segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

PAVAN: Promotora recorre de decisão da justiça

    A 27ª Promotoria de Justiça de Florianópolis, com atuação na área da Moralidade Administrativa, protocolou, no final da tarde de sexta-feira (16/12), por volta das 18h30, recurso contra a decisão que rejeitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Santa Catarina contra o ex-governador Leonel Pavan e mais seis envolvidos, pela suposta prática de crimes de corrupção passiva, quebra de sigilo funcional e advocacia administrativa, no caso da Arrows Petróleo do Brasil.
    As razões do recurso serão oferecidas no prazo legal, conforme prevê o artigo 588 do Código de Processo Penal. Os prazos judiciais estarão suspensos a partir desta terça-feira (20/12) e voltarão a correr no dia 9 de janeiro de 2012, quando, então, deverá ser concedida vista dos autos ao Ministério Público de Santa Catarina para que sejam apresentadas as razões recursais. Depois de todos os trâmites legais, o processo será remetido para o Tribunal de Justiça para a apreciação do recurso.
    A Promotora de Justiça Juliana Padrão Serra de Araújo, responsável pela 27ª Promotoria de Justiça, não se manifestará, por ora, sobre o recurso.

Santista doente migra para o Barcelona

   
    A cena inusitada aconteceu na tarde de segunda-feira na Kibelândia, centro de Florianópolis. Dono do bar mais tradicional da cidade, Ernani Matos, santista fanático, vestiu a camiseta do F.C. Barcelona. 
   A "virada" de camisa se deu em frente de uma surpresa clientela. Devia-se à derrota de 4x0 que o Santos sofreu em Yokohama, Japão. Mas na verdade era apenas uma troca de camiseta, não de time.
   Ernani continua santista, mas para pagar uma aposta feita com o Dr. Heitor Bráulio Freitas terá que usar a belissima camiseta por 7 dias. É um tipo de aposta meio rara. O vencedor que morre com a grana da camisa (R$ 189,90) e o perdedor usa por uma semana.
   Quem quiser ver o pagador de promessas ao vivo é só dar um pulinho na Kibelândia.
   Virou atração!

TJ/SC CONDENA EX-GOVERNADOR PAULO AFONSO

Processo:Apelação Cível nº 2009.026973-5
Relator:Ricardo Roesler
Data:15/12/2011

Apelação Cível n. 2009.026973-5, da Capital
Relator: Desembargador Substituto Ricardo Roesler
IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. AÇÃO DO ESTADO CONTRA EX-GOVERNADOR E SECRETÁRIOS. PESSOA JURÍDICA INTERESSADA. LEGITIMIDADE CONFIGURADA. TRANSFERÊNCIA DE VALORES DO FUNDO DE MELHORIA DA POLÍCIA MILITAR À CONTA DO TESOURO DO ESTADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL, BEM COMO DE JUSTIFICATIVA. OFENSA A PRINCÍPIOS REGENTES DA ADMINISTRAÇÃO. IMPROBIDADE CONFIGURADA. OBSERVAÇÃO AO PRIMADO DA RAZOABILIDADE. RECURSO PROVIDO EM PARTE.
O Estado detém legitimidade, na condição de pessoa jurídica interessada, para demandar contra ex-dirigente, em face da prática de ato de improbidade (art. 17, caput, da Lei n.º 8.429/92).
A transferência de valores fora da previsão orçamentária e sem prescrição legal compreende desvio de finalidade, e caracteriza ofensa aos princípios que regem a Administração Pública, em particular o da unidade orçamentária, o da moralidade e o da legalidade, implicando na imposição de sanções, nos termos do art. 12, III, da LIA. Hipótese em tese a configurar a culpa concorrente de todos os envolvidos, limitada no caso, de todo modo, ao Chefe do Executivo, por ser o ordenador direto da despesa (vencido o relator no particular).
Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível n. 2009.026973-5, da comarca da Capital (Unidade da Fazenda Pública), em que é apelante Estado de Santa Catarina, e apelado Paulo Afonso Evangelista Vieira e outros:
ACORDAM, em Segunda Câmara de Direito Público, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso do Estado em relação ao réu Paulo Afonso Evangelista Vieira, para condena-lo às penas, nos termos do voto do relator, mantida a sentença de improcedência em relação aos demais réus. Vencido parcialmente o relator, que dava parcial provimento ao recurso para condenar todos os demandados. Vencido, também, o Exmo. Sr. Des. Cid Goulart, que negava provimento ao apelo. Custas legais. Leia mais. Beba na fonte.

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Silent Night"

Peguei no FB da Marili...muitoi bom!

Ao Mosquito, um homem chamado Amilton Alexandre.

    Em 1979, Novembro, ele foi para as ruas da capital protestar com muitos outros contra a ditadura e seus abusos. Pedia legalidade, justiça, decência e democracia. Ele não cobrava nada. Não era assessor de imprensa governamental, não trabalhava em nenhum tribunal e não corrompia o fiscal. No desespero financeiro ela pedia: Se quiserem ajudar a manter o blog no ar, depositem na agência tal, da instituição financeira qual.

    Ele não tinha vergonha de mostrar sua vida, suas dificuldades e a hipocrisia do Estado de Direito atual. Ele não tinha medo de falar do desembargador que comia criancinhas e não era comunista. Do conselheiro que roubava em razão da função. Nem do prefeito a quem chamava de corrupto e repetia na frente da juíza a afirmação. Não poupava o deputado que gostava de cabrinhas, nem a família que é dona da televisão. Quando ele chamava alguém de filho da puta, ele apenas repetia o que muitos de nós fazemos no segredo de nossos gabinetes.

