quinta-feira, 25 de maio de 2017

"A NOVA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA"

por Emanuel Medeiros Vieira 

“Nesse país da noite/Meu Tormento/Como um cavalo em chamas,/Como um potro/Lacerado de espinhos, Nesse país do escuro,/Nossa pátria/De fúrias rodilhadas, /Meu silêncio/Como no beijo dos mortos,/Como o frio/Roçar do lábio ausente 
 (Myriam Fraga)

       Fica restaurada a escravidão.  Revoguem-se as disposições em contrário. Os idosos dão muitas despesas à Previdência: devem ser eliminados. Como as crianças que nascerem com deficiência.  É preciso endurecer. O país será dirigido por banqueiros– que mais entendem do “negócio”, ajudados por assessores, nas agências financeiras ou na mídia – onde muitos já escrevem com penas alugadas (e bem pagas).
    A democracia não dá certo nesse hemisfério. As raças se misturaram e tudo ficou feio, sujo, onde todos só querem saber de direitos. Nem todos poderão votar. Como ocorreu em certa época, só votarão os donos das maiores fortunas.  O chicote poderá ser novamente usado. Quem resistir,  será eliminado. 
  
   CLT? É uma idiotice. Ela será expurgada, como a Justiça do Trabalho. A melhor solução é a terceirização total. Como a derrubada de todos os direitos trabalhistas.

   Todos terão que sorrir – pelo menos três vezes por dia. Não serão permitidos (o Grande Irmão será o censor) a tristeza, a amargura e o desencanto.

   O pior é que aqui nasce muita gente. Só será permitido o primeiro casamento. Ame-o- ou deixe-o. Nenhuma oposição será permitida, nem a mais moderada.
    Desejamos um “Grande Irmão”, que fiscalize a todos – até os seus pensamentos.
   Queremos rebanhos – para que todos pensem a mesma coisa e tenham os mesmos valores.
   Serão criadas milícias armadas, vestidas de preto, contra a subversão da ordem, com a autoridade de atirar para matar.

   Por enquanto é só isso. Os cérebros que ousarem pensar, serão  exilados (ou mortos antes do degredo). Já há uma boa experiência no período em que o Brasil viveu, segundo a Oposição, uma ditadura. E em todas as escolas, serão lidas diariamente as palavras abaixo citadas:

“Abaixo a inteligência, viva a morte”!

   Proclamação do general fascista (falangista), Millan Astray, em 1936, durante a Guerra Civil espanhola, ao invadir a Universidade de Salamanca, na Espanha. O reitor era o  grande  filósofo e pensador humanista Miguel de Unamuno
(Salvador, maio de 2017)

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