sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Enquanto isso na Oktoberfest...


Do atento Cao Hering 

...para quem tem amigo que bebe cerveja sem álcool, um prato feito!


Guerra fria: de volta para o futuro!

Tem gente brigando pelos predadores aí!

Incapazes de criar uma nova ordem social, lideranças "babacas" repetem guerra ideológica do século passado!
É fria!
(é para rir)


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A tenacidade política na Província Catarina

 por Eduardo Guerini

"Tenacidade, n. Uma certa qualidade que define a relação da mão humana com a moeda corrente. Atinge o seu grau mais elevado na mão da autoridade, sendo considerada um equipamento muito útil para uma carreira política.” (Ambrose Bierce. Dicionário do Diabo,2006)
  
A província catarina virginal foi sacudida por uma onda conservadora, produzindo estragos por todos os cantos do território barriga-verde, do sul ao norte, de leste para oeste, do planalto para planície. A política das oligarquias trincou, resultado dos conchavos e acordos entre caciques familiares para preservar seu direito consuetudinário – garantir eternamente o controle do poder político do Estado. A herança e seus herdeiros estavam acostumados a transição tranquila, de pai para filho, de bastardo para afilhados, de filho para neto, tudo era tradicional na pacata província.

   O processo eleitoral de 2018 deixará marcas distintas para a velha e boa aliança de interesses que navegou em águas tranquilas nos últimos 15 anos. A costura política de Luiz XV, uniu lideranças que eram tratadas como água e óleo, na famosa tríplice aliança com seu projeto de descentralização do poder, perpetuando uma máquina reeleitoral que garantia a passagem de bastão de um governo à outro, sem nenhum sobressalto nos arranjos elementares das lideranças subalternas. 

   Porém, a morte chega para lideranças, as alianças e seus herdeiros entraram em disputa pelo espólio político, e, na esquina do Palais D`Agronomique, sorrateiramente, os oportunistas de ocasião trataram de conspirar contra a ordem. Um espinho no mundo colombino feriu a roca eleitoral da bela e santa província. O poder político provinciano é um néctar que atrai abelhas e zangões, o que era belo, perto do espelho se mostrou pavoroso, as velhas siglas PSD/PP/MDB/PSDB/DEM/PR tratavam o espólio como algo naturalmente garantido. Nada é eterno.

   A maré cheia trouxe ondas e vento sul, tudo foi destruído pelos interesses mesquinhos, a murada do Palais foi levada pelas turbulência, faltava recur$o$ para o reforço das pilastras, as velhas alianças varridas pelo desejo de vingança pelo sorrateiro vento da desilusão eleitoral. O mundo colombino ruiu, a aliança social liberal do bom mocismo serrano soterrada, a união dos contrários (MDB/PSDB) destelhou as casas de velhas lideranças, e, a defesa civil foi chamada com ascensão do filho bastardo da política catarinense – o Comandante Moisés (PSL). 

   Apavorados, os colunistas sociais e políticos não saberão o que fazer no café da tarde, suas fontes secarão, tratando de arranjar algum subterfúgio para garantir sua aposentadoria na província. A melhor forma é garantir a tenacidade política, permitindo sua perenidade nos folhetins tradicionais. Como ficará um governo inexperiente e de novatos? Saberão preservar o Palais D´Agronomique e suas eternas alianças familiares? O mordomo será o mesmo, aquele que serve todos os governantes em seu consumo conspícuo e ambição ostentatório. A alternativa para dar estabilidade na caserna legislativa, é usar do santo remédio para traidores e oportunistas, dirá o mandatário do MDB e adesistas de última hora do PSD, PSDB e PP: Vingança, Vingança!!!

   O povo grita à beira mar: Cortem as cabeças, Cortem as cabeças!!
   Os vingadores da velha ordem dirão: que não seja a minha!!  Apoiamos o novo afilhado!! Afinal, quem não tem padrinho, morre pagão!!

   Assim, a província Catarina virginal, reunida em torno dos comensais habituais na Praia Brava, entoa a velha conclusão: tudo é um eterno vir a ser!!

   Todos continuarão prestando continência às velhas lideranças, com o estimado préstimo do Comandante de Plantão e empréstimo da tropa de novatos na política da pacificada província catarinense.

   O mosqueteiro Garcia nunca abandona o seu Kaiser!!!




terça-feira, 16 de outubro de 2018

A bela Marselha!

