sábado, 19 de novembro de 2016

Mc Donald’s

por Marcos Bayer 
 
    Os Estados Unidos da América, numa visão atual, podem ser vistos sob três óticas.

   Donald Duck, obra prima de Walt Disney! Donald Trump, fruto da democracia mais representativa do mundo moderno e Mc Donald’s, a representação fast food da gastronomia yankee.

   Dito isto, gostaria de comparar as bobagens que parte da imprensa mundial tem difundido sobre o novo presidente dos Estados Unidos, com as festas temáticas das senhoras de meia idade desocupadas. Porque as ocupadas não perdem tempo com festas temáticas!

   As festas temáticas, escrevo pela terceira vez, são festas muito fantasiosas, por obviedade. Assim como algumas das opiniões de parte da mídia nacional.

1. Donald Trump, como nenhum outro presidente, explodirá o mundo apertando o botão vermelho da mala atômica. Antes de apertar o famoso botão, a decisão sobre ele, é triada por mais de 50 comandantes militares de primeiro escalão, além de forças econômicas poderosíssimas. Porque não se deixaria ao sabor de um só homem, ainda que presidente dos EEUU, esta crucial decisão. Afinal, ele poderia acordar de mau humor, tomar um porre de Jack Daniels do Tennessee, sofrer uma traição amorosa ou, por ato estabanado, apertar o botão fatal.

2. Outra das fantasias ditas é na questão dos imigrantes. Ele falou na campanha o que o povo eleitor branco e desempregado queria escutar. Ele não expulsará árabes e ou mulçumanos, tampouco mexicanos ou latinos e negros africanos. Ele expulsará tão somente criminosos fichados, ilegais desnecessários e eventuais ameaças humanas. Nada mais, pois como empresário ele sabe que força de trabalho mais barata ajuda no crescimento do PIB.

3. Ele, Trump, com todo apoio do capitalismo puro imporá necessárias barreiras alfandegárias às vassouras chinesas de U$ 1,99 dólares. Como aos inúmeros produtos Made in China. Se assim não proceder, em uma dezena de anos, a China destruirá o que resta da produção em solo americano e acabará com os empregos dos que ainda trabalham no sistema produtivo deles. Para exemplificar vejam o que aconteceu com a Walmart e seus empregados.

   Finalmente, festas temáticas de senhoras de meia idade desocupadas e opiniões inconsistentes de parte da imprensa mundial, só são úteis nos sábados vespertinos do outono no Hemisfério Norte. 


sexta-feira, 18 de novembro de 2016

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Funcionários querem indicação técnica para Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural da FCC

Rosange Sena
   Os técnicos da Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) vem a público se manifestar, frente a mudança na gestão Secretaria de Estado de Turismo Cultura e Esporte reverberada pelos jornais de circulação do Estado de Santa Catarina.

   A Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural possui um papel importante na proposição e acompanhamento das políticas de proteção e valorização do patrimônio cultural em nosso Estado, destacando-se as ações de pesquisa e salvaguarda do patrimônio material e imaterial, realizadas pela Gerência de Patrimônio Cultural e Gerência de Pesquisa e Tombamento. Além disso, exerce trabalhos reconhecidos e consolidados na conservação de bens móveis e integrados, realizadas pelo Ateliê de Conservação e Restauro (ATECOR) e junto aos museus do estado, através do Sistema Estadual de Museus (SEM).

   Entretanto, apesar dos esforços dos técnicos concursados que atuam diretamente nestas áreas para garantir um atendimento de excelência à sociedade, muitas de suas atribuições encontram-se prejudicadas, devido à indicação política sistemática de presidentes, diretores e gerentes que não possuem o perfil de gestores, e demonstram total incapacidade para lidar com as questões pertinentes.

