quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A sorte me espreitava em Lisboa

Panorâmica de Lisboa vista do oitavo andar do hotel Roma
Não sou dos que acreditam em sorte ou azar. Acredito que as coisas se encaminham para uma boa ou má solução conforme os tratos que se dá à bola. Talvez acredite um pouco no "quem procura acha" e, se procurar otimistamente, com espírito elevado, sempre acreditando que vai dar certo e se não se der não dar muita importância ao revéz, a contabilidade final sempre será positiva.Vai da forma que se vê o mundo.

   Filosofar sobre a existência de sorte ou azar é sempre complicado d perigoso. Se escrever muito sobre o assunto se corre um grande risco de cair em contradição. Mas fazer o que? Se eu me contradizer um pouco mais abaixo...azar!
   A coisa já começou na chegada a Lisboa. Depois de passar um dia maravilhoso conhecendo Braga, no norte de Portugal, embarquei em um Alfa Tur da Comboios Portugal às 7 horas da tarde no Porto Campanhã em direção a Lisboa. Começava a viagem para o sul. O trem rápido cobriu os 300 quilômetros em três horas. Uma viagem tranquila, confortável, rápida e com internet à bordo.

Hotel Roma

Aportar no hotel Roma já foi um lance de...sorte. Localizado na famosa e ampla Av. de Roma - com seus prédios em tons de rosa e verde, passeios largos, lojas de marca e mercearias antigas, tal como descrita em "A arte de morrer longe", do escritor português Mário de Carvalho - o Roma foi mais do que havíamos contratado pelo Booking.com. Quarto triplo com mais de 60 metros quadrados, localizado no oitavo andar do prédio com uma sacada debruçada sobre a avenida de Roma e uma maravilhosa vista panorâmica de Lisboa. Um show!
Silveira: Churrasqueira salva-vidas
    Cerca de 22:30h desci do quarto e caí na rua em busca de uma garrafa de vinho. Procurava um Porca da Murça, do Douro. Vinho que conheci por indicação do meu sogro. Gosto muito. A indicação de um shopping no final da "segunda à direita até o fim" não me valeu de nada. Já estava fechado.
    Na caminha até lá, já fui mapeando bares e restaurantes da região do hotel. Pequenas casa de comida, alguns bares e até um pub de esquina permeavam o meu trajeto. Um deles me chamou a atenção pela algazarra que vários amigos faziam no local. Bebiam e cantavam. Se divertiam como se o mundo fosse acaba amanhã. Era uma pequena "churrasqueira" de esquina onde pude ver, através, da vitrine, uma grande quantidade de garrafas de vinho enfileiradas sobre a antiga geladeira industrial branca com 12 portas quadradas. Marquei!
   
   Silveira churrasqueira
   Na volta da frustrada investida cheguei na churrasqueira "alegre". Entrei, dei boa noite e logo fui atendido por uma simpática senhora portuguesa, com certeza. Falei da urgência da minha necessidade, explique que havia chegado em Lisboa naquele momento e todas as lojas já estavam fechadas no entorno do hotel.
   
   Perguntei se ela faria de gentileza de me "ceder" uma garrafa de vinho. Todo o diálogo era acompanhado atentamente pelos amigos, que agora em silêncio, ouviam o meu relato. Alguns tiveram de se levantar das cadeiras pois estavam espremidos entre as cinco mesas que improvisavam um mesão e a geladeira branca alouçada, onde estavam enfileiradas as garrafas de vinho.
- O vinho que tenho é para servir nas mesas, disse a senhora. Vou ter que cobrar o preço da carta.
-Sem problemas, disse eu.

   Escolhi um que achei mais simpático, não conhecia as marcas, perguntei o valor.
 - 10 euros, falou a senhora.

   De repente um senhor de cabelos grisalhosque estava na mesa com os amigos levantou e perguntou:
- De onde você é?
- Do Brasil, respondi prontamente.
- Do Brasil todos aqui sabem que tu és desde a hora que tu entrou no recinto. Cairam todos na gargalhada.
- Quero saber de que cidade, perguntou.
- Florianópolis, uma ilha mara... fui interrompido com um grito:
 - Conheço! Um paraíso! Vais levar esse vinho como um presente dos amigos e meu, Baltazar Afonso ao seu dispor!