    Fazer belas fotos em Marselha não é difícil.
   Uma cidade belíssima, a mais antiga da França, que se modernizou sem perder as características da sua origem que data de 600 a.C.
    Com arquitetura preservada, o centro antigo de Marselha convive hoje com instalações e equipamentos de transporte urbano modernos, como estação de metrô, ferry boat e o trem de superfície que desliza silenciosamente por entre os prédios medievais e à beira da marina que hoje ocupa toda a baia do porto velho da cidade. 
      Acima, ao alto, está a fantástica catedral Notre Dame de la Garde.
  Uma maravilha passear por ali!



segunda-feira, 15 de outubro de 2018

PALAVRAS NO CALOR DA HORA

por Emanuel Medeiros Vieira

Em homenagem a Celso Martins 
 
MIL MEMÓRIAS VIERAM À MINHA CABEÇA.
CONHECI-O QUANDO VOLTEI À ILHA, JANEIRO DE 1972, E LOGO NOS TORNAMOS GRANDES AMIGOS.
Criamos jornais alternativos, boletins, cooperativas, o diabo, na luta contra a ditadura.

FIZ A APRESENTAÇÃO DO SEU PRIMEIRO LIVRO DE POEMAS, EM 1981 INTITULADO  "VIDA DURA"- tocante obra (inventário de uma geração).
E depois, a amizade ficou granítica. ETERNA.
Nem a morte nos separa.
Vai comigo à eternidade.
 
Celso Martins:
Foi um combatente, um lutador, de associações, DEU VOZ AOS ANÔNIMOS DE SAMBAQUI, DE SANTO ANTÔNIO, DE TODA A REGIÃO, com um carinho imenso pelas figuras "sem nome", pelas festas de raiz açoriana, o Divino, as farinhadas, fotografando, escrevendo etc.
SEGUIU AS LIÇÕES DE TOLSTÓI: PARA CONHECERES O MUNDO, CONHECE A TUA ALDEIA.

SUA OBRA SOBRE A REPRESSÃO BRUTAL DA OPERAÇÃO  "BARRIGA-VERDE" É FUNDAMENTAL. SEM EXAGERO: JÁ É UM LIVRO CLÁSSICO DO PERÍODO.

Lembro DEMAIS dos combatentes (esqueço nomes- me perdoa)  já "encantados" e lutaram junto com o Celso, contigo, conosco: queridos amigos, como Vera, Rosana, Aristeu, Adolfo, Motta, Jarbas, Galotti, Cirineu, Marcos,  Verzolla e tantos outros, que a memória resiste em lembrar. MAS ESTÃO TODOS NO MEU CORAÇÃO!*
*RELEVA OS MUITOS ERROS DE DIGITAÇÃO E OS OUTROS.
 PELO CÂNCER  (sem vitimismo) estou com dificuldade de escrever.
 
CELSO MARTINS, MARGARETH, ANITA: presentes!!!!!

E FAÇO A PERGUNTA FINAL:
amigo Celso - O QUE ESTA MORTE FARÁ COM TANTA VIDA?
(BRASÍLIA, 11 DE OUTUBRO DE 2018)

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Morreu o amigo Celso Martins


   Jornalista, historiador, amigo de clandestinidade e de lutas contra a ditadura militar, parceiro da não menos parceira, Margaret Grando (a Baixinha), pai apaixonado da Anita, Celso Martins, integrante do Partido Comunista - desde sempre - morreu nesta madrugada de um ataque cardíaco fulminante.
   
   Convivemos muito durante o período da ditadura no movimento estudantil. Primeiro conheci a Baixinha, destacada membro do núcleo duro do PC infiltrado dentro da Engenharia da UFSC. O que tinha de pequena, tinha de ágil, arguta e operante na luta de cooptar novos quadros para a esquerda no combate à repressão, falta de liberdade e ditadura militar.

   Logo em seguida veio o Celso. Ligeirinho dos pés, mané no falar e no dizer. Sempre com algum plano, pensando algo ou cantando o verbo para o lado contrário do acontecimento. Especialista em despistar e esconder a nossa verdadeira atuação e intenção, técnicas desenvolvidas na prática como forma de sobreviver aos espiões, caguetas, dedos duro do regime que também atuavam clandestinos dentro do movimento estudantil. Era uma merda, tínhamos desconfiança até da sombra.

