolis, são apontadas nos relatórios do TCE/SC, destacados na imprensa local desde 2005. Portanto, não causa nenhuma estranheza ou espanto para o habitante, veranista e turista, que vivemos um paradoxo na “indústria do turismo ilhéu”. Esperando a chegado de 8.000.000 (oito milhões) de turistas na fantasia gerada pelos gestores atuais, acabamos descobrindo que temos um população superior de Escherichia coli e Enterococcus faecalis.

   Se nossas autoridades queriam tratar os turistas como reis e rainhas, conseguiram fazer pela via inversa, nunca se viu uma correria tão grande para o “trono”. Na falta de alternativas, as soluções emergenciais e criação de um “comitê de crise” são o engodo maior do que as línguas de esgoto lançadas nas praias catarinenses.

   Finalmente, a catástrofe anunciada e o estrago feito, o que nossa mídia e gestores trataram de veicular? Uma visão parcial e otimista das condições gerais sobre a balneabilidade em Santa Catarina. Em menos de um dia astronômico, secretários e responsáveis, apresentaram ações emergenciais e transformaram locais impróprios em próprios para banho e frequência dos ansiosos turistas. Um legado da gestão do turismo catarinense, na curta e degradante temporada de 2016.

   Essa é famosa província de “casos e ocasos raros”, onde “coliforme fecal se transforma em vil metal”!!!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Tragédia da merda. Por onde anda Gean Loureiro?

Rio do Brás o "vilão" da temporada desaguando na praia de Canasvieiras
   Com toda a crise de balneabilidade acontecendo no norte da Ilha de Santa Catarina, com o desastre ecológico e turístico, um dos mais rentáveis negócios de Florianópolis, a mídia local, nacional e internacional (Canasvieiras: la playa está llena y advierten por la contaminación del mar)
não para de noticiar o caos e a esculhambação, que se instalaram no midiático "paraíso" da Ilha da Magia.
   
   Já era! Tragédia anunciada! 
   
   A ganância, a corrupção, os maus empresários, os ignorantes, os políticos financiados, finalmente venceram.
   Venceram a natureza maravilhosa e pródiga que foi a origem das suas fortunas. A natureza que vendem em comerciais de televisão e jornais atraindo turistas incautos para uma arapuca extorsiva, que depois de depenados sem usufruir o que compraram voltam para suas casa frustrados e com a certeza de que são idiotas.
   "Inteligentes" são os gestores e empresários de Florianópolis. Inteligentes não, ESPERTOS! Malandros, enganadores, mentirosos, destruidores.
   A mídia local é cúmplice desta bandidagem trágica que finalmente se revelou com toda a sua face de merda e doenças nas praias do norte de Ilha de Santa Catarina.
   Quando denuncia, a cada temporada, algum "problema" nas praias, o objetivo nunca é resolver o problema mas apontar o dedo para algum político, pois está a soldo de outro.

   Negócios! Dinheiro! Porque nunca deram os nomes dos poluidores de Canasvieiras, dos Hotéis que poluem, dos restaurantes e das mansões que jogam merda onde se banham? Sempre são denúncias genéricas sem rosto e sem nome.

   Onde anda Gean Loureiro, o ex-presidente da Fundação do Meio Ambiente, órgão ambiental responsável pela preservação dos recursos naturais de Santa Catarina que tem como missão licenciar e fiscalizar qualquer obra que tenha impacto na natureza.



   Hoje deputado estadual, Gean Loureiro é o campeão dos factóides. Usa a mídia como ninguém, é profi! É claro que tudo isso é a base de dinheiro como os múltiplos outdoors que estampavam a sua "lata" em qualquer data comemorativa e que depois viemos a saber que estava "intimamente" ligado à empresa de propaganda envolvida na Operação Ave de Rapina, da Polícia Federal.