    Ele foi um jornalista. Publicou o que ninguém publicaria. Não temia as consequências. Lutou até o último minuto em que deve ter perguntado: Como derrotar a corrupção, sozinho e desarmado? Como vencer sem a
ajuda dos omissos, meus possíveis aliados? Como quebrar essas estruturas
cínicas e detentoras formais do poder?

Amilton Alexandre é um símbolo em Florianópolis. 


Leitor que não quis se identificar.

Uma graça...

Peguei lá no PutzGraça!!!!

    No Brasil, até o meio do século XX, todas as prostitutas estrangeiras eram "polacas".
Não eram. Muitas eram francesas.
    Vá virando as páginas do livro e veja se consegue distinguir as duas nacionalidades.
    Puxe as página com seu cursor. Mas, paciência, as moças às vezes relutam aparecer.
    Clique aqui para ver esse INTERNET NOTA10 agora.

Crônicas do Irani (5)

Thomaz Fabrício das Neves com a família na década de 1920. Acervo: Vicente Telles. Reprodução: Celso Martins. Thomaz, irmão de José Fabrício das Neves, foi processado, preso e inocentado após o combate. Morreu em Coronel Domingos Soares-PR
          Personagens do Combate de 1912
  
Por Celso Martins
Alguns personagens do Combate do Irani precisam ser lembrados.
É preciso que se repare a injustiça feita contra essa gente, acusada de tudo de ruim que se possa imaginar.
São pessoas que nada mais fizeram do que defender as terras de onde tiravam o sustento de suas famílias. Não eram marginais ou bandoleiros, mas passaram à história como se tivessem sido.
Estamos falando de pessoas cujos descendentes ainda residem no Irani e região, ou foram para o Sudoeste do Paraná e outras áreas.
Muitos tiveram que adotar outros sobrenomes, como os Antunes das Neves, descendentes diretos de José Fabrício das Neves que residem em Pinhão-PR. O mesmo fizeram alguns filhos de Thomaz Fabrício das Neves, irmão de José, na região de Palmas.
Em relação a José Fabrício das Neves vimos sua parceria com José Maria e seu papel destacado no Combate. Vamos ver a seguir sua presença no restante do Movimento do Contestado.
Sabemos que nasceu na região de Passo Fundo-RS, onde aos 13 anos participava de combates da Revolução Federalista (1893-1895), ao lado dos maragatos. Foi emboscado e morto em 1925. A sepultura pode ser visitada nas margens do rio Irani, no município de Vargem Bonita.
Fornecemos a seguir uma espécie de “lista” de alguns indiciados no Inquérito que gerou o Processo do Irani, aberto em Palmas no dia seguinte ao do combate. São vários objetivos ao se enfatizar a “lista”. Em primeiro lugar destacar os combatentes de uma luta pela terra, amparados na fé católica e na religiosidade de São João Maria.
Em segundo estimular os descendentes destas pessoas a contribuir com a memória do combate. Muitos não o fazem por vergonha desse passado, mas a maioria por não saber dar o devido valor a uma fotografia, uma carta, uma oração, uma lembrança dos mais antigos ou relatos ouvidos na infância.

A “lista”
José Alves Perão, conhecido por José Felisberto, foi participante ativo e uma espécie de braço direito de José Fabrício, antes, durante e depois do combate. Seu irmão Elizeu também participou. Havia outro irmão, Desidério, e a mãe deles, dona Joana. Os Perão têm origem na Argentina com o sobrenome Perón, depois aportuguesado. Existe a versão Perone ligada ao mesmo Perón/Perão.
A família Belchior também esteve presente, como Cândido, Antônio, João e Manoel.
Bento Manoel dos Santos era o chefe de numerosa família. Conhecido por Bento Quitério. É referido por vários historiadores, pois foi ao lado da sua casa que João Gualberto montou a metralhadora. E foi onde também morreu. Um filho de Bento, Felipe, morreu em combate e foi sepultado no antigo cemitério do Irani. Outro filho, Alfredo, teve participação ativa. Saturnino Manoel dos Santos, irmão de Bento, também estava no combate.
O coronel da Guarda Nacional Miguel Fragoso, paranaense estabelecido no Engenho Velho (Concórdia), e antigo maragato, se deslocou ao Irani com dezenas de homens armados em socorro de José Maria. Mais tarde um filho de Miguel, Chico Fragoso, morou e se casou no Irani. Seus descendentes estão em Coronel Domingos Soares e Palmas.
Outros Fabrício das Neves são: Miguel (tio de José e de Thomaz). Thomaz, irmão de José. Clementino (secretário de José Maria), Antônio (possivelmente o pai de José e Thomaz). Gabriel Fabrício das Neves não foi indiciado, mas seu nome é citado como apoiador por Maurício Vinhas de Queiroz. O mesmo acontece com o pai de Antônio Martins Fabrício das Neves, a quem nos referimos em Crônicas do Irani 2.
Os Lemos também estiverem presentes no combate, como Francisco e João Lemos.
Sobre várias pessoas não encontramos maiores referências ou descendentes, como: Firmino Sapateiro, Luiz (indicado como filho de João Luiz), João Venerando, Paulo Ramos, Estanislau Borges, Raphael de Brum, Sÿnfronio Honorato do Canto, Sebastião Lageano, Sebastião Vicente, Sebastião Baiano, Venâncio Lageano, Veríssimo de Faria, Benedicto Teixeira Guimarães, Emiliano Glória, João e Joaquim Bello, Joaquim Antônio Santiago, Mathias Ermelindo, Manoel Barreto, Francisco Maria, João Vermelho, Joaquim Germano, Joaquim Gomes e José Clementino.  Muitos desses homens podem não ser do Irani e seu sertão, Queimados (atual Concórdia).