   Elencamos aqui, independente de quem venha a assumir a Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte, as ações que devem ser realizadas para a salvaguarda do nosso patrimônio cultural de maneira eficiente e responsável:

1) Nomeação, para o cargo de Diretor de Preservação do Patrimônio Cultural da FCC, de um profissional com formação técnica e experiência na área, com capacidade de articulação interinstitucional e conhecimento na área de gestão.

2) Apresentação de um plano plurianual de gestão para a Diretoria de Preservação do Patrimônio Cultural da FCC, pois atualmente os técnicos atendem apenas demandas externas.

3) Nomeação, para os cargos de Gerência de Pesquisa e Tombamento e Gerência de Patrimônio Cultural da FCC, profissionais com formação técnica e experiência em suas áreas de atuação, coibindo qualquer prática de desvio de função destes cargos. Estes cargos precisam ter o domínio da legislação vigente da salvaguarda do patrimônio cultural, bem como ter conhecimento técnicos referente ao trabalho desenvolvido.

   É urgente que a cultura seja compreendida como base de desenvolvimento social e econômico, possibilitando o funcionamento institucional pleno em prol da preservação da história, da memória, dos imóveis de valor cultural, dos acervos museais, dos saberes, dos movimentos folclóricos tradicionais, das artes. É urgente a indicação de lideranças verdadeiramente comprometidas e atuantes que planejem, acreditem e incentivem ações positivas e concretas.

   Solicitamos à sociedade que apoie esta causa.

domingo, 13 de novembro de 2016

Morre Leon Russell



O músico country, morre aos 74 anos em Nashville
Russell entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll em 2011. Músico se apresentou ao lado de Joe Cocker, George Harrison e Elton John.

   O músico country Leon Russell morreu em Nashville (EUA) neste domingo (13) aos 74 anos. Sua morte foi confirmada por sua esposa em uma postagem no site oficial de Russell, que entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll em 2011.

   Leon Russell se apresentou anonimamente como um pianista de estúdio em dezenas de hits pop dos anos 1960. Na década seguinte, surgiu como um dos músicos mais dinâmicos do rock e do country.

   De acordo com seu site oficial, Russell participou da turnê de Joe Cocker "Mad Dogs & Englishmen" e tocou com George Harrison and Friends em um show em Bangladesh. Ele também participou de apresentações de Willie Nelson e Elton John e é responsável por compor músicas como "A song for you", "Delta lady" e "Hummingbird".

Do G1

 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O Gato e o Jerry. Os fãs são eternos!!!


   Ser fã é uma coisa engraçada. Na juventude é comum sermos fã de artistas e cantores. Ser fã é admirar, amar alguém incondicionalmente.
   Com o tempo, aquela dedicação de expressar, expressivamente, a admiração por uma pessoa se transfere para um cantinho agradável da lembrança e, acredito, com mais tempo, fica somente uma vaga lembrança. 

   Será?

   Pois semana passada o meu amigo estava a caminho de Teresina, onde daria uma palestra em uma universidade privada. De repente recebi um aviso de whats no telefone. 

   Era ele.

- Adivinha quem eu encontrei, agora mesmo, no aeroporto do Rio, e que embarcava no mesmo vôo para Teresina?

- Quem? perguntei intrigado.

- O Jerry Adriani!!!! Apertei a mão dele e disse que sou fã, e sou mesmo...das antigas! Ele é simpaticão!

   Percebi que amigo estava emocionado. Era fã!
Logo emendou...
-"Procure olvidar...tudo que lhe fiz..."
- Lembra dessa? 

   Parei o carro no acostamento e ri muito! Contive a emoção...e continuei o "diálogo".

- Ele me disse para procurá-lo no Facebook, não como Jerry...como Jair Souza...com z...confirmou...virou amigo da antiga...kkkkkkk

   Estava sendo demais para mim. Comecei a entrar na situação e imaginar o "momento" que o amigo estava vivendo. Daí perguntei:
- Tá, mas onde exatamente foi o encontro?