  
Líderes comunitários entregaram manifesto ao presidente
da Fatma. Foto: Jessé Giotti / Agência RBS
A
No dia 19 de fevereiro de 2013 o então presidente da Fatma, Gean Loureiro, reuniu uma comitiva e foi até às margens do Rio do Brás, em Canasvieiras, anunciar para moradores e turistas uma “força-tarefa” contra a poluição e ligações clandestinas de esgoto no Norte da Ilha.

   Acompanhados dos vereadores Edinho Lemos e Pedrão Assis, Gean recebeu um manifesto dos moradores, cansado da absoluta inércia da Fatma. Na época, a visita do presidente da Fatma foi destaque na imprensa. O Diário Catarinense registrou:
(…)A degradação do meio ambiente em Canasvieiras é denunciada há anos pelos moradores, principalmente pelo esgoto não tratado, que segundo a comunidade é descartado no rio e vai para o mar. Na oportunidade, foi entregue ao presidente da Fatma, Gean Loureiro, um manifesto sobre a poluição.
  -Estamos todos lutando pela mesma causa
- disse Loureiro.

   O presidente da Fatma, à época, reforça que a operação vai continuar e deve se concentrar nos pontos críticos de Florianópolis: Rio do Brás (Canasvieiras), Rio Capivari (Ingleses) e Lagoa da Conceição. Posteriormente a força-tarefa deve se estender para outros 26 municípios. Ao todo, estão mapeados 195 pontos críticos em todas as regiões. (…)

   Agora, diante do quadro atual, os moradores querem saber onde anda o ex-presidente da Fatma e atual deputado estadual, que por essas e outas é conhecido como o Rei do Factóide. E querem saber, também, para o que afinal serve a Fatma.

   Cobrado pelo jornalista Giba Gonçalves, na época, o então presidente da Fatma foi taxativo na sua missão de resolver o problema...e ainda falou: podes me cobrar!

  
     É tudo uma piada!

Fritando na areia...

Depois das descargas de esgoto no Rio do Braz, Soiza sabe que pode morrer na praia...também.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

BRASIL, PAÍS DO FUTURO

   Por Laercio Duarte

   Muitas pessoas fazem a sombria previsão de que o Brasil do futuro será a Venezuela de hoje. Do ponto de vista político, as mesmas condições estão dadas. O governo Lula-Dilma é sustentado por uma aliança com as camadas mais atrasadas da burguesia nacional, incluindo o velho e tenebroso latifúndio. Basta ver que o próprio Ministério da Agricultura está entregue nas mãos de uma notória desmatadora da Amazônia, como parte do loteamento tipo "porteira fechada" do governo entre seus pares. Há várias semelhanças entre nós. Aquele triste paraíso caribenho é proprietário da maior reserva mundial de petróleo, que, afinal, não serve para nada, pois conseguiram destruir a companhia estatal PDVSA, tal qual o governo brasileiro está fazendo com a PETROBRÁS.   Os militantes violentos que sustentam o regime chavista de Maduro são parecidos com os nossos gorilas da UNE-MST-CUT, etc, que estão prontos a pegar em armas para defender o que dizem ter conquistado, ou seja, sua quota de Poder.

   Mas, o Brasil é muito maior e mais complexo que a Venezuela. A começar pela diversificação de nossa economia. Apesar da política petista ter estagnado a indústria, ela continua sendo a maior dos países latino americanos. Nossa produção de grãos é maior que a soma de todos os demais países latino americanos somados. A mineração é uma das maiores do mundo, mesmo com desastres como o de Mariana. Temos milhões de jovens estudando em universidades, apesar de tudo. Um mercado interno com 200 milhões de potenciais consumidores. E uma elite intelectual brilhante, autônoma e criativa.

   O futuro do Brasil será decidido pelos brasileiros, ainda que a propaganda oficial os engane e os manipule da forma como foi feita nas últimas eleições. Em algum momento chegará a hora da virada, não tenhamos dúvidas disso.