A história
É preciso esclarecer que nem tudo na História é permanente e definitivo. Existem problemas a serem resolvidos. Que a Guerra do Contestado aconteceu ninguém duvida, está fartamente provado e documentado, guardado na memória, mas quando passamos para as suas causas surgem os problemas.
Como toda ação humana, escrever é um ato cultural, uma construção, um parecer a partir das fontes, informações reunidas e da visão de mundo/ideologia do autor que condiciona o enfoque. 
No caso do Contestado vamos citar uma seqüência de expressões e adjetivos dos que escreveram sobre o tema, esclarecer do que estamos falando.

Setembrino de Carvalho, 1915
Fanáticos, inimigo, bandoleiros, carolas, criminoso aldeamento, banditismo, ousadia feroz, movimento revolucionário, matutos, jagunços, desordeiros, sedição, populações ignorantes, fanatismo funesto, antros criminosos, falsa religião, segregados dos centros de civilização, hidra da anarquia, perturbadores da ordem republicana, patrícios transviados da lei.
Demerval Peixoto, 1916
Afamado antro de bandidos, facínoras, degenerados, índio feroz, entes desgraçados, covil afamado, entes desgarrados, aluvião de infelizes, irmãos enlouquecidos das selvas, matutada, brasileiros transviados, movimento de bandoleiros, astuta matutada. Sertanejo semi-bárbaro, esqueléticos caipiras, combatentes pecadores, meliantes, tabaréus, malfeitores, traiçoeiros e sanguinários. 
José Herculano Teixeira d’Assumpção, 1917
José Maria: perfeito farsante, pseudo-irmão de João Maria, pseudo-asceta, inteligente, desertor, satisfazia seus cúpidos desejos em algumas ingênuas donzelas sertanejas.
Oswaldo Rodrigues Cabral, 1979
Grupo de sertanejos, fé exaltada e desviada da ortodoxia católica, monge ignorado e ignorante, sertanejos rudes, monge estranho, fanatismo, doutrinas sediciosas, rebelião, crime, loucura, sertanejo rebelado, fanatismo religioso, doutrinas subversivas, bando de rústicos, bando de fanáticos, jagunços. Sobre José Maria: impostor, taumaturgo. 
Maurício Vinhas de Queiroz, 1981
Homem, curandeiro de ervas, sertanejos, messias, ajuntamento de povo, discípulos, místico retorno, acampamento religioso, adeptos de José Maria, ninho de guerrilheiros, movimento messiânico do Contestado, massas camponesas, direito de terras.
Ivone Gallo, 1999
Movimento popular, eremita, andarilho, profeta, curandeiro, milenarismo, revoltosos, rebeldes, excluídos, guerra sertaneja, caboclos, lideranças do Contestado.
Delmir Valentini, 2003
Sertanejos, José Maria e seus seguidores, movimento, fraternidade, líderes, exaltação mística, sonho da convivência fraterna, pessoas nos redutos, comandante José Maria.
Paulo Pinheiro Machado, 2004
Sertanejos seguidores do monge, lideranças sertanejas, movimento social do Contestado, características místicas, exaltação milenar, messianismo, líderes do reduto, movimento rebelde. (Por Celso Martins, outubro de 2011)

Committee to Protect Journalists

Estimado Sr. Rubim:

Trabajo con el Committee to Protect Journalists (Comitê para a Proteção dos Jornalistas  o CPJ), una ONG radicada en Nueva York que se dedica a defender la libertad de prensa en todo el mundo.  Le pido disculpas por escribir en español pero no hablo portugués, espero que podamos comunicar en “porteñol.” Le escribo porque estamos investigando el caso de Amilton Alexandre y intentando averiguar si es un caso que debemos tomar. Hemos leído sus comentarios en su blog sobre su muerte y queríamos saber si Ud. tiene más información sobre el caso? Además, queríamos preguntar si tendría los datos de Izidoro Azevedo dos Santos, el abogado de Alexandre. Parece que tiene otra opinión sobre el caso?

Le agradezco mucho la ayuda. Desde ya muchas gracias.

Saludos,
Sara Rafsky

Sara Rafsky
Committee to Protect Journalists
Americas Research Associate/ Investigadora Asociada, Programa de las Américas
330 7th Avenue, 11th Floor
New York, NY 10001
srafsky@cpj.org

João Bittar

    O fotógrafo João Bittar morreu neste domingo em São Paulo, aos 60 anos, em decorrência de um infarto fulminante. O João foi amigo comum meu e do jornalista Dario de Almeida Prado Jr.
   Em São Paulo, onde Dario foi morar na casa do João, protagonizaram uma festa que durou 6 meses!!!!! A primeira fase durou 15 dias e depois engatou...6 meses!
   Nascido em São Paulo, em 14 de março de 1951, Bittar começou a fotografar ao 17 anos. Trabalhou nos principais veículos de informação do país, entre eles a Folha, "Diário de S.Paulo", "Veja", "Exame", "Gazeta Mercantil", "Época" e "IstoÉ", entre outros.Mais aqui.

Mosquito: a última carta

     Caros leitores, vai aqui um relato dos acontecimentos que vivi desde a notícia da morte do Mosquito na tarde do dia 13 de dezembro de 2011. 
    Espero dar um tempo no assunto pois já estou até os tubos de tanto receber mensagens e escrever sobre isso. Desde o acontecido não consegui mais blogar direito, fiquei triste, chocado e não estou dando conta de responder as centenas de e-mails e comentários que chegam na minha caixa postal.
     Tem muita gente me citando como herdeiro do Tijoladas coisa que não sou e nunca pretendi ser. O Cangablog é anterior ao Tijoladas e sempre teve a marca da irreverência e da denúncia com nome e sobrenome dos bandidos que se instalaram no poder em Santa Catarina. Isso vai de Luiz Henrique da Silveira até a ave de arribação que transformou a prefeitura de Florianópolis num grande balcão de negócios, o prefeito Dário Berger.
    Continuarei o meu trabalho de investigação e exposiçãos dos bandidos. A morte do Mosquito é uma perda para nós que estamos ao lado dos cidadãos honestos e pessoas do bem.
   Com toda a sua virulência e agressividade, o Mosquito era uma pessoa do BEM!
   Uma perda lamentável.