   A resposta foi fantástica!
- Foi na fila Preferencial...para idosos...kkkkkkkk

Os fãs são eternos! 


quinta-feira, 3 de novembro de 2016

...nossos rastros

   Por mais que queiramos passar incógnitas pela vida, sempre deixamos rastros, marcas, indícios, pistas de que por aqui passamos e...pensamos.
   Pois o escritor Lourenço Cazarré  descobriu uma dessas pistas de um amigo em comum: o companheiro de ofício, Emanuel Medeiros Vieira!
   Estava lá na seção "Diversão e Arte", na coluna "Tantas Palavras" do jornal "Correio Braziliense".




quarta-feira, 2 de novembro de 2016

CGU aponta ilegalidades na merenda escolar de SC

Auditoria do órgão federal identificou pagamentos ilegais, falta de controle no fornecimento da alimentação, uma série de irregularidades nas licitações que previam a aplicação dos recursos do Programa de Apoio à Alimentação Escolar, além falta de estrutura nas escolas inspecionadas.
 
do FAROL
  Nos ano de 2014 e 2015, cerca de 580 mil alunos da rede estadual de educação de Santa Catarina precisaram receber alimentação nas suas unidades de ensino. Neste período, o governo federal repassou à Secretaria de Educação do Estado R$ 75,6 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que, segundo o órgão, deveriam ser aplicado exclusivamente na aquisição de gêneros alimentícios. No entanto, o relatório de fiscalização da Controladoria Geral da União (CGU), concluído em abril deste ano, apontou uma série de irregularidades na aplicação do dinheiro, como pagamentos ilegais às empresas terceirizadas, falta de controle sobre as quantidades faturadas nas notas fiscais e descumprimento nos editais de licitação para contratação de empresas terceirizadas. 
   A auditoria constatou também instalações em condições inadequadas para armazenamento dos alimentos. As mesmas irregularidades já haviam sido apontadas pelo Ministério da Educação em 2013.
   Segundo o relatório da CGU, dos R$ 75.671.740,00 repassados através do Programa  Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) nos anos de 2014 e 2015 —de um total de R$ 216 milhões pagos às empresas Risotolândia e Nutriplus— R$  62.400.586,87 foram utilizados “indevidamente”. As mesmas duas empresas ainda receberam mais de R$ 3 milhões (R$ 3.342.877,53) por serviços não previstos nos contratos, segundo a auditoria.
   O sistema de alimentação escolar de Santa Catarina está distribuído em sete lotes divididos nas 36 Gerencias Regionais de Educação (Gereds). No exercício de 2014, a empresa Risotolândia foi responsável pelo fornecimento de merenda no lote 1 (grande Florianópolis), lote 3 (Gereds de Laguna, Tubarão, Araranguá, Criciúma e Braço do Norte) e lote 5 (Gereds de Blumenau, Itajaí, Timbó e Brusque), enquanto a empresa Nutriplus ficou responsável pelo fornecimento referente  aos  lotes 2 e 6 do Pregão Presencial nº 20/2014 e aos lotes 4 e 7 do Pregão Presencial nº 57/2014.
Nos três lotes de responsabilidade da empresa Risotolândia no ano de 2014, segundo dados extraídos do sistema “Alimentação” da Secretaria de Educação de Santa Catarina —utilizado como base para os pagamentos  às empresas  terceirizadas—, foram fornecidas 27.426.228  refeições que deveriam ter totalizado R$  57.235.314,00. No entanto, conforme relação de  notas fiscais faturadas pela empresa e analisadas pelos técnicos da CGU, a merenda custou R$ 59.915.978,49, um valor R$ 2,6 milhões superior ao que de fato foi fornecido.
   Leia reportagem completa. Beba na fonte.

domingo, 30 de outubro de 2016

Leitora pede socorro!

SOCORRO SERGIO RUBIM!!!

Moro há mais de 40 anos ao lado do Batalhão da PM na AV. Nereu Ramos e vejo que cada ano que passa essa obra não anda!

