sexta-feira, 25 de novembro de 2011

DE BAR EM BAR

    Por Janer Cristaldo

    Melhor os bares, dizia eu há pouco, me referindo aos museus. Ou restaurantes. Em algum momento de sua obra, Kafka fala de uma utopia, uma casa onde toda pessoa pode entrar e sair na hora em que bem entender. Essa utopia existe desde há muito. São os bares e restaurantes. Em Praga, recentemente, estive não exatamente em uma dessas casas de Kafka, mas na casa de Kafka. Que hoje é um restaurante. Fica em frente àquele relógio astronômico que reúne centenas de turistas a cada hora.

    Em 2007, comentei o livro A Invenção do Restaurante, de Rebecca L. Spang, que estuda o fenômeno em suas origens, ou seja, em Paris. Considero os restaurantes um dos mais esplêndidos achados da história humana. Neste livro de Rebecca, descobri que os restaurantes evoluíram das maisons de santé até o que hoje conhecemos por restaurante. A palavra decorre de uma paráfrase de um versículo de Mateus (11:28) "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei". Lá pelos estertores do século XVIII, um dos primeiros restaurateurs da época pôs na entrada de sua casa esta frase um tanto blasfema: "Accurite ad me omnes qui stomacho laboratis et ego vos restaurabo". Ou seja, corram a mim todos vós cujos estômagos padecem, e eu vos restabelecerei.

    O mundo está cheio de comensais que comem sem jamais pretender entender o que comem. Há também os que gostam de saber o que estão comendo. Me situo entre estes últimos e entre minhas leituras prediletas estão os autores que tratam de história da comida. O primeiro livro que li nesta área foi Food in Civilization – How History Has Been Affected by Human Tastes, de Carson I. A. Ritchie. O livro tem uma origem curiosa. Carson havia convidado alguns amigos a jantar em um bom restaurante. Comeram bem e fartamente. Na hora de pagar, Carson pegou a carteira ... e viu que não tinha dinheiro suficiente. Seus amigos o salvaram. "Mas uma vez passado o mau momento, pensei que a história da alimentação em algo se parece a esta anedota: quando chega o momento de pagar o banquete, podemos descobrir que o que desfrutamos custa mais do que estávamos dispostos a pagar quando nos sentamos à mesa". Decidiu então escrever este estudo para que o leitor descubra uma nova interpretação de sua própria história e de suas atitudes frente ao que come. Leia mais. Beba na fonte.

Um comentário:

Anônimo disse...

muito bom esse texto.. podia escrever mais sobre o assunto