   Uma de nossas vantagens em relação ao regime de Maduro, é que nossas Forças Armadas nunca se dividiram, mesmo nos momentos que cometeram os erros estratégicos mais crassos da história. O Golpe de 1964 foi prova disso. Atiçados pelas "vivandeiras de porta de quartel", segundo a clássica denominação do marechal Castelo Branco, as três armas decidiram em conjunto pelo golpe e unidas permaneceram, até a saída negociada da ditadura militar, a partir de 1980.

   Diferente da Venezuela, onde se prevê cada vez mais a possibilidade real de uma guerra civil interna. As milícias chavistas contariam com apoio militar de uma parte das Forças Armadas venezuelanas, enquanto a outra parte estaria aliada à oposição. É o pior cenário possível. Felizmente, disso estamos livres, por enquanto.

Morre David Bowie

Músico britânico David Bowie morre aos 69 anos
Sua família comunicou que o artista faleceu em sua residência após uma "valente batalha de 18 meses contra o câncer". Músico deixa importante legado na história do rock

   O músico britânico David Bowie, autor de clássicos como Starman e Space Oddity, morreu aos 69 anos de câncer, informa nesta segunda-feira sua página do Facebook. De acordo com a mensagem, o artista, que popularizou o "glam rock" nos anos 70 e 80, morreu nesta segunda-feira "serenamente, rodeado de sua família, após uma valente batalha de 18 meses contra o câncer". A nota também pede "respeito à privacidade da família durante o luto". Seu filho, o cineasta Duncan Jones, confirmou a notícia na rede social. "Lamento muito dizer que é verdade. Estarei desligado por um tempo. Muito amor para todos", escreveu. 

   Leia matéria completa. Beba na fonte.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Domingo chuvoso de galetos e jabuticabas



   Acordei com o barulho da chuva no parapeito da janela do quarto. Era fina e tão serena que permitia que ouvisse o ronco forte das ondas na praia, aqui nos fundos de casa.
   A noite foi um pouco longa. Quase me senti como se "estivesse de ontem", mas acordei bem. O projeto de correr na praia ficou para amanhã, quem sabe, se não chover. 
  Plantei os dois pés no chão do quarto, fiquei ereto e esperei a inteligência corporal tomar consciência de estar verticalmente posicionado na terra.
   Pronto. Arrastei a carcaça em direção ao banheiro para lavar o rosto e tirar o "bocal", cumprindo a liturgia matinal da minha vida. Não sei o que me desviou da rotina e acabei na sacada lateral onde um chuvisco molhava uma Primavera enorme que esse ano floriu de violeta todo este lado da casa.
   Fui engolido e incorporado pelo ambiente úmido, refrescante, canto de passarinhos e cheiro de mato verde temperado por uma leve brisa de salitre. Me senti bem...hummm, me sinto esta manhã!
   É comum que reclame de um dia chuvoso, ainda mais domingo! Assim como me desviei da rota condicionada do banheiro acabei sentindo prazer neste começo de domingo chuvoso. As coisas mudam, tudo muda, depende apenas de estarmos abertos para isso. 
   O mundo é mental!
   Tomando um café preto bem quente já pensei no almoço que para mim, nos finais de semana, é sempre um evento familiar.
   Me veio a imagem de uma Baía com árvores en la orilla del mar, e cravei: Galeto ao Primo Canto no restaurante da Mamma ali na frente da praia do Bom Abrigo!
   O programa estava feito. Convidar a Luisa, minha neta, e rumar para o Continente. De lambuja ainda faço uma gentileza para o meu amigo Vierão, que mora ali perto, e levo algumas jabuticabas que me pediu pelo FaceBook.
   Baita programinha para um Domingo chuvoso...bem chuvoso!