Não há operários e apagaram, na placa, o prazo do término das obras!!!!!
Olhem a foto!!!!
Hein sr Governador????
Secretário de Segurança Pública????
A insegurança ronda a região!!!!
Os drogados já estão tomando conta do prédio!!!!

Alexandra Piovezan

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O juizeco e o senadorzinho



by Fábio Pannunzio
 
Renan Calheiros é o presidente de uma instituição que um dia decidiu criar uma guarda para… Para que mesmo ?
De acordo com a Resolução nº 59/2002, para cuidar da segurança do presidente da Casa e dos demais senadores “nas dependências do Senado Federal”. Ou ainda, “em qualquer localidade do território nacional e no exterior, quando determinado pelo Presidente do Senado Federal“.

Renan acha que um “juizeco de primeira instância” não tem a prerrogativa de molestar policiais do Senado que exorbitam o limite legal de sua atuação ao desarmar grampos determinados por algo como a Operação Lava Jato.

Ou seja: o juizeco não pode parar o processo de obstrução judicial patrocinado pelo senadorzinho. Mas o senadorzinho pode tudo. Inclusive mandar varrer a casa de um deputado que todos sabem quem é e podem imaginar por que foi destinatário de tão dileto favor.

Não importa que a proteção da guarda pretoriana de Renan Calheiros se estenda para muito além dos detentores de mandato senatorial, como José Sarney, ou alcance até quem jamais tenha sido integrante da Câmara Alta, caso de Cunha. A guarda é de Renan, o dono do Senado, que faz dela o que bem entender. E ai de quem reclamar.

Se alguém como o ministro da Justiça ousa defender a legalidade e a legitimidade da atuação da outra polícia, esta sim uma polícia de verdade, a Polícia Federal, então não será mais ministro pleno, e sim um ministro eventual, temporário, prestes a ser derrubado pelo Comandante-em-Chefe da Polícia do Senado. Hoje, para ser ministro no Brasil, é preciso ter o aval de Renan Calheiros, e também obedecê-lo. Só a vontade do Presidente da República não é suficiente.

Leia artigo completo. Beba na fonte.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

A ministra que peitou o cangaceiro




'Onde um juiz for destratado, eu também sou', diz Cármen Lúcia
Renan Calheiros chamou de 'juizeco' juiz que autorizou operação no Senado. Presidente do STF exigiu dos demais poderes 'respeito' ao Judiciário.

Renan Ramalho Do G1, em Brasília

    A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, exigiu nesta terça-feira (25) "respeito" ao Judiciário por parte do Legislativo e Executivo. Ao abrir a sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) - órgão de controle dos tribunais que ela também preside -, a ministra disse que os poderes devem buscar a "harmonia" em benefício do cidadão.

    As declarações da ministra ocorrem um dia após o presidente do Senado e do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ter chamado de "juizeco" o juiz federal Vallisney Souza Oliveira que, autorizou a prisão de quatro policiais legislativos na semana passada, na Operação Métis. Cármen Lúcia não citou nomes em sua fala no CNJ.
Leia matéria completa. Beba na fonte.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

GAECO desmantela quadrilha que fraudava fila do SUS na Grande Florianópolis

Operação Ressonância está cumprindo 19 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão temporária e três mandados de condução coercitiva em Florianópolis, Palhoça, Biguaçu, São João Batista e Major Gercino.
  
   O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), por meio de seu núcleo regional Florianópolis, deflagrou na manhã desta segunda-feira (27/10) a "Operação Ressonância" para o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão, oito mandados de prisão temporária e três mandados de condução coercitiva, nos municípios de Florianópolis, Palhoça, Biguaçu, São João Batista e Major Gercino.
    A operação "Ressonância" apura crimes de Falsidade Ideológica; Inserção de Dados Falsos nos Sistemas de Informação; Corrupção Passiva; e Crimes Eleitorais; envolvendo cinco agentes públicos e terceiros, os quais basicamente, estariam sistematicamente violando a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS) para realização de exames de ressonância e tomografia, por intermédio de procedimentos irregulares e cobrança de valores dos pacientes.