   O relato
   Domingo há noite (11) por volta de 00:30h o Mosquito me contactou pelo sms:
- Canguita, vou te mandar um texto
   Pensei que fosse algo para publicar no Cangablog, já que ele havia fechado o Tijoladas (e não a justiça, como ele colocou) e já me preparei para "cortar" alguma ofensa ou algo do seu estilo.
   Demorou um pouco e cobrei dele:
- Porra, manda de uma vez que daqui há pouco vou ver um filme e desligar o computador.
-Já foi. Abraço! me disse.

   O que recebi foi um pedido de ajuda, uma carta de amigo para amigo. Um pedido de ajuda pensando no futuro. Pedia ajuda para conseguir emprego. Pensava para a frente. Em momento algum essa carta me passou a idéia de que, algumas horas depois, o amigo estaria morto. Daria cabo da sua vida.
    Publico-a por achar que esta foi a coisa mais simples, sincera e real que o Mosquito já escreveu.

A carta:
 Canquita (sic)

Aqui é o incorrigível Musca!

O cara que atolou o pé na lama e não sabe como sair.

A barca era boa, só que fui fundo demais. Atravessei o caminho. 

O blog fez sucesso ficou famoso e eu sempre sem lastro economico ia levando. Outro dia fui ver e tinha passado meses com R$ 500 pila. Porra mais me dedicando. Fui ver agora, minhas roupas acabando, eu com uma filha de 11 anos, que praticamente não coonvivi.

Porra e minha ficha demorou a cair.
Só sobrou  casa e eu pensando que dava para viver pagando agua luz e comida.
A conta chegou.


Estou sozinho, minha familia não quer saber de mim. Eu também pouco olhei pra eles.
Pior minha saúde já não é essas coisas. Fiz um estrago grande que atinge minha capacidade de encontrar uma saída.

Deixando de vaidades, estou me abrindo para vc.
Preciso de trabalho CANGA, em empresa de amigo, não quero cargo politico. Prestar algum trampo remunerado.
Qualquer trabalho  ligado a administração, ou mesmo prestação de serviço.
Tens uma rede e gostaria que vc usasse. Muita gente se beneficiou das tijoladas, e nem cobro por isso.


Nesse momento to querendo um norte.
Uma coisa concreta. Minha filha entrou na parada. Não dá mais.
Um abraço

Musca


    Bem, li a carta e o que me chamou a atenção foi a forma do texto. Me parecia tão desafetada, sem nenhuma carga de virulência, sem nenhuma acusação, sem nenhuma tijolada. Apenas um pedido de amigo. Tinha ali uma humildade surpreendente. Um pedido de socorro sem desespero. Não consegui distinguir se era uma serenidade no meio da loucura ou falta da energia sugada pelo violento embate que travava dioturnamente contra seus algozes.
    Na terça-feira à tarde, recebo um telefonema de um amigo comum e fonte (quente) do Mosquito, dizendo que estava preocupado pois o mosquito havia telefonado e ele não pode dar atenção a ele no momento. Mas que estava muito preocupado.
    Terça-feira, 18:30h chego na Kibelândia e recebo um telefonema do amigo Izidoro dos Santos:
- Mosquito foi encontrado morto, enforcado

   Perguntei de onde a informação e o Izidoro me deu o nome e telefone da fonte, que havia telefonado pedindo o meu telefone.
   Liguei imediatamente para o Gonzaga, chefe da segurança do condomínio Pedras Brancas, onde o Mosquito tinha a sua casa. O Gonzaga era seu amigo e vizinho há muito tempo.
   Falou que estava na casa do Mosquito e me descreveu a terrível cena. Perguntei como havia descoberto e ele disse que um padre havia ido até a casa do Mosquito a pedido de um amigo de Itajaí que não estava conseguindo contato com o blogueiro há dois dias.
    O padre encontrou o Mosquito, já morto, e foi a casa do Gonzaga para chamar a polícia. Enseguida chegou uma viatura com dois PMs e mais tarde a perícia. Duas equipes, uma do delegado Attilio Leme, de Palhoça, e outra do Departamento de Inteligência e Investigação do SSP, destacado pelo secretário de segurança.
    O Gonzaga não soube me dizer quem era o padre que havia sido o primeiro a chegar na casa do Muska e nem o amigo de Itajaí que acionou o padre. Isso não fechava. Fiquei intrigado e achei bastante estranho pois o Mosquito nunca me falou destes personagens.
Pedi ao Jerônimo Rubim, meu filho, que investigasse que eram os dois. dentro de pouco tempo tínhamos a resposta: o amigo do Mosquito de Itajaí se chama (entre no blog do Nahor) e era amigo do Muska há bastante tempo. Nahor pediu ajuda ao Pe. Elizandro, que trabalha em uma paróquia de Palhoça.
 Nahor relata em seu blog:
    O fim: como não havia mais postado nada há alguns dias e seu celular estava desligado, pedi a meu amigo Pe. Elizandro, que trabalha em uma paróquia de Palhoça, que fosse até sua casa. Pe. Elizandro me ligou dia 13/12, às 17h20, dizendo que encontrou Mosquito sem vida enforcado em sua casa. 

