terça-feira, 7 de abril de 2020

Reflexões éticas em tempos de pandemia

por Karin Elisa Schemes* 

Tempos duros de medos e incertezas. Tempos de isolamento,  pensamentos solitários, solidários... ou nem tão solidários por vezes...
           
   Em tempos de batalha, nós médicos, por vezes, podemos passar por situações de termos que efetuar escolhas. Escolhas estas, como juízes, que decidem sobre as vidas de outrem.
   O que faz uma vida valer mais que outra? Que critérios são utilizados nessas horas de escolha? Quem disse que a vida de um jovem vale mais que a do velho? Ou vice-versa? Porque a vida do cientista pode valer mais que a vida do artista?  Pensando de forma utilitarista, qual o mais necessário? Mas qual seria o mais amado? O mais prestativo? O mais amigo?
   Questões como estas ultrapassam muitas vezes a barreira do razoável.
   Estabelecer critérios para a seleção de quem vai ser o “eleito” na hora de disputar uma vaga de UTI com direito aos escassos ventiladores mecânicos pode ser crucial e necessário.  E principalmente: tentar ser justo. Priorizar o socorro de forma ética, sem discriminação de qualquer tipo. Em sociedades adiantadas isto já pode estar estabelecido, mas na nossa realidade, a consciência da escolha ao final do dia fica à critério do profissional de saúde. Em casos de escassez de recursos materiais e humanos, estas escolhas geralmente são difíceis e dolorosas.
   Guerras e pandemias têm esse poder: fazer pensar sobre valores. Colocar o valor em cada coisa, cada sentimento, cada vida.
   O presidente dos Estados Unidos declarou que, no famoso sentido de “primeiro os americanos”, máscaras cirúrgicas e de proteção não irão sair daquele país, pois eles “precisam “ das máscaras. Ao mesmo tempo, confiscavam itens que seriam destinados a outros países e que estava fazendo “escala” em Miami. Ofereceram mais por mercadorias da China que já estavam negociadas com outros países...e levaram!  Serão eles superiores e merecem as máscaras e insumos mais do que as outras nacionalidades?
   Enfim: que aproveitemos este tempo de reclusão forçada para refletir. E quem sabe possamos descobrir que somos mais que números, mais que estatísticas, mais éticos e mais humanos. E que, nós médicos, não percamos as esperanças, que tenhamos nessa oportunidade o prazer de nos sentirmos realmente úteis além da conta!

 *Anestesiologista do Imperial Hospital de Caridade - Florianópolis e doutoranda do Programa Doutoral de Bioética da Universidade do Porto- Portugal.