   A investigação apura sofisticado esquema paralelo e escuso, que visa captar pacientes de diversos municípios, com necessidade de realização de consultas e exames no SUS, manipular o agendamento de consultas, exames e procedimentos médicos (cirurgias e principalmente exames de ressonância magnética), em sua maioria, no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis, mediante o recebimento valores em dinheiro e/ou benefício material ou, ainda, obter vantagem política futura, pela fidelização de eleitores, por parte dos investigados.

   A 33ª Promotoria de Justiça da Capital, com o apoio do GAECO/Florianópolis, começou a investigação em novembro de 2015, após receber denúncia da Secretaria Estadual de Saúde.

   A operação conta com o apoio dos núcleos regionais do GAECO de Joinville, Chapecó, Criciúma, Lages, Itajaí e Blumenau, e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), da Polícia Militar de Santa Catarina, e do Instituto Geral de Perícias (IGP).

   NOME DA OPERAÇÃO
   O nome da operação vem do principal tipo de exame - RESSONÂNCIA MAGNÉTICA - utilizado na medicina para identificar anomalias e irregularidades de órgãos e sistemas do corpo humano. Neste tipo de procedimento foi identificada, a maior quantidade de burla na fila do SUS, uso de cota sem a adoção dos procedimentos administrativos, e cobrança de valores irregulares pelos investigados.

domingo, 23 de outubro de 2016

Mário Faustino (1930-1962)


por Emanuel Medeiros Vieira


“Não conseguiu firmar o nobre pacto/Entre o cosmos sangrento e a alma pura/Porém, não se dobrou perante o fato/Da vitória do caos sobre a vontade/Augusta de ordenar a criatura/Ao menos: luz ao sul da tempestade./Gladiador defunto mas intacto/(Tanta violência, mas tanta ternura).” (...)
(MF)
   Tão cedo morreu. E foi um dos maiores poetas de sua geração. E um dos temas mais obsessivos de sua obra foi a  morte.
“Não morri de mala sorte/Morri de amor pela Morte”, escreveu ele.
   Nasceu em Teresina, mas a maior  parte dos seus estudos foram feitos em Belém. Foi jornalista, tradutor, crítico literário e poeta.
   Em 1955, publica seu primeiro e único volume de poemas: “O Homem e sua Hora”.
   Em 1956, muda-se definitivamente para o Rio de Janeiro.
Torna-se editorialista do “Jornal do Brasil” e colabora com o famoso Suplemento Dominical (SDJB). Um dos seus lemas foi: “Repetir para aprender, criar para renovar”.
   Diz a lenda que ele pressentiu  sua própria morte.
   No início da década de 60, uma astróloga pressentiu uma catástrofe nos anos que viriam (segundo relato de Almir de Freitas). Sua reação teria sido, inicialmente, um tanto cética.
   Em 1962 – segundo informes – adiou o quanto pôde uma viagem para a Cidade do México e, quando finalmente decidiu embarcar, deixou à sua mãe e cunhada instruções minuciosas de como proceder no caso de um “desastre”.

   No dia 27 de novembro de 1962, perto das 5h30, o Boeing da Varig em que estava preparava-se para uma escala em Lima, no Peru, quando espatifou-se no Cerro de La Cruz, matando todos os passageiros. Seu corpo nunca foi encontrado.
   
