
Mas voltando a Quaraí, lá eu percorria as 14 estações do suplício do Cristo com um a atenção especial. As estações eram representadas por quadros pintados a óleo, sete em cada lado interno da Catedral. Os quadros eram de cores fortes, o vermelho dos uniformes dos centuriões romanos chamavam a atenção e eram cheios de detalhes. Tudo isso me deixava maravilhado.
Até que certo dia os quadros desapareceram das paredes da igreja e a Via Sacra acabou. Começava aí uma outra Via Sacra, essa de sofrimentos reais, com torturas e interrogatório. Começava a Via Sacra de Tadeu Medeiros o autor das pinturas que embelezavam as paredes da igreja e serviam de referência para os fiés praticarem as suas crendices.
Tadeu Medeiros além de artista plástico era fotógrafo do PTB, partido contra o qual se deu o golpe militar de 1964, e, fiquei sabendo mais tarde, militante do Partido Comunista.
Tadeu foi preso, torturado e teve sua obra confiscada. Claro que os quadros da Via Sacra não poderiam ficar na igreja que apoiava a aventura desastrada dos milicos.
Anos mais tarde fui aluno de desenho e pintura de Tadeu. Encontrei-o ainda em 1976 em Porto Alegre. Convivemos um tempo, o suficiente para conhecer a sua fantástica obra, seus desenhos e seus pensamentos também.
Bela figura humana, o Tadeu.
Achei hoje, na web, uma página sobre o Tadeu Medeiros. Fiquei sabendo que morreu em 1987, em Cuiabá, e que foi parceiro e amigo do Bispo D. Pedro Casaldáliga.
Na página também tem fotos do seu acervo. Encontrei duas fotos dos quadros que Tadeu pintou para a Via Sacra da Igreja de São Batista em Quaraí.
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