segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Uma fábula alcoólica

   Por Célio Pezza

   Era uma vez, um país que disse ter conquistado a independência energética com o uso do álcool feito a partir da cana de açúcar.
   Seu presidente falou ao mundo todo sobre a sua conquista e foi muito aplaudido por todos. Na época, este país lendário começou a exportar álcool até para outros países mais desenvolvidos.
   Alguns anos se passaram e este mesmo país assombrou novamente o mundo quando anunciou que tinha tanto petróleo que seria um dos maiores produtores do mundo e seu futuro como exportador estava garantido.
   A cada discurso de seu presidente, os aplausos eram tantos que confundiram a capacidade de pensar de seu povo. O tempo foi passando e o mundo colocou algumas barreiras para evitar que o grande produtor invadisse seu mercado. Ao mesmo tempo adotaram uma política de comprar as usinas do lendário país, para serem os donos do negócio.
   Em 2011, o fabuloso país grande produtor de combustíveis, apesar dos alardes publicitários e dos discursos inflamados de seus governantes, começou a importar álcool e gasolina.
   Primeiro começou com o álcool, e já importou mais de 400 milhões de litros e deve trazer de fora neste ano 2012 um recorde de 1,5 bilhão de litros, segundo o presidente de sua maior empresa do setor, chamada Petrobras Bio-combustíveis.
    Como o álcool do exterior é inferior, um órgão chamado ANP (Agência Nacional do Petróleo) mudou a especificação do álcool, aumentando de 0,4% para 1,0% a quantidade da água, para permitir a importação. Ao mesmo tempo, este país exporta o álcool de boa qualidade a um preço mais baixo, para honrar contratos firmados.
   Como o álcool começou a ser matéria rara, foi mudada a quantidade de álcool adicionada à gasolina, de 25% para 20%, o que fez com que a grande empresa produtora de gasolina deste país precisasse importar gasolina, para não faltar no mercado interno. Da mesma forma, ela exporta gasolina mais barata e compra mais cara, por força de contratos.
   A fábula conta ainda que grandes empresas estrangeiras, como a BP (British Petroleum), compraram no último ano várias grandes usinas produtoras de álcool neste país imaginário, como a Companhia Nacional de Álcool e Açúcar, e já são donas de 25% do setor. (SHELL-COSAN)
   A verdade é que hoje este país exótico exporta o álcool e a gasolina a preços mais baixos um produto com 0,4% de água, importa a preços mais altos um produto inferior (1% de água), e seu povo paga por estes produtos um dos mais altos preços do mundo.
   Infelizmente esta fábula é real e o país onde estas coisas irreais acontecem chama-se Brasil cujo ex presidente, além de ladrão, ainda é pinguço.

CÉLIO PEZZA é escritor ( http://celiopezza.com/wordpress/2011/10/02/cronica-86-a-fabula-do-pais-do-alcool-e-da-gasolina/)

3 comentários:

Anônimo disse...

O que é mais revoltande é a complacência do povo, inclusive a minha, diante de tal situação. Somente a força da mobilização de todos, demonstrando a sua indignação frente a esse quadro surreal trará a esperança da mudança.

Anônimo disse...

Joseph Goebbels já dizia que uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. Esta é a máxima na propaganda oficial do atual governo brasileiro, em tudo e o tempo todo, desde 2002. Assim, a Alemanha nazista conseguiu a proeza de se auto-destruir, porém, querendo destruir os outros. Os tempos mudaram. E os que se utilizam dessa máxima de Goebbels, hoje, não possuem inimigos externos, mas os imaginários internos, ou seja, causando uma verdadeira implosão que, aos poucos, vai minando a frágil estrutura do país. Nos negócios do estado, alguns levam muito e muitos nada levam.

Anônimo disse...

E é bom que fala (do verbo falir) logo. Só assim o PT e quadrilha serão depostos do poder. Senão vai ser difícil tirá-los! Nem à bala!

BV