terça-feira, 23 de maio de 2017

Apocalipse brasileiro


por Emanuel Medeiros Vieira

A Ilha de Patmos, no Mar Egeu, foi onde o Profeta João  (2 a. -27 d .C) esteve exilado e recebeu  as visões do Apocalipse, registradas no “Livro do Apocalipse”, às vezes chamado de “Apocalipse de São João”. Ele foi o último dos profetas que anunciaram a vinda de Jesus. Também qualificado como o “Precursor” do Messias Prometido.
    
   Faço a introdução, porque “Patmos foi o nome dado à Operação que devastou a República e revelou mais patifarias e mais roubalheiras (mesmo para os podres  padrões da política brasileira – de falta de ética e de  corrupção).

   Revelações devastadoras? Bomba que dizima a presidência da República?
   As revelações mostram os porões mais imundos da nossa classe dirigente, sempre aliadas ao mercado financeiro e às grandes empresas.
   Quantos trambiques!
   Povo? Que povo? Só serve para ser boi de piranha.
   Qualquer palavra ou adjetivo ficará aquém das revelações.
   É o nosso pobre Apocalipse.
   E a gente descobre, na intimidade, o linguajar chulo dessa  gente, digno de lupanares (com todo  respeito aos bordéis).
Muito já foi dito, está sendo escrito.
   E a velocidade dos acontecimentos deixa-nos sempre superados.
   O “bom moço” Aécio Neves – se tivesse a dignidade do seu avô Tancredo, não tentaria mais nada: renunciaria, se entregaria à polícia, junto com todos outros envolvidos – de ideologia só formalmente diversa.
   Crise ideológica?
   Sim. Mas também crise de valores. (Sei, me chamarão de “moralista”. Já estou acostumado. Não sou cientista político.)
   Pois creio que a ética é o grande pilar de nossas vidas – como a solidariedade.
   Onde poderemos preservar as esperançadas novas gerações?
   E de todas as outras?

   A quem Michel Temer refere-se quando afirma, no diálogo com Joesley Batista (dono da JBS), que tem dois ministros do STF com ele? 
   O ministro  da Fazenda Henrique Meirelles, segundo a Revista “Forum” (de Primeiro de Junho de 2016), citada por Tania Faillace – séria analista – em texto de sua autoria, era  membro do Conselho de Administração da JBS, com remuneração de até R$40 milhões.
   
   Dou os trâmites por findos.
   Sempre disse que nossa arma maior é a palavra (quero usá-la até o fim), mas há momentos em que o nojo é muito forte. Mas é preciso continuar.
 (Salvador, maio de 2017)

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