   Tudo isso aconteceu numa velocidade incrível a aquela energia cantante e alegre voltou à mesa dos amigos. Agradeci, dei um abraço no Baltazar. Quando saía olhei para trás a tempo de vê-los cantando e brindando. Era a "sorte" me rondando.

Cassino de Lisboa   
Cheguei no hotel com a novidade do presente. Bebi, comecei a escrever, e ouço a inadvertida pergunta da Gisa:
- Tem cassino aqui em Lisboa?

   Foi como oferecer banana para macaco. Sim, tem cassino em Lisboa, Gisa. O maior e mais moderno cassino de Portugal. Uma caixa de vidro com cinco andares de máquinas, mesas de roleta, black jack e outros jogos, um perdição!
   
   Foi o tempo de tomar um banho rápido, pois já estava no adiantado da hora, e mais uma vez sair para a rua. Desta vez a trabalho.
   Cheguei no Cassino de Lisboa por volta das 12:30h, em 10 minutos. Fiquei impressionado com o tamanho da casa, luzes coloridas e vidros. A cada andar um profusão de gente, máquinas a se perder de vista e mesas de roleta jogando a pleno. Estava com eu gosto.
   
   Rodei, andei pelo labirinto das máquinas procurando uma com interface amigável mas eram todas diferentes das que eu conhecia.
   Encontrei uma mesa circular gigantesca com cerda de 10 máquinas ao redor. Da base dos monitores saíam colunas de vidro que piscavam luzes coloridas em sequência até chegar ao topo da pirâmede de 2 metros onde estavam grandes monitores que faziam girar o bonus e os grandes prêmios. Um luxo só!
   
   Gostei, não sei porque, de uma das máquinas que estava ocupada. Fique na volta só esperando o cara levantar para tentar a sorte por ali. O desgraçado perdia e não largava o osso. Fiquei olhando de longe me divertindo com aquele exagero de luzes coloridas e sons apoteóticos que a máquina fazia. Uma breguice lasvegasiana!
   
   De repente o azarado levantou e ocupei o seu lugar. Já havia tomado um uísque e as luzes agora estavam mais salientes. Sentei, tirei uma nota de 5¢ e outra de 10¢ do bolso da camisa e ofereci à máquina. Sugou o meu dinheiro com aquela voracidade deslavada das máquinas de jogo.
   
   Olhei os botões, o teclado, os valores de apostas e desisti de entender como se jogava. Apertei na aposta máquima e...começou um gritaria e as luzes que não paravam mais de dançar. O som era de explosão a cada prêmio que o monitor do topo da pirâmidade pagava. 100 euros! 300 euros!...
   Bem, em apenas uma primeira e única jogada de 15 euros eu havia ganho 1.500¢, sim mil e quinhentos euros!!!!
   
    Apertei o botão de pagamento e fiquei esperando que a máquia cuspisse o recibo. Nada! Só música e luzes. Sem sair do lugar, virei para trás e procurei um funcionário do cassino para reclamar que a máquin a não queria me pagar o prêmio.

   Ao ver um ao longe, levantei a mão e gritei. O cara saiu em outra direção e minutos depois voltou acompanhado de outro atendente de camisa branca e colete preto que trazia uma bandeja prateada com um bolo de dinheiro em cima. 

- Quando o prêmio é grande a máquina não emite o recibo. A central detecta o pagamento e entrega o dinheiro pessoalmente. Não precisa ficar chamando, gritando, conte o dinheiro, me ordenou o mala que vestia um terno azul calcinha e tinha rendas nos punhos da camisa branca.

   Conferi os 1500 em notas de 50 e 100 euros e saí rindo em direção ao bar para tomar aquele fuerte que o meu amigo Jurandir Camargo costuma tomar quando comemora um jogada de sorte.

   Estou feliz em Lisboa!!! 

Márcio Dison deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A sorte me espreitava em Lisboa": Sempre fostes bafejado pela sorte... só custas a perceber. Aproveita a grana extra e prolonga a viagem em outras paragens. 

Um comentário:

Zainer disse...

...que loucura Sergio Antonio!!!