É isso!!!!

Da amiga...

Marize Lippel deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A ÚLTIMA TIJOLADA":

     O mundo hoje ficou mais triste, a vida deixou de sorrir. Dia 13, e não poderia ser em outro dia cabalístico, sendo o Mosquito, o Universo arrancou de nosso convívio um amigo querido.     Conheci Alexandre em épocas duras, onde a Ditadura Militar em nosso país impedia ferozmente qualquer pessoa de se manifestar. Ele era tão irreverente como hoje e incansável militante na luta pelas liberdades democráticas. Pagou duro por isto, sendo perseguido por muitos e por muitos anos. Foi graças a esta eterna irreverência, que muitos hoje podem postar seus comentários e podem se manifestar livremente. Mosquito, como nós, amigos o chamamos, era um militante eterno e vigilante contra corrupção e a hipocrisia reinante em nossa corte palaciana fantasiada de democracia.
    Muitos se sentiram incomodados com seus comentários, muitas vezes irreverentes e corajosos, porém certeiro a quem queria atingir. Para isso servem os eternos militantes. Seus gritos foram aclames desesperados para que o povo não se acovarde e não se acomode frente à luta incansável contra corrupção. Mosquito, imprescindíveis são aqueles como tu, que como ser humano se equivoca, mas nunca desiste de lutar. 


Renato Souza deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Da amiga...": Alguns esquerdistas de ontem, que tempos atrás lutavam contra a mão de ferro de uma ditadura, hoje fazem um governo de direita mais forte e cheio de rancor que seus antigos algozes.Estes tais que num passado não muito distante se juntavam aos bandos contra a tirania de um regime vergonhoso, agora pensam diferente, porque mudaram? o que será que mudou? Em que esquina ficou aqueles ideais.
O poder nos vicia e muitas vezes também cega, Triste cena para ser deixada como referência aos nossos. 

sábado, 17 de dezembro de 2011

OS DRAGÕES DA MALDADE CONTRA O MOSQUITO GUERREIRO

Por Ige D'Aquino*


*Artista plástico mineiro morando hoje em Itú/SP. Foi capeiro do Novo Jornal/Florianópolis em 1983

As últimas palavras que troquei com o Mosquito





    Fazia tempo que o Mosquito não estava legal.
    Depois da decretação da prisão dele e da condenação no processo do Marcondes, ele simplesmente não tava atinando mais nada.
    No dia 07 de dezembro conversamos pelo Twitter onde, claramente, ele manifestava a intenção de dar fim à vida. Conversamos bastante e eu tentei demover ele das “idéias”. Mas parecia que ele tava determinado.
    Observem que ele pede “reza por mim”.
    Que eu saiba o Mosquito era ateu. E foi isso, podem acreditar, o que me deixou mais aflito.
    Nesse mesmo dia 07, enviei dois tuites pra o Sérgio Rubim (Canga) transcrevendo parte do que ele tinha me dito (segunda imagem), onde eu manifestava minha preocupação com o comportamento do Amilton.
    No dia 09 de dezembro, voltamos a conversar, mas ele não seguiu meu conselho ou recomendação de procurar um médico que pudesse prescrever um remédio pra controlar a sua ansiedade. Pediu que o ajudasse a deletar todo o conteúdo do Tijoladas do Mosquito.
     Foram ao todo 1.380 postagens que colocamos no lixo do blog. O conteúdo ficou zerado!
Imaginei que com o blog fora do ar temporariamente (pois esta era a nossa intenção) ele fosse ficar um pouco mais calmo. Engano meu. Continuou com a mesma “nóia”, como pode ser observado nas mensagens diretas que trocamos.
    Eu estava na Laguna e não consegui falar com ele por telefone porque o meu celular estava com problemas.
     Perdi um grande amigo e no momento é só o que tenho a dizer.
Jorge Oliveira

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

MOSQUITO

    Por Geraldo Barbosa

    A morte de Amilton Alexandre, o MOSQUITO, não afeta apenas a nós – seus amigos, familiares, admiradores e companheiros de militância – atinge a toda a nossa geração e aos lutadores do povo de Santa Catarina. Ele foi um grande lutador pelas causas mais bonitas e valiosas da humanidade: a liberdade, a justiça social, a democracia para o povo trabalhador, o socialismo.
    Eu o conheci na viagem para o Congresso de refundação da UNE (Salvador – BA) em 1979 e ali conheci a saúde civil e a impressionante capacidade de indignação que marcava sua personalidade. Durante a viagem, diante de uma barreira polícial que tentava impedir nossa delegação de chegar ao Congresso da UNE (então proibido pela ditadura) como uma “ventania” do sul aglutinou rapidamente um protesto. Atuamos juntos, em seguida, na campanha para a eleição estudantil na Universidade Federal de Santa Catarina. Ele era candidato ao Diretório do Centro Sócio-Econômico e apoiava a nossa chapa - Unidade - para o DCE (eleita com Adolfo Dias na presidência, eu era um dos vice-presidentes). Este ano de 1979 ficou na nossa memória histórica como o ano mais importante do movimento estudantil em Santa Catarina. Naquele ano, Mosquito teve um importante papel, marcado por sua presença de espírito, na lutas por um novo Restaurante Universitário e pela preservação da UFSC como Universidade pública; contra o projeto do governo Figueiredo que tentava privatizar as Universidades federais. Fomos companheiros na organização da Novembrada e no cárcere da ditadura.
    Depois da Novembrada, Mosquito participou com bravura da luta pela revogação da Lei de Segurança Nacional, enfrentando frontalmente o regime militar. Era um companheiro valente e sincero. Ele marcou nossa geração, que se formou na luta política sob e contra a ditadura, como um símbolo vivo da juventude insubmissa.
    Nos últimos anos - no seu “Blog” Tijoladas do Mosquito - denunciou corruptos e corruptores, denunciou crimes dos donos do dinheiro, do poder e da mídia. Em cada tijolada ele falava e publicava o que não se permite publicar na imprensa controlada pelos monopólios econômicos. As causas pelas quais lutou e as denuncias verdadeiras que realizou (e pelas quais foi perseguido) tem por herdeiros a luta do povo trabalhador e de todos que se identificam com sua sede de justiça. Não buscava benefícios pessoais; mas praticar, do jeito que podia e sabia fazer, seu compromisso de vida e de luta.
     Sua vida é toda ela um testemunho de rebelião criadora, exemplo de integridade, coragem política. Buscava um socialismo humanista. Sua identidade socialista não se dividia; assim como o ser humano não se divide: não se pode ser socialista em política e agir em contradição com o socialismo em questões econômicas, culturais ou morais.
    É difícil prestar um depoimento sobre um amigo. Sua amizade franca, alegre e calorosa enriquecia nossas vidas. Trazia consigo alegria de viver e generosidade espontânea; o que se combinava com sua agressividade na luta pelas causas dos explorados e oprimidos. A evocação de seu compromisso com a humanidade permanecerá presente conosco na luta por uma sociedade verdadeiramente humana. Mosquito lutava por uma sociedade de seres humanos livres e iguais; onde a liberdade de cada um será a condição da liberdade de todos e a liberdade de todos condição para a liberdade de cada indivíduo.
    Mosquito, obrigado por ter existido.
    14 de dezembro de 2011.

