terça-feira, 8 de março de 2016

O "velho" Kuster de guerra!

   Encontrei hoje o meu querido amigo Francisco Kuster.
   Amigo de fé, ponta firme, companheiro de combate à ditadura militar. Kuster combatia no parlamento, como deputado, e nós na imprensa alternativa com o Jornal Afinal.

   Sempre que nos encontramos, entramos no túnel do tempo  e ajustamos os ponteiro para 1980. O tio Kuster é muito bom de histórias e tem uma memória fantástica. 
   Ao lado dos deputados Iraí Zilio e Edson Andrino, era o mais combativo parlamentar do MDB na oposição ao regime militar. Conectado com os acontecimentos nacionais, denunciava os abusos e a violência do Estado autoritário.
   Os três parlamentares apoiaram, incondicionalmente, o Jornal Afinal. Financeiramente, com meios e na defesa ferrenha da liberdade de imprensa  na tribuna da Assembleia Legislativa.

    O taxista que derrubou Cesar Cals
   Sempre existiu a estória do taxista que deu um tapa no ministro Cesar Cals, naquela manhã quente de 30 de novembro de 1979. A data passou para a história do país como A Novembrada.
   Nunca conseguimos identificar o personagem que, por muito tempo, ficou no limbo das lendas que os conflitos históricos geram. 
   O "taxista" teria sido a chispa que detonou o tumulto no Senadinho (Ponto Chic), onde o general Figueiredo tomava um cafézinho "no meio do povo". realizando uma ação de marketing para popularizar o "João do Povo", criada pelo seu marketeiro, Said Farhat.
   Pois hoje o amigo Francisco Kuster me contou que conheceu o tal taxista que, ao desferir um tapão na orelha do Ministro das Minas e Energia, Cesar Cals, vingou toda a categoria dizendo: 
 - Esse é pelo aumento da gasolina!

   O "tio" Kuster disse que um dia após o tumulto da Novembrada, foi procurado em casa por um grupo de estudantes pedindo ajuda para dar fuga a uma pessoa.
- Era o taxista do Cesar Cals. Um baixinho atarracado que trabalhava na Praça XV, disse.
   
   Imediatamente contatou seu motorista e ordenou que levasse uma pessoa a Porto Alegre. O carro, era um Opala preto oficial que servia o líder da oposição, o deputado Francisco Kuster, do MDB.
   O baixinho atarracado que, àquelas alturas, tinha se transformado em "herói" dos estudantes, embarcou no opalão e rumou para Portinho, onde se esconderia na casa de parentes.
  Dias depois, Kuster encontrou o herói trabalhando na Praça XV, como se nada tivesse acontecido. Nunca foi identificado.

   A retratação  
   Lembrou ainda do dia que foi "a palácio", com Nelson Wedekin e Osmar Cunha, pedir ao governador Jorge Bornhausen - indicado pelos militares - que retirasse o processo na Lei de Segurança Nacional contra os editores do Jornal Afinal. Havíamos publicado uma lista com 245 nomes de autoridades brasileiras que tinham contas secretas na Suíça.  
- Saímos contentes da audiência, lembra Kuster. 

   O grupo nos encontrou na Praça XV, na frente do Palácio e comunicou que o encontro havia sido um sucesso. Bornhausen retiraria as acusações se nós nos retratássemos.
   Nelsinho, Jura e eu, pensamos e..."aceitamos" a proposta. O grupo de desfez, e logo enseguida nos retratamos: ao estilo Afinal!

A foto mostra os três editores do Afinal ( Jurandir Camargo, Nelson Rolim e Sérgio Canga Rubim) se retratando em frente ao palácio. Uma exigência do governador. Claro que não era este tipo de retratação que ele queria. Mas foi o que pudemos fazer.

  Boas lembranças!
  O tio Kuster, hoje, tem um programa na 
Radio Clube de Lages.
 Direitos Iguais: domingo, às 9 horas da manhã.

Comentário:
Canga,

A melhor e a mais política das retratações jamais vista na história deste país.
Parabéns !!!
A inteligência ainda é o melhor remédio.
Att,

L. Bayerisch Markosnine.

Perestroika !!!



Um comentário:

Anônimo disse...

Senhor Sérgio Rubim,

Numa época de tanta insegurança política e individual como a que atualmente estamos vivendo a nostalgia acaba nos servindo de um refúgio seguro.

Mesmo sem conhecer o senhor pessoalmente, o contexto da foto alí postada me fêz lembrar algumas pessoas que já não mais estão aqui. É uma foto típica da “Geração de 68” e, a bolsa messenger está alí como talvez um dos maiores ícones daquele tão histórico movimento.

Talvez o romantismo de uma época seja mesmo nossa melhor memória dela. Um dia tudo que estamos passando agora será passado. E felizes são aqueles que podem se orgulhar e compartilhar suas memórias.

Abraço e obrigado pelo post.
Andre d'Aquino