   Assim era o Celso. Depois foi ficando melhor. Com o fim da ditadura, atuando como jornalista no O Estado, continuava na sua luta de esquerda, principalmente documentando e denunciando atrocidades e injustiças do "sistema".

Para dar uma dinâmica mais técnica à sua experiência, sempre documentada, o "Delegado" (apelido íntimo) volta aos bancos escolares em 2005. Foi fazer o curso de História na UDESC. Ali conseguiria os instrumentos para socializar suas ideias e relatar sua experiências na luta contra a ditadura.

"Vim fazer o curso de História para aprender as metodologias e teorias, melhorar os conhecimentos históricos, e não abandono o jornalismo, meu ofício desde sempre"

   Instrumentalizado e com "sustância tônica" (como dizia meu pai) cheio de experiência e conhecimento histórico, Celso não parou mais na sua atividade narrativa, como jornalista e historiador . 
   
Os Quatro Cantos do Sol, livro que escreveu sobre a massacrante Operação Barriga Verde, a mais violenta e raivosa operação dos órgãos de repressão em Santa Catarina é uma importante contribuição à história política catarinense.    

   Ali, Celso relata com precisão histórica as lutas dos movimentos sociais contra o regime militar. Os relatos de sobreviventes das torturas e perseguições, além de toda a documentação buscada em um trabalho de exaustivo fôlego, faz desta obra um relato  definitivo sobre o que foi a repressão em Santa Catarina. Mas muito mais do que isso, mostra do que é possível o ser humano - imbuído de ideias acabadas - fazer contra outro ser humano. O horror!

   Esse livro é uma referência para os que hoje pregam a volta da ditadura militar sem ter noção do que é uma ditadura. O Celso sabia bem o que era. Viveu-a!

    Sonhamos, planejamos, agimos, sofremos e nos divertimos muito nos "anos de chumbo". Sobrevivemos!

   O Celso, até essa madrugada! 
   Uma lástima!

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Moreira: O príncipe de Falconeri do MDB


   Foi difícil perceber antes que as urnas se fechassem. Mas com a apuração encerrada no último domingo (07), ficou claro: o maior estrategista destas eleições é o Governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB). Grande articulador da política catarinense, ele mostrou estar sempre alguns lances à frente dos seus adversários.

   Tudo começou na escolha do candidato de seu partido. Até o ano passado, o PMDB debatia basicamente duas alternativas: o próprio Moreira e o prefeito de Joinville, maior cidade do estado, Udo Döhler. Quando Raimundo Colombo renunciou ao governo para concorrer ao Senado, tudo parecia se encaminhar para Moreira. Entretanto, o Governador dispunha de pesquisas que apontavam há mais de um ano para um fenômeno impressionante no estado: a ascensão de Jair Bolsonaro e a busca do eleitor catarinense por renovação.


   Moreira abriu mão da candidatura. A outra opção, o prefeito de Joinville Udo Döhler, antigo adversário interno de Mauro Mariani, praticou o mesmo gesto. E a escolha recaiu sobre Mauro Mariani, um Deputado sem expressão estadual, que havia feito menos de 5% dos votos na disputa pela prefeitura de Joinville em 2008.


   Pode-se acusar o PMDB catarinense de qualquer coisa, menos de ingenuidade. O partido que governou o estado por mais vezes desde que as eleições diretas foram restabelecidas em 1982, não tem nada de bobo. Por que afinal este partido, com lideranças do porte de Pinho Moreira e Döhler, iria com o seu candidato mais fraco para o pleito?


   A explicação parece ser relativamente simples: o comandante Moisés, que acabou escolhido candidato do até então nanico PSL em Santa Catarina, é um homem de confiança do PMDB. Foi cargo de confiança no Governo de Luiz Henrique. E estava pronto para ser o Plano B do partido. A onda que Pinho Moreira tinha visto nas pesquisas se confirmou na eleição.


   Encerradas as eleições, o Governador do Estado que passou o primeiro turno todo calado, sem gesto algum em favor de seu correligionário, Mauro Mariani, já declarou apoio entusiasmado para Moisés. A mesma  posição dos Deputados Federais do PMDB, Rogério Peninha Mendonça e Valdir Colatto. A mesma posição do Deputado Estadual mais votado do PMDB, Valdir Cobalchini.