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Denúncia do Cangablog tem resultado positivo

  Passei hoje de manhã pela rua Vitor Meirelles, no Centro Histórico de Florianópolis e constatei, com alegria, que após a denúncia feita pelo Cangablog, Florianópolis: A decadência do Centro Histórico,
alguma instituição pública ou autoridade tomou - finalmente - a decisão de limpar a entrada da Escola Básica Antonieta de Barros que está fechada e totalmente abandonada.
   O imóvel, que fica a poucos metros da Praça XV e da Catedral Metropolitana, estava sendo habitado por um casal de moradores de rua que fizeram até um "gato" em uma caixa de alta tensão e conseguiram energia para uma lâmpada e uma televisão no seu novo lar.
   Ainda não sei quem assumiu a responsabilidade de coibir o roubo de energia, e de remover o casal do local, se a PM, a Celesc, a Prefeitura ou o Governo do Estado. 
   O que imagino é que os próprios moradores do local, após lerem a denúncia no Cangablog, resolveram se retirar ao perceber que haviam radicalizado no "modus operandi" da ocupação. Das intituições públicas é de onde menos se espera uma atitude.

TCE: Ato dos deputados contestado no STF

   Já tem ADIN no STF sobre a matéria de VOSSA EXCELENCIA... o Peru de Natal  
    Foi protocolado no STF a ADIN que denuncia o ato absurdo dos "nobres" deputados estaduais que caparam os poderes dos auditores e procuradores do TCE. 
   O relator é o ministro Marco Aurélio Mello. Raimundo Colombo terá que mudar de ideia. Coisa que aliás, ele faz com frequência.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Tempo bom não volta mais

 Rua das Flores 1975
   Por Laercio Duarte
   Eu gostava de mostrar Curitiba a meus amigos na década de 1970. A Rua das Flores com seu calçadão em pedras brancas, um verdadeiro jardim encantado servindo de modelo para as demais cidades brasileiras. Alta madrugada, circulávamos pelos bares do centro e, sem medo algum, íamos à pé para casa, subindo a Comendador Araújo na direção do Batel.

   Segurança total, não por causa da ditadura militar, como hoje afirmam os intervencionistas, mas, apesar dela. Foi o regime militar que iniciou a transformação do Brasil no inferno que é hoje. A Curitiba de 500 mil habitantes sextuplicou. Os calçadões foram invadidos por moleques drogados e trombadinhas. Ainda outro dia, eu saia de um restaurante e o gerente simplesmente não me deixou ir caminhando para o hotel que estava ali à umas cinco quadras. Obrigou-me a entrar num táxi, para minha segurança e pela preservação do bom nome do seu estabelecimento.

   Tudo começou quando Delfin Neto fez duas afirmações estratégicas: 1) É necessário esperar o bolo crescer, para depois distribuir. 2) É preciso transferir renda da velha agricultura para o agro negócio e para a indústria.

    Não sabemos quem foram os autores intelectuais desse planejamento fatal, mas, sabemos quem são seus atuais beneficiários. Por outro lado, eles não perdem por esperar... Os bandidos que assaltam famílias nas saídas de suas casas e apartamentos, já começaram a atuar nas ruas super protegidas do Lago Norte em Brasília.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Pizzolatti suspeito de contrabando de arma de fogo

      O ex-deputado federal de Santa Catarina (SC), João Pizzolatti, que já foi homem forte do Partido Progressista no Congresso e está enfiado até o pescoço na Operação Lava Jato, volta às páginas nacionais por envolvimento em outros crimes, investigados pela Operação Politeia da Policia Federal.
    Desta vez, Pizzolatti é acusado de porte ilegal de arma de fogo e suspeita de contrabando. Em julho do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Politeia, em uma busca no sítio de Pizzolatti na cidade catarinense de Pomerode, foi encontrada uma pistola Taurus modelo PT-101, calibre.40 e mais carregador e 30 munições.
   Após perícia, a PF concluiu que a arma estava em boas condições de uso mas não tinha registro no Sistema Nacional de Armas. Isso acendeu a luz vermelha dos policiais. Uma rastreada rápida na origem da pistola, na fábrica Taurus, resultou na informação de que a pistola havia sido vendida para uma empresa de Assunção, capital do Paraguai. 
   Como veio parar na mão do ex-deputado é o que a PF deve nos informar dentro de algum tempo. Este blog imagina que nesta operação, possivelmente, foi usado um "executivo de fronteira", ou seja, um contrabandista, que pode vir a ser o próprio Pizzolatti.
   Que coisa, né? Tem cada tipo de elemento neste nosso Congresso Nacional!!!!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Florianópolis: A decadência do Centro Histórico

   Na rua Vitor Meirelles, no centro Histórico de Florianópolis, encontramos esta cena bizarra - para dizer o mínimo - do abandono a que esta relegada esta parte da cidade.