sábado, 4 de abril de 2020

A imunidade do sistema

por Marcos Bayer
    O que é o TESOURO? É aquele baú de madeira onde os piratas guardavam as moedas de ouro, a prataria, as pedras preciosas, e as joias? O que é o cofre? O baú moderno, feito de ferro, onde guardamos as mesmas coisas e ainda as apólices de seguro, os testamentos, os certificados de depósitos bancários e as notas de dólares ou euros?
   O Tesouro Nacional é isto. O cofre onde guardamos os dinheiros de um país. O Brasil tem aproximadamente U$ 356 bilhões de dólares em reservas cambiais depositadas de formas diferenciadas e ao que consta sem remuneração, atualmente, visto que a taxa de juros nos EEUU é zero. Elas são importantes porque garantem nossas importações por 16 meses e lastreiam posições financeiras nacionais.
   Além desta informação, importante salientar que no Orçamento Nacional de 2020, no montante de R$ 3,8 trilhões de reais, metade dele (50,7%), ou seja, R$ 1,9 trilhão está comprometido com a rolagem da dívida pública, despesas financeiras, juros e amortização do capital. Sendo que a amortização é sempre menor visto que a dívida é sempre crescente. Lógica matemática.
   Números a parte, sabemos que na crise de 1929 na Bolsa de Nova York, como na recuperação da Europa no pós-guerra, através do Plano Marshall, foi em ambos os casos a ação do Estado/governo norte americano que salvou o capitalismo no século 20.
   Ao longo da História é sempre o Rei, o Faraó, o Imperador Romano ou o Chinês que resolvem a crise. O Estado, portanto.
   O mundo em que estamos vivendo está passando por transformações que vão além da cibernética, da uberização do trabalho, do compartilhamento de espaços para produção e para residência, da mobilidade urbana e da própria educação.
   A crise que se apresenta, ainda não totalmente dimensionada, em razão do Corona vírus, só poderá ser ultrapassada com a presença do ESTADO.
   Uma prova cabal é que ao propor medidas de emergência para os que ficaram sem renda, o governo ouviu dos bancos privados que eles participarão com 15% do esforço. Como são três grandes bancos, cada um entra com 5% nesta tarefa.
   Alguns poucos países devem sair da crise sem muitas alterações em seus sistemas financeiros. A grande maioria, entre eles o Brasil, terá que ter a ajuda primordial do ESTADO. Será uma tarefa Keynesiana. Aquela que inspirou Roosevelt em 1932.
   Acho que temos uma excelente oportunidade de estatizar o sistema financeiro nacional. Os grandes bancos não respeitam a taxa SELIC do Banco Central que a fixou em 3.75% anuais. Na ponta os bancos privados cobram 12% mensais.
   Os bancos privados tiveram um lucro de R$ 82 bilhões de reais em 2019.
A economia só se movimenta, é assim no mundo civilizado, quando a taxa de juros permite ao cidadão tomar empréstimo para empreender e poder pagar a dívida contraída.
   É assim que funciona o capitalismo. No Brasil nem isto temos. Bancos estaduais públicos podem funcionar com lucratividade e eficiência. O BANRISUL é um exemplo.
   O Congresso Nacional, além das medidas emergenciais, poderia discutir o tema da estatização do sistema bancário. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil são bancos públicos.
   A dívida pública, acima citada, poderia ser equacionada com outros parâmetros. E a decência seria restabelecida. 


Tentativa de irNegócio do ihc leva revés

Recente despacho ( 01/04/2020) da Meritíssima Juíza de Direito da 4° Vara Cível da Capital, dra. Ana Paula Amaro da Silveira, demonstra que, apesar da limitação imposta pelo tempo de pandemia em que vivemos, o Poder Judiciário de SC  - mesmo de forma virtual e por seus Magistrados e Servidores - continua exercendo seu importante papel na distribuição da Justiça.
O despacho proferido no Processo n° 5023565-92.2020.8.24.0023/SC, determina a Provedoria da Irmandade Senhor Jesus dos Passos e Imperial Hospital de Caridade, a exibição dos documentos e a prestação das informações que foram requeridas pelo Irmão Pedro José da Silva daquela Irmandade, bem como a suspensão imediata das tratativas de locação do referido
IHC.
Sustenta sua decisão " pela evidência de alta probabilidade dos atuais gestores , em descumprindo normas estatutárias, gerarem prejuízos aquele nosocômio."
Esta manifestação se insere no alto espírito público que o Judiciário catarinense tem demonstrado no cumprimento dos seus deveres para com a Sociedade.
Neste tempo de alta demanda de serviços médico-hospitalares, o IHC, que deveria ser transformado em mais um pronto atendimento na capital, está atuando com baixíssimos índices operacionais em plena crise do COVID-19.
É preciso que a Sociedade catarinense saiba dessa infeliz situação produzida por muitos fatores, dentre os quais tem destaque a ausência de real comprometimento do senhor provedor com os lidimos interesses da Irmandade e do IHC.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Inspetor Clouseau e os 2,5 milhões de publicidade

- Bom dia Inspetor!
- Bom dia meu caro. Já está usando máscara?

Ajudante de Ordens - É necessário. O chefe da Casa Militar disse que é para proteger o senhor.
Inspetor Clouseau - Não se preocupe. Sou atleta e mais novo do que o Bolsonaro.

Ajudante de Ordens - O senhor é membro da LIDA?

Inspetor Clouseau- Olha, eu já estive numa reunião deles. Mas, não gostei. É muita LIDA pra cá, LIDA pra lá. Puxa - saco pra todo lado. Só gente interesseira. Gente da velha política.

Ajudante de Ordens - Saiu no Diário Oficial  o resumo do contrato, sem licitação, da liberação de R$ 2 milhões e quinhentos mil reais para a agência de publicidade preferida do governo Luiz Henrique.