   Em política não existem coincidências nem espaços vazios. Aparentemente Eduardo Pinho Moreira aplicou a Estratégia das Tesouras em Santa Catarina. E, espertamente, usou o próprio partido de Jair Bolsonaro para isso.


   A consagração da estratégia de Pinho Moreira pode estar próxima. Se Moisés for o novo Governador catarinense, a turma do PMDB já sabe: tudo acontecerá sob a máxima do escritor siciliano, Giuseppe Tomasi di Lampedusa, que em sua obra prima, O Leopardo, sobre a decadência da aristocracia siciliana, decreta que a
única mudança permitida é aquela sugerida pelo príncipe de Falconeri: tudo deve mudar para que tudo fique como está.

Mitos e Ideias Eleitorais

por Eduardo Guerini
“Ubi bene, ibi pátria"
 (Onde se está bem, aí é a pátria)
 (Cícero, Século II a.C. O Livro das Citações. Eduardo Giannetti,2008)
  
O primeiro turno das eleições de 2018 traduziram o desejo consciente ou não da vontade geral dos eleitores e eleitoras brasileiras. A decisão das urnas exprimiu uma onda de insatisfação e rejeição ao modelo de representação partidária, e, em segundo plano, transformou os desejos individuais de cada votante em expressão coletiva. A competição eleitoral evidenciou duas preferências que emergem da complexa e diversa realidade brasileira de um eleitor que não sai da cabine de votação como cidadão.

   O mito do salvacionismo, expresso na caricata concepção do líder carismático que resolverá magicamente todos os males que aflige uma massa de despreparados e depauperados cidadãos, que seguirão cegamente por ordem e disciplina, a hierarquia dos afetos e sentimentalismo passional em torno do seu líder. Neste conjunto que infantiliza a cidadania, a autoverdade é visão distorcida da realidade, emanada do olhar construído pelos indivíduos em torno de suas convicções e crenças. A fé é inabalável, as crenças individuais associadas em conjunto, é mola propulsora das mudanças. Eis o enredo que constitui a crença do mito Jair Bolsonaro, associando a competição pelos votos, em guerra santa de conversão dos hereges em liberais.

   A ideia eleitoral é uma construção do exclusivismo de um líder que libertará o brasileiro de todas as mazelas produzidas na história política, econômica e sociocultural na desigual sociedade brasileira. A compreensão e visão de um partido-seita, produz narrativas político-religiosas, da perseguição de um povo e seu líder, da travessia pelo deserto, fruto dos pecados capitais do sistema e sua elite perversa, e, finalmente, a chegada no paraíso utópico da igualdade e liberdade infinitas. Nesse éden existencial, as eleições são o momento de conversão, com total ausência de crítica e autocrítica. Afinal, os pecados são perdoados quando consubstanciado o voto na urna eletrônica.

   Neste contexto, os partidos são a representação simbólica das igrejas políticas que vivenciamos na decisão do pleito presidencial de 2018, catequizados e convertidos de última hora, em guerra santa nas redes sociais, tratam de duelar para cristianizar os hereges e aniquilar os inimigos, na tortuosa construção da cidadania brasileira. Os partidos se transformam em organizações privadas, com caciques proprietários e filiados subordinados, que sobrevivem com o maná do fundo eleitoral público, irrigados com sopro adicional dos recursos privados, expressão máxima dos escândalos de corrupção que levaram partidos e suas lideranças ao descrédito republicano.

   O patronato político seduz os filiados e militantes, com a comunhão de cargos comissionados em clientelismo de ocasião, alianças que forjam uma dependência visceral dos partidos, coligações, grupos de interesse, na administração dos recursos públicos e definição da agenda política. Neste momento, as crenças e ideologias de direita, centro ou esquerda, desvanecem em conversão pragmática aos interesses particulares e individuais.

   Os mitos e ideias sucumbem à tentação dos privilégios e benefícios seletivos, as promessas esboçadas em narrativas eleitoreiras são olimpicamente esquecidas ou negadas, as garantias constitucionais são remodeladas às coalizões partidárias, os programas de governo são renegados ao esquecimento atávico das lideranças salvacionistas.

   O surpreendente se transforma em mágico. Os eleitores devotam suas aspirações na tentação autoritária ou populista, seus desejos e interesses particulares, cansados de acreditar na realização de nosso futuro edênico.