Apropriações e apropriações de um legado

Por Celso Martins*

Um dia após o enterro de Amilton (Mosquito) Alexandre dois episódios ilustram que existem apropriações e apropriações, uma legítima, com respaldo na solidariedade, camaradagem e parceria, outra, com ares de ilegitimidade, tende a cair nos braços de interesses político-eleitorais.

A apropriação legítima está sendo operada com muita competência pelos jornalistas Sérgio Rubim (Canga) e Jerônimo Gomes Rubim, já faz algum tempo, através da ocupação do espaço que Mosquito deixou, ainda vivo, conforme podemos observar nos textos por ele deixados (
Tijoladas do Mosquito continua no ar). Na real os Rubim continuam uma trajetória iniciada antes do surgimento do Tijoladas, com características próprias.

A outra iniciativa, que poderia assumir características de “desobediência civil” e, aí sim, resultar em medidas concretas e eficazes de moralização da coisa pública, nasce aparentemente tutelada. Estaria surgindo no cabresto de interesses outros, desassociados do que poderíamos chamar de “memórias mosquitianas” ou o jeito “mosquitiano” de se manifestar. Trata-se, aqui, caso a iniciativa tome o rumo apontado em manifesto**, de uma apropriação indébita, uma extorsão intelectual, um estupro politizado.


Felizmente, entre os que tomaram a iniciativa do ato desta sexta-feira (16.12, 17 horas, Catedral), existem cabeças iluminadas que podem conduzir a indignação resultante da morte de Mosquito – pela forma e nas circunstâncias em que aconteceu –, no caminho Político sim, mas com P maiúsculo, sem visar votos na próxima eleição. Caso este setor do movimento social de Florianópolis não consiga conduzir este sentimento pelo caminho sadio e desinteressado, teremos nada mais que um comitê de campanha em franca (e antecipada) atividade.     

 
Nunca é demais lembrar: nos dias que antecederam a morte, Mosquito escreveu e telefonou para diversas pessoas pedindo emprego, estava precisando refazer a vida e precisava de um plus para dar o start. Aquele era o momento para os acólitos de hoje "exaltarem a memória" do blogueiro.

*Celso Martins é jornalista e historiador, editor do Portal de Notícias Daqui na Rede e dos blogs Sambaqui na Rede2 e Fragmentos do tempo2. Cobriu pelo jornal O Estado a Novembrada em 1979 em Florianópolis que resultou nas prisões de sete estudantes, entre eles Amilton Alexandre.

**O citado manifesto abre anunciando o mote: “Mandem me prender! Afirmo, como Mosquito afirmou: Dário é corrupto!” E anuncia um “Júri  Popular” denominado “Tijolada por Justiça”, informando em seguida a data e local do ato.

 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Tijoladas do mosquito continua no ar

Abaixo a última postagem do Mosquito. Uma despedida de uma pessoa vencida pelo cansaço e pelo desgate dos constantes embates contra uma máquina criminosa que suga constantemente os cofres públicos privando gerações e gerações de crescerem saudáveis e com educação. Todos as pessoas que o Mosquito acusou de corruptos, eram corruptos. Nunca houve uma acusação falsa, sempre provou. Acabava sendo processado por usar palavras ofensivas, sua marca registrada.
São criminosos organizados que há muito tomaram o poder e controlam as instituições públicas, desde a justiça até a prefeitura local. São perigosos e não hesitam em exercer a sua força, inclusive física. Uma grande parte destes criminosos pertence à Maçonaria e usam suas reuniões secretas para planejar seus crimes. O Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público junto ao TCE seriam um dos ninhos mais fortes desta quadrilha. Amilton Alexandre, o Mosquito, vinha trabalhando nessa linha de investigação. O que conseguiu apurar especificamente sobre isso talvez esteja no HD de sua máquina/metralhadora/giratória, neste momento em mãos do delegado de polícia da Palhoça. Tenho audiência marcada com o delegado e espero acompanhar a perícia no HD do seu computador.

