terça-feira, 26 de junho de 2012

@ Rio

Por Marcos Bayer

     E a Conferência da ONU, a Rio + 20, entrou para o circuito turístico da cidade. Traz gente de todo o planeta, toma a rede hoteleira, enche os restaurantes e mobiliza bares, boates e shows específicos.
    Virou um happening no calendário mundial. Todos falam das desgraças ambientais, prometem medidas saneadoras, alguns protestam, a mídia cobre a conferência, os portadores de necessidade especiais são considerados e assim cegos, surdos e mudos passam à condição de cidadãos globais.
     Os EEUU anunciam pequenas ajudas aos países pobres, aos africanos, para a geração de energia eólica, U$ 20 milhões de dólares. Isto compra 20 apartamentos em Balneário de Camboriú, dos médios. Mas, como ninguém compara os números, tudo parece benemerência. O PIB mundial deve rondar os U$ 70 trilhões de dólares. O dos EEUU é de U$ 17 trilhões.
     Somos sete bilhões de habitantes, três bilhões ainda sem as garantias básicas da sociedade cibernética. Metade dos humanos não tem: telefone, calorias suficientes em suas refeições e principalmente saneamento. Saneamento. Um bilhão mora em condições precárias.
     Neste quadro, onde a poluição aumenta e a água potável começa a escassear, os países participantes, entre eles os EEUU, decidem continuar com seu modelo econômico baseado na exaustão dos recursos naturais.
     Assim, quarenta anos depois da Conferência de Estocolmo, em 05 de Junho de 1972, a questão ambiental continua conceitual, com algum avanço na reciclagem na Europa. No Brasil é marcante a reciclagem do alumínio utilizado nas latas de cerveja, sucos e refrigerantes.
   Para os ricos sempre haverá uma ou outra ilha com mar limpo ou banheiras de água cristalina, champagne, música e toalhas brancas lavadas em algum lugar. Os cenários de papelão, coloridos e decorados, apresentarão as telas com os filmes sobre a biodiversidade, os cata-ventos geradores de energia, a reciclagem do alumínio, as casas iluminadas pelo sol e uma parafernália de objetos que o mercado inventou e passou a produzir para que os sete bilhões de consumidores sonhem com novo mundo. Metade deles pode comprar os carros, geladeiras, televisores e até roupas com o selo verde. A outra metade não sabe o que se lhe apresentará.
    Estamos colocando uma samambaia dentro de cada apto em Copacabana, como fizeram os hippies nos anos setenta do século passado. Não se resolveu o problema da carência de áreas verdes no bairro e ainda acabaram com uma quantidade razoável de xaxim em algum lugar do Brasil. Este é o quadro mundial. Estamos pendurando samambaias, ainda. E destruindo os lotes de xaxim.
     De útil, uma conscientização entre as crianças urbanas, que nunca foi perdida entre os habitantes do campo sobre os ciclos da vida, as estações, o cuidado com a água e o descanso da terra. Muito embora, até aqui na serra catarinense, a maioria planta a maça, o tomate e outras hortaliças com uso maciço de fertilizantes e defensivos agrícolas, ou seja, com venenos que correm para os rios com a força das chuvas.
    A questão ambiental ainda é teoria para a humanidade.

Um comentário:

LesPaul disse...

10, mô pombo. Mas quando o discurso verde é ruborizado pelos matizes ultrapassados de stalinistas campesinos que nunca pegaram em uma enxada, "acadêmicos" de araque encastelados em universidades que não formam profissionais, apenas ideólogos do atraso e, governantes que trabalham apenas para esparramar seus 'derrièris' em imperiais assentos, como os reis d'antanho, que obram solenemente sobre o povo e à margem da pátria... não há nada de auspicioso que deles seja servido esperar! Abraço.