Inspetor Clouseau - E para que foi contratada a agência?

Ajudante de Ordens - Para uma campanha esclarecedora sobre o Corona vírus.

Inspetor Clouseau - Mas isto as televisões fazem o dia inteiro e de graça.
- Liga para o Douglas agora!

Telefone chamando pib pib pib...

- Alô Douglas?

- Sim governador!

Inspetor Clouseau - Que negócio é este de liberar, sem licitação, dinheiro para publicidade na agência preferida do Luiz Henrique. parece coisa do além?

Douglas (chefe da Casa Civil) - Foi aquele contrato que o senhor mandou liberar. Aquele do cara da LIDE. Eu também acho que não precisa, mas fiz o que o senhor pediu.

Inspetor Clouseau - É, como dizia o GATOPARDO, de vez em quando temos que mudar alguma coisa para ficar tudo igual...



sábado, 21 de março de 2020

O bichinho da morte

por Marcos Bayer
   O ministro de saúde Luiz Henrique Mandetta recomenda à população uma reflexão, neste final de semana, sobre o Corona vírus e suas consequências.
   Eu faço a minha e inicio pedindo um exercício de antecipação do futuro sobre a água potável e o mar. Recentemente na cidade do Rio de Janeiro vimos o que pode acontecer com o abastecimento depois de um surto de poluição nas nascentes e na bacia hidrográfica da região. Em Florianópolis, na Lagoa do Peri, fonte de abastecimento parcial para a Ilha, centenas de pessoas banham-se e provavelmente urinam no reservatório natural que deve ter uma determinada capacidade para suportar impurezas. (carrying capacity).
   No mar, observamos imagens da quantidade de matéria plástica poluindo os oceanos, além da morte de animais, peixes e aves, que se alimentam destes resíduos. Em algum momento futuro encontraremos situações limites para tais questões.
   Disto isto, vamos às pandemias. Ao longo da História ocorreram diversas. De maneira alegórica, até as Dez Pragas do Egito. Na Idade Média, vários surtos epidêmicos, muitos deles relacionados aos excrementos de animais pelas ruas dos burgos e alimentos apodrecidos nas feiras livres, não vendidos e deixados ao relento.
   Os rios, grandes ou pequenos, foram transmissores de diversas pestes. Talvez ainda sejam...
   A realeza europeia aliada à Igreja detinha grande parte do Capital até a Revolução Francesa. (1789). Ambos eram sustentados pela população de pequenos produtores agrícolas e criadores de animais domesticados. Sabe-se que nem a realeza, nem a Igreja trabalhavam na produção diretamente. Em troca dos tributos coletados nas vilas, cujo valor era estipulado pelo nobre senhor feudal, ofereciam proteção contra possíveis invasores e um lugar nos céus, respectivamente. Além da confissão e do perdão, alívios para a alma.
   Importante deixar gravado que sempre foram os pequenos produtores agrícolas e artesãos (sapateiro, padeiro, ourives, ferreiro, construtores de casas e etc) que movimentaram a economia de forma mais rápida e eficiente. Mesmo com o advento da indústria surgida na Grã Bretanha, do tear até a locomotiva (1826) a linha Manchester até o porto de Liverpool para levar têxteis para o mundo, os pequenos produtores e comerciantes são imprescindíveis na cadeia produtiva. Nem as grandes corporações do século 21 são mais eficientes do que esta cadeia de pequenos produtores e comerciantes sua capilaridade.
   Com o fim da monarquia na França e o Iluminismo, o nobre foi substituído pela elite nascente, chamada de burguesia, em razão da organização comercial dos burgos. Adam Smith (1776) propôs o liberalismo econômico confirmado por Hayek e Milton Friedman com seu famoso “não existe almoço grátis”.
   Karl Marx (1848) dividiu a produção entre patrões e empregados, propôs a união destes últimos e salientou a necessidade de coletivizar os meios de produção (fábricas e etc).
   Com a crise de 1929, o governador de Nova York, Franklin Delano Roosevelt, busca nas ideias de John Maynard Keynes a solução para tirar a América do buraco. O New Deal é a intervenção do Estado no processo econômico.
   São destas três fontes que bebe o mundo.
   A Europa, depois de duas guerras mundiais, apesar de algumas monarquias (Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Noruega, Suécia e os Principados de Mônaco, Luxemburgo, Andorra e outros) souberam se adaptar às relações entre capital e trabalho de maneira mais equânime. A Europa sentiu a fome, a miséria, a tortura, o estupro, a dilaceração dos corpos, a doença e desta tragédia surgiram governos mais equilibrados, onde a distancia entre a elite e o povo diminuiu. A social democracia foi responsável por parte disto.