   Assim, aos 32 anos, desaparecia um dos maiores talentos de sua geração.
   Glauber Rocha (1939–1981), no seu belo e denso “Terra em Transe” (1967), homenageia-o transcrevendo os versos citados na epígrafe deste texto.
   Sua morte, segundo Almir Freitas, abriu um vazio na inteligência brasileira.
   Creio que sua obra, mereceria um análise mais longa e densa.
   Mas meu maior intuito é que as novas gerações possam conhecê-lo, pelo menos superficialmente.
   Ironia (como quase sempre acontece na vida): contam que a casa em que viveu em Teresina foi demolida e lá foi instalada uma agência da Varig - a mesma empresa cujo Boeing em que ele estava, espatifou-se nas montanhas em 27 de novembro de 1962.
(Brasília, outubro de 2016)

sábado, 15 de outubro de 2016

BOB DYLAN


   por Marcos Bayer

   O discurso poético-político-musical de Gilberto Gil e Caetano Veloso, como o de Chico Buarque, no Brasil, é o mesmo de Bob Dylan no mundo. 

   Nossa geração está ganhando o Nobel de Literatura para o desespero de poucos e a graça de muitos. Um babaca da Rede Globo, Edney Silvestre, metido a escritor, disse que o trabalho de Dylan é bom, mas não é literatura. 

    Ela é o registro das emoções humanas codificadas em palavras. Muitas palavras, poucas palavras e OUTRAS PALAVRAS de Caetano Veloso. 

   Como Fernando Pessoa, Dylan também é síntese! Pura síntese! Dizia nosso ilustre Victor Fontana: a síntese é o que há de mais próximo de Deus!  

   Simply Red canta: God is the Universe. Deus é! Let it be, cantavam os Beattles. Ainda bem que os caretas estão morrendo ou sendo presos pelo Juiz Moro. 

   Palmas e salvas para Bob Dylan. Nossa geração pop chegou lá! Em Estocolmo, na Suécia, com todas as honras e pompas que merecemos!



Reminiscências no magistério

   Por Eduardo Guerini

Na incerteza das motivações dos “cabeças de planilha” que reiteradamente tratam “investimento em educação” como “despesa”, e, na diabólica dúvida da sanha tirânica dos governantes em tratar professores como profissionais de segunda categoria impondo-lhes um “piso” que revela a penúria existencial. Os resultados nefastos são visíveis, uma multidão de analfabetos e desempregados funcionais.

     Em certo momento de nossas vidas, a memória nos trai, uma vez que lapsos são consequências do grau de envelhecimento e queda na “sinapse”, funcionalmente perdemos os sentidos para compreensão de movimentos e atos, voluntários ou não.

    Noutros tempos, os profissionais da educação eram tratados como nobres, intelectuais, formadores de uma elite que tinha discernimento, uma certa razão simbólica que se espraiava por todos os setores, independendo do seu conservadorismo e progressismo.

    É da memória reminiscente, o trivium onde se ensinava no percurso inicial, gramática, dialética e retórica, e, quadrivium, formação que provia meios e métodos para estudo da aritmética, geometria, música e astronomia. O cruzamento da formação educacional garantia as cinco virtudes: compreensão, ciência, sabedoria, prudência e arte.

    Tempos imemoriais que não voltam mais!!!

    Na atualidade quando o magistério, exerce uma função no limite da divisão social do trabalho, proletarizado e submetido a situações precárias, a atuação na construção do “QUE” e “POR QUE”, resultou em revelada desvalorização diante de novos modismos educacionais e tecnologias substitutivas da atividade intelectual e docente. Em reiteradas situações, os profissionais da educação sofrem de desalento, fruto do descaso de governantes e uma sociedade motivada pela fantasia que ciência e arte são naturalmente produzidas. Tais crenças são produzidas ideologicamente pela elite política educada e formada nas escolas e universidades.

    Na formação histórica das corporações universitárias que moldou a atual estrutura educativa e hábitos intelectuais, os clérigos tinham a função eclesiástica de ensinar, substituídos posteriormente, pelos escolásticos. Na atualidade, os intelectuais se transformaram em magister, e, simplesmente professor proletarizado.

    Se o ato de ensinar requer um profissional do ensino e da aprendizagem, as competências de ensinar, dominando certos conteúdos especializados acrescentam o contexto e seus alunos (sic)!!!

