sexta-feira, 27 de outubro de 2017

BREVIÁRIO (Ou Livro das Citações)

por Emanuel Medeiros Vieira
 

(...) “Disse a mim mesmo repetidas vezes que não existe outro enigma senão o tempo, essa infinita urdidura do ontem, do hoje, do futuro, do sempre e do nunca”(Jorge Luis Borges – “O Congresso”, em “O Livro de Areia”)

O Tempo – sempre
 

pó, sombras, finitude, meu breviário, bíblia da jornada – inelutável calendário,

mar azul ao fundo, menino, velho, defunto.

o Tempo e seus presságios

meu fio-terra particular (subjetividade dilacerada) – e rosto no espelho (todos os dias)

bússola desgovernada, errático astrolábio

a vida escorre – sempre celebrada

(Mesmo que a morte tenha mais tempo)

Novamente, lembrei-me de Borges (...) :
“Também a mim a vida deu tudo. A todos a vida dá tudo, mas a maioria ignora isso. (...) (“Undr”)

Breviário, epístola, palavra, revelação, mãe, imortalidade – e o tempo e o mar

(Quem sabe, Deus)

A Eternidade é um dia – A Eternidade e um dia

E só essa vida. Só essa. Nunca mais. 



Comentário de Eduardo Aydos:
   Belíssima e profunda oração meu caro amigo. Partilho tua celebração e quem sabe mesmo as tuas dúvidas. Apenas um argumento a contrapor. Nunca é palavra dependente, sempre, do seu contrário. A vida escorre no seu leito de cinzas onde a Fênix constrói o seu ninho. Ainda lhe somos estranhos. A lei do eterno retorno, ainda nos assombra. "Eternidade é um dia", muito correto. Mas o dia chama a noite, parceira irrecusável do seu leito nupcial. Mysterium coniunctionis diria o mestre Jung... que talvez tenha chegado mais perto, na modernidade, dessa compreensão profunda. Não há cópula sem geração. Não há geração sem vida... e o Espírito paira sobre a inconstância do tempo. O certo, amigo, é que noutro dia veremos... melhor dito, saberemos. Grande abraço do Aydos.



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