   Um casal de moradores de rua instalou seu "lar" na entrada do abandonado prédio da Escola Básica Antonieta de Barros. Sem nenhuma cerimônia, arrancaram uma caixa de eletricidade de alta tensão do poste do outro lado da rua, fizeram uma ligação clandestina - gato - e atravessaram o fio pelo calçadão até iluminar um dos "cômodos" do novo habitat.



   Tudo isso está ali, ao vivo e a cores para ser apreciado por todos que passeiam pelo Centro Histórico na frente do Museu Vitor Meirelles e ao lado do Museu da Escola Catarinense da UDESC, a cem metros da Praça XV e da Catedral Metropolitana.
   A Escola Antonieta de Barros foi uma das quatro fechadas pelo governo desde 2007. Atendia basicamente crianças dos morro das proximidades do centro da cidade.
  Destinada a ser almoxarifado da Secretaria de Educação, o prédio está depredado, com vidros quebrados, com as paredes pichadas e a sua parte externa virou abrigo de moradores de rua que ali fazem suas necessidades, tomam banho, trocam de roupa e fazem sexo em público.
   Assim  como o abandono dos prédios públicos e históricos no centro, os moradores de rua também não são problemas de ninguém. Nenhuma instituição pública se responsabiliza por eles. 
   Essa parte da cidade, abandonada pela prefeitura e pelo estado, virou um verdadeiro caos. Terra ninguém! 

The Home


Colombo vai de férias, na Europa...


Momento de descontração em Amsterdam
  Por Olívio*
  A imprensa de SC informa que o Raimundo Colombo foi de férias para a Europa, em caráter particular, mas levou um Major da PM junto, como ajudante de ordens. Pode isto, Arnaldo? Diga o TCE...
   Embarcaram os dois, só de mochilas nas costas. Férias são férias...
   Primeira parada em Paris. Moulin Rouge ou Folies Bergere, Crazy Horse e redondezas... Foram, também, ao Museu Rodin... Colombo adora ver “o pensador” e explicar a razão da escultura para o major... Tentaram hospedagem no Hotel de Ville, mas não conseguiram. Erro do major, no agendamento, claro...
   Comendo sempre nos pequenos restaurantes e no Mc Donald’s do Champs Elysees. Procuram um local que servisse um bom “carreteiro”, mas o guia Michelin não informa nada sobre isto em Paris. Paciência...
   De lá, destino Roma, com bilhetes do Europass, segunda classe, claro.
   Na visita ao Papa Francisco, além das bênçãos, várias perguntas feitas pelo Pontífice. Quis saber das cheias recentes e estragos em SC, dos engarrafamentos na Ilha da Magia, da restauração da Ponte Hercílio Luz e das contas no TCE.
   Na saída, além da medalha de Santa Edwiges, perguntou Sua Santidade: E como vai a Ideli Salvatti? Nunca mais apareceu por aqui, ela. Colombo disse que ela está em Washington, na campanha do Trump... O major riu... Mas, não entendeu nada... Sabe como é, né? Não é político...
   De lá foram para Amsterdam. Na Leidseplein, no Café Bull Dog. Depois de um tempo calados, Colombo perguntou ao major: Já tinhas experimentado um?
   E o major só ria... Gargalhava... Férias, né...
   Quando passaram pelo Red District Light, o major assustado disse: Deve ter caído alguma barreira por aqui... Só baldes com luzes vermelhas acesas. Traumas da BR 282, no trecho Florianópolis – Lages.
   Ainda estão em Amsterdam...
   A volta deve ser postergada por mais alguns dias. Pois ainda falta ir ao Museu Van Gogh, passear pelos canais e visitar o Jardim das Tulipas...
Férias... Doces férias...
   Diz que o Bira foi encontrar com eles para falar sobre um possível “impeachment” no Brasil. O Bira mora nos EEUU e entende disto também...
Conselheiro é conselheiro, né?