    Na ausência de “QUE” e “POR QUE”, a simples constatação do contexto educacional brasileiro indica um problema fulcral: como esperar transformações significativas, onde a maioria dos professores vivia em condições de mendicância, na batuta do “PISO NACIONAL”, 30% de docentes em média com contratos temporários, com apenas 54% dos docentes em média, com formação adequada na educação básica, e, apenas 44% com formação para educação infantil.

    Neste cenário desolador, a reminiscência de intelectuais contra a ordem clerical, a escolástica alimentada por textos que concediam autoridade aos intelectuais, a verdade está aberta a todos, nosso otimismo funcional destruiu a capacidade de disputa e resposta aos argumentos vis de governantes pragmáticos e corruptos.

    Tempos sombrios se avizinham, prenuncio de dias ainda piores, como se fôssemos capazes de suportar tudo o mais que se impõe na já corrompida e precária relação de trabalho docente. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Desilusão, desencantamento e hipocrisia cínica da classe política nas eleições municipais de 2016!!

por Eduardo Guerini
Recontando os votos brancos,
nulos e abstenções nas eleições municipais
de 2016. No final das contas
não restou um fio de esperança. 

   O pleito eleitoral municipal de 2016 findou na maioria absoluta dos municípios catarinenses e brasileiros. Todos os analistas e comentaristas da mídia provinciana, no primeiro momento, elevaram o “espírito cívico” do eleitor catarinense, e, em falsete, a democracia representativa como legado de um Estado e País que soube amadurecer, dando solidez às instituições no marco da constitucionalidade.

   Neste ano eleitoral, com novas regras impostas sem diálogo efetivo com a sociedade insatisfeita, indignada e desencantada com o quadro partidário, coligações e candidaturas, remanescentes dos “manifestos de junho de 2013” bradaram silenciosamente na “urna eletrônica” com elevado número de votos nulos e brancos, potencializados pelas abstenções crescentes.

   Os ruidosos protestos das ruas, com manifestações exigindo transparência, combate a corrupção, melhores serviços públicos - nas áreas de educação, saúde, segurança e saneamento deixaram os representantes do outrora governo petista em estado de estupefação e nossa “canalha política” em silêncio sepulcral durante algumas semanas. As alegadas mudanças não aconteceram!!!

   A campanha eleitoral de 2016 não empolgou!!! Os partidos políticos e suas coligações lançaram velhas figuras sem qualquer preocupação com o recado das ruas – renovar e mudar o modo de “fazer política”. As condições de financiamento, a estrutura dos partidos e tempo de exposição destronou a “soberana vontade geral”. O resultado não poderia ser outro, no primeiro turno, os grandes partidos mantem a hegemonia dos cargos no Executivo e Legislativo municipal, exceto o desmilinguido PT- Partido dos Trabalhadores e seus partidos satélites.

   O atual momento político, com a repetida trucagem midiática, debates modorrentos e figuras sem lastro social, potencializa a cooptação das forças políticas, exacerba o pragmatismo político, calando as vozes dissonantes, elevando a espiral de cinismo cívico na classe política desprovida de qualquer espírito republicano.

   Pobre republiqueta, no primeiro turno, o resultado apurado das urnas foi a desilusão e desencantamento. No segundo turno, os eleitores terão como resultado final, a hipocrisia de uma classe que não cansa de enganar incautos e ingênuos eleitores que acreditam que um voto lhes garantirá cidadania!!

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Musas (reflexão sobre tempos modernos)

    por Marcos Bayer

   Nem sempre ela vem toda de branco, toda molhada, despenteada e não é o meu amor... Às vezes, muitas vezes, ela é... O meu amor...

   Elas usavam batom vermelho, biquíni branco e um sorriso encantador. Seus pelos não eram raspados, nem pintados multicor. Flanavam ao vento com esplendor... Seus cabelos, todos os tipos, protegiam suas cabeças repletas de imagens e sons. Janelas abertas na imaginação. Picasso, Buñuel, Miró, Van Gogh, Dali e Klint. Sinatra, Strauss, Debussi, Dione Warwick, Ray Charles e Aznavour. Chico e Caetano. Bandanas coloridas, floridas, gargalhadas explosivas, cerejas e melão.