   A reconstrução europeia financiada pelo EEUU através do Plano Marshall mostrou que o Estado é a mola propulsora do desenvolvimento. O valor do Plano Marshall, atualizado, é de U$ 100 bilhões de dólares. O Brasil gasta com juros da sua dívida pública R$ 400 bilhões de reais por ano. Mas, junto com o Estado que ampara nas horas de crise, é preciso seriedade nos três pilares do poder. Executivo, Legislativo e Judiciário.
   Não por acaso, a Europa é a melhor parte do mundo para se viver.
   Educação de qualidade, assistência publica de saúde, segurança, lazer, cultura, arquitetura histórica preservada, gastronomia, bebidas de qualidade, sistemas de transporte publico, rodovias, ferrovias e aerovias, navegação de cabotagem e turismo.
   Guernica de Picasso que estampa os horrores da Guerra Civil Espanhola está em Madrid. A Colheita de Van Gogh que retrata a fartura está em Amsterdam. Os lados da vida...
   Existem corrupção politica, negociatas, fraudes e grandes assaltos na Europa. Existe violência domestica. Sim, existe tudo isto. Mas existe um sistema judiciário que pune a todos.
   Pois bem, voltemos ao Brasil e ao bichinho da morte. O Corona vírus não é tão letal quanto foram as duas guerras mundiais. Não é tão feio quanto foram as imagens daquelas guerras. Não será mais trágico do que Nagasaki ou Hiroshima.
   O Brasil elegeu um novo presidente em 2018, depois de passar a limpo uma parte da sua História. Diversos membros de partidos políticos saquearam empresas públicas em consorcio com empresas privadas. A operação Lava a Jato mostra isto. A elite saqueou o povo.
   Quem é a elite? São os que governam ou governaram, julgam ou julgaram, legislam ou legislaram. Parte desta elite, aliada a setores empresariais, é podre. Diria até que parte da mídia também é podre. Os donos do capital formam as elites e pagam seus representantes políticos.
   O Brasil não sofreu guerras, nem grandes catástrofes ou mortandades. Sofreu ditaduras. Sofreu.
   De repente aparece o Corona vírus em escala mundial e chega ao país. Instala-se no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional.
   Começa seu ataque pelas elites. Numa rapidez fulminante o governo monta um gabinete de guerra elogiável, cria-se em 48 horas um sistema de votação à distância para aprovação senatorial da situação de calamidade pública e a mídia bombardeia com as medidas dos governadores.
   O bichinho da morte pode estar em qualquer lugar, inclusive no centro do poder.
   Quando ocorre uma tragédia como em Brumadinho - MG, fazem sobrevoos, batem fotografias e liberam alguma verba pública. É o que a elite pode fazer. E o povo que fique entregue à sua própria sorte. Até hoje procuram pelos corpos...
   O ministro da economia anuncia uma ajuda de R$ 200 reais por mês para os “autônomos” que ficaram sem renda durante a crise.
   Ele mesmo admite, são 38 milhões de autônomos mais 11 milhões de desempregados. Temos quase 50 milhões de brasileiros a ver os navios da elite. Isto é um quarto da população.
   E são estes autônomos que movimentam a base da economia, como já vimos anteriormente. A indústria não reagirá se não houver compradores. E os compradores surgem com os autônomos.
   Mesmo o setor público poderá sofrer revezes salariais. Isto aumenta a dificuldade da recuperação econômica.
   Nós perdemos o ano de 2019, inteiro, para aprovar um regime de previdência que tirou de quem já teria pouco para ter menos ainda.
   Os juros da dívida pública consomem 50,7% do orçamento de 2020. Ou seja, a metade. A elite retirou dinheiro da previdência para poder honrar a dívida pública. As carreiras de Estado continuam com seus regimes integrais, mas quem paga a previdência deles é o trabalhador autônomo, esse que vai receber R$ 200 reais na crise.
   Voltando ao ministro Mandetta, espero que a reflexão seja mais intensa nas elites, pois se não for por compaixão, será por compulsoriedade.
   Pois se o sistema quebrar ou quando quebrar, os que mais perdem são os que mais têm. As elites!

sexta-feira, 13 de março de 2020

Inspetor Clouseau e a política

- Bom dia Inspetor, como vai?

