quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

MOSQUITO: UM ANO

Por Emanuel Medeiros Vieira
“Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam” (Edmund Burke)
“Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita” (Confúcio)

   Faz um ano que Amilton Alexandre – o popular Mosquito – viajou paras as plagas que não conhecemos.
   Meu pequeno texto não é uma exaltação. É um elogio da memória.
   Nada somos sem ela.
   Num mundo tão volátil, em que nada dura, no qual triunfa o mercantilismo, em que vigora o “desencantamento do mundo” e – em nosso Brasil –, a traição de tantos valores, uma pena e uma voz indignada fazem muita falta.   Posturas voluntaristas ou que tenham sido eventualmente injustas, ficam menores diante da coragem de enfrentar os poderosos de plantão, de dar nome aos bois, e de revelar a traição diária e contínua dos novos dos do poder.   Fazes falta, amigo!
   Num tempo de acomodação, de achar que nenhum esforço vale a pena, uma vida corajosa que se vai, deixa um buraco.   Não somos ilhas.
   Pela “inter-subjetividade” das consciências, pelos sonhos que gestamos em nossa breve
trajetória, estaremos unidos para sempre.
   Como dizia grande arquiteto que há pouco se foi – Dr. Oscar Niemeyer – a vida é um sopro.
“A vida não é justa. E o que justifica esse nosso passeio é a solidariedade” – ele complementava.   Só queria de te dar um abraço.
   E dizer que continuamos vigilantes, atentos – não esquecendo.
   E perguntando: o que esta morte fez com tanta vida?
   Nenhum sacrifício e nenhum esforço foram em vão.
   Algo de ti ficará. Algo de nós sempre ficará.
   Não estás mais onde nós estamos, mas estarás sempre onde nós estivermos.

9 comentários:

Guerini disse...

Caro Emanuel,
Uma lembrança cotidiana de indignação nos move nas trincheiras contra os "pragmatas de plantão". A solidariedade corre nas subjetivas penadas que colocas nesta saudosa menção de um combativo militante, que muitas vezes , com sua voz solitária, foi tachado de lunático(!!!). Não seriam aqueles que insistiram em jogá-lo no liame de processos judiciais penosos , os alienados pela cantilena fácil da submissão. Que em nossa memória fervilhante de indignação, a força do "blogueiro solitário" - Mosquito, seja um zumbido contra os corrompidos pelas benesses palacianas. Uma falta que nos move para as trincheiras. A luta perdeu um combatente valoroso, a batalha é travada em todos os instantes. Todos nós temos um belo exemplo de que é possível lutar sem romper com princípios de uma sociedade mais justa, fraterna , igualitária e livre. Revigorante lembrança...

Anônimo disse...

obrigada emanuel ... estou com muita saudade do blog do mosquito ...

JORGE LOEFFLER .'. disse...

Digo eu – conheci o Mosquito lá na Ilha faz algum tempo. Ano passado quando do lançamento do livro sobre o Coojornal ocorrido na nossa Assembleia Legislativa ele, minutos antes de pegar o voo a Porto Alegre ligou me intimando para lá estar. Depois do evento, ocorrido em meados de junho passado jantamos juntos e o deixei no hotel Pampa do amigo Pardelhas e em seguida rumei ao litoral. Em dezembro ele foi encontrado morto em sua casa no continente. Foi veiculado tratar-se de suicídio. Bem antes disto ele denunciou e aqui repercuti estupro praticado por filho dos donos da RBS do qual também participou o filho do então Chefe de Polícia daquele estado. Até então o fato havia sido ABAFADO, mas nada mais se esconde depois do surgimento dos blogs. O caso foi rapidamente julgado e pouco tempo depois a “sentença” foi anulada, pois consta ter sido exarada na “medida”. O fato então ficou na mesa de um Promotor que estava por se aposentar e desde então nada mais ou soube. Lamento sua partida especialmente por sua filha então com 12 anos (era separado da família). Perdemos não somente os que o conheciam, mas a sociedade, pois necessitamos de muitos “Mosquitos” a infernizar os patifes tal como ele fazia. Lembro que certa feita fomos ao Mercado Público perto do qual fomos avistados por um médico, amigo dele, que nos levou até seu carro de onde tirou uma verdadeira caixa de medicamentos entregando-a ao Mosquito, pois ele além de hipertenso era portador de diabetes. Era odiado por muitos o Mosquito, mas querido por outros tantos corretos como ele.

Meire Jorge disse...

Quantas vozes se calaram com a sua ausência! Será sempre lembrado por nós!!

Gilmar disse...

Como uma "mosca na sopa" que perturba muita gente,certamente este "maluco" Mosquito paira sobre nós. Seus ideais, seus pensamentos, mesmo que calados, inspiram muitos de nós e perturbam os poderosos. Dezenas de poderosos levarão para sempre o carimbo do MOSQUITO na sua testa.
Algo me diz que há ainda muitos mosquistos hibernando, mas logo que esta dormencia passar a elite corrupta será chamada as falas.

Anônimo disse...

que saudade do tijoladas

Wagner Saback Dantas disse...

Emanuel, Canga, me emociono quando leio as homenagens a Mosquito, este homem de tanta hombridade. Por um gesto de solidariedade, de quem se sente magoado pelas mesquinhezes do mundo. Era a dor de Mosquito a de quem não suportava ver as iniquidades rolando soltas por aí como se fossem tão normais (embora sejam, mesmo, parte necessária da nossa história). No cotidiano, quantos manifestam esta dor no ato?

GAFANHOTO disse...

CANGA EU VOLTEI!
DUVIDO QUE FOI SUICÍDIO!!! UMA PESSOA DO SETOR DE INTELIGÊNCIA DE UM ÓRGÃO PÚBLICO DA ÁREA DA SEGURANÇA ME JURA DE PÉ JUNTO QUE O LAUDO DO IGP FOI ENCOMENDADO!!!
CANGA QUE TAL LEVANTAR O CASO DO ESTUPRO? O QUE HOUVE? PORQUE PAROU???
GAFANHOTO!

Anônimo disse...

Prezado Jorge, o "Mosquito" era separado da familia por pura opção. atravessamos um ano muito dificil, foi um verdadeiro bombardeio. algumas pessoas que sequer nos conhecem, mas fizeram questão de dizer que o mosquito foi abandonado pela família. Isso não é verdade. o fato de não viver com a família não significa abandono. poucas pessoas conheciam o Amilton na sua intimidade. poucos sabem que a família, mesmo separada, se encontrava sempre na sua casa para passarmos o dia juntos, para ter contato com a filha. na véspera dele ser encontrado, conversamos muito. Ele estava sozinho, desesperado, mas prometeu que não faria nenhuma besteira. Muitos julgam sem saber da verdade. a verdade é que faz um ano que o vazio toma conta de nossas vidas. a verdade é que nao nos acostumamos ainda com o fato dele não existir mais. a verdade é que não sei o que dizer para a filha, não posso dizer que é normal perder o pai nessas circunstâncias. Ele morreu num momento de profundo desespero, de sofrimento. e isso não fazia parte dele. ele caiu muitas vezes, mas caiu sempre lutando. só queremos que ele fique bem, que encontre a paz.