   Elas liam Stendhal, Dostoievski, Neruda e Vinicius de Moraes. Iam ao cabeleireiro, ao mercado e ao cinema. Na feira, tocavam na tangerina, cheiravam a mandarina, escolhiam as mangas, os morangos, os tomates e o camarão.

   Pintavam a tela branca, tocavam um instrumento e liam nossos pensamentos.

   Eram simples e sofisticadas. Uma flor na cabeça, um perfume de gardênia, um sorriso de amor. Pé no chão ou sobre o salto. Equilibristas em corpos formosos, lânguidos, sedosos e seios naturais.

   Where is the love?
Tomavam um ou dois on the rocks no bar, a cerveja na praia e um champangne ao cair da tarde. Gozavam sem medo, riam do feito enquanto as estrelas cintilavam entre bênçãos e proteções... Noites infinitas... Magníficas guerreiras...

   Belas, feras, veras, nelas, doidas, lindas, vivas, fêmeas... Luas de prazer e de encontros prateados.

   Dourado encantamento, brilhante paixão refletida nos meus olhos. Lágrimas de alegria, bendita folia, vida e carnaval.

   Ventre que acolhia. Paz e calor. Eterna e materna. Riso e amor.

Acontecimentos mundiais no dia de hoje

   Florianópolis, 13 de outubro de 2016. Nasce Vicente Lorenço Rubim, meu neto. 
  Filho do Jerônimo e da Júlia. 
  Todos felizes!

  Oslo, 13 de outubro de 2016. A secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, anuncia solenemente o nome do cantor e compositor americano Bob Dylan como vencedor do do Nobel de Literatura.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Um moço do SUS



  por Emanuel Medeiros Vieira

   Não há nada de napoleônico, de “especial” na estória real abaixo.
   É absolutamente anônima. Deve ser a de muitos brasileiros.
Sim, é real.
   O moço (não sei o seu nome) tinha 22 anos. Havia sido aprovado num concurso federal.
   Morava em Salvador. Era de família humilde. Não sei muitos detalhes.
   Descobriu um câncer no pâncreas em estágio avançado.
   Era um moço – vamos classificar assim – do SUS.
   Já estava hospitalizado. O câncer havia passado para outros órgãos.
   “Se é só isso por que me contas?”, indaga um leitor imaginário.
   Porque preciso.
   Quem me relatou foi uma nora – enfermeira séria e competente, e que esteve com o “moço do SUS”.
   Numa noite, ele pediu para sua mãe dar-lhe um abraço – um longo abraço.
   “Quero dormir um pouco, mãe”, ele pediu.
   A mãe deu-lhe o longo abraço.
   Sentimentalizo o relato? Foi assim que me foi contado.
   Não vou tentar interpretar o significo deste abraço.
O “moço do SUS” não acordou mais. Repito: tinha só 22 anos.
   É uma morte anônima, não midiática, não sai na TV nem nos jornais – que só os mais chegados comentam. Quase ninguém tem conhecimento da referida morte.
   Era um brasileiro que nem eu – que nem nós.
   O que teria sido a vida futura deste moço?
   O relato é este.
   Lembrei-me do (grande) escritor Graham Greene (1904–1991), em “O Americano Tranquilo (“The Quiet American”): (...) 
“Não queríamos que nada nos lembrasse quão pouco contávamos – quão rápida, simples e anonimamente chegava a morte. (...) Gostaria que a morte chegasse com a devida advertência, de modo que pudesse preparar-me. Para que preparar-me?
Eu não sabia para que nem como me preparar –  a não ser que fosse para lançar um último olhar ao pouco que estaria deixando neste mundo”. (...)
(Brasília, outubro de 2016)