- Vamos indo. Devagar e sempre, respondeu ele.

Ajudante de Ordens - E o corona vírus já chegou a Santa Catarina?

Inspetor Clouseau - Não sei. Li que o Jorginho Mello está pesquisando o assunto. Parece que ele não cumprimenta mais os eleitores.

Ajudante de Ordens - Pois é, Inspetor. Dizem que os políticos são os principais transmissores do vírus por causa desta mania de apertar as mãos das pessoas. 

Inspetor Clouseau - Eu não dou a mão. Bato continência. É mais higiênico.

Ajudante de Ordens - E a iluminação da Transavaiana, a nova estrada para o aeroporto? Quando fica pronta?

Inspetor Clouseau - Olha, disse-me o Douglas que é questão de dias. Mas, que os postes estão completamente desalinhados e tortos. Não usaram o prumo. Dizem que é obra feita nas coxas.

Ajudante de Ordens - Falando nisto, como estão nossos interesses na Assembléia Legislativa?

Inspetor Clouseau - Estão em boas mãos. Com a Paulinha na liderança vamos aprovar tudo.

Ajudante de Ordens - E a velocidade do governo?

Inspetor Clouseau - Está boa. Como mar sem onda. Do jeito que salva vidas gosta. Tudo parado...
 
 

quarta-feira, 11 de março de 2020

Sonhando com Stanislaw

por Carlos Nina*

   Sonhei que me encontrava no Amarelinho, no Rio de Janeiro. Os Demônios da Garoa cantavam O Samba do Crioulo Doido. Sérgio Porto, o Stanislaw Ponte Preta, autor da música, sentou-se a meu lado e perguntou:

- É preciso habilitação para dirigir retroescavadeira?
   Peguei o celular e pesquisei no Google: Lei 13.097, de 27 de janeiro de 2015. Se a retroescavadeira for usada em via pública, é exigida a habilitação de categoria B.

- Vixe!!!. Vão já criar nova exigência para a elegibilidade de senador!

   Nem perguntei o motivo da afirmação. Na incrível velocidade do sonho, fomos transportados os dois para os amplos corredores do Congresso Nacional, onde havia um grande tumulto. Parlamentares de todo o País.

   Alguém propusera que o art. 14 da Constituição Federal, § 3º, fosse alterado para que se acrescentasse às condições de elegibilidade a habilitação de motorista, categoria B e, no § 4º, constasse expressamente como motivo de inelegibilidade a falta de habilitação na referida categoria.

   De repente, vestido como Brutus (Jason Robards) na cena em que matam César (John Gielgud), no filme de Stuart Burge, outro senador fala:

- Representando meus pares e após saudáveis negociações, apresento proposta alternativa: criar três cargos de motoristas de retroescavadeira, para cada senador e seus dois suplentes.

   Grita geral. Deputados federais e estaduais e vereadores queriam que a medida os alcançasse. No mínimo, um cargo para cada parlamentar. Dois apenas para quem ocupasse ou tivesse ocupado cargo na Mesa, fosse ou tivesse sido membro de Comissão, líder do Governo ou da Oposição, pertencesse ou tivesse pertencido a algum partido político. Ou seja, todos seriam beneficiados com dois cargos de “retroescavadores”.

– Com as máquinas! – Gritou um parlamentar com cara de Bebê Johnson. 

- Assim não precisaremos mais usar as dos governadores e prefeitos.

- Mas se o motorista não quiser obedecer quando lhe for dada ordem para meter a escavadeira nos adversários?

- A gente corta a metade do salário deles!