Texto de: Olívio, o macaco que pensa e escreve.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Soluções nativas

     
   Por Marcos Bayer
   Quem tá se dando bem neste verão, no Campeche, é o Sidnei. Pescador e marido da Rosi, a dona do Quiosque do Badejo, o local que acolhe, entre outros, o pessoal do kite surf aqui na Ilha.
    Ele enche seu bote pela manhã e vai buscar à tarde. Faz o transporte até a maravilhosa Ilha do Campeche. A freguesia tem sido, basicamente, de gringos. E gringos pro Sidnei é qualquer pessoa que não seja do Brasil.
    Então, entre argentinos, europeus e norte-americanos... O Sidnei enche o bolso e a barca.
    Mas, ele tem alguma dificuldade nos idiomas dos gringos...
Então, pra facilitar ele decidiu usar o método dos gregos, adotado pelo Padre Antonio Vieira.

    Ele desenha e escreve na areia da praia: Uma seta aponta pra Ilha do Campeche e marca: 09 horas... E a outra seta aponta de volta pro Quiosque do Badejo e marca: 16 horas.
    E, assim, rindo com a facilidade com que tem se comunicado e com o dinheiro que está ganhando, disse-me a Rosi, a esposa dele:
    - Marcos, o Sidnei já tá até falando inglês neste verão...

A N O S O G N O S I A

   Já faz algum tempo que andava preocupado porque:
1.- Às vezes não me recordo de alguns nomes próprios;

 
2. -Às vezes esqueço onde deixo algumas coisas;

 
3. - Quando tenho que interromper o pensamento numa conversa, sinto dificuldades em continuar no ponto em que fui interrompido;

   Enfim, creio que começava a pensar que tinha um inimigo dentro da minha cabeça, cujo nome começa por Alz...
   Hoje li um artigo que me deixou bem mais tranquilo, por isso passo a transcrever a parte mais interessante :

" Se tu tens consciência dos teus problemas de memória, então é porque ainda não tens problemas"

    Existe um termo médico que se chama ANOSOGNOSIA, que é a situação em que não se recorda temporariamente de alguma coisa. Metade dos acima de 60 anos, apresentam algumas falhas deste tipo, mas é mais um fato relacionado com a idade do que com a doença.

    Queixar-se de falhas de memória, é uma situação muito comum em pessoas com 50 ou mais anos de idade. Se traduz por não recordar um nome próprio, entrar numa divisão da casa e esquecer-se do que ia fazer ou buscar, esquecer o título de um filme , ator , canção, não se lembrar onde deixou os óculos, etc.

   Muitas pessoas preocupam-se, muitas vezes em excesso, por este tipo de esquecimento. Daí uma informação importante :
   Quem tem consciência de ter este tipo de esquecimento, é todo aquele que não tem problema sério de memória. Todos aqueles que padecem de doença de memória, com o inevitável fantasma de Alzheimer, são todos aqueles que não tem registro do que efetivamente se passa.

   B.Dubois, professor de neurologia de CHU Pitié-Salpêtrière, encontrou uma engraçada, mas didática explicação, válida para a maioria dos casos de pessoas que estão preocupadas com seus esquecimentos :
" Quanto mais se queixam dos seus problemas de memória, menos possibilidades têm de sofrer de uma doença de memória".

   Este texto é dedicado a todos os esquecidos que me recordo.
Se esquecerem de compartilha-lo, não se preocupem porque não será Alzheimer... e sim os muitos anos que pesam dentro das suas cabeças.