O blog TIJOLADAS DO MOSQUITO continua no ar. Acesse http://www.tijoladas.info/ e pesquise o material produzidos estes anos todos por Amilton Alexandre. Ali estão os nomes do bandidos que o levaram à morte. Um crime perfeito.

Abaixo a última postagem:

 O Blog 

Submitted by on Friday, 9 December 2011Sem comentário


    Quem tem acessado o blog nas últimas semanas notou um vem e vai de informações, postagens deletadas e até comentários sobre a coragem do blogueiro nas suas manifestações.
    O blog foi construído com o objetivo de denunciar corrupção, tratar de assuntos ligados a cidadania e versar sobre os mais diversos temas da blogosfera.
Durante todo esse tempo, minha atividade foi manter o blog com informações e denúncias.
    O blogueiro, apesar de muitas vezes advertido, carregou nas tintas contra os políticos. Passou dos limites em alguns casos. Claro, colheu processos e condenações, aos quais recorre.
    Mas contribuiu para tentar sanear a política catarinense. Não foram poucos os assuntos tratados aqui  transformados em inquéritos no Ministério Público e ações civis públicas.
    Quem achou que havia financiamento de grupos interessados em obter vantagens com o que era publicado aqui, se enganou.
    Tanta dedicação ao blog levou-me a um isolamento familiar, com oposição a minha atividade, problemas de saúde e outras dificuldades. Nas últimas semanas acusei o nocaute.   Não tenho mais como enfrentar as ameaças e retaliações pelo que publico. É sensato dar um tempo.
    Como diz um amigo meu: O que vc ganhou com o blog?
    O ganho não foi pessoal, mas coletivo. Talvez um dia eu tenha a resposta para a minha parte.
    Agora vou tentar me reestruturar numa atividade menos tensa. Preciso dar mais atenção a quem precisa: eu mesmo.
    Passando pelo Cangablog vejo que o arsenal de maldades dos políticos não para. Vou deixar o Canga linkado aqui permanentemente. Devo dar alguns pitacos lá.

    Aos meus leitores desejo bom Natal e um Ano Novo com saúde e paz.

.
    E encerra suas atividades o polêmico blog Tijoladas do Mosquito. Por três anos, legislativo, judiciário, executivo e outras ôtoridades de SC tremeram nas bases com as denúncias e xingamentos do Mosquito. Ele foi o primeiro a denunciar o escândalo da árvore de natal da Beira Mar Norte. O primeiro a falar sobre os estupro de uma menor envolvendo Sirotskys.     
    Várias denúncias do blog, bem documentadas, estimularam investigações do Ministério Público e condenações. Chegou a ser citado na sentença de um juiz que condenava um prefeito do interior a devolver dinheiro público.Talvez não tenha feito jornalismo na forma e padrão convencional, disparando adjetivos tortos e alguns "filhos da puta" a mais. Ganhou mais de 50 processos por isso. Dependendo da teoria de análise, alguns vão dizer que nem jornalismo fez, era só denuncismo. Mas foi um defensor apaixonado da ilha e seu povo (nós), e fez o que o jornalismo local não faz: desmascarou, denunciou, investigou e provou irregularidades. 
    Mostrou ali, no blog público e acessado por mais de cinco mil pessoas por dia, a mão grande e a completa desfaçatez de quem é muito bem pago para escolher por nós – e que faz questão de escolher apenas por eles. Deixa seguidores fiéis, que viram nesse justiceiro dos bytes a voz comunitária da indignação. A pressão, vocês devem imaginar, é terrível. No último achaque do poder, dava depoimento em processo movido por Dário Berger quando recebeu uma ilegal voz de prisão ao responder pergunta do promotor – que tem cargo público e não poderia estar ali.Tá tudo documentado no blog dele, aparece lá. Descubra um pouco mais sobre o que realmente acontece na sua cidade. Como ele mesmo escreveu, o blog entra para a história de Florianópolis.
    "Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade." – George Orwell

Vá para o Cangablog

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A ÚLTIMA TIJOLADA


     A notícia da morte do blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, causou comoção entre os frequentadores da Kibelândia no final da tarde de ontem (13). A notícia se explalhou rapidamente pela internete e em poucos minutos a morte do blogueiro era o assunto mais citado no twitter do Brasil.
    Soube da tragédia no momento em que entrava na Kibelândia, por volta das 18:30hs (13). Um telefonema do meu amigo Izidoro Azevedo dos Santos trazia a trágica notícia:
   - Canga, o Mosquito se matou!

    Pôrra, isso é uma coisa brutal!

    Liguei imediatamente para um vizinho do Muska, Gonzaga, e perguntei de onde ele tinha tirado a notícia e se ele confirmava a morte. Respondeu que era verdade. Estava em frente ao Mosquito, morto. Aguardavam apenas o IML.

     A partir desse momento o telefone não parou mais de tocar. Eram pessoas passando infiormações e outras tantas querendo informações. Minha mesa na Kibelândia virou um centro de notícias onde operava o Cangablog, o twitter, o FaceBook, o telefone, o menssenger e os canais de voz do FB e do gmail. 

    Começaram a chegar pessoas ao bar com a notícia e vários grupos se formaram na rua e dentro da Kibelândia. Teorias da conspiração e outras teorias se misturavam a comentários de látimas e sentimentos de perda. Várias pessoas choravam e lamentavam a morte do Mosquito.
 
