sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ainda o Escândalo Bocelli

   Na última quarta-feira o conselheiro do TCE, Júlio Garcia, pediu vista do processo que julga o ex-prefeito de Florianópolis, Dário Berger, por envolvimento no famoso Escândalo Bocelli.

   Adiado pela nona vez,  o julgamento será realizado na próxima segunda-feira (14), às 14 horas, no Plenário da Corte de Contas.

   Reproduzo abaixo, artigo publicado neste blog em 27 de agosto de 2012, quando conselheiros do TCE já manobravam protelatoriamente em relação ao malfadado processo.

Puta Vecchia

monarquia-romana       Por Marcos Bayer

    Esta era a expressão usada no Senado de Roma aos senadores que postergavam decisões de interesse público.

    O Tribunal de Contas de Santa Catarina foi fundado e presidido por meu tio-avô, João Bayer Filho, advogado e político de Tijucas que passou pela esfera de poder estadual na condição de Secretário de Fazenda e de Justiça. Foi, também, um dos fundadores da Faculdade de Direito deste Estado. Era amante dos pássaros, das orquídeas e dos cavalos. Sua reputação, além de uma aguda inteligência, era honesta. Escrevo em seu nome por procuração genética.

    O show do cantor de ópera Andrea Bocelli não aconteceu na cidade de Florianópolis em 2009. Mas, por ele , pelo show que não houve, pagou-se R$ 3 milhões de reais.

    A ideia do espetáculo natalino, não havido, é uma eloquência medieval do então governador LHS, do prefeito Dário Berger e de seus auxiliares imediatos. Até aí, tudo bem...

    Os recursos foram liberados, depositados em conta específica no Banco do Brasil S/A, repassados para a empresa que detinha a exclusividade da contratação e o show não aconteceu...

    Na Justiça Comum, correm processos sobre o caso.

    No Tribunal de Contas, depois do voto da auditora Sabrina Nunes Iocken, pedindo a condenação de todos os envolvidos no processo, inclusive o prefeito Dário Berger, manifestando-se pela devolução dos dinheiros públicos e multas diferenciadas aos membros da operação Bocelli, corre processo de número TCE 09/00654848 e que está desatualizado no site do órgão.

    O Tribunal de Contas pode comunicar à autoridade judicial competente sobre suas ações e principalmente sobre sua decisão. É o que se lê do Manual de Instruções sobre Tomada de Contas Especial da CGU/2008.

    No entanto, mesmo sabendo que a coisa fraudulenta aconteceu em 2009, que já foi analisado pela auditora do TCE, que já foi proferido um voto, ainda assim, em 21 de agosto de 2012, o conselheiro Salomão Ribas Junior, resolveu pedir aos órgãos técnicos da Corte de Contas, algumas explicações.

    Entre elas, se todos os que participaram da operação Bocelli são solidariamente responsáveis e se a empresa que recebeu R$ 2.500.000,00 para agenciar o show não havido, poderia marcar nova data.

    Não sabemos se as diligências são acautelatórias ou meramente com intuito de postergar a decisão plenária.

    Não compreendemos, também, como matéria de relevante conteúdo está sendo tratada pela mídia de forma introspectiva.

    Imaginamos que a assessoria de comunicação do TCE tenha envidado todos os esforços para esclarecer aquilo que timidamente pretendemos.

    Imaginamos, ainda, como os dinheiros são públicos, precisam de trato cauteloso, visto que eles pertencem à sociedade. Sociedade que é composta por doentes, desempregados, famintos, deseducados e outros que vivem no meio dos mais abastados. Alguns, acobertados.

    Um Tribunal de Contas que pretenda respeito ao seu conceito e atuação, não pode participar de uma opereta tão mal conduzida e desastrada quanto a que julga com extremo retardo.

    Por fim, porque a História é feita de gestos e omissões, cabe perguntar:

Onde andas Maçonaria?

Não escuto tua voz... Qual tua potência?

De que lado participas neste banquete?

Comentários:

Anônimo disse... A Maçonaria, na mídia, diz que é contra a corrupção...

 JORGE LOEFFLER .' E é, mas infelizmente teve entre seus membros um Arruda da vida. Por mais rigoroso que seja o filtro sempre passa algo.

Anônimo disse... Mas, na prática, tem se consorciado para fins escusos como este. Incontáveis irmãos em muito se diferenciam dos pedreiros livres e intelectuais que se associavam em nome da fraternidade (pela ausência de assistência social e responsabilidade de um Estado)ou em busca de recursos para a pesquisa e desenvolvimento dos povos. O que havia de secreto antes (o saber, que em tempos de ignorância e tirania conduzia os sujeitos à morte)hoje em dia só cego não vê. Secretos são os fins para os quais uns confabulam para a vergonha daqueles que conservam a decência.

Anônimo disse... O TCE ultimamente julga em prol daqueles que prestam contas.
Isso porque existe uma cadeia (partidos, interesses, maçonaria, máfia, parentes) entre o que julga e aquele que é julgado.
Esse caso Boccelli é estrondoso, aí vai se postergando até decair, esquecer-se, ao final julga-se regular com ressalvas.
Esse é o papel do TCE: dar um "bronca" junto com uma multa de R$ 400,00, R$ 800,00, frente a quaisquer valores.
Político nunca deveria assumir cargo em corte que toma as contas de políticos.

Anônimo disse... é o lado podre da corte de contas...

Anônimo disse... Parabéns Marcos, realmente o TCE-SC não honra sua missão constitucional!

Anônimo disse... Socorro!!!!! Por onde anda o Ministério Púbico. O dia em que um conselheiro dobTCE for interpelado judicialmente

Renato J T disse... Desde que conheci Marcos Bayer (costumo brincar: se é Bayer é Bom!) o tenho admirado pelo seu posicionamento, na busca de uma sociedade mais justa e humana. POR QUE NOS CALAMOS? Porque estamos esperando o nosso quinhão? Por que queremos que "os outros" nos defendam? Quem somos atualmente? Parabéns Marcos Bayer. Que comecemos a abraçar pelo menos uma causa.

3 comentários:

Anônimo disse...

E a mídia, como disse Bayer, estranhamente muda!

Anônimo disse...

Mal empregado os valores vultosos gastos na construção daquele sultuoso templo que, "faz de conta" que é tribunal.

Jeany disse...

A Maçonaria sempre foi uma máfia tão corrupta quanto qualquer outra associação do gênero. Basta ver quantos maçons estão ocupando Cargos Comissionados nos seguidos governos de Santa Catarina. Sempre se favorecendo do dinheiro público.