    Ah! Eu já havia lhe enviado este e-mail?

   Recebi da minha amiga...da minha amiga...Ah! Tá! Da minha amiga Martha Mansinho.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Pizzolatti não pagava ‘taxa de transporte’ da propina

   Por Beatriz Bulla, Fábio Fabrini e Ricardo Brandt
 
   Carlos Alexandre Rocha, o Ceará, revelou que ex-deputado do PP de Santa Catarina, alvo da Lava Jato, ia pessoalmente ao escritório do doleiro Youssef, em São Paulo, para não ter que desembolsar 3% sobre o montante recebido.
   O ex-deputado João Pizzolatti (PP/SC), suposto beneficiário do esquema de propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014, fazia questão de retirar pessoalmente dinheiro em espécie no escritório do doleiro Alberto Youssef, em São Paulo, para não pagar taxa de transporte de valores - 3% sobre o montante embolsado. Na campanha de 2010 foram destinados R$ 5,5 milhões a Pizzolatti. As revelações foram feitas por Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, novo delator da Operação Lava Jato.


   Leia matéria completa no Estadão.

MEMÓRIA HIPPIE

   Esta seção é publicada semanalmente e tem o propósito de resgatar as imagens sonoras da geração que imediatamente sucedeu aos beatniks. Destes, os HIPPIES herdaram o espírito aventureiro "on the road", mas não a raiva existencial que os caracterizava, a revolta contra tudo e contra todos, que resultou numa espécie de louvação ao mundo dos vigaristas, dependentes químicos e pequenos ladrões, onde Ginsberg e Kerouac buscaram inspiração. Os HIPPIES, ao contrário, celebravam a vida de um modo simples e contemplativo, praticando uma socialização primitiva, próxima dos ideais tribais, num estilo de vida nômade e junto da natureza.
   Hoje, falamos mais uma vez de Bod Dylan.

   O VALETE DE COPAS
   Robert Zimmermann foi um garoto pobre, judeu, criado numa aldeia junto à gelada fronteira canadense. Suas perspectivas na vida eram a mesma de um auxiliar de lavação de pratos num restaurante, sua primeira ocupação. Cedo percebeu isso e abandonou a aldeia judaica, para caminhar sem destino pelas trilhas e estradas norte americanas. Qualquer coisa era melhor do que aquilo que a vida lhe prometia. 

   Dylan, como se auto apelidou em homenagem ao poeta inglês Dylan Thomas, foi fundo na alma norte americana e compôs vários countries em sua longa carreira. São músicas de cow-boys, que ele pesquisou intensamente durante anos. Ele foi um craque na execução do estilo Chautauquia, que significa o cantar de peregrinos que andam pelas estradas da América do Norte, compondo poemas e contando causos através da música, em longas histórias sobre acontecimentos sem importância, porém representativos da cultura caipira dos Estados Unidos. 
   Um de seus melhores momentos foi a criação do álbum "Sangue nas trilhas", de 1975. Desse álbum, Dylan nunca permitiu o relançamento ou postagem daquelas músicas em qualquer mídia social. O disco em vinil, única edição lançada, está esgotado. Eu tinha uma cópia, mas alguém a levou. Espero que tenha feito bom proveito! Uma canção se destacou, como se fosse um longo filme, contando uma aventura do cotidiano do "far west". Devido a sua longa duração e complexidade dramática. Está praticamente esquecida da obra do cantor, sendo muito pouco referenciada, mesmo entre os especialistas. Chama-se "Lily, Rosemary and The Jack of Hearts". No baralho, Jack of Hearts é o apelido da carta Valete de Copas. 
(Laercio Duarte)


sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Não é um país sério...