- Ué! Cortaremos no próprio couro? Já só lhes pagaremos uma parte. A outra, maior, é nossa comissão!

- Então é melhor criar a exigência de elegibilidade. Afinal, tem sido difícil atingir os eleitores somente com palavras. Precisamos atingi-los de verdade. Com a retroescavadeira é mais fácil. Ademais, temos uma vantagem sobre os motoristas: a imunidade. Se um motorista jogar uma retroescavadeira contra uma multidão, será linchado. Se escapar, será indiciado por tentativa de homicídio. Nós temos impunidade garantida.

- E o risco de levar um tiro?

- Aí acusamos o presidente e chamamos os direitos humanos para defender nossa impunidade com base no art. 53 da CF. Ela nos assegura o uso da retroescavadeira para expressar nossas opiniões, palavras e votos!


   Ouviu-se um barulho familiar. Uma retroescavadeira vinha em nossa direção.

Ao volante, o próprio Adolf Hitler!

Abriu-se o teto e das nuvens surgiu o braço de Zulmira Ponte Preta. Pegou e levou seu sobrinho querido para a proteção dos céus. Foi quando vi Lucinha, num de seus filmes favoritos, A Origem, de Christopher Nolan. Ela entrou no meu sonho e me levou para o dela.

Que o dela se realize!


*Advogado e jornalista. Ex- Conselheiro Federal da OAB,  magistrado aposentado do Estado do Maranhão, atual Presidente do Clube Grêmio Lítero Recreativo Português.



sexta-feira, 6 de março de 2020

Qualirede também enfrenta problemas na Bahia

   A empresa Qualirede, denunciada aqui no Cangablog nesta semana, está se recusando a prestar esclarecimentos na Assembléia Lesgislativa da Bahia.
   Como aqui em SC, a Qualirede também administra o plano de saúde dos servidores baianos. 
   Na Bahia, o modelo de negócio da empresa sob suspeição é o mesmo aplicado em SC. Até o valor retirado dos cofres públicos de SC é semelhante ao da Bahia: R$7 milhões de reais!

Leia matéria do:


Segunda, 17 de Junho de 2019
Reprodução/Recrutalentos
    Com audiência pública marcada para esta terça-feira (18) na Comissão de Saúde e Saneamento Básico da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), a Qualirede, empresa que administra o Planserv, enviou ofício nesta segunda-feira (17), véspera do evento, se negando a comparecer ao debate sob a justifica de “tempo exíguo do convite”. 
   Diante de mais uma recusa por esclarecimentos em relação a real situação do plano de saúde dos servidores do estado, o deputado estadual Alan  Sanches (DEM) frisa que vai buscar apoio para uma convocação oficial no colegiado do corpo diretivo do Planserv, bem como da Qualirede. 

“Afinal, os credenciados de um plano que sempre foi referência em toda a Bahia, hoje penam até mesmo para conseguir uma consulta. Contudo, mesmo diante desse cenário a Secretaria de Administração gasta em torno de R$7 milhões ao mês com um contrato da Qualirede para o planejamento, distribuição de cotas, liberação de consultas, etc. Mas, não vemos resultado que justifique esse gasto, que representa algo na casa R$84 milhões ano”, disparou Alan Sanches, que é médico por formação e vice-presidente da Comissão de Saúde. 
 

segunda-feira, 2 de março de 2020

QUALIREDE: Governo Moisés mantém esquema suspeito no plano de saúde do estado

GOVERNO MOISÉS FAZ PESQUISA E PAGA O MAIOR PREÇO PARA RENOVAR CONTRATO COM EMPRESA QUE GERENCIA O PLANO DE SAÚDE DOS SERVIDORES DO ESTADO DE SC.

   Denunciado aqui neste blog (ESCÂNDALO: Ex-secretária de Dalmo de Oliveira vai gerir novo sistema de saúde de SC),- em 2 de outubro de 2011 - a grande trama, planejada no governo Luiz Henrique da Silveira, e executada no governo Raimundo Colombo, um esquema milionário de gerenciamento do plano de saúde dos servidores públicos do estado, negociada com a empresa QUALIREDE da poderosa ex-secretária de Dalmo Claro de Oliveira, Irene Minikovski Hahn, continua até hoje rendendo dividendos para seus mentores e agora, ao que parece, para o "novo dono do campinho", o governo Moisés do PSL.