   Seguimos calmamente em silêncio cúmplice, uma marcha da insensatez rumo à crise institucional e caos social, na terra dos deserdados e desesperançados.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

DEPOIS DE TUDO

“Quando morto estiver meu corpo, evitem os inúteis disfarces os disfarces com que os vivos procuram apagar no morto o grande castigo da morte (…)

Descubram bem minhas mãos!
Meus amigos, olhem as mãos!
Onde andaram, o que fizeram, em que sexos demoraram seus dedos sabidos? 

(…) Quero ser um tal defunto, um morto tão acabado, tão aflitivo e pungente que possam ver, os meus amigos, que morre-se do mesmo jeito como se vão os penetras escorraçados, as prostitutas recusadas, os amantes despedidos, que saem enxotados mas voltariam sem brio a qualquer gesto de chamada

Meus amigos, tenham pena - senão do morto ­- ao menos dos dois sapatos do morto. Olhem bem para eles. E para os vossos também!”
("O Defunto" - Pedro Nava - 1903-1984).
 
por Emanuel Medeiros Vieira
 
    Depois de tudo. Quando será? Sempre acreditamos que nos salvaremos pela memória. Como saberemos?
   A vida é menos heroica, não napoleônica.
   É só ela. Nascer do sol, pôr do sol. E escrevemos. Todos já escreveram.
   São toneladas de meditações. E, no fundo, nunca entendemos.

    Nunca entenderemos.

    O que queria dizer? Tudo e nada. E o que consegui escrever, é quase menor do que a epígrafe de mestre Pedro Nava (bem melhor,­ diz tudo e não engana ninguém).
    Porque ­ na vida social ­ precisamos de disfarces, blindagens, camuflagens., representações, máscaras.
   Alguém disse que envelhecer não é para frouxos.
   Estar doente, com enfermidade incurável, também não é.
   Uma pessoa pediu que eu tivesse mais fé.
   Para quem não está doente, "está fora de ti” e das tuas dores diárias, é mais fácil…

    Nós sabemos (e NÃO queremos “saber”) QUE TODA A DOR HUMANA É INTRANFERÍVEL.
   Ninguém carregará os nossos trambolhos e fardos ­ por mais solidariedade que tiverem.
   Não tenho mais idade (ou paciência) para dissimulações.
   O ser que me pediu mais fé talvez tenha razão.

   Mas somos o que somos.

   Há que viver cada dia (e ainda agradecer).
   Existem seres amados, sol, um pássaro
   Viver também não é fácil -­ e só digo um clichê, uma platitude, nada de novo.
   O diabo sempre ri para mim e pergunta-me se o Deus que me foi ensinado não irá aliviar as minhas dores…
   Eu fico em silêncio e, no geral, leio um poema e (pelas minhas raízes) a oração de São Miguel Arcanjo, e tento rezar a prece de São Francisco de Assis ­ que sempre foi o santo de minha predileção. Seria bom ter a fé de guri.

    Lamento (mesmo tendo ido à Itália três vezes - na primeira, fugindo da nossa ditadura- não ter ido à cidade natal de Francisco). Ficará para uma outra vida… E ninguém quer ir embora…

    Como disse o bardo inglês (tantas vezes citado)“o resto é silêncio”.
    Depois de tudo… 
(Brasília, setembro de 2018)

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

SÍSTOLE e DIÁSTOLE

por Marcos Bayer

    Assim como Fernando Collor e seu pequeno PRN - PARTIDO DA RECONSTRUÇÃO NACIONAL, agora, Jair Bolsonaro e seu pequeno PSL - PARTIDO SOCIAL LIBERAL, vencerá a eleição presidencial. Ambas vitórias, em 1989 e 2018, demonstram uma grande repulsa do eleitorado com as mesmas práticas, a corrupção e a inércia de sempre.
  
    Collor venceu contra os marajás do serviço público. Bolsonaro vencerá contra a insegurança. A corrupção deve continuar porque é inerente ao comportamento humano. Será maior ou menor a depender da composição do poder.  

   Assim como Collor abriu a economia, Bolsonaro terá que tratar da previdência, dos tributos, dos juros e da reforma partidária. Quanto mais tempo passa, mais as pautas se acumulam. 