   Por Marcos Bayer

   Pouco importa se a frase é do General Charles De Gaulle ou do Embaixador do Brasil em Paris, Carlos Alves de Souza Filho, por ocasião da Guerra da Lagosta, em 1962, quando a França e o Brasil discutiam se as lagostas que passavam pelo litoral de Pernambuco, andavam ou nadavam.
   Caso “nadassem” eram “internacionais”. Se “andassem” eram brasileiras, pois o solo submarino pertencia ao Brasil.
O fato é que de lá para cá temos visto um país pouco sério nos seus caminhos políticos.
   Veio o golpe militar de 1964 com o argumento de que o Brasil não podia virar para o lado do comunismo.
   Os generais impuseram dois partidos políticos: ARENA e MDB. A Aliança Renovadora Nacional apoiava o regime. O Movimento Democrático Brasileiro podia fazer oposição. Era uma “democracia” militar.
   Com o passar dos anos, em 1968, a situação ficou mais complexa. Liberdades civis suprimidas com censura geral, mandatos políticos cassados e planejamento orçamentário rigoroso.
   O “bolo” econômico deveria crescer para depois ser dividido entre a população, ensinava Delfim Netto. Havia dinheiro disponível nas bancas de Londres e Nova York provenientes dos “petrodólares” do Golfo Arábico.
   Os subdesenvolvidos eram estimulados à contratação de empréstimos com taxas de 17% até 21% ao ano. Na Europa as taxas giravam em torno de 6% a.a. Olha a maravilha do “spread”.
   Construiu-se muita coisa, grandes obras, estradas federais, industrialização nacional e um pouco de tortura e corrupção, nas medidas permitidas por alguns generais.
   O MDB criava corpo, gritava e sacudia a nação rumo à democracia. Abertura política, anistia, eleições diretas em todos os níveis.
   A Arena respondia com sublegendas, senadores biônicos e colégio eleitoral.
   E assim fomos, até que em 1988 proclamamos uma Constituição e em 1989 elegemos um presidente civil pelo voto secreto e direto.
   No úbere do MDB estavam os comunistas, socialistas, democratas, trabalhistas, anarquistas e todos os matizes que se possa imaginar.
   O MDB abrigava a todos. Com o tempo foi se depurando. Saíram tendências ideológicas para a construção de novos partidos.
   Surgiu o PT – Partido dos Trabalhadores. Nasceu o PSDB, a parte boa do PMDB. Nasceu o PSOL, a parte ética do PT.
   Da Arena, fizeram-se PDS, PFL, DEM e até o PSD.
Surgiram outros. Quase 30 partidos políticos, hoje registrados e em funcionamento.
   Depois das tentativas de vários deles em governos estaduais, ou no federal, finalmente o PT, na quarta eleição, em 2002, chega à Presidência.
   Lula recebe seu primeiro diploma na vida: o de Presidente do Brasil.
   Inegavelmente consegue impor avanços na economia, na produção, na educação, no consumo e na oferta de crédito.
Parecia que vinha bem, até que o Presidente Mujica, do vizinho Uruguay, revela em seu livro que Lula admitia lidar com coisas imorais e chantagens para poder governar o Brasil.
   Aí veio o Mensalão, o Petrolão e outros casos ainda submersos, conectados a vários partidos políticos.
   Mas, o pior é ter que assistir o PT desconstruir, no Congresso Nacional, todo avanço legal que conseguiu nos últimos tempos, especialmente no que se refere aos trabalhadores. O ajuste fiscal pretendido pelo governo da Dilma pode ser sintetizado assim:
   O PIB do Brasil em 2014 foi de R$ 5,5 trilhões de reais. Foi quanto a nação produziu, a soma dos esforços de todos os brasileiros. Gastamos com o pagamento dos juros da dívida pública (o valor que o Tesouro paga aos bancos) R$ 250 bilhões de reais, cinco por cento do PIB. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, quer economizar R$ 66 bilhões de reais no tal do ajuste fiscal, basicamente nas costas do trabalhador. Isto é 1/4 do valor do pagamento dos juros anuais.
   Pergunta se alguém vai mexer na receita dos bancos.