A HISTÓRIA (12 de agosto de 2019)
   Na data de 12 de agosto de 2019, prestes a vencer o contrato de gerenciamento do sistema de saúde entre o governo do Estado de SC e a empresa QUALIREDE (Saúde Suplementar - Soluções em Gestão de Consultaria e Treinamento LTDA. (Contrato denunciado por este blog em 2011 - Leia aqui), a Secretaria da Administração (SEA) oficia a QUALIREDE "para atender a algumas providências para renovação do contato 118/2016, que tem por objeto a prestação dos serviços de gestão informatizada do Plano de Saúde".

   Por determinação da consultoria jurídica da Secretaria de Administração, o SC Saúde realizou pesquisa de mercado para encontrar o valor cobrado por usuário do sistema de saúde do estado.
   Utilizou por base o pregão 057/2016. Como resultado do pregão duas empresas apresentaram seus preços: A-Top Med ofereceu R$16,85 por usuário e a B- Gestão Op ME ofereceu R$28,70 por usuário.
   No mesmo ofício, em que estranhamente abriu os preços das concorrentes, a Secretaria de Administração pergunta à QUALIREDE se a empresa concorda em renovar o contrato em vigor pelo menor preço apurado no mercado, ou seja: R$ 16,85 por usuário do sistema.

Dia 13 de agosto de 2019
   Imediatamente a QUALIREDE responde ao oficio governamental desqualificando as duas empresas concorrentes pesquisadas pelo governo e afirmando que ambas não tem capacidade técnica para gerir o contrato. Sugere ainda, que a SEA faça uma diligencia para comprovar as suas alegações.


Jogo combinado
   A exemplo destas duas empresas que a QUALIREDE desqualifica a própria QUALIREDE, na sua origem, também foi constituída sem capacidade técnica para atender tal contrato. Conforme citado na matéria de 2011, A QUALIREDE foi criada especificamente para este negócio como empresa familiar. Em seu quadro societário dois filhos menores, esposa e marido.


Dia 15 de agosto
   Em uma rapidez jamais vista no serviço publico, a SEA (Secretaria da Administração), sem ouvir a sua consultoria jurídica e sequer realizar qualquer diligência - ironicamente sugerida pela QUALIREDE - aceita incondicionalmente a justificativa furada da QUALIREDE, e celebra o aditivo contratual sem a redução de valores, determinada em ofício pela própria secretaria. Manteve os R$ 32,54 cobrado por pessoa. O episódio está sendo chamado de Pregão Invertido. Em vez do menor, o maior preço!

 



NEGÓCIOS SUSPEITOS
Como que o governo mantém negócios com a empresa envolvida em falcatruas investigadas pela Polícia Federal e já autuada em R$25.000.000,00 (25 milhões de reais) pela Receita federal.

   A QUALIREDE realiza negócios com diversas empresas fantasmas que lhe fornecem notas fiscais frias e que estão envolvidas no âmbito da Operação Alcatraz.

   Figurinhas carimbadas, citadas, presas e indiciadas na Operação Alcatraz, realizam negócios milionários, ao longo de anos, com a QUALIREDE. 
   Mesmo com todos estes fortes "indícios" de corrupção, o governo do comandante Moisés, que veio como a "nova política", continua e mantém o esquema viciado dos governo anteriores.

COM A PALAVRA O MINISTÉRIO PÚBLICO!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Hospital de Caridade está na UTI