   Os grandes derrotados são PSDB e PT. Os outros não existem mais.

sábado, 29 de setembro de 2018

Carrière de Lumière: um experiência lisérgica cultural


Picasso e os grandes mestres da pintura espanhola em uma aventura artística com exposição imersiva se misturam com o show Power Flower da cultura pop


Projeções das obras de Picasso e dos grandes artistas espanhóis inundam o piso e as paredes do espaço composto de gigantescos  blocos de pedra de calcário branco. O som que acompanha o movimentos das formas e das cores mostrando todas as fases dos grande pintor nos tira a percepção de realidade como conhecemos e nos transporta para um mundo completamente diferente em uma experiência sensorial jamais experimentada.

    Literalmente nos tira o chão!

   Nunca conhecemos tudo. Em 65 anos de vida jamais havia tido uma experiência sensorial tão intensa e maravilhosa. E olhem, de experiência sensorial eu entendo. Os anos 70 foram os mais férteis nesse tipo de incursões experimental.

Power Flower

   Quando, após um apagão de escuro profundo e silêncio estático, começam as projeções da fase psicodélica que se chama Power Flowers,  aí é “pracabá”!

   Imagens super coloridas do filme Submarino Amarelo, flores e formas distorcidas, sobem e descem, andam pelas paredes e piso e, desta vez, nos transporta para um mundo totalmente lisérgico com música  dos Beatles, Beach Boys, Rolings Stones e quejandos. 

   Maravilha colorida!

   Tudo isso aconteceu ontem nas gigantescas cavernas da uma antiga mina de calcário na pequena vila medieval de Baux-de-Provence, a 80 quilômetros de Marselha. 

   O local da “viagem” se chama Carrières de Lumères. A ville Baux-de-Provence, que fica no alto de uma montanha, tem apenas 436 habitantes. Sua origem data de 6 mil anos antes de Cristo e era habitada pelos Celtas.

Canga,

Depois de seis mil anos, os "espíritos" ficam incontroláveis!
Grande abraço!
MBayer. 

sábado, 22 de setembro de 2018

Corrida de Ratos na Província Catarina

por Eduardo Guerini
“Minha terra tem palmeiras, onde canta o tico-tico,.
Enquanto isso o sabiá, vive comendo o meu fubá. (Jogos Florais. Poeta Cacaso).
   
A corrida eleitoral na província catarinense é emocionante. Aqui na terra dos casos e acasos raros, as famílias se sucedem no poder, passando da situação à oposição sem nenhum rubor. O temor é o eleitor confundir e anular os votos, diante de tanta “cruza de jacaré com cobra d´água”.
   Os postulantes ao governo da província catarinense, muitos dos quais já estiveram no poder, seja como secretário, ou, base de apoio parlamentar, sofrem de amnésia coletiva, esnobando o atual inquilino em exercício que afirma que a situação dos cofres estaduais é periclitante. As alianças eleitoreiras são pragmáticas, incluem fiéis e infiéis, comunistas de araque e liberais, progressistas e conservadores, evangélicos e católicos, todos irmanados em conquistar um lugar no secretariado barriga-verde. Tal apetite garantirá alguns cargos comissionados para alimentar a máquina reeleitoral, mesmo que tentem extinguir as Agências de Desenvolvimento Regional.

   Os slogans para a campanha majoritária na província Catarina virginal são sugestivos, um misto de ufanismo com histeria, todos devidamente criados nos laboratórios do marqueteiro-mor da capitania hereditária. Uma candidatura diz que “Santa Catarina quer MAIS”, outra candidatura aponta que no território catarinense “Aqui é TRABALHO”, um terceiro postulante outsider, orientado pelo capitão apresenta a singela ideia “Santa Catarina em Primeiro Lugar”. 

   Tem candidato profissional de oposição que aproveita o embalo para dizer que deseja fazer um governo para os catarinenses, tudo para fazer feliz de novo o povo. As promessas são surreais: “salvar a saúde da UTI”, “a educação será integral para todos”, “a segurança será de primeiro mundo”, “o saneamento tornará balneável todo o litoral catarinense”. Neste compasso seguiremos o lema eleitoral da rede de comunicação monopólica com seus comentaristas “chapa-branca”, SC ficará ainda melhor!!(sic)

   Os candidatos ao Senado Federal são egressos da velha tradição oligarca-partidária, famílias e políticos profissionais, da direita para o centro, do centro para esquerda. Tem ex-governador, ex-senador, deputado, todos elaborando propostas para salvar a saúde, o emprego, reduzir a carga tributária, etc. Tem candidato optando por espectros de governador para garantir alguma transferência de voto. Tem candidata que resolveu mudar o modelito de governo para radical do povão, num retorno oportunista que dói a vista do eleitor atento para esperteza política. No fundo, todos os candidatos ao Senado Federal desejam um regalo maior ou benesse vitalícia, e, claro, um salário sem muito esforço.