    Tentando manter o foco e sair daquele turbilhão de pensamentos e stress que me invadiu ainda conseguia observar o comportamento da massa. Uma coisa me chamou a atenção. Nenhuma daquelas pessoas eram íntimas ou mesmo amigas do Mosquito. Ele era solitário. O seu circulo de amizades era extremamente virtual. Era na internete, através das várias mídias que manipulava, que conseguia praticar parcerias e amizades que não tinha na vida real.
    Mas mesmo assim todos estavam comovidos, demonstravam isso publicamente. Por que?
Porque embora até evitassem sentar na mesa do Mosquito quando ele estava na Kibelândia se sentiam parte integrante do blogueiro. Ele falava e escrevia o que todo o mundo queria falar e não tinha coragem para tal.

    O Mosquito foi um fenômeno incrível em termos de mobilização de opiniões, se transformou em porta-voz da grande maioria das pessoas revoltadas com os crime cometidos por políticos, desembargadores, agentes do Ministério Público, juízes e conselheiros do Tribunal de Contas que eram incessantemente denunciados e escrachados no seu blog Tijoladas do Mosquito.

    Essas pessoas que ali estavam não lamentavam a perda de um amigo, lamentavam a perda das suas vozes, lamentavam o fim de um canal de manifestação que pela primeira vez desnudou de fato toda e qualquer autoridade metida em crimes e falcatruas.

    Se enganam os que, com a morte do Mosquito pensam que sairam vitoriosos do embate. Já estavam feridos de morte. O Mosquito na sua sanha vingativa contra a corrupção já tinha manchado as suas "ilibadas" histórias. Já estavam derrotados desde o primeiro dia que frequentaram as páginas do Tijoladas do Mosquito. 

    Ainda há poucos dias colocou no twitter:
    - Eu tenho um amigo! O Canga!
    
    Gostava de mim e me ouvia. Nunca tivemos uma amizade próxima. Pelo contrário, brigamos uma vez e eu sempre o evitava. Mais tarde com o surgimento do Cangablog voltamos a nos falar. Ele mandava comentárias diariamente, muitos eu não publicava por escatológicos. Com tanta reclamação da parte dele propus que criasse um blog. Surge, então, o Tijoladas do Mosquito. Ensinei-o a blogar e depois ele disparou. 
    
    Conseguiu a fantástica façanha de, num só dia, atingir a marca de mais de 70 mil acessos. Foi quando denunciou o caso do estrupo que envolvia menores filhos de famílias ricas de Florianópolis.

    Atuávamos em conjunto. Trocávamos informações e denunciávamos casos de corrupção.  Mosquito tinha uma quantidade de fontes de informações incrível. Conhecia muita gente. Fazia matéria de denúncia, investigativas. Fazia jornalismo.
  
    Ainda ontem li no twitter um jornalista dizendo que tudo que ele não fazia era jornalismo.  
Puro despeito!

    Talvez para esse jornalista, praticar jornalismo é fazer assessoria de imprensa e colunas elogiativas de autoridades. Está enganado. Mesmo com diploma de Administração, o Mosquito fazia jornalismo. Morreu em plena atividade da profissão.

    Sobre a sua morte, ele já vinha há dias mandando sinais de que pretendia dar cabo da vida. Solitário, sem dinheiro, com o seu blog fechado pela justiça, estava deprimido e parecia não encontrar saida para o fosso em que se meteu.

    Tinhámos uma linha recuada de defesa. Um hacker, do bem, que mora em Laguna nos dava suporte constantemente. Com ele Mosquito falava bastante pelo twitter. Semana passada escreveu: 
- O circulo está se fechando. Não vejo mais saída. Acho que vou me matar!

   Com um grande arsenal de tijolos para atirar nos corruptos que enlouqueceu neste tempo em que atuou, resolver guardar o último para si.

Uma pena!






Despedida do Muska

O Mosquito será velado nesta quarta-feira, das 10h às 15h, no Cemitério São Francisco de Assis, no Itacorubi, onde será sepultado.

Ivan Pimentel deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, foi enc...": 20h29min - #mosquito é Top (1º mesmo!!!} no Tweeter Brasil. 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Queridos leitores...

Não tenho mais energia para continuar blogando. Desde as 6 horas, quando cheguei na Kibelandia, e soube da morte do blogueiroAmilton Alexandre a loucura se instalou na minha cabeça. O telefone não parou mais de tocar, com um leptop emprestado comecei a noticiar e a postar os comentários que chegavam e a coisa virou um loucura!
Deu pra minha bola
Mais tarde vou escrever sobre o lance!
Estou impressionado com a quantidade de gente que o Mosquito envolvia.
Até de repente...

Döll deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O blogueiro Amilton Alexandre, o Mosquito, foi enc...": Me lembro do Mosquito da época do antigo Sol da Terra,na Vidal Ramos, quando foi planejado o ato contra o Figueiredo...lembram disso? Na última conversa que tivemos, foi durante a audiência pública da Ponta do Coral, quando me pediu para publicar o texto que eu tinha acabado de ler durante a audiência pública. Esta foi aúltima vez que estivemos juntos e pudemos falar dos covardes e corruptos...Lamento muito...Lamento muito. Perde a cidade, perde o povo correto...Lamento muito... 

edson deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Queridos leitores...": Chocante...saber que o bravo tombou!!! Tanto vagabundo poderia ter ido antes. Valeu Grande Mosquito. Deste um banho, abençoado!!!ed - Itajaí. 


Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Queridos leitores...":Pode-se calar a boca de um jornalista mas, jamais, a alma que dele se alastra, na forma de linhas que compõe um texto.E, assim, em cada frase em que identifica os infratores de todos os gêneros, cores, raízes e desculpas (se é que há), alí estará a alma do jornalista (tanto aquele que foi calado como os que estão por vir). E muitos outros virão, para repetidamente recontarem as atrocidades, os danos, as imoralidades e as bandalheiras de alguns. E, depois, outros e mais outros e outros, ainda, virão.Descansa Mosquito, sereno.Há outros loucos dispostos, por aí.