quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Rabus Presus

   Por Armando José d’Acampora*
   Um antigo cidadão, que muito peregrinou andando a pé pela Galiléia, ainda na época do domínio romano, em certa ocasião emitiu o seguinte pensamento: “Bobeatus sunt, enrabatis est”.   Em outras palavras, cuida do derriére e corre muito, senão o leão te pega.
   Era um tempo de perseguição altamente discriminatória, onde não havia a liberdade de expressão que hoje predomina nos países considerados como civilizados, era aonde a tirania e o despotismo seguiam incólumes como uma regra geral.   Bastava falar qualquer frase contra os governantes e isso já seria considerada uma afronta aos mandatários, cujo risco era a prisão por desobediência, na realidade pelo simples fato de pensar diferente. Ninguém poderia ser contra as ideias do poder dominante, sob pena de prisão e, até mesmo, a morte.   Mas havia sempre aquele que assumia as consequências dos seus atos, não terceirizando suas tarefas, muito menos suas atitudes.   O único que, aparentemente, lavou as mãos, e mesmo assim não terceirizou, foi Pilatos.    Alguns outros, como Saulo de Tarsiff, até mudaram de lado e de nome, mas sempre assumiram suas posturas.   O que se torna visível, e o que aparece, é que poucas pessoas da antiguidade sofriam de um mal muito atual chamado de Rabus Presus. É um grande balaio de siri: se puxar um, não fica nenhum no balaio, vem tudo junto.   Dai o perigo de unzinho só ser puxado para fora.
   Eu mesmo acredito que esse seja o mal do século, pois de repente ninguém mais quer se responsabilizar por coisa alguma, em nenhum nível de autoridade. Da menor a maior.    Parece que quanto maior, menos se assume os direitos e os deveres ao deter tal grau de comando.   Com o advento da informática, com as redes de informação globalizadas, o incauto, pode até continuar a sê-lo, mas deixa de ser um desconhecido, passando a constar das listagens de, pelo menos, uma destas redes globalizadas.   Hoje se documenta tudo com um simples celular. É possível não só fotografar como filmar atos inconfessáveis, que mesmo com o filme exposto, o cidadão/ator, ainda tem a cara de pau de afirmar que não era ele, ou que ele de nada sabia.   Antigamente as colunas mais lidas nos jornais de Desterro, eram a coluna da Vanda Salles e a coluna do Jorge Kotzias, ambos cartorários cujas colunas desembuchavam, aos domingos, todos os títulos protestados em seus cartórios, com o nome do cedente e do cessionário. Era só para azedar a semana.   Hoje a procura se modernizou, e é realizada na Internet, mas mudou o foco. Agora é TCU, TCE, AGU, TJ, SPC, Serasa, e assim por diante, com o cuidado de tentar se manter sob o maior sigilo possível. Mas já não é possível guardar segredo, pois esta tal de internet, além de descobrir, ainda denuncia. Não há mais como escapar. Uma hora a coisa cai na rede e o enrabatis est, é a consequência lógica do bobeatus sunt.   Ao que tudo indica, voltamos aos os tempos da velha e conhecida Galiléia.   As pessoas estão preocupadas com papéis que os incriminem, gravações, testemunhos do que fazem. Tanto é assim, que se chega a conclusão que a doença reinante é aquela já sobejamente conhecida: a doença do Rabus Presus.

   *Armando José d’Acampora, Médico, Cirurgião, Professor Universitário

Um comentário:

Anônimo disse...

Sr. Canga,

Meu marido é atleta da FME de Fpolis, foi campeão dos JASC 9 vezes, inclusive ganhou o troféu em 2012 para Fpolis. Só que ele e todos os demais atletas não recebem salário há dois meses, dezembro vai completar 3 meses, ele não quer o nome dele divulgado, mas estamos passando período muito difícil sem dinheiro, será que o sr poderia verificar essa situação e postar em seu blog? pois ninguém da imprensa fala nada a respeito.
Muito obrigada, melhoras em sua saúde, fique com Deus.