   As sabatinas, debates na rádio e televisão, são momentos de alarido sonolento de uma turma de profissionais da política que insiste em engambelar gerações e gerações de eleitores. As promessas são de prosperidade, de um novo ciclo de crescimento, de um jeito catarinense, de um Estado diferente. Acontece que, na atualidade, a governança da província Catarina virginal afunda num mar de dividas presentes e futuras incontroláveis para uma receita que cresce em ritmo menor que as despesas. Nas palavras espinhosas do governador provincial, os candidatos estão prometendo algo que não conseguirão cumprir, devido à herança maldita que o vencedor legará.

   O importante é buscar na arvore genealógica da política catarinense quem controla o poder, definindo suas prioridades eleitorais, com impactos nas campanhas familiares. As famílias unidas em compadrio e favorecimento, seguem o lema máximo: “Onde se ganha o pão, não se divide a carne”. Assim, a corrida de ratos no processo eleitoral é uma saborosa disputa pelo apetitoso naco de queijo que o poder provincial garantirá nos próximos quatro anos. Como diz aquele velho sorrateiro do brejo: umas famílias tropicam, outras caem, outras tantas se levantam!!

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

PRINCIPIA MATHEMATICA

por Marcos Bayer

   O título é uma homenagem a Isaac Newton pelos seus estudos de física e mecânica, além de tantas outras hipóteses que lhe passaram pela cabeça.
 
   A mecânica é inerente ao homem e aos animais. O movimento das estruturas ósseas, desde o cavalgar dos cavalos - nosso primeiro automóvel terrestre - até o movimento das asas que lançam os pássaros no espaço. Sem esquecer a mecânica do nadar dos peixes, aos trejeitos das baleias.
 
   Até aprendermos a forjar o ferro, a ossatura e a madeira moviam o mundo.
   Com a mecânica industrial, recente na História humana, entramos numa fase onde a tração tem mais potência.
   Os passos do cavalo se transformam em HP (Horse Power) dos motores movidos a vapor ou a petróleo.
 
   Este grande mundo mecânico industrial nascido no século 19 está sob intensa transformação no século 21.
   Em vários processos a força mecânica é transformada em leveza digital. TOUCH SCREEN. O leve toque na tela, como faço agora, neste momento.
   O mundo digital é mais silencioso, mais frio, mais solitário e mais próximo - distante.
 
   Não tenho capacidade, nenhuma, de prever o futuro.
Mas, minha intuição diz que o mundo virtual será um refúgio psico - emocional para o mundo real. 
   E o confronto interno em cada ser humano será encontrar o equilíbrio entre os movimentos mecânicos e o toque suave da ponta dos dedos. Como na Insustentável Leveza do Ser de Milan Kundera.
 

terça-feira, 11 de setembro de 2018

MUSEU NACIONAL

por Emanuel Medeiros Vieira
“As cinzas se tornam parte da paisagem, assim como a pobreza, a sujeira, a violência. Aprendemos a desviar dos miseráveis, a ignorar a podridão das praias, a aceitar chacinas. Quem vai se importar com um museu quando o fogo da indignação apagar? Espero estar errada.” 
 (Mariliz Pereira Jorge)

“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer no presente e no futuro, os mesmos erros do passado”. 
(Emília Viotti da Costa)

O New York Times estampou: “Brasileiros choram a perda de um museu, e o declínio de uma nação”.
O Wall Street Journal escreveu: “Tesouros do continente em jogo no incêndio de museu do Brasil”.

    Como observou Elio Gaspari, “quem viu as primeiras reações dos hierarcas da burocracia cultural diante da tragédia da Quinta da Boa Vista teve o sofrimento adicional de ser tratado como cretino. O incêndio foi um acidente previsível, mas ainda assim foi um acidente. A estupidificação oferecida pelos hiercarcas foi empulhação deliberada”(…). Transferir a resposabilidade para a choldra que paga impostos é pura empulhação”.
FOI A CRÔNICADE UMA MORTE ANUNCIADA: gambiarras, infiltrações, fios expostos etc.

