segunda-feira, 4 de junho de 2012

Uma história dos Anos de Chumbo


Meu avô se chamava Afrânio Francisco Azevedo. Era comunista e espírita kardecista, uma coisa que muita gente não entende até hoje. Mas nos anos 40 a 60 era perfeitamente possível. Tanto que ele era amicíssimo de Xico Xavier
Luis Carlos Prestes

     Uma história dos Anos de Chumbo Vou contar o que fui fazer neste fim-de-semana — e uso a oportunidade como pretexto para contar um pouco da minha hstória. Há alguns leitores que pedem isso há muito tempo — uns por curiosidade sobre a minha biografia, outros buscando elementos para atacá-la. Vou saciar as duas partes.
    Fui visitar minha família em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Meu irmão mais novo, Eduardo, comemorou um feito incrível: bodas de prata, 25 anos de casamento feliz com sua grande companheira Patrícia. Fizeram uma festa singela no meio de um campo de girassóis. Linda mesmo.
    O lugar onde houve a festa é uma fazenda que está em com minha família desde 1902, 110 anos atrás. É uma propriedade pequena onde Eduardo e a minha mãe ganham a vida plantando todo tipo de coisa: soja, milho, ervilha, feijão… e girassóis, a lavoura mais linda que eu já vi. O relevo é muito plano. Fica a mais de 800 metros de altitude. No outono o por-do-sol é espetacular.
    A vegetação nativa é baixa e retorcida. Um cerrado ralo que, num primeiro momento, assusta quem está acostumado com a exuberância da Mata Atlântica. A beleza do cerrado só se descobre observado os detalhes. As flores, por exemplo, são minúsculas, mas são espetacularmente bonitas.
    Foi observando detalhes assim que minha mãe, que se chama Martha Pannunzio, colheu material para compor uma linda e premiada obra literária infanto-juvenil. São dela ’Veludinho’, ‘Os Três Capetinhas’, ‘Bicho do Mato’, ‘Era Uma Vez Um Rio’, ‘Bruxa de Pano e ‘Você Já Viu Gata Parir’. Esses livros lhe valeram os prêmios mais prestigados do País: INL, APCA, Jabuti.
    Ela e minha irmã caçula, Lavínia, tocam também um projeto teatral muito bacana. Fazem montagens adaptadas dos livros da Dona Martha. Concebem os espetáculos, conseguem patrocínio privado e fazem encenações profissionalíssimas. O público são os alunos de escolas públicas, que não pagam ingresso e têm o transporte garantido pelo projeto. Mais de 80 mil crianças tiveram assim seu primeiro contato com o teatro.
    Hoje as coisas parecem ordeiras e harmônicas em Uberlândia. A vida é simples, alegre e produtiva. Mas houve uma data, 1º de abril de 1964, em que elas começaram a ficar bem difíceis.
    Meu avô se chamava Afrânio Francisco Azevedo. Era comunista e espírita kardecista, uma coisa que muita gente não entende até hoje. Mas nos anos 40 a 60 era perfeitamente possível. Tanto que ele era amicíssimo de Xico Xavier e Luis Carlos Prestes — que foi padrinho de casamento da minha mãe. Leia tudo. Beba na fonte.






Um comentário:

Tania Ziert Baião disse...

Já havia lido no blog dele!
Adorável história!
E ainda tem gente que duvida????