quarta-feira, 27 de julho de 2016

Assaltos ornamentais e malabarismos da classe política brasileira

    Por Eduardo Guerini
Preparando as malas para visitar a Vila Olímpica
e fazer parte da força-tarefa que pretende resolver os problemas hidráulicos e elétricos nos apartamentos destinados as delegações de atletas dos países
participantes das Olim-PIADAS Rio 2016
   
    As alvissareiras notícias de mais um megaevento na “Terra Brasilis” demonstram como o brasileiro é um povo receptivo e pacato, para não estigmatizar como “colonizado”. No entremeio deste que será o maior espetáculo transmitido em escala global, às imagens da chegada de atletas e delegações na cidade-sede do Rio de Janeiro, o escamoteamento da realidade que cidadão comum vive é peça por demais vista no cotidiano da mídia impressa e eletrônica sob o monopólio da Rede Globo.

   O primeiro ato do espetáculo grotesco e nada transparente dos gastos foi o revezamento da “Tocha Olímpica” por várias cidades brasileiras, com escolhas de personagens sob a insígnia do pagamento em espécie, e, deliberada promoção dos patrocinadores para tentar envolver uma ressabiada população diante de mais um legado custoso, demonstrando a falta de prioridades dos governantes e sua escória política, com as demandas populares.

    O segundo ato desse enredo é a tentativa manipuladora da Rede Globo para transmitir uma ideia já muito decantada de um povo brasileiro cordial, que, apesar das dificuldades da miséria existencial e pobreza endêmica é feliz e receptivo em eventos internacionais. A maquiagem da “Cidade Maravilhosa” deixará um legado cantado em prosa e verso – a crise fiscal e o “Estado de Calamidade Pública”, transformando o Brasil em polo de atração de turistas internacionais, mesmo que para isto, o caos na segurança pública, a crise na educação, a falta de saneamento, a saúde na UTI sejam necessárias.

   Esse desejo tupiniquim rastaquera se propaga nas províncias brasilianas, inclusive em Santa Catarina. A falta de profissionalismo e planos turísticos, a ausência de trabalhadores com capacidade idiomática – inclusive na língua materna torna hercúleo tal desejo e aspiração de uma elite dirigente, que insiste integrar um povo que vive “levando à mão a boca”. Uma nação de desdentados, analfabetos funcionais e pauperizados, está de braços abertos gritando: “welcome”, “bienvenidos”, ‘benvenuto”, “wilkomen” , neste enredo monossilábico que vive entre uma palavra do dicionário de línguas e milhares de gesticulações para vender um “sanduba”, nada mais patético que ver a Rede Globo e seus servis repórteres demonstrando o quão afáveis e generosos somos. Afinal, os turistas estão chegando aos milhares, pelo menos na propaganda enganosa que perpassa nos relatos diários sobre a Olimpíada em 2016, bombardeados entre um anúncio e outro dos patrocinadores oficiais.

   O terceiro ato dessa megalomania produzida por “estalinistas caboclos e periféricos” associados ao “coronelismo das verbas públicas”, no consórcio PT-PMDB, as obras que ficarão como legado de mais um megaevento, começaram a desbaratar a quadrilha da corrupção ativa e passiva, com o aval de todos os podres poderes. A relação promíscua entre organismos internacionais como FIFA e COI, empreiteiras e patrocinadores, uma canalha política nas periferias do sistema capitalista global, produziram algo mais deprimente que estruturas de “quinta categoria” e prédios mal acabados.

   É a aclamação do legado lulopetista em tempo de glorificação e elevação da autoestima dos pobretões da periférica da globalização. Como não podem entrar pela matriz produtiva, que apresentem algum entretenimento e divertimento para as ELITES TRANSNACIONAIS.

   Nesta histérica combinação de corruptos e corruptores globais, como diz aquele velho refrão “O Brasil samba que dá, Bamboleio que faz gingar...”, nossos governantes continuam a perpetrar os “ASSALTOS ORNAMENTAIS” no orçamento público, na série de MALABARISMOS POLÍTICOS, típico da classe política brasileira em seu tiro ao alvo certeiro – a RAPACIDADE.

   Como diria o velho poeta, é ou não é momento de desafinar o coro dos contentes!???

Um comentário:

Anônimo disse...

Artur Nogueira diz:
Perfeita análise de mais uma etapa da lambança (herança maldita) dos nossos representantes revolucionários e progressistas. Daqui a pouco vem a conta...só aguardar.