por William Ear Long
   Deixando Nova York por alguns dias, fugindo do frio e das eleições primárias, chego a Florianópolis para passar o Carnaval, usufruir do mar e do sol. Mas, como jornalista nunca tira férias, soube que o vosso belíssimo Hospital de Caridade está na UTI. Chega-me a notícia de que o atual administrador, cuja posição de Provedor é discutida, está em manobras para privatizar esta tradicional instituição filantrópica cuja história faz parte de capital de Santa Catarina.
   O senhor Eduardo Dutra da Silva, com investigação em curso no Ministério Púbico, quer alugar o Hospital pelo prazo de 30 (tinta) anos, por R$ 389 mil reais mensais, ao grupo HOSPITAL CARE que já é detentor de boa parte do capital social do Hospital Baía Sul Medical Center.
   Este negócio, sem aquiescia da Mesa Diretora da Irmandade Senhor Jesus dos Passos – ISJP - criada em 1765, sem nenhuma discussão com a comunidade, sem nenhuma licitação, deixaria a Irmandade com um passivo de R$ 120 milhões de reais, sendo que 70% deste valor é dívida vencida. E o restante vencerá nos próximos dois anos.
   As projeções financeiras demonstram que o Hospital de Caridade tem dívidas mensais de R$ 600 mil reais pelos próximos 360 meses, ou seja, 30 anos. Enfim, o valor do aluguel sequer pagaria a dívida mensal da ISJP.
   Não obstante os aspectos pouco transparentes e republicanos da pretendida transação, o Hospital de Caridade tem função de regulador nos custos hospitalares na cidade.
   Cabe ao governador Moisés, salva vidas de profissão, ao prefeito da cidade e a classe política, tomar conhecimento da situação. Além do MPSC que precisa esclarecer o que já foi investigado.
   Os políticos que saquearam verbas públicas, no passado, têm a oportunidade para se redimirem. Aqueles que não saquearam que ajudem o Hospital de Caridade. Duas sugestões podem ser consideradas:
1)    Fixar na Constituição Estadual um percentual determinado e constante no Orçamento Anual para o Hospital de Caridade.
 2)    Verificar a vigência de uma lei tributária onde cada real doado ao Hospital de Caridade, e outros, permite ao contribuinte/doador deduzir em dobro no ICMS.

    A classe política, a imprensa e os cidadãos de bem devem uma satisfação ao Hospital de Caridade.

Comentário de Sinesio Stefano Dubiela Ostroski
    Quis a providência divina que alguém distante se apercebe-se da agonia por que passa a história que começa com uma beata ao acolher pessoas mais necessitadas para lhes dar um pouco de conforto. Talvez muitas vezes peregrinou na busca desse conforto e na comunidade encontrou outros que a ajudou. Não esperou nunca se tornar rica para ajudar, pois rico é aquele que possui um coração rico, em vez de muito dinheiro. Aquele que tem um coração rico é quem é capaz de ajudar os outros. É fácil dar o que nos sobra, o difícil é dar, ainda sem ter muito para dar.
   Acredito que a sociedade florianopolitano tem este compromisso, senão de que vale o disfarce de acompanhar a procissão do Senhor Jesus dos Passos. O encontro das imagens deve neste momento representar o nosso encontro nas busca de uma gestão profissionalizada para assim com a ajuda daqueles que para ao olhar uma história passada, possamos projetar um futuro.
   Não deixemos ele agonizar, demos a ele a esperança de a muitos ainda acolher pois “CARIDADE” é seu, meu é nosso objetivo. 


Comentário de Pedro Silva. 
   Bom dia nobre senhor! Que o seu dia seja de harmonia e proteção do Espírito Santo! Sou Pedro Silva, membro efetivo da Irmandade do Senhor Jesus dos Passos. Inicialmente, quero vos agradecer pela brilhante manifestação em prol do nosso centenário Hospital de Caridade. Tenho buscado,de todas as formas, impedir essa dação gratuita que esse cidadão, Eduardo, associado a outros que já há muito vinham defenestrando essa ISJP e IHC. Anexo o comentário que fiz sobre a vossa brilhante e abençoada matéria. “Prezados amigos, um bom e abençoado dia! Parece que o ilustre e ‘iluminado’ missivista leu os meus escritos relativos aos números, pelos quais estão doando o nosso secular Hospital de Caridade, e lacrando o sepulcro da ISJP. 
   O nobre jornalista alertou a população e autoridades públicas para o saque que alguns estão se propondo a fazer no Caridade, mas eu conclamo também as autoridades eclesiásticas, que se calam ante à folha corrida do dito ‘provedor’ para ocupar o referido cargo. Leiam o Evangelho de Mateus 15, é lá que Nosso Senhor Jesus Cristo fala dos religiosos. Parabéns a essa voz abençoada, clamando no deserto, por ter a coragem de abrir esse diálogo com as autoridades e a sociedade!