NOSSOS EX-PRESIDENTES VIVOS E O ATUAL (ao todo, seis), NUNCA PISARAM OS PÉS NO MUSEU.

PARA NOSSO GOVERNANTES CULTURA é artigo de segunda necessidade, é algo descartável.

O que vale são obras “vistosas”: estádios - hoje às moscas - para a Copa do Mundo. E o Legado Olímpico?

Preferem oferecer muito dinheiro para cantores (“Lei Rouanet”), via incentivos, que já são ricos o suficiente, e não precisam desses recursos, pois já garantem o lucro na bilheterias dos seus shows.

Pagamos o PREÇO DO DESLEIXO PELA CULTURA, PELA MEMÓRIA NACIONAL.

E tudo isso é irreparavél.

Como disse um leitor, “a verdade é que temos um país sem presente e sem futuro. Agora, pelo jeito, sem passado.

Um dia será diferente?
(Brasília, setembro e 2018)

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Democracia?­


­­­­
 por Armando José d’Acampora *
  
   Meus caros.
   Tenho a impressão, cada vez mais forte, de que a nossa democracia é uma falácia.
   Não há qualquer opção que não seja aquela que um determinado partido político oferece, e como nenhum destes partidos tem ideologia definida, pois se agrupam na conveniência de ter maior tempo de mídia, não há como entender o que pretendem. Uma verdadeira vergonha. Se vendem por mais um tempo de exposição na mídia. Isto requer após a eleição a acomodação de todos os partidos que participaram dela em conjunto. Daí o toma lá, dá cá.
     Querem oferecer para os mortais comuns tartarugas colocadas em um poste. E colocam tartarugas que nem falar corretamente a sua língua de origem, o português, sabem.
      Em última análise, só temos as opções que os partidos oferecem e que, na sua grande maioria, não são nada agradáveis ao ponto de vista do eleitor comum.
      A maioria dos candidatos a deputado estadual ou federal não são líderes nas suas áreas de atuação, são totalmente desconhecidos da população.
      Como votar em alguém que nem sei quem é, que não vi sua ficha limpa e porque se inscreve para um cargo eletivo? Qual o verdadeiro objetivo?
      Gastar um milhão de reais numa campanha para Deputado Federal sabendo com antecedência que com o salário de Deputado Federal não haverá cobertura deste gasto? Como explicar isso? Alguma coisa existe que não é entendível pelos eleitores. Com toda certeza.
      Aqueles que já exercem cargo de Senador, Deputado Federal ou Estadual, continuam com a mesma cantilena de dar apoio à Saúde, Educação e Segurança.
      Como votar em um candidato que só aparece para a sociedade a cada quatro anos? Onde está o balanço do que fez pelo Estado? Quais os projetos que submeteu a apreciação dos seus pares, seja no congresso ou mesmo na Assembleia Legislativa? O que estes projetos foram favoráveis à população?
       Algum destes candidatos que já cumprem mandato fez uma proposta de diminuir o número de Deputados Federais e o número de Senadores?
       Se isto acontecesse, sobraria mais uma vultuosa verba para aplicação em Escolas, Hospitais e na Segurança que todos afirmam abraçar.
       Houve algum projeto para diminuir as mordomias dos Deputados Estaduais, Federais e dos Senadores? 
       Diminuir os motoristas, os carros, os gastos com refeições, deslocamento, os assessores de gabinete, a verba de gabinete de todos os políticos possuem, gastos com passagens aéreas, enfim uma série de medidas que poderiam ser tomadas e não o são, por serem muito convenientes.
       Um observador mais atento, irá perceber que nos últimos quatro anos e com a mesma ladainha nas eleições anteriores, mas e a olhos vistos, a Saúde, a Educação e a Segurança pioraram e muito. Como acreditar nos mesmos candidatos que já prometeram isto na última eleição e nada, nada foi modificado para melhor, pois piorou de forma assustadora.
        Queremos candidatos que assimilem as necessidades de uma sociedade que necessita de Educação, Saúde e Segurança e que sejam diminuídas as mordomias de nossos representes. Estas mordomias são um acinte à população que vota neles.

* Médico, Cirurgião Geral. Professor Universitário. Eleitor.