quinta-feira, 22 de março de 2012

O outro

Sharon...
    Por Marcos Bayer
    O outro é máximo da possibilidade humana. Um não se completa senão no outro. O quadro pintado será legitimado pelo olhar atento do outro. A música será ampliada pelos ouvidos de muitos outros, assim como o texto será pelos olhos de tantos mais.

    O amor se manifesta somente no outro. Esse tal de amor-próprio que tanto reverenciam, aqui e lá, nada mais é do que cuidado solitário. Uma ficção linguística para esconder a dor. A dor da ausência.

    A inesgotável capacidade humana para criar e dar continuidade à raça se funde na eterna percepção do outro.

Eu te vejo nos meus olhos e me vejo nos teus. 
    
Troca santa de sentidos faz do homem oportunidade monumental. 
    
Tato milenar e industrial.
    
Enfermo e dor recebe compaixão e prolonga a vida.
    
Eu fundamental em quem me sabe e sente existência atemporal.
    
Ondas e curvas físicas ou meta físicas, harmonia conceitual.
    
Ondas do mar que quebram com as ondas cerebrais.
    
Movimentos internos conduzem todas as energias vitais.
    
Talvez por isto cante o poeta: For me there is no one but you...
    
O momento da percepção do outro é o máximo da possibilidade humana.
    
E não há outra hipótese, senão esta...

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